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25 de junho de 2018

Camisolas das equipas não são para Peter Sagan

(Fotografia: Bora-Hansgrohe/© Bettiniphoto)
Coleccionar camisolas é algo tão banal para Peter Sagan, como qualquer um fazer uma colecção de cromos! Se as três de campeão do mundo têm, naturalmente, o maior destaque, neste domingo, o eslovaco foi buscar a sexta de campeão nacional. Também já tem uma de campeão da Europa, além das cinco verdes da classificação por pontos na Volta a França. São muitas mais se incluirmos todas as corridas que o ciclista fez. Certo é que há muito tempo que Sagan não sabe o que é vestir o equipamento normal das equipas que representa, a não ser no contra-relógio. A última vez que envergou a camisola standard foi a 13 de Junho... de 2011!

Sagan, então com 21 anos, estava na Volta a Suíça e no final desse dia, na terceira etapa, o ciclista foi o mais forte no sprint e subiu à liderança da classificação por pontos, que não mais abandonou. Depois dessa corrida foi para os Nacionais, onde conquistou o primeiro título eslovaco, dos cinco consecutivos. O resto é história e essa conta com o feito inédito de três títulos mundiais consecutivos entre 2015 e 2017. As únicas vezes que não teve uma camisola de campeão vestida foi quando teve de envergar as de liderança de uma classificação, normalmente a de pontos, mas também umas das gerais. Houve uma que só vestiu quando subiu ao pódio: a de campeão da Europa (2016). Como era campeão do mundo e assim continuou, não iria certamente trocá-la!

A última equipa a ver Sagan com a camisola dos patrocinadores, utilizada por todos os ciclistas, foi a Liquigas-Cannondale, que em 2013 passaria a ser somente Cannondale. A Tinkoff contratou, em 2015, um campeão nacional que nesse mesmo ano conquistou o primeiro título mundial. Nesse ano também venceu o contra-relógio nos Nacionais, só para ter dois equipamentos especiais! A Bora-Hansgrohe subiu ao World Tour em 2017 e tem aquele que não larga a mais famosa camisola, a do arco-iris (partilha a notoriedade com a amarela da Volta a França).

Vontade não falta a Sagan de escrever um pouco mais de história nos Mundiais e ganhar o quarto título consecutivo. Nunca ninguém ganhou tantos, seguidos ou não (nem Eddy Merckx). O problema é que o percurso de Innsbruck, na Áustria, é claramente para os trepadores. O eslovaco até tem alterado um pouco a sua temporada - também devido à sua recente paternidade -, apostando nos estágios em altitude. Até já foi noticiado que depois do Tour estaria a pensar perder algum peso e assim tentar ter alguma hipótese de manter a camisola de campeão do mundo. Ainda assim, desta feita Sagan não vai aparecer entre os principais favoritos.

(Fotografia: Twitter @BORAhansgrohe)
Nos últimos dois anos, o irmão Juraj Sagan tinha sido o campeão eslovaco, com Peter a ser segundo. Em 2018 trocaram as posições. Será que Peter quis garantir que vai continuar com uma camisola de campeão, caso se concretize a possível perda da do arco-íris?

Certo é que resolveu conquistar o sexto título nacional em grande estilo: 95 quilómetros de fuga solitária! Juraj ficou a 2:16 minutos e o também ciclista da Bora-Hansgrohe, Michael Kolar, fechou o pódio a 6:07 (fotografia à direita), tendo surpreendido ao terminar a carreira nesta corrida. A equipa alemã anunciou a decisão do corredor de apenas 25 anos, que irá permanecer na Bora-Hansgrohe, mas num papel de relações públicas.

Nem todas as equipas gostam de ter de mudar os equipamentos escolhidos para dar a maior visibilidade possível aos patrocinadores. A Bora-Hansgrohe não está entre elas, tendo tendência a coleccionar títulos nacionais e a aproveitar muito bem esse facto a nível de marketing. Quem tem Sagan já sabe que terá de lhe fazer equipamentos especiais de campeão, mas tendo em conta as vitórias e a popularidade que o tornaram num dos ciclistas com imagem mais valiosa, talvez nenhuma equipa se importasse de mudar as camisolas.


Outros campeões de fundo:
Domigos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) - Portugal
Gorka Izagirre (Bahrain-Merida) - Espanha
Yves Lampaert (Quick-Step Floors) - Bélgica
Michal Kwiatkowski (Sky) - Polónia
Vegard Stake Laengen (UAE Team Emirates) - Noruega
Matej Mohoric (Bahrain-Merida) - Eslovénia
Antoine Duchene (Groupama-FDJ) - Canadá
Gediminas Bagdonas (AG2R) - Lituânia
Jonathan Brown (Hagens Berman Axeon) - Estados Unidos da América
Merhawi Kudus (Dimension Data) - Eritreia
Tsgabu Grmay (Trek-Segafredo) - Eitópia

24 de junho de 2018

José Santos tinha razão. "Não há anos iguais". Desta vez, Domingos fez mesmo a dobradinha

Há um ano, Domingos Gonçalves parecia estar a caminho de ficar com os dois títulos nacionais. Porém, uma queda na prova de fundo, em Gondomar, estragou-lhe os planos. 12 meses depois, o gémeo da Rádio Popular-Boavista voltou a ganhar no contra-relógio. O director da equipa. José Santos, disse então que "não há anos iguais", retirando também alguma pressão do seu ciclista, quando questionado sobre a hipótese de Domingos ir novamente atrás da dobradinha. Acabou por ter toda a razão! Em 2018, o ciclista de Barcelos ficou com as duas camisolas.

Chegou isolado à meta em Belmonte, palco destes Nacionais. Porém, atrás de si, Joni Brandão fez uma perseguição feroz. Depois de uma época de estreia no Sporting-Tavira marcada por problemas de saúde, que o afastaram da competição durante muitos meses, é o próprio que diz que está de regresso à luta pelas vitórias. Ainda assim, não hesitou: "O Domingos acabou por ser campeão e foi uma vitória justa."

