Mostrar mensagens com a etiqueta Bora-Hansgrohe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bora-Hansgrohe. Mostrar todas as mensagens

11 de outubro de 2018

Sagan diz porque foi ao pódio nos Mundiais e quais os objectivos para 2019. Poderá haver uma novidade

(Fotografia: © VeloImagens/Bora-Hansgrohe)
A Lombardia vai ter novamente o campeão do mundo. O último monumento do ano tem por tradição ser onde o campeão mostra pela primeira vez a camisola, mas como Peter Sagan não vê na corrida italiana uma que possa ganhar, nunca lá foi nos três anos em que vestiu a camisola arco-íris, Alejandro Valverde vai retomar a tradição no sábado. Bom, quase. O espanhol já fez duas corridas em Itália, mas será o regresso à Lombardia de um campeão do mundo, depois de Michal Kwiatkowski em 2014. Sagan já concluiu a temporada e está agora a pensar na próxima, enquanto vai promovendo o seu livro, "My World" (O Meu Mundo). Para o eslovaco não há qualquer lamento por não vestir mais a camisola, pois até admite que estava a tornar-se num fardo. No entanto, não resistiu em tocar mais uma vez na camisola, subindo ao pódio para passar o testemunho a Valverde.

O gesto de Peter Sagan valeu-lhe muita atenção, só ultrapassada pelo facto do campeão ser um ciclista que já tinha feito seis pódios nos Mundiais e aos 38 anos conseguiu finalmente o tão desejado título. Mas afinal, o que levou Sagan a subir ao pódio e entregar a medalha de campeão a Valverde? "A ideia surgiu-me porque no boxe passam o cinto [de campeão]. Perguntei à UCI se era possível. Estava orgulhoso por poder passar ao Alejandro e ele ficou feliz com isso. Disse-lhe para aproveitar a camisola e levá-la à volta do mundo", explicou o ciclista, durante a apresentação do seu livro em Londres.

Mas Sagan tinha de dar um toque... à Sagan: "Dei-lhe o prémio porque, pelo menos, tinha a possibilidade de tocar na nova camisola de campeão do mundo, que durante três anos esteve comigo e estava a tornar-se num fardo." Não se alongou quanto a este aspecto, mas recordou a corrida de Innsbruck e como foi um dia difícil. Nunca escondeu que estaria presente para representar o seu país e porque, afinal, era o tricampeão. Contudo, ganhar, era impossível. "Tenho 80 quilos, o que poderia fazer num percurso como aquele?"

A muita montanha tirou a possibilidade de Sagan seguir a sua saga nos Mundiais e nem terminou a corrida. Como termo de comparação, Valverde pesa 61 quilos. Agora é tempo de olhar em frente, vestindo novamente a camisola de campeão eslovaco, com as riscas do arco-íris nas mangas para nunca ninguém se esquecer que se está perante um campeão do mundo, como acontece com Rui Costa, Kwiatkowski, Philippe Gilbert e Mark Cavendish.

Conquistar o quarto título não está, por agora no topo das prioridades de Sagan. Num outro evento em Londres, agora para um dos patrocinadores da equipa, a Hansgrohe, o ciclista, de 28 anos, afirmou que falta muito para os Mundiais de Yorkshire para pensar em ganhá-los. Primeiro vêm as clássicas e o Tour. Quanto às clássicas, não está afastada a hipótese de uma alteração no habitual calendário.

"Gostaria de ganhar outra vez a Flandres ou Roubaix. E quero continuar a tentar ganhar a Milano-Sanremo." Até aqui não há surpresas, mas: "Dependerá de como me sentir depois de Roubaix, se vou depois à Amstel [Gold Race] ou à Liège [-Bastogne-Liège]. Nunca fiz esse duro calendário." Este ano esteve na Amstel Gold Race, terminando em quarto. Se for à Liège-Bastogne-Liège, será uma estreia de Sagan neste monumento.

Já a Lombardia continuará de fora dos seus planos. É o mais montanhoso dos monumentos, pelo que talvez se vier na carreira a conquistar a Milano-Sanremo e a Liège-Bastogne-Liège, então a Lombardia seja equacionada de forma a ficar na história como um dos poucos que ganhou os cinco, juntando-se a Eddy Merckx, Rik Van Looy e Roger De Vlaeminck. Já participou duas vezes neste derradeiro monumento do ano, em 2010 e 2013. Não terminou nenhuma das corridas.

Sucedem-se os eventos e as entrevistas de Sagan. Agora ao The Telegraph, o tema foi  a possibilidade de Sagan ir atrás da camisola amarela na Volta a França. E não apenas para a vestir por um ou poucos mais dias, como já o fez. Vesti-la nos Campos Elísios. "Sabe-se lá o que me vai acontecer [se mudar o seu corpo para disputar uma grande volta]. Se eu perder peso será que vou continuar a ser tão forte? Posso não ser o mesmo homem que sou. Talvez perca a minha natureza. O meu sentimento é: porquê mudar algo que está a funcionar."

Portanto, é nas clássicas que Sagan quer deixar ainda mais a sua marca e nos sprints. Quanto aos Mundiais, mais para o final de Julho, quando talvez esteja nos Campos Elísios com a sua sétima camisola verde dos pontos, já se possa perguntar-lhe se vai tentar recuperar a camisola que Alejandro Valverde agora veste. Agora é tempo de compromissos extra-competição, pois na estrada, só está programado ver-se novamente Sagan no início de 2019, na Austrália, como tanto gosta de arrancar a temporada.


2 de outubro de 2018

A nova imagem de Sagan, o novo contrato e os novos companheiros para as clássicas

(Fotografia: © VeloImages/Bora-Hansgrohe)
É possível que nas primeiras corridas em que Peter Sagan aparecer no pós-Mundiais - talvez só em 2019 -, se irá procurar pelo ciclista naquela camisola do arco-íris que foi dele durante três anos. Às vezes não é fácil quebrar hábitos, mas pelo menos durante os próximos 12 meses é como campeão eslovaco que irá mostrar-se no pelotão, com o arco-íris a marcar presença nas mangas, como é habitual nos ciclistas que não são os campeões mundiais em título. Uma nova imagem, um novo contrato, uma Bora-Hansgrohe a arrumar a casa e a pensar a médio prazo. A próxima temporada está a ser preparada e Sagan vai receber novos reforços para as suas clássicas.

Sagan tinha mais um ano de contrato, mas o director da equipa alemã, Ralph Denk fez saber que não queria esperar por 2019 para negociar e já estava a conversar com a sua estrela. Ainda antes da corrida de fundo dos Mundiais, foi anunciado que o eslovaco tinha aceite uma proposta para ficar na estrutura até 2021, ou seja, até aos 31 anos.

