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30 de maio de 2016

Um balanço para curar a "ressaca"

(Fotografia: giroditalia.it)
Depois de três semanas intensas de ciclismo, com muito espectáculo, emoção, e indecisão até final, entra-se numa fase de uma espécie de ressaca. Foram tantas horas de ciclismo que agora é preciso habituar-nos ao ritmo normal do dia-a-dia sem transmissões, repetições e, claro, o recorrer à internet para ver declarações, reportagens e outras novidades.

E o efeito é ainda pior quando se assistiu a ciclismo de tanta qualidade. A Volta a Itália pode não ter tido Alberto Contador, Chris Froome ou Nairo Quintana. Nibali e Valverde lideraram a lista de ciclistas de primeira linha, mas nesta edição ficou confirmado que a modalidade tem novos protagonistas: Steven Kruijswijk, Johan Esteban Chaves, Ilnur Zakarin e Bob Jungels.

A postura com que os ciclistas enfrentaram a competição contribuiu para o espectáculo. Foi um Giro de ataque. Uns mais calculados que outros, mas ninguém teve medo de se mostrar. A lamentar apenas o abandono precoce de Mikel Landa que poderia ter animado ainda mais a luta na estrada. Mas o que importa é quem lá ficou e esses merecem todo o reconhecimento.

(Fotografia: giroditalia.it)
Vincenzo Nibali ficará para a história como muito mais do que o vencedor. O italiano da Astana será recordado como alguém perseverante, que quando já praticamente todos o colocavam fora da batalha, ele recuperou física e animicamente e que soube aproveitar as adversidades de outros para concretizar um autêntico milagre.

Com esta vitória colocou-se numa posição muito forte nas negociações na muito falada mudança para a recém-confirmada equipa do Bahrain. Renovar com a Astana estará cada vez menos no panorama futuro do Tubarão.


Giro d'Italia 2016 - Stage 21 - Inteviews por giroditalia

As lágrimas de Nibali quando se recolocou na luta, são um dos momentos deste Giro. O mais marcante foi a queda de Kruijswijk, naquela dramática 19ª etapa. Este holandês (28 anos) - que merecia pelo menos o pódio - passou uma mensagem importante à Lotto-Jumbo: é importante dar-lhe uma equipa, pois ele está preparado para ganhar uma grande volta, principalmente um Giro ou Vuelta, e a sua exibição não parece ter sido algo único. Teremos a possibilidade de comprovar isso mesmo na Volta a Espanha.

Quanto a Chaves (26 anos), o pequeno colombiano foi contratado pela Orica-GreenEDGE precisamente para iniciar o processo de mudança da equipa, que quer apostar mais nas três semanas, do que apenas em clássicas, sprints ou contra-relógios. Porém, a Orica pareceu ter sido apanhada algo desprevenida com a performance de Chaves. Com um contra-relógio fraco e sem grandes ataques nas montanhas, o top dez era enfrentado como o possível e o esperado. No entanto, o colombiano foi mais longe e acabou com a camisola rosa a cair-lhe no colo. Tal como Kruijswijk, Chaves tem que exigir ter uma equipa mais forte na sua protecção. Também ele está pronto para lutar pela vitória e apresenta-se desde já como um dos candidatos a ter em conta na Vuelta.

Bob Jungels andou de rosa e venceu a classifcação
da juventude (Fotografia: giroditalia.it)
Bob Jungels é o mais novo dos três (23) - foi o vencedor da classificação da juventude - e ainda tem uma margem de progressão a cumprir até conseguir apresentar-se como verdadeiro candidato. Ainda assim, a Etixx-QuickStep confirmou que contratou um ciclista com um futuro promissor nas grandes voltas. Neste momento está escalado para ir ao Tour.

Ilnur Zakarin não terminou o Giro devido a uma queda na tal 19ª etapa, mas o russo tinha o top dez assegurado e ainda aspirava ao pódio. Só não lutava por mais porque teve um contra-relógio para esquecer: caiu duas vezes. O russo é o futuro da Katusha e nesta altura ainda não se sabe se estará no Tour ou na Vuelta.