"Quando o Domingos arrancou eu sabia que tinha de ir com ele. Eu tive um problema mecânico e são fracções de segundo que se perdem e assim, por vezes, se decide uma corrida. Não vale a pena estar a lamentar. São coisas que acontecem", disse ao Volta ao Ciclismo. A corrida foi muito movimentada logo desde os primeiros quilómetros. E foi também muito quente. O tórrido calor teve o seu papel num pelotão que rapidamente se fragmentou. Sem surpresa, mais de metade dos ciclistas abandonaram.

César Fonte (W52-FC Porto), Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira) e Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli) estão na frente, entraram na frente na última volta. A 19 segundos estavam Tiago Machado (Katusha-Alpecin), Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Henrique Casimiro (Efapel), Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli) e Joni Brandão (Sporting-Tavira). A 27 aparecia João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) e António Carvalho (W52-FC Porto). Tinham andado grande parte dos 181,8 quilómetros totais da corrida juntos, mas alguns ataques foram provocando as diferenças. Foi a pouco mais de dez quilómetros da meta que Domingos Gonçalves resolveu ir sozinho. Chegou o momento de fazer mais um contra-relógio e não se deixou apanhar.

"O segredo da vitória foi conseguir poupar-me, graças à ajuda do Luís Gomes, sempre a apoiar-me. À medida que o grupo foi diminuindo, percebi que podia ganhar, porque fiz um super-contra-relógio na sexta-feira, o que é um excelente indicador. À entrada para a última volta, estiquei para me aproximar dos ciclistas que iam fugidos. Com ajuda do Tiago Machado e do Henrique Casimiro consegui fazer a junção. Depois arranquei para tentar ganhar. Ser duplo campeão enche-me de orgulho", disse Domingos Gonçalves no final da corrida.

À sua espera estava uma claque muito efusiva, liderada pelos benjamins da equipa, Francisco Moreira e João Salgado, que festejaram efusivamente a conquista. A época está a ser fortíssima para o gémeo de Barcelos (o irmão José não terminou a prova). Venceu a Clássica da Primavera e soma vários lugares no top dez. Nos Nacionais apareceu determinado e foi uma vitória de força e muito querer. Com a Volta a Portugal a aproximar-se começa a ficar a dúvida se Domingos quererá juntar-se a João Benta e Daniel Silva por algo mais do que vitórias de etapa. Foi peremptório na resposta: "A Volta não é para mim. Vou pensar fazer uma coisa ou outra nuns dias, mas depois é para os meus colegas. Eles merecem."

A camisola de campeão regressa ao pelotão nacional, depois de ter andado a ser envergada por ciclistas que estão no estrangeiro. Brandão tinha sido o último em 2013. O campeão de 2017, Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), não chegou ao fim. Inicialmente foi avançada a versão de uma queda, mas o jovem ciclista teve afinal uma indisposição que o levou ao hospital. De referir ainda que só Nelson Oliveira tinha conseguido uma dobradinha, em 2014.

Quanto a Joni Brandão, o segundo lugar tem sempre aquele sabor amargo, mas não deixou de ficar contente com a sua exibição: "Sinto-me feliz por estar na discussão das corridas. É isto que faz parte de mim." Já fez pódio na Clássica Aldeias do Xisto, apareceu forte no Grande Prémio Jornal de Notícias. Agora vem aí a Volta a Portugal. "Acho que ainda tenho de trabalhar muito. Tive parado no ano passado e há muitas coisas que tenho de trabalhar. Não me sinto na forma que costumava estar nos outros anos, mas espero conseguir estar ao nível que já estive noutros tempos", explicou. Ser campeão nacional pela segunda vez era um objectivo e vai continuar a ser em 2019, mas para já, Joni Brandão estará concentrado em apurar a sua forma.

O mesmo está a acontecer com Henrique Casimiro, que ficou com a medalha de terceiro classificado. O líder da Efapel, a par de Sérgio Paulinho, também está em crescendo de forma. "É um percurso com uma parte final que me favorece, mas só esses dois/três quilómetros. Os Nacionais são muito tácticos. Nem sempre o mais forte ganha, mas hoje sim, o mais forte ganhou", disse.

Os Nacionais, que regressaram à tutela da Federação Portuguesa de Ciclismo, encerraram assim com três dobradinhas, com um pequena nuance. Domingos Gonçalves repetiu o feito de Daniela Reis nas senhoras, enquanto nos sub-23 os títulos ficaram em família, com Ivo como campeão de contra-relógio e o irmão gémeo, Rui, como campeão de estrada.

Julho será um mês com a segunda etapa da Taça de Portugal - a Volta a Albergaria, dia 1 - o Troféu Joaquim Agostinho (12 a 15 de Julho) e a estreia do Grande Prémio Nacional 2 (18 a 22 de Julho).

Resultados (181,8 quilómetros, a uma média de 41,957 quilómetros/hora):
1º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 4:19:59 horas
2º Joni Brandão (Sporting-Tavira), a 30 segundos
3º Henrique Casimiro (Efapel), a 34
4º Tiago Machado (Katusha-Alpecin), a 40
5º César Fonte (W52-FC Porto), a 58
6º Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 1:02 minutos
7º Luís Fernandes (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:33
8º Luís Mendonça (Aviludo-Louletano-Uli), a 1:42
9º João Matias (Vito-Feirense-BlackJack), a 5:29
10º Bruno Silva (Efapel), a 5:36
11º António Carvalho (W52-FC Porto), a 6:14
12º Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass), a 8:58
13º Joaquim Silva (Caja Rural), m.t.
14º João Rodrigues (W52-FC Porto), a 13:49
15º Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano-Uli), m.t.
16º Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), a 13:52
17º Daniel Silva (Rádio Popular-Boavista), a 14:21
18º Rui Rodrigues (Aviludo-Louletano-Uli), a 14:42
19º Paulo Silva (LA Alumínios), a 14:50
20º Nuno Meireles (Miranda-Mortágua), a 15:02
21º Patrick Videira (LA Alumínios), a 15:15
22º Júlio Gonçalves (LA Alumínios), a 15:22
23º Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), a 15:42
24º Rafael Reis (Caja Rural), a 16:13
25º Luís Afonso (Vito-Feirense-BlackJack), m.t.
26º César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), a 16:14