Nas duas temporadas com esta equipa, que correspondem também às duas épocas da Bora-Hansgrohe no escalão World Tour, Sagan tem dado quase todas as mais importantes vitórias, com destaque para o Paris-Roubaix, quatro etapas do Tour, a camisola verde e um título mundial [os outros dois foram conquistados quando estava na Tinkoff], numa lista com muitos mais excelentes resultados. E ainda com a habitual colecção de segundos lugares, que também demonstram como Sagan está quase sempre na luta pelas corridas que têm as características para o eslovaco ganhar. Houve algumas frustrações pelo caminho, erros que serviram de lição e que ajudaram Sagan a transformar-se num dos melhores de sempre.

Depois do irmão, Juraj Sagan, ter sido o campeão nacional em 2016 e 2017, Peter recuperou este ano a distinção - e já são seis títulos de fundo -, talvez já a pensar que não teria a camisola de campeão do mundo depois da infernal corrida de Innsbruck. Assim foi. Agora será Alejandro Valverde a vestir o arco-íris. Sagan é um ciclista que até brinca com as camisolas que vai coleccionando. Vestir um equipamento normal da equipa, não é com ele. Só nos contra-relógios.

"Foi uma decisão muito directa para mim, mesmo ainda tendo mais uma época no contrato actual. Gostei destes dois anos notáveis com esta equipa e não queria sair de onde me deram tanta confiança, apoio e crença, mesmo nos momentos mais difíceis", disse Sagan quando assinou a extensão de contrato.

Este foi apenas mais um pormenor (e o mais importante) para arrumar a casa a pensar no futuro a médio prazo. A Bora-Hansgrohe surpreendeu com a contratação de Max Schachmann. É alemão, tem 24 anos e evoluiu muito nos dois anos na Quick-Step Floors. Será mais um ciclista para apontar para as grandes voltas e pode dar muito a esta equipa nas provas por etapas, sendo mais uma opção a Rafal Majka e a Emanuel Buchmann. Apesar de Sagan ser aquele que centra quase todas as atenções, a Bora-Hansgrohe quer começar a olhar para gerais, com Majka a não estar a conseguir assumir esse papel, ainda que continue a ter a confiança dos directores. Mas Schachmann é o futuro.

No entanto, uma das preocupações continua a ser fortalecer o bloco das clássicas em redor de Sagan. O italiano Oscar Gatto deixa a Astana para reencontrar-se com o eslovaco, de quem foi colega na Tinkoff em 2016. O luxemburguês Jempy Drucker deixa a BMC de Greg van Avermaet para se juntar a Sagan. Daniel Oss renovou, apesar de também ele não estar em final de contrato, o que demonstra como Ralph Denk quer que Sagan tenha cada vez mais e a melhor ajuda. Em 2017 esteve demasiado só, este ano Oss foi um escudeiro leal, mas era ainda pouco. Aos poucos o bloco vai ganhando força. E claro, Juraj Sagan também já renovou até 2021.

Lukas Pöstlberger, Maciej Bodnar e até o veterano de 35 anos, Marcus Burghardt - visto como o capitão da equipa -, assinaram até 2020, no caso do austríaco, e 2021.

»»Sagan fez as pazes com motard que o atirou ao chão««

»»Sagan e Gilbert, ciclistas da mesma estirpe««

20 de setembro de 2018

Bora-Hansgrohe não quer esperar. Já negoceia a renovação de Peter Sagan

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Peter Sagan é um fenómeno de popularidade. Em competição e fora dela. Tê-lo na equipa vai muito além de ganhar corridas. A importância a nível de marketing fazem do eslovaco um dos ciclistas mais bem pagos do pelotão internacional, de tal forma que ninguém, a equipa, os patrocinadores, os directores desportivos o querem perder. Com o contrato a terminar no final de 2019, a Bora-Hansgrohe não quer esperar pelo próximo ano para tratar de garantir a continuidade da sua mais valia. As negociações já começaram de forma a garantir que não surjam surpresas.

"Ele é o campeão com o maior carisma no ciclismo", salientou o director da Bora-Hansgrohe, Ralph Denk, à agência de notícias Belga, citado pelo Velonews. Entre ordenado e contratos publicitários, estima-se que Sagan possa ganhar qualquer coisa como seis milhões de euros por ano. Parte desse valor até poderá estar a ser suportado pela marca Specialized, que quando a Tinkoff fechou portas, aliou-se à então Bora-Argon 18, que ia subir ao escalão World Tour, e tudo foi feito para contratar Sagan. A Argon 18, concorrente da Specialized, aliou-se à Astana, chegando à estrutura da Bora a Hansgrohe.

Apesar de outras boas contratações, como Rafal Majka, Sagan foi aquele que não podia escapar quando a equipa subiu de escalão. Tem tudo o que quer na equipa e retribuiu com grandes vitórias, com destaque para o Paris-Roubaix. Desportivamente não há dúvidas que compensa todos os tostões nele investido, mas é o que rende além competição que reforça o interesse em não deixar sair Sagan.

Tudo o que faz, a sua forma de ser, os cavalinhos, os malabarismo, os festejos... Sagan está sempre a ser falado, a ser visto, a ser partilhado nas redes sociais... Até a fase em que não se depilou tornou-se motivo para gravar vídeos e tirar fotografias! Isto significa que o nome Bora-Hansgrohe está em todo o lado, assim como a Specialized dificilmente poderia ter melhor "padrinho". Se no ciclismo a compra de equipamentos não tem o peso do futebol, por exemplo, as camisolas de campeão do mundo com o nome da equipa alemã tornaram-se muito populares e é o que faz ter o tricampeão, ainda que dois dos títulos tenham sido conquistados quando estava na Tinkoff. 
Depois há as gomas, os óculos, os ténis, os potenciómetros... Sagan é a imagem de muitas marcas.

"Nós e os nossos patrocinadores, claro, queremos manter o Peter. Estamos em negociações, sem prazo limite. Temos tempo", salientou Ralph Denk, que referiu como "o dinheiro não é decisivo". "Para o Peter, o dinheiro não é a primeira coisa que considera", disse.

Sagan vai publicar um livro
As renovações são normalmente programadas para a altura da Volta a França, em Julho, mas não é anormal algumas equipas tentarem antecipar-se a qualquer proposta que possa tentar um ciclista demasiado importante, como é Peter Sagan. A relação Sagan/Bora-Hansgrohe tem tido alguns altos e baixos, mas a equipa vai reforçando o bloco que ajuda o eslovaco e seria estranho, além de ser necessário uma proposta de outra formação absolutamente fenomenal, para que Sagan deixasse a estrutura alemã.

Mas no ciclismo tudo é possível. Tudo menos, talvez, Sagan sagrar-se tetracampeão mundial no dia 30. Com 4760 metros de acumulado à espera dos corredores em Innsbruck, apesar do eslovaco ter alterado um pouco a sua temporada, apostado mais em estágios em altitude, Sagan admite que está perante uma missão a roçar o impossível. Porém, "com o Peter nunca se sabe", afirmou Ralph Denk.