Alejandro Valverde esperou até aos 36 anos para se estrear no Giro. A liderança bipartida da Movistar no momento em que Andrey Amador se apresentou tão bem que chegou a vestir a camisola rosa, não foi benéfica para Valverde. Mais uma vez, esta divisão provocou demasiada indecisão na estratégia da equipa. Também não ajudou o espanhol continuar a não se dar bem com altitudes que passem os 1500/2000 metros. Ainda assim, aquela característica de lutador, de nunca dar nada por perdido, valeu a Valverde o lugar no pódio e uma vitória de etapa. Apesar de tudo, um excelente resultado. E o espanhol já pode dizer que esteve no pódio das três grandes voltas, tendo vencido em Espanha.

Como desilusões, destaque para Rafal Majka. O ciclista da Tinkoff até terminou na quinta posição, o que é sempre um resultado positivo numa grande volta. Porém, o polaco pouco ou nada se viu. Não atacou, nem pareceu muito determinado em tentar mostrar-se. Limitou-se a tentar andar com os melhores, numa ambição muito limitada para um ciclista de quem a equipa certamente esperava mais.

Também Tom Dumoulin acabou por não confirmar as expectativas criadas na Volta a Espanha. Venceu o contra-relógio inicial, andou de rosa, chegou a dizer que o tinham percebido mal quando pensaram que não lutaria pela vitória. Mas mal o terreno inclinado chegou, o holandês da Giant-Alpecin falhou e acabou por desistir.

Ainda assim, serão a Cannondale e a AG2R que estarão mais desiludidas. No primeiro caso, Rigoberto Uran fez uma boa terceira semana, mas a segunda foi tão má que já se levantam questões sobre se o colombiano irá alguma vez repetir a forma de 2013 e 2014, anos em que terminou em segundo. A Cannondale pode não ter a equipa mais forte, mas ainda assim estava toda preparada para apoiar o colombiano que, graças aos resultados da terceira semana, conseguiu um top dez (sétimo). Ainda assim, deve saber a pouco para a equipa americana.

Já a AG2R levou as mãos à cabeça com o descalabro de Domenico Pozzovivo na derradeira etapa de montanha, no sábado. O top dez parecia estar mais ou menos garantido, mas tombou para 20º. Aos 33 anos, o italiano pode começar a perder crédito na equipa e em final de contrato, Pozzovivo está pressionado a alcançar resultados. Terá o objectivo de se mostrar no Tour.

Também John Darwin Atapuma procura mostrar serviço, mas à BMC. Durante quase toda a corrida ninguém se lembrava que o ciclista estava sequer em prova. Porém, nas últimas etapas de montanha apareceu com vontade de ganhar uma. Foi um animador que não conseguiu a vitória, mas alcançou um surpreendente nono lugar e é um resultado que lhe permitirá negociar a renovação.

E os colombianos continuam a dar muito que falar no Giro - assim tem sido nos últimos anos -, mas houve um que deu força às dúvidas sobre a sua contratação por parte da Movistar. Carlos Betancurt deu muitas dores de cabeça à AG2R que preferiu dispensá-lo, mas a equipa espanhola acredita que pode recuperar um ciclista que todos reconhecem talento. Betancurt viu-se durante um curto ataque na segunda semana e desistiu na 19ª etapa. Muito pouco.

O representante português

André Cardoso foi o único português em prova e merece mais uma vez todo o reconhecimento do excelente companheiro de equipa que é e que, mesmo a trabalhar para o líder, consegue constantemente terminar no top 20. Foi 14º a 34:12 minutos de Nibali. É um ciclista que a Cannondale sabe sempre que pode contar com ele, mas é impossível não pensar o que poderia Cardoso fazer com um bocadinho de liberdade.

Os outros primeira linha e uma polémica para terminar

Nibali e Valverde não eram os únicos grandes nomes. Eram os que lutariam pela geral. Mas quando se fala de sprinters, então estiveram em Itália alguns dos maiores nomes. À cabeça, Marcel Kittel e André Greipel. E os alemães dominaram as etapas ao sprint. Todas. Matteo Trentin (Etixx-QuickStep) foi o único sprinter italiano a vencer... numa etapa de média montanha! Este triunfo foi também ele um dos grandes momentos do Giro.