Outros campeões:
Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - Eslováquia
Gorka Izagirre (Bahrain-Merida) - Espanha
Yves Lampaert (Quick-Step Floors) - Bélgica
Antoine Duchene (Groupama-FDJ) - Canadá
Merhawi Kudus (Dimension Data) - Eritreia

23 de junho de 2018

"Eles trabalham muito. As pessoas nem imaginam"

Rui Oliveira sagrou-se campeão nacional de fundo de  sub-23,
um dia depois do irmão ter ganho o título no contra-relógio
Quando um gémeo ganha, o outro não costuma deixar-se ficar! Tem sido assim na ainda curta carreira de Ivo e Rui Oliveira, primeiro na pista e agora a conquista de títulos começou a ter currículo também na estrada. Na sexta-feira Ivo sagrou-se campeão nacional de contra-relógio de sub-23. Um dia depois, Rui vestiu a camisola de campeão de fundo, na mesma categoria. Dois dias perfeitos acompanhados sempre de perto pela família. Hélder é o irmão mais velho, também ele já com passado na modalidade, mas há ainda o "pai dos gémeos", como é tratado. Fernando Oliveira assistiu a mais uma vitória e acredita que os filhos irão muito longe. Porquê? "Eles trabalham muito. As pessoas nem imaginam. Eles trabalham mais do que os outros. Eu sempre lhes disse: 'Nós para sermos campeões temos de trabalhar mais do que os outros.' E eles fazem isso e, por isso, estas coisas estão a acontecer naturalmente."

Rui não conseguia esconder a emoção da difícil conquista em Belmonte, nuns Nacionais marcados pelo muito calor. "Ele tem sido muito regular na Hagens Berman Axeon, com lugares no top 10 e eu sempre pensei que um dia o Rui iria vencer. Aconteceu no campeonato nacional. É ouro sobre azul! Estou muito feliz e feliz pelos meus filhos terem conseguido este objectivo de fazer uma dobradinha", contou ao Volta ao Ciclismo. A festa do São João ganhou outra cor para os ciclistas de Gaia, mas nem tudo tem sido fácil para os gémeos de 21 anos. Com a família a viver intensamente a carreira dos dois ciclistas, Fernando Oliveira confessou que ele e a mãe de Ivo e Rui passam por momentos difíceis. "Eu e a minha mulher passámos por muito. Sofre-se com as emoções todas. Ficamos com a adrenalina toda quando as coisas correm bem. Quando correm mal, temos de saber suportar isso e não é nada fácil. Não podemos nada ir abaixo", referiu.

O pódio: João Almeida, Ivo Oliveira e André Carvalho
E se há alguém que tem tido alguns azares, Ivo e Rui podem colocar o braço no ar. Quedas, fracturas, algumas paragens mais prolongadas já os afastaram de certas corridas: "Não é fácil lidar com esses azares. É muito complicado para nós e muito mais para eles. Eles têm tido muitos azares. Eu costumo dizer que Deus é grande e disse-lhes que lutai sempre que Deus vos vai ajudar. E as coisas têm acontecido, umas más, umas boas e hoje e ontem aconteceram coisas muito boas."

Fernando Oliveira recordou que os filhos sempre gostaram de ciclismo. "Nós só acompanhámos. Gastámos muito, tivemos muita despesa... Esta modalidade não é nada barata! Mas investimos e valeu a pena." O pai dos gémeos acrescentou que desde cedo percebeu que todo o esforço para dar as melhores condições aos filhos não seria em vão: "Quando eles começaram a andar de bicicleta vi que tinham grande talento. Sempre tive confiança neles e por isso é que eu e a mãe investimos."

A mudança para a Hagens Berman Axeon, de Axel Merckx, tem tido um papel preponderante na evolução destes dois ciclistas. "Sem dúvida nenhuma. O maior veículo disto tudo foi a pista, foi o que os lançou. A Hagens Berman Axeon estava atenta e viu que eles tinham talento e podiam ir mais além e foi uma evolução tremenda. Eles têm dado saltos lentos, mas de grande evolução", disse. E Fernando Oliveira não tem dúvidas que a margem de progressão ainda é grande.

Enquanto o pai falava sobre as conquistas dos filhos, Rui ia celebrando com o irmão, mas também com o companheiro de equipa João Almeida, que repetiu o segundo lugar na prova do fundo, depois de o ter feito no contra-relógio. Rui não conseguiu esconder as lágrimas, num momento em que a emoção tomou conta deste jovem talentoso ciclista. "Este ano já fiz 15 top 10 e nunca ganhei nada. Foi mais o querer do que a força", afirmou. "Ataquei a 30 quilómetros da meta. Vinha muito cansado. Não sei como tive força para aguentar até ao fim. Tive quase a desfalecer a cinco quilómetros da meta. Já não conseguia ver nada a frente", acrescentou.

O grupo da frente, ainda com Rui Oliveira, na difícil subida
no último 1,5 quilómetro do circuito de Belmonte
A corrida foi muito movimentada desde o início. Rui entrou na fuga inicial, na qual mais tarde se juntaram os companheiros de equipa Ivo Oliveira e João Almeida. O agora campeão nacional de sub-23 salientou o quanto foi importante o trabalho dos dois, quando no grupo estava também Pedro Miguel Lopes e André Carvalho, da Liberty Seguros-Carglass, por exemplo. Com receio de não ter força para sprintar, caso ficasse no grupo até final, Rui atacou e foi uma exibição que não esquecerá. André Carvalho acabaria por ficar com a medalha de terceiro classificado.

"É o nosso último ano de sub-23 e nunca tínhamos feito grandes resultados nos nacionais. Trabalhámos bem para este sucesso. Viemos reconhecer os percursos várias vezes, tendo a sorte de o nosso irmão mais velho, ex-ciclista, nos ajudar, porque sabe ler bem corridas", concluiu Rui Oliveira sobre o seu título e o de Ivo.