Aos 28 anos, a vida de Sagan até já poderá dar um filme, ou, para começar, um livro. Daqui a duas semanas vai ser publicado "My World" ("O Meu Mundo"), com Sagan a surgir como o próprio autor. Já se pode reservar o livro na Amazon, neste link.

»»O cowboy solitário tinha ameaçado e quebrou mesmo contrato««

»»Dimension Data vai reduzir número de ciclistas africanos««

3 de setembro de 2018

Sagan fez as pazes com motard que o atirou ao chão

(Fotografia: © BORA-Hansgrohe/Bettiniphoto)
Peter Sagan regressou à Volta a Espanha, três anos depois da sua última participação ter acabado com o ciclista a dar um murro no carro médico, um pontapé na bicicleta e a acabar a etapa com uma ferida bem feia na perna. O eslovaco abandonaria a corrida, mas não se livrou de uma multa pela reacção que teve a uma queda provocada por uma moto. Se naquele dia, em que até aspirava a uma segunda vitória de etapa na Vuelta, Sagan ficou furioso, agora a postura é bem diferente. O ciclista recorda aquele incidente como o início da senda de três títulos mundiais.

Foi precisamente isso que disse a Jesús Esteban, o motard responsável pela queda que o então ciclista da Tinkoff sofreu na oitava etapa da Vuelta, quando vestia a camisola verde dos pontos. "Graças a esse abandono sagrei-me campeão do mundo. Por isso, tenho de agradecer", disse Sagan, citado pelo jornal As. O corredor da Bora-Hansgrohe encontrou-se com Esteban durante o dia de descanso da corrida, depois de ter treinado. Ficaram feitas as pazes. "Recordo que o acidente provocou o abandono, mas não foi algo especialmente sério, pois tinha ganho uma etapa e rapidamente iria embora. A partir daquele dia iniciou-se o caminho para os três títulos mundiais", salientou. Ao deixar a corrida mais cedo do que o previsto, Sagan começou a preparação para os Mundiais também mais cedo.

Naquele 29 de Agosto de 2015, faltavam cerca de oito quilómetros para o final que Sagan queria discutir, quando uma moto que tentou passar o pelotão acabou por tocar no eslovaco, provocando-lhe a queda que o deixou bastante marcado. O ciclista ficou de tal forma zangado, que além de descarregar no carro médico e na bicicleta, recusou a ajuda do clínico da corrida e nem queria câmaras de televisão por perto. Foi multado em 300 francos suíços (cerca de 267 euros no câmbio actual).

Cerca de um mês depois, a 20 de Setembro, Sagan conquistaria o primeiro dos seus títulos mundiais, em Richmond, nos Estados Unidos. Seguiu-se Doha e Bergen, sendo o primeiro ciclista a conquistar três títulos mundiais de forma consecutiva.

Para assinalar o encontro e mostrar como afinal houve um lado positivo do acidente, Sagan ofereceu a Esteban uma camisola do arco-íris autografada. Já o motard retribuiu o gesto, dando ao ciclista a cúpula da moto que conduzia naquele dia. Jesús Esteban foi imediatamente expulso da Vuelta e não mais participou na corrida. A Tinkoff chegou a ameaçar processar o motard, mas não avançou para tribunal.

Não foi só Sagan a abandonar devido a uma moto. Três dias depois, Sérgio Paulinho também foi abalroado por uma e foi para casa mais cedo. O então dono da equipa, Oleg Tinkov, chegou a dizer que ponderava retirar os seus ciclistas da corrida, o que não aconteceu.


24 de julho de 2018

A sexta camisola verde já está garantida

(Fotografia: © BORA-hansgrohe/Bettiniphoto)
Eis uma classificação que surpresa seria se Peter Sagan não ganhasse. Fernando Gaviria ainda tentou assumir algum tipo de concorrência, mas bastou o terreno começar a inclinar, que o eslovaco fez-se valer da sua capacidade de ultrapassar algumas subidas para somar pontos em sprints intermédios nos quais Gaviria não estava, além de ser mais regular nas chegadas. Até nem se chateava muito quando o colombiano era mais forte. Sagan foi pontuando e quando o ciclista da Quick-Step Floors abandonou o Tour - juntamente com Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo) -, já se tinha percebido que a camisola verde estava quase definitivamente no corpo do seu dono pela sexta vez. O recorde de Erik Zabel está igualado e já podia estar ultrapassado. Mas não deverá demorar muito a tal acontecer. 12 meses, talvez...

Sagan fechou esta terça-feira a questão dos pontos, quando ainda faltam cinco etapas. Soma 472, contra os 170 de Alexander Kristoff (UAE Team Emirates) e os 133 de Arnaud Démare (Groupama-FDJ). Os 270 ainda disponíveis já não chegam para ameaçar o eslovaco. Esta é a classificação que fica em aberto até ao último dia. Não há consagração se em Paris uma vitória fizer a diferença. Mas tal não vai acontecer. Sagan só precisa mesmo de cortar a meta nos Campos Elísios e para quem na Volta a França já tem 11 vitórias de etapas (três nesta edição), vai a caminho de garantir a sexta camisola verde e já vestiu também a amarela, vencer em Paris é o próximo objectivo.

Os restantes planos serão retomados em 2019. O tricampeão do mundo vai à procura de ficar sozinho com o recorde das camisolas verdes e, apesar de estar bastante longe, a marca de 34 vitórias de Eddy Merckx é algo que não tem nada a perder em tentar. Mas quanto à classificação dos pontos, comparando com Zabel, Sagan conseguiu seis em sete Tours em que participou. No ano passado foi expulso da corrida após o incidente no sprint com Mark Cavendish, abrindo caminho para Michael Matthews (Sunweb), que até estava a querer rivalizar com Sagan, ao contrário desta edição (entretanto o australiano já abandonou por motivos de saúde).

Zabel estabeleceu a actual marca entre 1996 e 2001. Ou seja, tinha 31 anos quando venceu pela última vez. A primeira vitória veio no seu terceiro Tour. Sagan tem 28 anos. Tendo em conta como tem dominado praticamente a seu belo prazer esta classificação, se não se verificarem mudanças por parte da organização, então será difícil não ver o eslovaco somar mais umas quantas. Zabel terminou a carreira com 14 Tours. Só não concluiu na sua estreia. Até terminar a carreira, em 2008, o alemão nunca deixou de estar na luta por mais uma camisola, mas não conseguiu a sétima. Por curiosidade, foi o australiano Robbie McEwen que quebrou a senda de Zabel.

No que diz respeito a vitórias de etapa, o alemão soma 12, mas neste aspecto é outro número que Sagan tem (ou pode, não é certamente uma obrigação) de pensar. Merckx ganhou as 34 etapas em seis Tours. Tinha 30 anos quando venceu a última. Outros tempos. Sagan tem 11 em cinco Tours. Ficou em branco em 2014 e 2015. Mark Cavendish é quem está mais próximo do belga. Tem 30 triunfos, o último há dois anos, quando tinha 31.

