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19 de novembro de 2017

Rendição confirmada, mas não total

Gaudin venceu uma das duas etapas da Armée de Terre
na Volta a Portugal e andou um dia de amarelo
(Fotografia. Podium/Volta a Portugal)
A Armée de Terre não regressará à estrada como equipa Continental. Confirmaram-se as piores expectativas e o projecto que alguns responsáveis até queriam levar para outro nível em 2019, irá agora ter objectivos diferentes. O Ministério da Defesa cortou o financiamento, que era 50% de um orçamento que rondaria os 1,6 milhões de euros. Já tinham sido feitas inclusivamente contratações que ficam agora sem efeito, ainda que tenha sido garantido que quem estava na equipa e tinha contrato para 2018 poderá continuar. A equipa perde o estatuto de profissional, mas continuará como amadora.

A formação do exército francês irá a partir do próximo ano dedicar-se ao desenvolvimento de ciclistas a pensar nos Jogos Olímpicos de Tóquio2020 e principalmente para Paris2024. O jornal Le Parisien, que já tinha lançado a história do futuro incerto da Armée de Terre, confirmou que, apesar do abaixo assinado que reuniu mais de 10 mil assinaturas, o Ministério da Defesa não foi sensível ao apelo. A confirmação do corte no financiamento foi recebida em choque pelos ciclistas, segundo o Le Parisien, com alguns a verem-se agora obrigados a procurar novas equipas numa altura muito complicada, pois muitas formações já fecharam os plantéis para 2018.

Tony Hurel (Direct Energy), David Menut (HP BTP-Auber 93), Benjamin Giraud (Delko-Marseille), Louis Pijourlet (CR4 Roanne), Fabien Schmidt (Côtes d'Armor-Marie Morin), Rémy Rochas (Chambery) e Maxime Bonsergent (Château-Gontier) viram os seus contratos não serem aprovados. São sete e não quatro, como inicialmente avançado. Outros 13 sabem que o seu contrato manter-se-á em vigor, mas se querem continuar a competir em corridas mais importantes, terão de eventualmente procurar outro destino, como é o caso de Bryan Alaphilippe, irmão de Julian Alaphilippe, da Quick-Step Floors e que também passou pela Armée de Terre no início da carreira. Bryan venceu uma das duas etapas da equipa francesa na Volta a Portugal. Damien Gaudin ganhou o prólogo e andou de amarelo durante um dia.

A Armée de Terre foi criada em 2011 e passou a Continental em 2015. Este ano, entre estrada e pista, os seus ciclistas somaram 25 vitórias. O Le Parisien explicou na primeira notícia que o antigo ministro da Defesa, Jean-Yves Le Drian, é um amante de ciclismo, mas com a chegada de Emmanuel Macron à presidência, Le Drian ficou com a pasta dos Negócios Estrangeiros e Florence Parly com a da Defesa. E parece que a nova ministra não partilha da paixão de Le Drian pelo ciclismo... Não é uma rendição total, mas os famosos equipamentos de camuflado não serão tão vistos como aconteceu nos últimos três anos.



14 de novembro de 2017

Armée de Terre ameaça render-se

Desde que foi criada em 2011, a equipa francesa Armée de Terre tem vindo sempre a crescer. Em 2015 passou a ser uma formação profissional do terceiro escalão (Continental), este ano terminou como a melhor desse nível e estava a ser preparado o caminho para uma eventual subida a Profissional Continental em 2019. Porém, em 2018 poderá nem estar na estrada. Apesar de metade do orçamento (1,6 milhões de euros) advir de patrocinadores privados, o restante vem do Ministério da Defesa. O problema poderá estar mesmo na mudança de ministros.

Entre estrada e pista, os ciclistas da Armée de Terre venceram 25 corridas. Duas das mais importantes foram em Portugal, com Damien Gaudin a vestir de amarelo na Volta a Portugal depois de vencer o prólogo - liderança que perdeu no dia seguinte para Raúl Alarcón (W52-FC Porto) - e Bryan Alaphilippe a ser o mais forte no sprint em Bragança. Mas houve mais. Yannis Yssaad ganhou duas etapas no Troféu Joaquim Agostinho. Etapas nos 4 Dias de Dunkerque, Volta ao Luxemburgo (Gaudin também venceu este prólogo) e na Volta à Valónia foram os momentos altos de uma excelente temporada.

O Le Parisien noticiou que a equipa francesa não apresentou a sua inscrição na Liga Nacional de Ciclismo até 1 de Novembro, como era suposto. No entanto, não está excluída a hipótese de ter sido dado uma extensão de prazo à Armée de Terre. O jornal explica que Jean-Yves Le Drian, ministro da Defesa durante o mandato de François Hollande, era um apaixonado do ciclismo, pelo que acabou por ser decisivo o seu apoio à existência da equipa, que se destaca pelo seu equipamento camuflado. Com a chegada de Emmanuel Macron, Le Drian foi ficou com a pasta dos Negócios Estrangeiros, sendo substituído por Florence Parly. A nova ministra da Defesa não será tão entusiasta quanto à modalidade, pelo que o financiamento poderá estar prestes a ser cortado.

O director da estrutura, David Lima da Costa, não fez qualquer comentário. A situação poderá ter apanhado o responsável um pouco de surpresa, pois até já tinha garantido quatro reforços. Sete ciclistas já assinaram por outras equipas. Gaudin, por exemplo, irá para a Direct Energie - formação que conhece bem, pois já lá esteve quando se chamava Europcar, antes de se mudar para a AG2R -, Yssaad irá para a Caja Rural, enquanto um dos jovens que está a entusiasmar (e muito) os franceses, Benjamin Thomas, dará o salto para a FDJ.

Além dos quatro que seriam os novos rostos da Armée de Terre em 2018, outros 13 ciclistas, que este ano representaram a equipa, têm agora o futuro incerto, numa altura em que muitas formações dos diferentes escalões já começaram a dar por fechados os seus plantéis. Para já, nada é oficial, mas em França teme-se que seja uma rendição forçada da equipa do exército.