Os nacionais encerram este domingo com a corrida de elite (11:30), 181,8 quilómetros, os primeiros 76 pelo concelho e depois será um percurso a passar pelo centro da vila, com o campeão a ser conhecido na quinta passagem pela meta. Há um ano Ruben Guerreiro  (Trek-Segafredo) sagrou-se campeão em Gondomar. Dos ciclistas que competem no estrangeiro, Ricardo Vilela é uma baixa de última hora. O corredor da Manzana Postobón sofreu uma queda este sábado, na derradeira etapa da prova francesa Le Tour de Savoie Mont Blanc. Nelson Oliveira (Movistar) e Rui Costa (UAE Team Emirates), dois ciclistas que já foram campeões nacionais, também não estarão presentes em Belmonte.

Pode ver as classificações completas dos sub-23 por baixo da imagem.


Resultados sub-23 (160,4 quilómetros, a uma média de 38,409 quilómetros/hora):
1º Rui Oliveira (Hagens Berman Axeon), 4:10:34 horas
2º João Almeida (Hagens Berman Axeon), a 59 segundos
3º André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass), a 1:35 minutos
4º Hugo Nunes (Miranda-Mortágua), a 3:21
5º Tiago Antunes (Aldro Team), a 3:40
6º Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), a 3:50
7º Pedro Miguel Lopes (Liberty Seguro-Carglass), a 8:31
8º Ivo Pinheiro (ACDC Trofa-Trofense), a 8:34
9º Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 8:39
10º Ivo Oliveira (Hagens Berman Axeon), a 10:29
11º Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 11:42
12º Francisco Campos (Miranda-Mortágua), a 11:44
13º Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass), m.t.
14º Leonel Firmino (FGP-CUBE-Bombarral), a 11:47
15º Paulo Silva (Fortunna-Maia), m.t.
16º João Carneiro (Liberty Seguros-Carglass), a 11:49
17º André Evangelista (Aviludo-Louletano-Uli), a 11:52
18º Gonçalo Carvalho (Miranda-Mortágua), 11:56
19º Francisco Morais (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 12:15
20º Iúri Leitão (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 18:29
21º Marvin Scheulen (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 21:04
22º José Sousa (Miranda-Mortágua), m.t.

"Sem a ajuda da Daniela Reis não teria feito o que fiz. Tenho muito a agradecer-lhe"

Daniela Reis e Maria Martins estiveram muito tempo juntas na frente da corrida
Daniela Reis dominou os Nacionais. Ganhou os dois títulos, contra-relógio e de fundo, e aos 25 anos soma sete camisolas de campeã. Em segundo ficou Maria Martins, nas duas provas. Tata, como é conhecida. Não é pessoa de gostar de estar atrás seja de quem for. Está sempre de olhos postos na vitória. Porém, para quem está no seu primeiro ano de sub-23, mas a ter de competir na elite (não há corridas deste escalão no feminino em Portugal), Tata não hesitou em considerar o quanto foi positivo conquistar aquelas duas medalhas. Na prova de estrada, entrou na fuga com Daniela Reis, ciclista com muita experiência internacional, ao mais alto nível, e que apesar de ter sido uma campeã incontestável, ainda ajudou a jovem Maria Martins durante a corrida.

"Sem a ajuda da Daniela Reis não teria feito o que fiz. Seria três vezes mais difícil. Tenho muito a agradecer-lhe. Eu posso lá chegar [ao nível da Daniela]. Ela é a minha inspiração", admitiu Tata, numa altura em que tentava recompor-se do esforço e do intenso calor que acompanhou todo o dia de Nacionais em Belmonte. "São segundos lugares super positivos. Fiquei lá perto. Não é só pelas medalhas, é também pela experiência e pela motivação que ganho em correr com este ritmo. É bom ver o ciclismo em Portugal a evoluir", acrescentou ao Volta ao Ciclismo.

Maria Martins considera que a corrida dos Nacionais foi das mais duras que fez
A corrida terminou com Daniela Reis (Dolticini-Van Eyck Sport) a conquistar o terceiro título de fundo, com Tata a cortar a meta 5:28 minutos depois. Em terceiro ficou uma das grandes referências nacionais. Celina Carpinteiro sabe bem o que é estar no lugar mais alto do pódio e aos 38 anos continua a ambicionar sempre mais. Desta feita, a ciclista da 5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ ficou em terceiro, a 12:25 da campeã.

Tata explicou como foram os 107 quilómetros, que Daniela Reis cumpriu a uma média de 34,700 quilómetros/hora: "Desde o início que foi um ataque muito duro. Tinha de gerir muito bem, comer e beber durante a corrida e isso foi essencial. A Daniela esteve, sem dúvida, três degraus acima de mim. Mostrou uma grande atitude e ajudou-me bastante. Ela acabou por seguir e é mesmo assim. Eu tive de dar o meu melhor. Na corrida somos rivais, mas também somos colegas e tenho um orgulho enorme em dizer que ela é portuguesa."

Está quase a completar 19 anos (a 9 de Julho) e a sua primeira época de sub-23 está a ser feita na equipa espanhola Sopela Women's Team. Tata realçou que nestes quase sete meses, nota bem a sua evolução por estar a participar em corridas mais competitivas: "Sinto já muito a diferença. Em Espanha há um bom ritmo." No entanto, considera que também em Portugal se vêem melhorias. "Há aqui mais atletas que podem estar lá fora, faz-me acreditar podemos ir mais além", afirmou.

E Tata quer ir muito mais além. Já conta com duas vitórias no estrangeiro e agora quer mostrar-se nos seus primeiros Jogos do Mediterrâneo que se realizam no final do mês, em Tarragona, na Catalunha. "Vai ser muito exigente, mas vou dar o meu melhor", disse, salientando que depois de dois segundos lugares é preciso continuar de cabeça bem levantada, pois, como a própria afirma, ainda há muito para viver e muito por conquistar.