Na era de Merckx os atletas atingiam o pico muito mais cedo. Já a diferença para Cavendish está no facto de estarmos perante um sprinter puro. Foi irrepreensível no seu auge. Sem dúvida nenhuma um dos melhores da última década. Em certos momentos parecia não haver rival, mas eles acabaram por aparecer. Peter Sagan está cada vez melhor no sprint e mede forças com facilidade com aqueles que têm esta características como especialidade. O eslovaco é um homem de clássicas, até já ganhou uma Volta a Califórnia. É um ciclista mais diversificado e o seu melhor pode ainda estar por ver.

Ainda assim, para chegar às 34, Sagan terá de ter um ritmo de vitórias elevado e Cavendish poderá dizer-lhe como é difícil mantê-lo, quando os anos começam a pesar e a nova geração vai ganhando o seu espaço.

Sagan adora desafios, mas também já se sabe como os encara. Se ganhar fica feliz, se não ganhar, tenta outra vez no dia seguinte. Sem pressão, quase se poderia dizer, não se estivesse perante alguém que receberá seis milhões de euros por ano.

Certo é se chegar a Paris, o ciclista da Bora-Hansgrohe terá o seu lugar na história da Volta a França. Para já partilhado com Zabel. No entanto, o próprio tem salientando como não é altura para celebrações antecipadas. Ainda faltam 579 quilómetros até à meta nos Campos Elísios e os 65 desta quarta-feira preocupam ciclistas que até podem passar bem montanhas, mas a perspectiva de ter de os fazer quase em contra-relógio, para garantir que não acabam fora do tempo limite, é algo que fica na mente  de qualquer um, até de um ciclista tão confiante como Sagan.

»»65 quilómetros de muita incerteza««

13 de julho de 2018

Groenewegen venceu e iniciou uma rivalidade numa etapa que até aborreceu Sagan

(Fotografia: ©ASO/Pauline Ballet)
Hoje foi um daqueles dias... Um daqueles dias em que se tenta combater o sono mesmo adorando-se esta modalidade. Mais de 200 quilómetros, a etapa mais longa desta edição do Tour, com a acção a resumir-se a um sprint... Pelo menos esse momento valeu a pena, mas foram cinco horas e meia em que nem os homens que tentaram as fugas acreditavam que valia a pena. Contudo, é uma forma de mostrar o patrocinador, sempre importante, é certo, mesmo sem vitória no final. Houve um pequeno susto quando o pelotão ficou partido devido ao vento e à tentativa da AG2R em apanhar alguém desprevenido. Abriu-se um pouco os olhos. Mas tudo voltou a normal e lá regressou o tédio.

Dylan Groenewegen ganhou. E que vitória. Senhor deste sprint frente de um Fernando Gaviria (Quick-Step Floors) que desta feita foi batido como normalmente bate a concorrência. São dois grandes sprinters de uma nova geração que começa a ocupar o lugar de Mark Cavendish, Marcel Kittel e André Greipel. Esta é uma rivalidade que está apenas nos primeiros episódios e que promete tornar-se numa de muito espectáculo e história. É principalmente isso que se pode retirar dos 231 quilómetros entre Fougères e Chartres, o início de uma rivalidade, pois o que fica deste dia é o segundo triunfo do holandês da Lotto-Jumbo no Tour, depois de em 2017 ter ganho nos Campos Elísios.

Fisicamente são dois ciclistas idênticos e com características para os tornar em duas referências desta especialidade. Groenewegen, 25 anos, está na sua terceira grande volta, sempre no Tour, somando então duas vitórias de etapa. Gaviria, 23, está na sua segunda e além dos dois triunfos já mencionados tem outros quatro no Giro de 2017, tendo também vencido a classificação por pontos. O colombiano pode parecer destinado a uma carreira brilhante, mas também é preciso ter um bom rival para tornar as vitórias ainda mais históricas. Groenewegen tem tudo para ser esse rival.

Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) - que tal como Gaviria perseguia a terceira vitória neste Tour - ficou na terceira posição e não hesitou em dizer que a etapa desta sexta-feira "foi mesmo aborrecida". "Andámos com muita calma e depois competimos nos últimos 10 quilómetros", disse o tricampeão do mundo e líder da classificação por pontos. Greg van Avermaet (BMC), que manteve a camisola amarela, questionou se "etapas destas são mesmo necessárias nas grandes voltas". Este ano até houve uma melhoria, pois serão "apenas" cinco com 200 ou mais quilómetros, quando em 2017 foram sete.

(O texto continua por baixo do vídeo.)




Talvez tenha sido um dia para acalmar um pelotão que mesmo nas etapas planas tem enfrentado problemas, que fizeram alguns dos candidatos perderem tempo. As quedas têm sido um elemento central. Hoje tudo foi mais calmo. Dia aborrecido, sim, mas há que pensar que no domingo há uns sectores de pavé que vão animar e bem a corrida. Antes haverá mais uma etapa com potencial para não diferir muito da desta sexta-feira. Tendo em conta o que já aconteceu neste Tour, nunca se sabe se uma queda, um furo ou uma avaria voltará a atacar um candidato, mas já se quer é que chegue a nona etapa, pois hoje não vale a pena prolongar muito a escrita, pois a tirada já foi longa de mais.

Pode ver aqui as classificações completas.

Oitava etapa: Dreux - Amiens Métropole, 181 quilómetros



11 de julho de 2018

Skujins a fazer um pouco de história enquanto Sagan... foi Sagan

(Fotografia: © Bettiniphoto/Trek-Segafredo)
No dia que antecedeu uma das etapas mais aguardadas desta primeira semana da Volta a França, Peter Sagan mostrou a Fernando Gaviria que se quiser mesmo disputar a camisola verde, terá de ir mais além do que ganhar sprints. Mas houve outro ciclista, que tal como Sagan, é um daqueles que entusiasma os adeptos pela sua forma de encarar o ciclismo e, também tal como Sagan, vem de uma nação com pouca tradição na modalidade, mas que poderá ter encontrado quem a "coloque no mapa": Toms Skujins.

Enquanto o letão enfrentou uma dupla da Direct Energie para garantir a liderança na classificação na montanha, o tricampeão do mundo confirmou todo o favoritismo para igualar Gaviria em vitórias neste Tour, mas já se começa a distanciar na luta pelos pontos.

Porém, Skujins merece o destaque do dia. Aos 27 anos, o letão quer afirmar-se definitivamente como um ciclista que, sim, sabe trabalhar para a equipa, mas pode dar algo mais. Começou a mostrar-se na Hincapie Racing quando em 2015 venceu uma etapa na Volta à Califórnia. A sua forma guerreira e determinada de encarar as corridas permitiram-lhe ganhar alguma reputação e a então Cannondale foi buscá-lo. A corrida californiana tornou-se num grande momento para Skujins. Em 2016 ganhou mais uma etapa e em 2017 conquistou ainda mais respeito devido a um momento que marca a carreira do letão.