Giacomo Nizzolo pensou por minutos que tinha finalmente conquistado a sua primeira etapa numa grande volta, mas a subida ao pódio em Torino para receber a camisola vermelha - que a certa altura parecia que ninguém a queria - foi tão amarga, pois foi desclassificado por ter "tapado" Sacha Modolo e Nikias Arndt (a Giant começou e acabou a ganhar) foi declarado o vencedor. Mais um alemão... A armada italiana de sprinters foi uma desilusão.

A equipa do Giro e a outra revelação

A Astana pode ter conquistado a classificação das equipas, mas o destaque vai todo para a Ettix-QuickStep: quatro vitórias de etapa, três homens a vestirem a camisola rosa e um top dez. O conjunto belga foi muito além do que esperava. E na altura que Gianluca Brambilla vestia orgulhosamente a maglia rosa, um outro nome surgia: Primoz Roglic (Lotto-Jumbo). O esloveno perdeu a primeira etapa para Dumoulin por centésimos, mas no contra-relógio de 40,5 quilómetros venceu, mostrando que é mais um ciclista a ter em conta para esta vertente,mesmo tendo beneficiado da chuva que afectou quem partiu mais tarde. E foi a primeira vez que fez um tão longo...

A Sky e a infelicidade do Giro

Mikel Nieve venceu a classificação da montanha

(Fotografia: giroditalia.it)
A equipa britância não se dá bem com o ares italianos. Este ano apostou forte em Mikel Landa, mas uma gastroenterite mandou o espanhol para casa muito cedo. Na esperança de ainda conseguir recuperar Landa, Nieve perdeu muito tempo à espera do seu líder, uma escolha que acabaria por custar uma segunda opção à Sky.

Se a liderança bipartida não é solução, como mostrou a Movistar, não ter um plano B também pode custar caro. E equipas como a Sky podem dar-se ao luxo de ter um ciclista que assuma a liderança se algum imprevisto acontecer. Mikel Nieve conquistou uma etapa e a camisola da montanha e andou bem nas tiradas decisivas. Ficou a sensação que poderia ter feito algo mais se não tivesse sido obrigado a perder tempo.

Veja aqui as classificações da 99ª edição do Giro.

Será uma Volta a Itália com vários momentos para recordar, mas talvez tenha faltado um: Fabian Cancellara não conseguiu a desejada camisola rosa, tendo sido a primeira vítima de uma gastroenterite que afectou alguns ciclistas. Em ano de despedida, ter-lhe-ia ficado bem.

Agora inicia-se a contagem decrescente para a Volta a França e, até lá, haverá muito ciclismo para curar esta ressaca.

27 de maio de 2016

A perfeição e companheirismo da Etixx-QuickStep

Momento do sprint. Trentin surpreendeu Moser (Fotografia: giroditalia.it)
Tudo o que falhou nas clássicas - as tácticas, as formas físicas dos ciclistas - no Giro tudo sai bem. Pode não ganhar qualquer classificação, mas quando se analisa tudo o que a equipa belga alcançou nesta Volta a Itália, inevitavelmente colocará a Etixx-QuickStep como um dos grandes destaques da 99ª edição, independentemente do que aconteça nas três etapas que faltam.

Na 18ª etapa, a mais longa do Giro com 244 quilómetros, a Etixx esteve tacticamente perfeita ao colocar dois ciclistas na frente, ao ter Gianluca Brambilla fugido com Moreno Moser e depois ajudou ter um super Matteo Trentin, que fez uma recuperação espectacular nos últimos metros para ganhar a tirada em Pinerolo. Foi a quarta vitória da equipa, depois das duas de Marcel Kittel e a de Brambilla. A estes triunfos junta-se três ciclistas que já vestiram de rosa - Kittel, Brambilla e Bob Jungels (que poderá terminar no top dez) - e o sprinter alemão também liderou a classificação por pontos.

Para uma equipa que aposta forte nas clássicas e que nas grandes voltas tem o objectivo de ganhar etapas, o director desportivo Patrick Lefevere certamente que estará a pensar: missão cumprida no Giro. Resultados muito importantes depois da Etixx ter falhado nas clássicas. E veremos se a equipa fica por aqui...

Outro aspecto a salientar é a forma como a Etixx funciona de facto como um conjunto unido. Se houvesse um prémio para o melhor colega, Brambilla era um vencedor certo. Mais uma vez o italiano sacrificou a possibilidade de ele próprio ganhar, para garantir que a equipa ficava com o triunfo que foi para Trentin.