Mas houve mais campeãs nacionais em Belmonte. Pela ordem da fotografia à esquerda (em baixo estão as classificações completas): Maria Jesus (Masters 50)*, Filomena Paulo (Masters 40), Daniela Campos (cadete), Daniela Reis (elite), Raquel Queirós (juniores) e Raquel Marques (Masters 30).

Resultados:

Elite (107 quilómetros, a uma média de 34,700 quilómetros/hora)
1ª Daniela Reis (Dolticini-Van Eyck Sport), 3:05:01 horas
2ª Maria Martins (Sopela Women's Team), a 5:28 minutos
3ª Celina Carpinteiro (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), a 12:25
4ª Soraia Silva (Sopela Women's Team), a 14:11
5ª Marta Branco (Maiatos-Reabnorte), a 14:27
6ª Liliana Jesus (BTT Seia), a 19:52
7ª Irina Coelho (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), a 20:44
8ª Diana Pedrosa (Academina Joaquim Agostinho-UDO), a 23:53
9ª Ângela Gonçalves (BTT Seia), a 26:55
10ª Ana Tomás (BTT Seia), a 27:00

Juniores (85,6 quilómetros, a uma média de 32,370 quilómetros/hora)
1ª Raquel Queirós (Quinta das Arcas-Jetclass-Xarão), a 2:38:40 horas
2ª Joana Vinagre (Bairrada), a 6:50 minutos
3ª Nádia Henrique (Mato-Cheirinhos-Vila Galé-Etopi), a 18:50
4ª Joana Pereira (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), a 23:13

Cadetes (64,2 quilómetros, a uma média de 33,735 quilómetros/hora)
1ª Daniela Campos (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), 1:54:11 horas
2ª Rafaela Ramalho (Maiatos-Reabnorte), a 6:52 minutos
3ª Beatriz Roxo (Maiatos-Reabnorte), a 8:09
4ª Beatriz Martins (União Ciclismo da Trofa), a 11:12
5ª Beatriz Pereira (Bairrada), a 13:05
6ª Marisa Ferreira (Bairrada), 16:09
7ª Sofia Gomes (Vilanovense-Duorep-Julio Simões), a 16:34
8ª Joana Alves (Anipura-GDM-Escola Ciclismo Manuel Martins), a 19:14
9ª Inês Nascimento (ACD Milharado-Escola de Ciclismo Manuel Martins), a 25:36
10ª Rute Santos (ACD Milharado-Escola de Ciclismo Manuel Martins), a 53:22

Masters 30 (64,2 quilómetros, a uma média de 32,356 quilómetros/hora)
1ª Raquel Marques (ASC-Focus Team-Vila do Conde), 1:59:03 horas
2ª Nádia Fernandes (Transfor-FatimaBTT), a 43 segundos
3ª Inês Trancoso (Maiatos-Reabnorte), 2:09 minutos
4ª Rita Reis (Mato Cheirinhos-Vila Galé-Etopi), a 2:41
5ª Andreia Freitas (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), a 12:09
6ª Catarina Simões (Academia Joaquim Agostinho-UDO), 18:20
7ª Carla Oliveira (Academia Joaquim Agostinho-UDO), a 27:03

Masters 40 (64,2 quilómetros, a uma média de 31,548 quilómetros/hora)
1ª Filomena Paulo (ACD Milharado-Escola de Ciclismo Manuel Martins), 2:02:06 horas
2ª Ana Neves (Bike & Nutrition Shop), a 4:42 minutos
3ª Lígia Maia (ASC-Focus Team-Vila do Conde), a 22:22
4ª Ana Cabral (ACD Milharado-Escola de Ciclismo Manuel Martins), a 44:58

Masters 50 (64,2 quilómetros, a uma média de 26,781 quilómetros/hora)
1ª Maria Jesus (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), 2:23:50 horas
2ª Cláudia Ribeiro (Maiatos-Reabnorte), a 11:43 minutos

(*Como não havia o mínimo de três ciclistas, Maria Jesus não recebeu a camisola de campeã nacional, mas ganhou a medalha pelo primeiro lugar na corrida da sua categoria)

»»Daniela Reis: "Não sei se algum dia vou ser uma grande líder, mas tenho a certeza que posso ser uma gregária de luxo"««

»»José Santos: "Já digo há algum tempo que o Domingos é o melhor contra-relogista nacional"««

»»Ivo Oliveira: "Era a última oportunidade que tinha de ser campeão nacional como sub-23"««

22 de junho de 2018

"Não sei se algum dia vou ser uma grande líder, mas tenho a certeza que posso ser uma gregária de luxo"

E já são seis títulos nacionais para Daniela Reis, o quarto no contra-relógio. Depois de umas semanas difíceis, marcadas por problemas de saúda, a ciclista portuguesa que nos últimos dois anos tem estado ao mais alto nível conseguiu recuperar a forma para conquistar sem discussão mais uma medalha da especialidade e neste sábado vai tentar juntar a camisola de campeã da prova de fundo. Este fim-de-semana é o início de uma fase importante da temporada de uma ciclista determinada em ir mais longe, que acredita que se trabalhar poderá continuar a subir os difíceis degraus no ciclismo feminino internacional. Tem também a certeza que irá ter mais atletas a seguir as suas pisadas, deixando grandes elogios a duas jovens ciclistas.

Daniela Reis foi quem abriu as portas do ciclismo feminino para Portugal. O ser pioneira deu-lhe um estatuto de referência entre outras ciclistas, principalmente as mais novas. Ainda só tem 25 anos, mas não consegue escapar ser vista desta forma. No entanto, nem gosta muito de ser vista assim: "Ser referência... de certa forma é um bocado de pressão. Eu não quero ser diferente. Eu vou para as corridas para dar o meu melhor, em tudo o que faço. Em cima de tudo fico contente por haver mais portuguesas a acreditar que podem lá chegar e aos poucos sermos mais a correr lá fora. Acreditámos e conseguimos."