Skujins sofreu uma queda aparatosa. O ciclista até ficou algo confuso quando quis regressar à corrida. Queria continuar e teve de ser o responsável da equipa a mandá-lo parar. O ciclista tinha sofrido uma concussão cerebral, mas só pensava em continuar. As imagens foram vistas e revistas com a ajuda das redes sociais. Skujins começou a tornar-se num ciclista bastante popular entre os adeptos.

No ano passado estreou-se nas grandes voltas, em Espanha, decidindo mudar de equipa, mas continuando nos Estados Unidos. Na Trek-Segafredo, Skujins terá encontrado a equipa que o permitirá ter mais liberdade, principalmente tendo em conta que a estrutura está à procura de se renovar. O letão estará de olho num lugar de relevo nas clássicas, mas fazer o que fez na quinta etapa do Tour, também poderá torná-lo numa presença assídua em grandes voltas com um papel de entrar em fugas e porque não vestir umas camisolas. Richie Porte (BMC), Giulio Ciccone (Bardiani-CSF) e Ivan Ramiro Sosa (Androni Giocattoli-Sidermec) são os que poderão reforçar a equipa em 2019. São todos voltistas, pelo que Skujins tem mesmo espaço para se destacar na Trek-Segafredo.

E este ano já ganhou. Na Volta à Califórnia, pois claro. A sua dança mais uma vez invadiu as redes sociais e apesar de ter admito que gostava de ter um festejo próprio, uma espécie de marca registada, garantiu que não será aquela estranha dança. No início da época venceu o troféu espanhol Lloseta-Andratx e, antes do Tour, sagrou-e campeão nacional de contra-relógio.

Estamos a falar de um ciclista que vem de um país com pouca tradição no ciclismo e o próprio já contou como era mais natural dedicar-se ao BTT, tendo em conta que as condições na Letónia beneficiam mais essa vertente. Skujins disse mesmo ao Always Riding que as estradas não eram boas para treinar. Porém, acabou mesmo por experimentar. Em 2011 e 2012 esteve na francesa La Pomme Marseille, mas uma segunda temporada pouco auspiciosa levou à sua dispensa. Regressou à Letónia - para a Rietumu-Delfin -, contudo, Skujins considera que foi um passo muito positivo, pois acabaria no ano seguinte (2014) por viajar para os Estados Unidos onde construiu então a sua carreira.

Numa Trek-Segafredo com pouca ambição de conseguir algo de espectacular neste Tour, Skujins apresenta-se como uma excelente opção para mostrar a equipa e é de esperar que, pelo menos até a alta montanha chegar, fará tudo para manter uma das camisolas mais populares do ciclismo.  É o primeiro letão a vesti-la e esse lugar na história já ninguém lhe tira.  Sylvain Chavanel e Lilian Calmejane tentaram jogar em equipa para levar a camisola das bolinhas para a Direct Energie, mas Skujins sozinho deu conta do recado, ele que foi o vencedor da montanha... na Volta à Califórnia.

Nesta Trek-Segafredo John Degenkolb está irreconhecível e mal se está a dar por ele nestes primeiros dias, de Bauke Mollema pode-se esperar talvez um top dez e eventualmente uma etapa, o que não seria nada mau. A renovação de plantel na Trek-Segafredo é bem necessária e Skujins foi uma contratação que tem tudo para ser uma das mais acertadas.

Este é Peter Sagan


(Fotografia: © Bettiniphoto/Bora-Hansgrohe)
Fernando Gaviria está a demonstrar-se muito forte no "sprint puro". Na segunda etapa não o conseguiu discutir devido a uma queda. Sagan não se fez de rogado e foi buscar uma vitória. No entanto, a de hoje, não há questões de não estar um ou outro ciclista. Com uma etapa a apresentar finalmente algum sobe e desce, com terceiras e quartas categorias a ajudar a aquecer um pouco mais este Tour, Sagan era um dos favoritos e quando chegou o momento da verdade, não falhou. Nem Greg van Avermaet foi um desmancha prazeres para Sagan, como já aconteceu algumas vezes no passado.

O eslovaco até disse que o camisola amarela o ajudou a lançar o sprint. Avermaet ficou muito cedo exposto e Sagan aproveitou esse erro do belga. Tal como naquela segunda etapa, Sonny Colbrelli (Bahrain-Merida), mais um sprinter que também passa bem certas dificuldades, foi quem obrigou Sagan a empenhar-se a 100%. O tricampeão do mundo demonstrou que nem sempre se resume a quem tem mais força, a resistência também é importante. Colbrelli quebrou. Sagan festejou e deixou Gaviria a 33 pontos na classificação da camisola verde.

É uma vantagem escassa, mas se Gaviria até se consegue impor nos sprints intermédios e tem duas vitórias de etapa, Sagan tem toda a experiência do que é a regularidade. Pode fazer segundo, mas sabe que são mais uns pontos importantes. Além dos também dois triunfos, soma dois segundos. E com a avançar do Tour, vão aparecer mais etapas com sobe e desce e sprints a ser disputados no meio destas dificuldades. Sagan sabe bem o que é ganhar esta camisola (já tem cinco) e essa experiência poderá ser importante para bater Gaviria.

Quem definitivamente não estará na disputa pela sua segunda camisola verde será Michael Matthews. Um vírus debilitou o australiano que nem partiu para a quinta etapa (204,5 quilómetros entre Lorient e Quimper). Matthews havia dito que este ano estava concentrado apenas em ajudar Tom Dumoulin e será um baixa importante na Sunweb.

O Tour também acabou para Tiesj Benoot. O belga da Lotto Soudal tinha caído na terça-feira, cortando a meta com o rosto ensanguentado. Um ombro deslocado acabou por ser o factor determinante para Benoot abandonar precocemente o seu segundo Tour, depois de na estreia, em 2017, ter sido 20º classificado.

Pode ver aqui como estão as classificações após a quinta etapa (texto continua por baixo do vídeo).



Sexta etapa: Brest - Mûr de Bretagne Guerlédan, 181 quilómetros

Esta quinta-feira temos então uma das etapas mais esperadas da primeira semana. Não se esperam grandes diferenças, mas o Mûr de Bretagne tem todas as características necessárias para um final de etapa com muito espectáculo. Serão duas passagens pela subida de dois quilómetros a 6,9% de pendente. Julian Alaphilippe (Quick-Step Floors) e Dan Martin (UAE Team Emirates), por exemplo, têm esta etapa assinalada no seu calendário desde que o Tour foi apresentado. E atenção a Alejandro Valverde (Movistar)...