Explicação: Brambilla estava isolado com Moreno Moser (Cannondale) à entrada do último quilómetro. Colocou-se na roda do compatriota, olhando de vez em quando para trás para garantir que ninguém se estava a aproximar. Parecia que a discussão era entre os dois italianos, até que, inesperadamente, aparece um terceiro, Trentin, lançado, a fazer um esforço descomunal para chegar à frente. Brambilla vê o colega e decide que nada fará para ajudar Moser a ficar na frente e talvez a ganhar a tirada (Moser teria provavelmente sido mais forte no sprint).

Trentin nem hesitou. Passou directo. Será que Moser viu Trentin? O ciclista da Cannondale poderá ter sido surpreendido, pensando que a única camisola azul que estava atrás de si era a de Brambilla.

Recuando à etapa 10, Brambilla vestia a camisola rosa, uma conquista que muito o orgulhou. Porém, ao aperceber-se que não tinha capacidade para a defender, sacrificou-se na ajuda a Bob Jungels de forma a assegurar que a liderança continuaria na equipa. E conseguiu.

Os ciclistas da equipa belga têm uma pulseira cor-de-rosa que lhes foi oferecida por Marcel Kittel, para os motivar a ajudá-lo a vestir a maglia rosa. Não o voltarão a fazer, mas sendo o rosa a cor da vitória no Giro, a pulseira assenta-lhes muito bem. Tal como Brambilla, Trentin conquistou a sua primeira vitória de sempre nesta competição e não deixa de ter um toque de ironia que um sprinter italiano finalmente tenha vencido... numa etapa de média montanha.

E se a Etixx até é conhecida por ter dois corredores na frente e ainda assim perder a corrida, pode-se dizer que talvez tenha dado esta quinta-feira um primeiro passo para recuperar do "trauma"!

Confira o resultado da etapa e as classificações.


Giro d'Italia 2016 - Stage 18 - HIghlights por giroditalia

23 de maio de 2016

Volta a Itália: ponto da situação (2)

A etapa de sábado (14ª) nas Dolomitas foi espectacular e definiu os candidatos
(Fotografia: giroditalia.it)
Há uma semana o ponto da situação ao segundo dia de descanso do Giro terminava assim: "Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo) apresenta-se como uma das maiores ameaças ao trio [Nibali, Landa e Valverde]. O holandês está na luta e deixou a impressão que ainda não mostrou todo o seu potencial neste Giro." Agora já se pode dizer: Kruijswijk mostrou todo o seu potencial e além de ser líder, apresenta-se como o mais forte candidato à vitória na Volta a Itália.

A segunda semana do Giro foi de loucos. A camisola rosa está a ter dificuldades em manter-se num ciclista, mas já apresentar um novo talento para as três semanas, fez história na Costa Rica e também na Holanda. Além das trocas de líder, tivemos um Mikel Landa a abandonar - uma das vítimas da gastroenterite que tem afectado alguns ciclistas -, um Alejandro Valverde e um Vincenzo Nibali a vacilar, um Chaves a despontar e um pouco de polémica com a saída de André Greipel quando liderava a classificação dos pontos. E claro, um Kruijswijk no ponto perfeito, que o coloca agora como o grande favorito à vitória. "Só" tem de aguentar ataques e contra-ataques durante cinco etapas.

A primeira semana deixou muitas dúvidas, mas na segunda já muito ficou definido. No entanto, uma coisa parece certo, nesta Volta a Itália não há vencedores antecipados e a luta ameaça ir até ao último metro.

Três dias infernais

Depois de tanta incerteza quanto à condição dos principais candidatos, bastaram três dias para definir quem vai discutir o Giro. As etapas de sexta-feira, sábado e domingo foram espectaculares. Tudo começou com uma tirada com duas subidas de primeira categoria e duas de segunda. Foi o primeiro teste na montanha e a Movistar mostrava a sua força... que acabaria por se transformar na sua fraqueza.