A ciclista da Doltcini-Van Eyck Sport refere-se a Soraia Silva e Maria Martins - que a acompanharam no pódio nos Nacionais de contra-relógio -, que este ano assinaram pela equipa espanhola da Sopela Women's Team. "São diferentes, a Tata [Maria Martins] é uma grande sprinter, tem uma ponta final excelente. A Soraia é uma atleta completa. Acredito que quando fizer uma pausa ou acabar a faculdade também irá conseguir chegar a um nível mais alto", explicou.

Mas vamos falar sobre a Daniela Reis. "Sim, estou mais adaptada [ao nível em que compete]. Fiz grandes corridas nas clássicas. Não sou uma das líderes, o meu papel é ajudar até às partes mais importantes das corridas. Estou mais adaptada ao ritmo e à forma de correr delas", disse. Como mulher de trabalho, já vai tendo os seus créditos bem firmados e é nisso que quer continuar a evoluir. Ser líder, não a atrai. "Por agora estou bem como gregária. Não gosto muito de pressão. Sou boa a trabalhar. Mandas-me fazer isto eu faço, mandas-me ganhar uma corrida e não ando nada nesse dia", referiu. "Adoro fazer o meu trabalho. Ando o dobro do que se me pedirem para ganhar. Não sei se algum dia vou ser uma grande líder, mas tenho a certeza que posso ser uma gregária de luxo. E quando é assim, a tua oportunidade aparece. Um dia tens sorte, vais para a fuga e ganhas. Se se tem capacidade para trabalhar uma etapa toda, também se tem para ganhar", acrescentou.


"Tive um bom início de época nas clássicas. De há dois meses para cá, no início de Abril, tive uma fase muito complicada, vários problemas de saúde que me deitaram um pouco abaixo"

Até volta a falar de Maria Martins: "A Maria é uma ganhadora. Se chegar aos 500 metros, vê o risco e ganha. Eu não tenho essa capacidade. Não consigo fazer essa mudança de ritmo, mas garanto que a consigo levar até aos 400 ou 300 metros da meta." Então, e será que vai "meter uma cunha" para a levar para a sua equipa? "Quem sabe... Mas ela não precisa de cunha, ela vai lá chegar e quando lá chegar, ganha!"

Sobre a sua temporada, Daniela Martins já teve altos e baixos. "Tive um bom início de época nas clássicas. De há dois meses para cá, no início de Abril, tive uma fase muito complicada, vários problemas de saúde que me deitaram um pouco abaixo. Felizmente que as coisas voltaram a compor-se e consegui chegar aos Nacionais a andar bem. As próximas duas semanas tenho grandes objectivos", afirmou. Primeiro foi uma infecção respiratória depois da Volta a Flandres. Quando ia para a China, foi uma infecção nos dentes que a debilitou. "Demorou muito a se conseguir tratar. Foi uma fase muito complicada. Felizmente as coisas melhoraram e faz parte do passado."


Depois dos Nacionais, Daniela Reis tem então duas semanas com grandes objectivos. Primeiro serão os Jogos do Mediterrâneo e depois viajará para a República Checa para uma prova por etapas. Está claramente entusiasmada pela recuperação de forma, ao que ajuda ter conquistado mais um título nacional e recordou as três corridas que mais gosta: "Foram as que apontei este ano e que andei mais, o Trofeo Alfredo Binda [26º lugar], Tour de Flandres [29º] e seria o Giro, mas a equipa não foi convidada. São três corridas espectaculares."

Estar numa equipa internacional de alto nível não é o mesmo que estar numa estrutura idêntica, mas masculina. Daniela Reis falou de como se passam dificuldades e como não se fica a viver à grande com o que se paga às ciclistas. Algumas nem recebem nada. "As pessoas acham que por estar numa equipa World Tour é espectacular. Não é! Temos muitas dificuldades. Mesmo a nível financeiro não é como nos homens, que ganham aos milhares. Eu fui para França e nem ganhava dinheiro. Temos de acreditar que as coisas vão melhorar. Não ganhas dinheiro, para o ano pode ser melhor. Agora ganhas pouco, ok continua-te a esforçar-te que vais chegar mais longe. Nunca vamos ganhar tanto como os homens, mas desde que dê para sustentar..."


"Queria mais e melhor. Quero sempre. Sou um bocado inconformada. Mas é acreditar que as coisas podem melhorar e têm tudo para melhorar"

Queixar, não se queixa e Daniela Reis até contou como na pré-época, nos meses de Inverno, trabalha na padaria "para ganhar uns trocos". "Gosto muito daquilo e dá para conciliar com os treinos. Se formos esperar por ordenados das equipas estamos tramadas. As 20 melhores atletas ganham muito, o resto... é o resto, algumas nem são pagas", realçou. No entanto, considera que as condições estão a melhorar no ciclismo feminino, apesar do enorme fosso entre o que se paga às melhores e às restantes atletas. Confessou que de certa forma o que está a encontrar foi de acordo com as suas expectativas, mas... "Queria mais e melhor. Quero sempre. Sou um bocado inconformada. Mas é acreditar que as coisas podem melhorar e têm tudo para melhorar."

A médio/longo prazo quer "mudar de equipa e subir mais um degrau". "Até chegar a este nível é de certa forma fácil, digamos assim. Depois são degraus pequeninos, mas difíceis de subir. E são eles o objectivo. É possível. Quando acreditamos e trabalhamos é possível", afirmou. A sua determinação é mais do que clara e mesmo não estando confortável na posição de referência, a forma como tem encarado a sua carreira de atleta é por si só um grande exemplo.

Este sábado Daniela Reis partirá com essa determinação à procura de mais um título nacional, num final de manhã e início de tarde em Belmonte dedicado ao ciclismo feminino, antes dos sub-23 masculinos partirem às 15:00. As corridas começam às 11:00. Em baixo da imagem ficam as classificações do contra-relógio.