Será também um dia em que Warren Barguil terá de aparecer. O ciclista foi uma aposta da Fortuneo-Samsic e tem sido uma desilusão toda a temporada. Porém, é o Tour que mais interessa. Se estiver bem, então tudo o resto é praticamente esquecido. Sendo uma equipa precisamente da zona da Bretanha, ganhar esta etapa é um dos maiores desejos desta formação Profissional Continental.



8 de julho de 2018

Com tanta queda... "A redução de ciclistas é um disparate"

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Não é exactamente anormal as quedas roubarem alguma das atenções nas primeiras etapas da Volta a França. Porém, no primeiro ano em que está em vigor a redução das equipas, o número elevado de incidentes em apenas duas etapas e que já fizeram candidatos perder tempo e este domingo prejudicou o sprint final, relança a discussão se de facto menos ciclistas é sinónimo de mais segurança. Para Alejandro Valverde não restam dúvidas: "A redução de ciclistas é um disparate. As quedas acontecem devido à tensão e à velocidade. Sempre foi assim e sempre será, mesmo que seja um grupo de 30 [corredores]."

O compatriota de Valverde, Luis León Sánchez (Astana), foi obrigado a abandonar devido a uma queda, na qual fracturou o cotovelo. O espanhol da Movistar lamentou o sucedido, ele que foi um dos poucos que passou incólume a outra queda, já perto da meta. Numa curva bem apertada, um ciclista foi ao chão na frente do pelotão e levou "arrastou" mais uns quantos consigo, entre eles o camisola amarela, Fernando Gaviria. Dos que não caíram, muitos ficaram "cortados". "Já se está a ver muitas quedas, que afectaram [Adam] Yates, [Chris] Froome, [Richie] Porte", salientou em declarações à rádio COPE.

As críticas de Valverde não são de admirar, pois sempre foi contra à redução de ciclistas. No caso das grandes voltas passou de nove para oito. Da parte da organização do Tour, a ASO foi uma das defensoras desta mudança, que acabou mesmo por ser autorizada pela UCI para 2018. No entanto, o primeiro resultado foi logo alvo de críticas. As equipas acabaram por reduzir os seus plantéis e, com menos ciclistas, também dispensaram membros do staff.

Chegamos ao Tour e não se vê grandes diferenças nas quedas comparativamente com anos anteriores. Patrick Lefevere, director da Quick-Step Floors, ficou feliz por ver Fernando Gaviria ganhar a primeira etapa, mas não deixou de apontar a escolha de um percurso que se revelou problemático. Depois da segunda etapa tem ainda mais razões para estar insatisfeito. Gaviria não só não discutiu a vitória, como perdeu a camisola amarela.

Podem ser menos ciclistas, mas as tácticas são as mesmas e as estradas também. Com todos a quererem estar bem colocados, uns porque querem discutir o sprint, outros porque querem evitar ficar em cortes precisamente provocados por quedas, como Valverde destacou, a tensão é grande, os toques acontecem e no meio de tanta confusão basta uma distracção para tudo virar um caos. Já para não falar que as constantes rotundas, as ilhas de tráfego - foi numa que Sánchez caiu - ou, no caso de Froome, ficar sem espaço numa estrada estreita, é tudo uma receita para os acidentes acontecerem, independentemente de estarem a competir 176 ciclistas ou 200 corredores. Agora já são 174, pois além do abandono de Luis León Sánchez, também Tsgabu Grmay (Trek-Segafredo) desistiu, mas devido a dores abdominais.

Peter Sagan já tem a vitória, a camisola verde e a amarela, por um dia

(Fotografia: © BORA-Hansgrohe/Bettiniphoto)
Bem ao seu jeito, Peter Sagan riu-se quando lhe questionaram sobre ir vestir a camisola amarela. "Por um dia", salientou. No entanto, rapidamente acrescentou o orgulho que é, ainda mais quando é a primeira que a Bora-Hansgrohe tem, juntando assim à rosa do Giro, ganha por Lukas Pöstlberger em 2017. Sagan não quis vestir a camisola verde por "empréstimo" de Gaviria, privilégio de quem é campeão do mundo - ficou para Marcel Kittel -, mas a amarela não será preterida, até porque esta segunda-feira é dia de contra-relógio colectivo.

O eslovaco foi um dos que escapou ao caos provocado pela queda, tendo o líder da Groupama-FDJ, Arnaud Démare (que voltou a apanhar um susto quando furou os dois pneus, mas teve tempo de reentrar no pelotão), André Greipel (Lotto Soudal) e Alexander Kristoff (UEA Team Emirates) como principais adversários. Porém, parecia estar meio escondido, mas foi Sonny Colbrelli que quase deu uma vitória à Bahrain-Merida. Excelente recuperação e mais uns metros e o italiano poderia ter batido Sagan. Mas não e já são nove vitórias no Tour para o tricampeão mundial, que também venceu no sprint intermédio, garantindo que passa a liderar a classificação dos pontos, que tanto ambiciona ganhar e não a vestir a camisola por "empréstimo". Tem 104 pontos, enquanto Gaviria soma 78, com Kristoff em terceiro com 53. Se juntarmos Démare (41) - que começou mal o Tour, mas vai a tempo de ainda tentar recuperar - temos o quarteto que está demonstrar estar mesmo dedicado à luta por esta camisola.

(Texto continua depois do vídeo)




Que Kittel é este?

Calmo, como se não se passasse nada, apesar de estar a pouco mais de sete quilómetros da meta e ter furado. Nem parecia Marcel Kittel, que até perdeu tempo em tirar o potenciómetro ao trocar as bicicletas, quando, num primeiro momento, se esqueceu. Depois pedalou sem grande convicção e sem a ajuda de companheiros. Até as imagens deixarem de vez de focar o alemão, este estava sozinho e sem intenções de tentar chegar à frente. Quando cortou a meta, já estava rodeado de colegas Já tinham passado mais de três minutos desde que Sagan festejará o triunfo.

Mais do que não estar na luta pela vitória de etapa, foi a atitude de Kittel que impressionou pela negativa. Que Kittel é este? Certamente não é que o a Katusha-Alpecin pensava ter contratado, um ciclista ganhador, sempre com vontade de vencer mais e mais. Em 2017 ganhou cinco etapas e estava de verde quando foi forçado a abandonar. Será que o director da equipa. José Azevedo, ainda vai ver esta face do sprinter no Tour? Com a época a ser muito fraca tanto para Kittel (apenas duas vitórias no Tirreno-Adriatico), como para a equipa em geral (quatro triunfos), a Katusha-Alpecin pode apostar forte em Ilnur Zakarin na geral, mas Kittel está em França para ganhar e não para se mostrar um derrotado.