Nesta altura já Mikel Landa (Sky) tinha abandonado devido a uma gastroenterite, deixando livre os colegas de tentar uma vitória e Mikel Nieve aproveitou. Mas o mais importante passou-se no grupo de favoritos. Só Bob Jungels, então o líder, fraquejou. Valverde e Nibali mantiveram-se juntos, enquanto Andrey Amador sofreu um pouco, mas acabou com uma histórica camisola rosa, a primeira de um costa-riquenho. A liderança dividida da Movistar levantava dúvidas, mas Eusebio Unzué, director desportivo, transmitia confiança nos dois ciclistas. Nesse mesmo dia começou alguma confusão: Valverde tinha perdido as bonificações para Nibali (Astana) e disse que não sabia que havia segundos em jogo. Giovanni Visconti foi segundo e questionou-se se não deveria ter recuado para ajudar o espanhol.

A festa de Amador durou pouco, na etapa rainha nas Dolomitas (que grande espectáculo de ciclismo), esperavam-se ataques, só não se esperava que Valverde ficasse sentado quando Nibali lançou o primeiro ataque e sem ajuda de companheiros que há muito tinham ficado para trás. Só Amador ainda tentou um derradeiro sacrifício. Nem o italiano acreditou quando olhou para trás e viu Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo) e Johan Esteban Chaves (Orica-GreenEDGE). O espanhol... nem vê-lo.

Mas as surpresas não ficaram por aí. Kruijswijk contra-atacou e foi a vez de Nibali não conseguir reagir. Chaves seguiu com o holandês, que vestiu a camisola rosa e o colombiano chegou ao terceiro lugar. A Movistar passou de um dia com dois homens no pódio com capacidade para ganhar, para um Giro potencialmente perdido.

Seguiu-se uma crono-escalada desastrosa para Nibali. De 41 segundos passou para 2:51. Kruijswijk esteve perfeito e só não ganhou por centésimos de segundos. Valverde recuperou um pouco, menos para o holandês. Chaves é quem demonstra ser neste momento o maior rival de Kruijswijk, ainda que tenha 2:12 para recuperar. 

Mas ainda faltam tantas montanhas... Valverde demonstrou que tem algo a dar. Falta conhecer a reacção de Nibali e nunca se sabe: uma aliança Movistar/Astana para atacar um Kruijswijk que não tem uma equipa tão forte para o ajudar?

Rigoberto Uran (Cannondale) e Domenico Pozzovivo (AG2R) estão completamente fora da luta e tentarão uma etapa e/ou o top dez. Rafal Majka (Tinkoff) e Ilnur Zakarin (Katusha) ainda podem tentar surpreender, mas talvez algo mais do que o pódio será difícil.

Bob Jungels, a revelação ou a confirmação do potencial

A Etixx-QuickStep viu no luxemburguês um potencial para disputar provas de três semanas e não hesitou em abrir os cordões à bolsa para o contratar. A equipa belga tem tradição de apostar mais em sprints e nas clássicas, no entanto, com Jungels espreita agora outro tipo de resultados e logo na sua primeira época, o jovem de 23 anos correspondeu.

A Trek terá subestimado o potencial do ciclista que formou. Pensou que a renovação estava garantida e depois foi surpreendida por uma oferta muito tentadora da Etixx. Jungels percebeu que na equipa belga poderia ser líder, mesmo tendo de trabalhar para Marcel Kittel nos sprints. Jungels percebeu que era o salto que precisava de dar na sua carreira e o resultado está à vista: andou três dias de rosa e pode muito bem terminar num brilhante top dez, onde reentrou depois da crono-escalada, mas terá de estar melhor nas montanhas, do que mostrou na sexta-feira e no sábado.

O dia de glória de Amador

Até o edifício da Movistar na Costa Rica foi "pintado" de rosa. O feito de Andrey Amador foi histórico. Nunca um costa-riquenho tinha liderado uma grande volta. Há um ano terminou em quarto no Giro e em 2016 sonhou alto, alcançou a liderança, mas não teve capacidade para aguentar quando foi atacado e rapidamente desceu à terra, tendo agora de trabalhar para tentar repetir o resultado de há um ano, ou pelo menos para manter o top dez. Porém, os resultados dos últimos dois dias colocaram-no definitivamente como homem de trabalho para Valverde. Não há mais liderança partilhada na Movistar.