Resultados:
1ª Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport), 38:43 minutos (24,1 quilómetros, com uma média de 37,348 quilómetros/hora)
2ª Maria Martins (Sopela Women's Team), a 1:09 minutos
3ª Soraia Silva (Sopela Women's Team), a 3:26
4ª Celina Carpinteiro (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), a 4:57
5ª Liliana Jesus (BTT Seia), a 5:43
6ª Raquel Santos (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ), a 6:45
7ª Ana Vigário (Sporting-Tavira-Formação Eng. Brito da Mana), a 7:28
8ª Inês Pereira (Academia Joaquim Agostinho-UDO), 7:44
9ª Rita Soares (Jorbi-Team José Maria Nicolau), a 10:28

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"Já digo há algum tempo que o Domingos é o melhor contra-relogista nacional"

Foi uma luta de irmãos. José Gonçalves já não está no pico de forma que o levou ao 14º lugar na Volta a Itália, mas nem por isso andou mais devagar em Belmonte. Tirou o melhor tempo ao colega da Katusha-Alpecin, Tiago Machado. Contudo, a liderança não durou muito tempo, pois apareceu um Domingos Gonçalves, determinado em manter uma camisola que vestiu no último ano. Foram 12 os segundos a separar os gémeos, num pódio que ficou em família.

Há um ano, Domingos tinha ganho um contra-relógio marcado pela não partida de Nelson Oliveira. O tetracampeão nacional não soube da mudança da hora em que deveria começar a sua prova. Domingos ganhou em Santa Maria da Feira e agora em Belmonte comprovou todas as suas qualidades nesta vertente. "Já digo há algum tempo que o Domingos é o melhor contra-relogista nacional. É a confirmação. Só é pena que não tenha estado aqui o Nelson. Teria sido mais contundente e afirmativo para nós", afirmou José Santos, ao Volta ao Ciclismo, que se referiu ao facto do ciclista da Movistar não ter competido na prova desta sexta-feira.

O director da Rádio Popular-Boavista está muito satisfeito por ver o seu ciclista corresponder ao apelo feito para esta temporada, para assumir mais as corridas: "Ele está a responder e os novos da equipa também, como o David Rodrigues e o Óscar Pelegrí. Agora o nosso objectivo é a Volta a Portugal." Rodrigues venceu a última etapa do Grande Prémio Abimota e o espanhol Pelegrí a geral. Domingos tem estado constantemente entre os primeiros e ganhou a Clássica da Primavera, em Março.

Um pódio de irmãos e amigos
Antes de se concentrar na Volta há ainda outro título para disputar no domingo. Domingos Gonçalves esteve perto da dobradinha em Gondomar, mas uma queda tirou-o da luta na prova de fundo. Já revalidou o título de contra-relógio. Será que vai tentar ficar com as duas camisolas de campeão nacional? "Não há anos iguais, mas sim, vai tentar novamente", disse José Santos.

Domingos sentou-se no trono, enquanto ao seu lado estava o irmão que poderá muito bem ter de lhe pagar um jantar! Mas nenhum deles quis entrar no discurso de uma luta de irmãos. "É meu irmão, mas em cima da bicicleta é um rival como os outros. Fora da bicicleta é mais um amigo, como outros que tenho no pelotão", afirmou. Sobre a prova explicou: "Dei o meu máximo, tentando gerir o esforço. Deu-me algum ânimo começar a ver o Rafael Reis na segunda subida do percurso, pois vi que estava a andar bem. Depois comecei a ver o Sérgio Paulinho ao longe. Na parte final, em paralelo, a roda da frente prendeu mais um bocadinho, quebrei aqui, mas os outros também. Consegui completar o meu objectivo: vencer o nacional."

José Santos está satisfeito com os resultados de Domingos Gonçalves
Domingos Gonçalves cumpriu os 33,7 quilómetros em 43:06 minutos, com uma média de 46,914 quilómetros/hora. José ficou então a 12 segundos, com Tiago Machado a fechar o pódio a 20 do agora bicampeão nacional. José Neves, que tem dois títulos na categoria de sub-23, estreou-se na elite com um quarto lugar, a 1:28. Outro ciclista da nova geração e campeão de sub-23 em 2016, Gaspar Gonçalves, foi sexto, a 3:11.

A desilusão acabou por ser Rafael Reis. O ciclista da Caja Rural está a realizar uma época abaixo das expectativas e da sua qualidade. Ele que é um especialista do contra-relógio, também com títulos em sub-23 e sabendo já o que é ficar em segundo na elite, desta feita ficou a uns longínquos 2:55 minutos.

Atribuídos os primeiros títulos em Belmonte - Daniela Reis foi campeã na elite feminina e Ivo Oliveira nos sub-23 masculinos - é tempo de partir para as provas de fundo.

Sábado é dia de corrida de fundo. Mais uma vez, as senhoras abrem as hostilidades às 11:00. Sendo em formato de circuito (21,4 quilómetros), que tem nos 1500 metros finais, em subida, o ponto nevrálgico, vai favorecer quem assistir ao vivo, pois assim poderá ver várias vezes as e os ciclistas. A elite fará cinco voltas, ou seja, 107 quilómetros, as juniores farão menos uma (85,6) e as cadetes ficarão pelas três (64,2).

Às 15:00 será dado o tiro de partida para a corrida dos sub-23 masculinos. Inicialmente o pelotão sairá de Belmonte e fará 76 quilómetros até entrar no circuito. Serão quatro passagens na meta, numa distância total de 160,4 quilómetros.

A elite masculina, inevitavelmente a corrida mais esperada, irá para a estada no domingo às 11:00. O esquema é o mesmo dos sub-23, mas o campeão só será definido na quinta passagem na meta, após 181,8 quilómetros.