O eterno Chavanel

39 anos, 18 Tour e 350 etapas e só faltam 15 para o recorde de Joop Zoetemelk. Como é que Sylvain Chavanel celebrou a impressionante marca? 166 quilómetros em fuga, numa etapa com 182,5, entre Mouilleron-Saint-Germain e La Roche-sur-Yon. A maioria sozinho. Com a única contagem de montanha logo no início da etapa, os companheiros de fuga rapidamente deixaram Chavanel sozinho e o francês aproveitou o destaque não só para mostrar o patrocinador - sempre importante -, mas também para se divertir um pouco com um público que muito o aplaudiu à passagem pelas várias localidades. Foi uma pequena loucura estar tanto tempo sozinho, mas Chavanel é assim e se será difícil ganhar uma quarta etapa no Tour, pelo menos dá algum espectáculo, anima o dia e o prémio de mais combativo da tirada foi, sem surpresa, para o francês.

Pode ver aqui as classificações após a segunda etapa.

(Texto continua depois do vídeo)




O dia que era suposto determinar as primeiras diferenças

Segunda-feira é dia de contra-relógio colectivo, mas em vez de se fazer apenas contas a quem ganha tempo a quem, será preciso ver se alguém recupera tempo. Froome, Porte e Yates têm 51 segundos de desvantagem, Quintana bem precisa de uma ajuda da equipa para tentar cortar alguma coisa do 1:15 minuto, isto para os restantes rivais na geral, como Vincenzo Nibali e Romain Bardet, já que Sagan está uns segundos mais longe, fruto das bonificações.

Sendo a Sky uma forte candidata a ganhar ou a pelo menos fazer um forte contra-relógio, Geraint Thomas pode acabar o dia de amarelo, já que só tem 15 segundos de desvantagem para Sagan. Já no ano passado o galês vestiu essa camisola. A diferença era que não se apresentava como co-líder, ao lado de Froome... Outros candidatos são Bob Jungels e Julian Alaphiliippe da Quick-Step Floors (a 16 segundos), ou Greg van Avermaet, da BMC e porque não Tom Dumoulin, já que a Sunweb até é a campeã do mundo nesta vertente e ele o campeão a nível individual. Ambos estão também a 16 segundos.

Serão 35,5 quilómetros em Cholet.



»»Líderes aos trambolhões logo no primeiro dia««

»»Um Tour em que Froome é menos favorito««

25 de junho de 2018

Camisolas das equipas não são para Peter Sagan

(Fotografia: Bora-Hansgrohe/© Bettiniphoto)
Coleccionar camisolas é algo tão banal para Peter Sagan, como qualquer um fazer uma colecção de cromos! Se as três de campeão do mundo têm, naturalmente, o maior destaque, neste domingo, o eslovaco foi buscar a sexta de campeão nacional. Também já tem uma de campeão da Europa, além das cinco verdes da classificação por pontos na Volta a França. São muitas mais se incluirmos todas as corridas que o ciclista fez. Certo é que há muito tempo que Sagan não sabe o que é vestir o equipamento normal das equipas que representa, a não ser no contra-relógio. A última vez que envergou a camisola standard foi a 13 de Junho... de 2011!

Sagan, então com 21 anos, estava na Volta a Suíça e no final desse dia, na terceira etapa, o ciclista foi o mais forte no sprint e subiu à liderança da classificação por pontos, que não mais abandonou. Depois dessa corrida foi para os Nacionais, onde conquistou o primeiro título eslovaco, dos cinco consecutivos. O resto é história e essa conta com o feito inédito de três títulos mundiais consecutivos entre 2015 e 2017. As únicas vezes que não teve uma camisola de campeão vestida foi quando teve de envergar as de liderança de uma classificação, normalmente a de pontos, mas também umas das gerais. Houve uma que só vestiu quando subiu ao pódio: a de campeão da Europa (2016). Como era campeão do mundo e assim continuou, não iria certamente trocá-la!

A última equipa a ver Sagan com a camisola dos patrocinadores, utilizada por todos os ciclistas, foi a Liquigas-Cannondale, que em 2013 passaria a ser somente Cannondale. A Tinkoff contratou, em 2015, um campeão nacional que nesse mesmo ano conquistou o primeiro título mundial. Nesse ano também venceu o contra-relógio nos Nacionais, só para ter dois equipamentos especiais! A Bora-Hansgrohe subiu ao World Tour em 2017 e tem aquele que não larga a mais famosa camisola, a do arco-iris (partilha a notoriedade com a amarela da Volta a França).

Vontade não falta a Sagan de escrever um pouco mais de história nos Mundiais e ganhar o quarto título consecutivo. Nunca ninguém ganhou tantos, seguidos ou não (nem Eddy Merckx). O problema é que o percurso de Innsbruck, na Áustria, é claramente para os trepadores. O eslovaco até tem alterado um pouco a sua temporada - também devido à sua recente paternidade -, apostando nos estágios em altitude. Até já foi noticiado que depois do Tour estaria a pensar perder algum peso e assim tentar ter alguma hipótese de manter a camisola de campeão do mundo. Ainda assim, desta feita Sagan não vai aparecer entre os principais favoritos.

(Fotografia: Twitter @BORAhansgrohe)
Nos últimos dois anos, o irmão Juraj Sagan tinha sido o campeão eslovaco, com Peter a ser segundo. Em 2018 trocaram as posições. Será que Peter quis garantir que vai continuar com uma camisola de campeão, caso se concretize a possível perda da do arco-íris?

Certo é que resolveu conquistar o sexto título nacional em grande estilo: 95 quilómetros de fuga solitária! Juraj ficou a 2:16 minutos e o também ciclista da Bora-Hansgrohe, Michael Kolar, fechou o pódio a 6:07 (fotografia à direita), tendo surpreendido ao terminar a carreira nesta corrida. A equipa alemã anunciou a decisão do corredor de apenas 25 anos, que irá permanecer na Bora-Hansgrohe, mas num papel de relações públicas.

Nem todas as equipas gostam de ter de mudar os equipamentos escolhidos para dar a maior visibilidade possível aos patrocinadores. A Bora-Hansgrohe não está entre elas, tendo tendência a coleccionar títulos nacionais e a aproveitar muito bem esse facto a nível de marketing. Quem tem Sagan já sabe que terá de lhe fazer equipamentos especiais de campeão, mas tendo em conta as vitórias e a popularidade que o tornaram num dos ciclistas com imagem mais valiosa, talvez nenhuma equipa se importasse de mudar as camisolas.