Greipel e a eterna polémica dos sprinters que não acabam grandes voltas

Somou a terceira vitória, tornou-se no sprinter mais vitorioso do Giro e foi para casa quando liderava a classificação dos pontos. A polémica voltou. Kittel saiu sem grande aparato, mas André Greipel não conseguiu evitar algumas críticas, a começar por membros da organização que não ficaram nada satisfeitos. O alemão justificou com as dificuldades que a Volta a Itália iria ter, que não eram para ele, numa altura em que já começa a pensar na Volta a França. "O Giro é o Giro, o Tour é o Tour", disse.

A situação repete-se, as críticas sucedem-se, mas o Giro está quase sem sprinters. Entre abandonos, chegadas de fora do tempo limite e gastroenterites, sobram basicamente dois do lote dos mais fortes: Giacomo Nizzolo (Trek-Segafredo), que herdou a camisola vermelha após a saída de Greipel, e Sacha Modolo (Lampre-Merida).

Italianos triunfam em fugas e na montanha

Enquanto Nibali não vai dando alegrias aos tiffosi, Giulio Ciccone e Diego Ulissi assumiram o protagonismo. O jovem da Bardiani venceu a etapa de montanha que abriu a semana e confirmou a tradição da equipa italiana em triunfar no Giro. Já Ulissi somou a segunda vitória em mais uma etapa de espectáculo, em que teve de recuperar sozinho a distância que tinha para os líderes, mas depois ganhar ao sprint. É a salvação da Lampre que vê um Modolo sem capacidade para fazer frente aos principais sprinters e agora ficou sem Niemiec para as montanhas. Ulissi pode ainda aspirar à classificação por pontos: tem menos 34 que Nizzolo.

Também na montanha poderá haver um vencedor italiano. Aos 34 anos, Damiano Cunego (Nippo-Vini Fantini) parece recuperar a forma e a motivação e está a fazer tudo para manter a camisola azul. Entra nas fugas e tem gerido as forças para tentar somar o máximo de pontos possível, sem colocar em causa a performance do dia seguinte. Giovanni Visconti, Stefan Denifl (IAM) e Mikel Nieve são as maiores ameaças.

O que espera o pelotão

No domingo é dia de consagração e para os sprinters, portanto, são cinco as etapas que faltam para discutir a maglia rosa. E para não se descansar de mais, terça-feira regressa já à montanha, numa etapa curta e que deverá ser feita a grande velocidade (ver ponto seguinte). Na quarta-feira pode-se dizer que é o dia talvez mais "descansado" para os homens da geral. Descanso relativo, claro, mas dos 196 quilómetros entre Molveno - Cassano D'Adda, os primeiros 120 tem algum sobe e desce e uma quarta categoria, mas depois é sempre a direito, o que poderá ser favorável a alguma fuga ou então para os sprinters tentarem ganhar: a Trek e a Lampre poderão ter interesse neste cenário.

Segue-se uma etapa longa, 244 quilómetros que ligarão Muggiò a Pinerolo, que é o contrário do dia anterior. Isto é, tem 150 quilómetros planos e depois começam as dificuldades. A segunda categoria perto da meta (ainda haverá uma descida) poderá dar ideias tanto para uma fuga para vencer a etapa, como a alguém que queira recuperar tempo.

Mas são as etapas de sexta-feira e de sábado que deverão decidir tudo. Primeiro será a passagem pelo ponto mais alto do Giro: o Colle dell’Agnello a 2744 metros de altitude. A etapa não terminará nesse local, mas aos ciclistas espera uma chegada numa primeira categoria.

E sem tempo para recuperar, no sábado serão três primeiras categorias para cumprir, com as respectivas descidas, pois a etapa termina numa terceira categoria. Uma tirada muito complicada, ainda mais depois de três semanas de muitos quilómetros.

Etapa 16: Bressanone - Andalo (132 km)



Após um dia de descanso, a etapa até começa a descer, mas dificuldades não faltam. A segunda categoria que abrirá as hostilidades tem uma média de 6,5% de inclinação (o máximo será 10%) ao longo dos quase 15 quilómetros de subida. Muita atenção à longa descida que se seguirá, antes de se voltar a subir. A categoria pode ser a mesma, mas a segunda subida será mais complicada. Ligeiramente mais curta, mas com maior pendente, cerca de 8%, com 15 para terminar. Dada a curta distância, espera-se que a etapa seja feita a grande velocidade.

Confira as classificações após 15 etapas.


Giro d'Italia 2016 - Stage 16 por giroditalia

15 de maio de 2016

E a chuva baralha as contas...