Resultados:
1º Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), 43:06 minutos
2º José Gonçalves (Katusha-Alpecin), a 12 segundos
3º Tiago Machado (Katusha-Alpecin), a 20
4º José Neves (W52-FC Porto), a 1:28 minutos
5º Rafael Reis (Caja Rural), a 2:55
6º Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros-Carglass), a 3:11
7º João Rodrigues (W52-FC Porto), a 3:14
8º Daniel Silva (Rádio Popular-Boavista), a 3:16
9º Edgar Pinto (Vito-Feirense-BlackJack), a 3:25
10º João Benta (Rádio Popular-Boavista), a 3:29
11º António Barbio (Miranda-Mortágua), a 4:29
12º Sérgio Paulinho (Efapel), a 4:53
13º Pedro Paulinho (Efapel), a 9:31

Outros campeões:
Maciej Bodnar (Bora-Hansgrohe) - Polónia
Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) - Noruega
Victor Campanaerts (Lotto Soudal) - Bélgica
Joey Rosskopf (BMC) - Estados Unidos
Svein Tuft (Mitchelton-Scott) - Canadá
Jonathan Castroviejo (Sky) - Espanha

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"Era a última oportunidade que tinha de ser campeão nacional como sub-23"

Deitado no chão, perto da meta, Ivo Oliveira tentava recuperar o fôlego de um esforço intenso. Só quando um dos comissários o foi chamar é que percebeu que tudo o que tinha feito tinha sido recompensado: era campeão nacional de contra-relógio de sub-23. Depois de na pista ter dado mais do que provas que é um dos melhores do mundo (é vice-campeão em perseguição individual), agora é na estrada que quer mostrar toda a sua qualidade. Ganhar o título nacional foi um orgulho e ficou a mensagem: "Se calhar veio abrir os olhos a muita gente. Não faço só quatro quilómetros, também faço contra-relógios e bons contra-relógios."

O pódio com três ciclistas de grande futuro
O pódio foi ocupado por três referências das nova geração. O colega de Ivo na Hagens Berman Axeon soma e segue nos bons resultados. João Almeida foi segundo com mais 28 segundos, depois de este ano já ter um segundo lugar no Giro e a grande vitória na Liège-Bastogne-Liège, da sua categoria. A fechar o pódio ficou Tiago Antunes, a 1:51, ciclista que está agora na espanhola Aldro Team, depois da passagem pelo Centro Mundial de Ciclismo da UCI. Ivo completou os 24,1 quilómetros em Belmonte em 31:35, com uma média de 45,784 quilómetros/hora.

Foi assim que ficou Ivo Oliveira depois do contra-relógio
"Foi duríssimo, mas estou muito contente. Era a última oportunidade que tinha de ser campeão nacional [de contra-relógio] como sub-23! Eu apostei tudo neste dia", contou Ivo Oliveira ao Volta ao Ciclismo. O ciclista de 21 anos fez o reconhecimento do percurso juntamente com os irmãos, o gémeo, Rui, e o mais velho, Hélder. "Depois da Volta à Califórnia tive uma semanas muito difíceis, não me estava a sentir bem e foi o meu irmão [Hélder] que me levantou a cabeça", admitiu. Foi também ele quem lhe deu as dicas para potenciar toda a sua exibição, enquanto no veículo de apoio, durante a prova, estava Gabriel Mendes, seleccionador nacional de pista e que tanta influência tem tido no desenvolvimento deste ciclista: " Gabriel foi um grande mestre no carro!"

No seu segundo ano na equipa americana, Ivo quer que seja o da sua afirmação na estrada, ainda mais quando a Hagen Berman Axeon subiu ao escalão Profissional Continental. O gaiense venceu uma etapa no Circuit des Ardennes International, mas um dos grandes objectivos passava por estar na Volta a Califórnia, naquela que foi a sua estreia em provas do World Tour. Foi muito regular, terminou na 34ª posição, mas o destaque vai para o 11º lugar na primeira etapa e oitavo na quinta, na disputa dos sprints. Mas Ivo, não ficou contente: "Está a ser uma boa época, mas não fiz uma Califórina como queria. Acho que estava a acusar um pouco o desgaste da época, que comecei em Dezembro. Fiz uns bons lugares, no top dez, mas estava à espera de mais."

As palavras começaram a faltar-lhe perante a emoção de ter conquistado o título nacional que tanto ambicionava. "Estou muito orgulhoso! Sou campeão nacional", salientou, com um sorriso rasgado que não mais desapareceu durante toda a cerimónia do pódio. Ivo Oliveira sucedeu a José Neves, que este ano já competiu na categoria de elite.

Sábado é dia de corrida de fundo. As senhoras abrem as hostilidades às 11:00, mas Ivo Oliveira e os restantes ciclistas do seu escalão arrancam às 15:00. Inicialmente o pelotão sairá de Belmonte e fará 76 quilómetros até entrar no circuito. Serão quatro passagens na meta, numa distância total de 160,4 quilómetros.


Resultados:
1º Ivo Oliveira (Hagens Berman Axeon), 31:35 minutis
2º João Almeida (Hagens Berman Axeon), a 28 segundos
3º Tiago Antunes (Aldro Team), a 1:51 minutos
4º Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), a 2:11
5º Pedro Miguel Lopes (Liberty Seguros-Carglass), a 2:56
6º André Ramalho (Jorbi-Team José Maria Nicolau),  a 3:00
7º Marvin Scheulen (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 3:18
8º Iúri Leitão (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 3:20
9º João Salgado (Rádio Popular-Boavista), a 4:05
10º Daniel Viegas (Polartec-Kometa Junior Team), a 4:10
11º Francisco Morais (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés), a 4:22
12º Francisco Moreira (Rádio Popular-Boavista), a 4:53
13º Paulo Silva (Fortunna-Maia), a 5:09
14º Cláudio Sousa (Jorbi-Team José Maria Nicolau), a 5:51
15º Ivo Pinheiro (ACDC Trofa-Trofense), 5:53
16º Bernardo Gonçalves (Ginestar), a 5:59
17º Paul Ferreira (Jorbi-Team José Maria Nicolau), a 6:52
18º Pedro Braga (ACDC Trofa-Trofense), a 6:58
19º Fábio Resende (Fortunna-Maia), a 7:11
20º André Cunha (Jorbi-Team José Maria Nicolau), 7:34
21º Francisco Duarte (FGP-CUBE-Bombarral), a 8:14
22º Filipe Santos (ACD Milharado-Escola de Ciclismo Manuel Martins), a 10:54
23º Pedro Teixeira (Miranda-Mortágua), a 12:17

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