Outros campeões de fundo:
Domigos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) - Portugal
Gorka Izagirre (Bahrain-Merida) - Espanha
Yves Lampaert (Quick-Step Floors) - Bélgica
Michal Kwiatkowski (Sky) - Polónia
Vegard Stake Laengen (UAE Team Emirates) - Noruega
Matej Mohoric (Bahrain-Merida) - Eslovénia
Antoine Duchene (Groupama-FDJ) - Canadá
Gediminas Bagdonas (AG2R) - Lituânia
Jonathan Brown (Hagens Berman Axeon) - Estados Unidos da América
Merhawi Kudus (Dimension Data) - Eritreia
Tsgabu Grmay (Trek-Segafredo) - Eitópia

4 de junho de 2018

Kennaugh reencontrou a motivação

(Fotografia: © Bora-Hansgrohe/BettiniPhoto)
Depois de ter passado toda a sua carreira como profissional na Sky, aos 28 anos Peter Kennaugh sentiu a necessidade de mudar. Quis alterar os seus objectivos, o seu papel dentro de uma equipa, ou seja, como acontece com a maioria dos ciclistas que deixam a equipa britânica, Kennaugh foi à procura de liberdade. A Bora-Hansgrohe contratou-o, tendo em vista aumentar as escolhas para as grandes voltas, corridas mais curtas por etapas e também em algumas clássicas. Porém, depois do início de temporada na Austrália, o ciclista desapareceu das competições. Um comunicado anunciou que Kennaugh estaria afastado por tempo indeterminado, sem apontar razões. O ciclista revelou agora que passou por momentos difíceis devido à falta de motivação.

"Senti-me muito em baixo durante umas semanas e muito inútil na bicicleta. Saía por uma hora e simplesmente voltava para trás. Chegou a um ponto em que não queria sair", confessou o britânico, citado pelo Cycling Weekly. Kennaugh não sabe explicar o que o levou àquele estado, referindo que talvez tenha sido o esforço que é necessário para ser um ciclista de alto nível, mais as viagens que terão acabado por ser de mais. Porém, um dia deu-se o "clique" que o fez regressar aos treinos: "Fiz quatro horas e meia e senti que estava de volta ao que era. Depois disso, tem sido a todo o gás e a fazer tudo o que posso para recuperar a minha forma."

Para a Bora-Hansgrohe a notícia não poderia ser melhor, ainda mais com a aproximação do Tour, para o qual o ciclista foi chamado. Depois da Volta a Romandia (no final de Abril) e da clássica alemã Eschborn-Frankfurt (que não terminou), Kennaugh está no Critérium du Dauphiné para perceber como está fisicamente. "Não sei se vou conseguir estar na luta com os melhores, mas espero não estar muito longe", disse. Acrescentou que tem de se mostrar depois do que se passou nos últimos meses, garantindo que se sente muito mais confiante nesta fase da época.

Esteve no Tour Down Under e na Cadel Evans Great Ocean Race e estava prevista a sua participação na Volta ao Algarve. No entanto, foi por essa altura que Kennaugh "desapareceu". Durante oito anos transformou-se num dos homens mais importantes da Sky, mas as oportunidades de liderar nunca foram muitas. Quando as tinha, era um ciclista que aparecia. Venceu duas etapas no Dauphiné e a corrida a que Cadel Evans deu nome, somando ainda dois títulos de campeão nacional de estrada, entre as suas 10 vitórias. Esteve em sete grandes voltas, com os resultados a demonstrarem como sempre foi chamado a um papel de gregário. O mesmo irá acontecer no Tour, com Rafal Majka como o líder para a geral, além de Peter Sagan para os sprints. Se Kennaugh estiver pelo menos perto do seu melhor, poderá ser importante para ambos os companheiros.

Este tipo de situações são sempre muito delicadas e podem levar um ciclista a terminar precocemente a carreira. No ano passado, Andrew Talansky já não encontrava nesta modalidade a vontade de fazer uma carreira. Agora é triatleta. Há poucos dias, a ciclista Molly Weaver (24 anos) anunciou que iria fazer uma pausa no ciclismo, admitindo publicamente que sofre de depressão, esperando que este afastamento seja o que precisa para mais tarde retomar a carreira.

O Critérium du Dauphiné realiza-se até domingo. Nesta segunda-feira, Michal Kwiatkowski manteve a liderança, com Daryl Impey (Mitchelton-Scott) a vencer a etapa.

17 de maio de 2018

Não há descanso nesta Volta a Itália

(Fotografia: Giro d'Italia)
Descansar no Giro? Pura ilusão. Se alguém foi para a etapa desta quinta-feira a pensar em recuperar algumas forças para o fim-de-semana, foi bem enganado. As palavras de Simon Yates resumem bem o que tem acontecido na Volta a Itália, recheada de acção: "É difícil dizer se alguma vez recuperas durante uma grande volta. Todos os dias são difíceis. Não há dias fáceis aqui no Giro."

A etapa era novamente acima dos 200 quilómetros (214), mas só o final criava maiores preocupações com uma quarta categoria e uma descida que se tornou mais perigosa devido à chuva. E essas preocupações até seriam mais para os sprinters na habitual guerra da colocação. No entanto, o circuito final, que incluiu o autódromo de Imola onde estava instalada a meta, acabou por provocar mais problemas do que o esperado, também devido à "ajuda" do mau tempo que marcou os quilómetros finais. O pelotão chegou a partir-se em diversos grupos. Houve quem apanhasse um valente susto, como foi o caso de Domenico Pozzovivo (Bahrain-Merida), Richard Carapaz (Movistar) e Miguel Ángel López (Astana), mas todos os outros tiveram de trabalhar muito para garantir que não ficavam em nenhum corte.

Elia Viviani pode não pensar na geral, mas tinha a obrigação de estar na frente. Ficou cortado e acabou mesmo sem a ajuda da Quick-Step Floors que percebeu que uma perseguição seria infrutífera. Apostou antes em Zdenek Stybar. Ataque, contra-ataque, um corte aqui, um corte ali, fecha espaço... Quando finalmente os ciclistas cortaram a meta foi um respirar de alívio. Nenhum dos candidatos ao top dez perdeu tempo, com o português José Gonçalves (Katusha-Alpecin) a entrar também com o grupo principal. Pode conferir aqui as classificações.

No sprint, Sam Bennett deixou todos a léguas. Sem Viviani, o irlandês não desperdiçou a oportunidade de empatar em vitórias com o italiano (também Yates tem duas) e aproximou-se na luta pela camisola ciclamino (dos pontos). São apenas 22 os pontos que os separam, com Viviani a manter a liderança nesta classificação, que ganhou novo interesse. Esta sexta-feira, Bennett e Viviani poderão ter a oportunidade de desempatar. A etapa entre Ferrara e Nervesa della Battaglia terá 180 quilómetros e haverá novamente uma quarta categoria perto do final. Mas será bem mais simpática, ainda que tenha uma extensão de cerca 11 quilómetros. A pior rampa terá no máximo 9% de pendente. Serão depois 20 quilómetros, parte a descer e a fase final em plano, até à meta.



Poder-se-ia dizer que seria um bom dia para respirar, dentro do possível, a pensar no fim-de-semana que terá um Zoncolan à espera e uma etapa de domingo de muita montanha. Porém, perante tudo o que tem acontecido, em que praticamente todos os dias os homens da geral são chamados a muito trabalho... Um dia tranquilo até seria estranho! E se os ciclistas não se importariam de o ter, por parte de quem assiste à corrida, esta está a ser uma Volta a Itália emotiva. Não houve grandes motivos para bocejar durante as etapas, até agora! Muito pelo contrário!