Brambilla e Jungels, duas grandes exibições de um dia difícil

(Fotografia: Twitter Etixx_QuickStep)
Não há nada como um dia de chuva, ainda mais num contra-relógio, para baralhar as contas da Volta a Itália. Não há previsão que resista ao mau tempo. De repente Gianluca Brambilla deixa de ser um camisola rosa de um dia para passar a ser um ciclista que irá dar muito trabalho a quem lhe a quiser tirar; Andrey Amador volta a estar à frente de Alejandro Valverde; Rigoberto Uran de potencial líder precisa de quase um milagre só para chegar ao pódio; e - e este é de facto a melhor do dia - Mikel Landa até pareceu um bom contra-relogista!

O contra-relógio em Chianti foi determinante como se esperava, ainda que a chuva intensa que afectou os que partiram mais tarde, baralhou as contas. Inevitavelmente o destaque vai para Gianluca Brambilla (Etixx-QuickStep). É a prova que teorias há muitas, mas a prática tem ainda mais variáveis. E duas delas foram a vontade do ciclista e as circunstâncias do dia. Brambilla lutou, fraquejou, lutou mais um pouco e no final segurou a camisola rosa por um segundo. Ela teria ficado "em casa" já que iria para o colega Bob Jungels, um dos destaques do martírio que foram os 40,5 quilómetros da nona etapa. Para uma equipa muito centrada nos sprints de Marcel Kittel, estes resultados são brilhantes.

A Jungels junta-se Andrey Amador que é agora terceiro a 32 segundos. Mas o grande vencedor, quase a par de Brambilla, é Mikel Landa. Precisava de fazer o contra-relógio da sua vida e fê-lo. A chuva terá ajudado a alguns favoritos a não arriscarem tanto, mas também ele teve as mesmas condições. Ficar à frente de Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo) e de Alejandro Valverde e apenas a sete segundos de Vincenzo Nibali, terá dado uma dose de motivação que o espanhol da Sky parecia precisar. Perante a potencial desgraça prevista (perder mais de um minuto), o resultado é uma vitória.

Os derrotados do dia

Rigoberto Uran (Cannondale) quererá apagar este dia da memória. O colombiano poderá até pensar tentar antes apostar em ganhar uma etapa, ainda que um top dez seja possível. O compatriota Johan Esteban Chavez (Orica-GreenEDGE) e o italiano Domenico Pozzovivo (AG2R) também não foram felizes, mas estes dois ainda têm todas as possibilidades de lutar por um top dez, mas precisarão de grandes exibições nas etapas de montanha para aspirar a algo mais. Rafal Majka (Tinkoff) foi mais uma desilusão. É difícil perceber o que o polaco ainda poderá fazer neste Giro.

O azarado do dia

Duas quedas, uma troca de bicicleta... Não há ciclista que resista. Após o primeiro ponto intermédio parecia que Ilnur Zakarin (Katusha) tinha tudo para vestir a camisola rosa, mas depois tudo se desmoronou. De potencial primeiro saiu do top dez, mas mais importante que isso, terá dito adeus à possibilidade de lutar pela vitória.

A confirmação do dia

O próprio Primoz Roglic admitiu que a chuva lhe deu uma grande ajuda. O esloveno da Lotto-Jumbo tinha perdido no primeiro contra-relógio por centésimas para Tom Dumoulin. Desta vez ainda partiu com tempo seco (relativamente) e quando os favoritos se fizeram à estrada já se tinha instalado um pequeno temporal. Começa a ser um nome a ter em conta para os contra-relógios. Mas o seu feito é ainda mais incrível porque foi a primeira vez que realizou um contra-relógio tão longo. Melhor estreia é impossível.

O grande favorito, Tom Dumoulin (Giant-Alpecin), ficou a 1:58 de Roglic. Chuva e provavelmente algo mais (animicamente não parecia bem depois de perder a camisola rosa, o que poderá ter prejudicado fisicamente) retiraram a possibilidade do holandês em conquistar uma ambicionada vitória.

Adeus inglório

Não deu. Fabian Cancellara vê mais um dos seus objectivo da temporada de despedida cair por terra. Foi quarto, a 28 segundos, mas tudo o que não fosse o melhor tempo, não interessava ao suíço. Resultado? Anunciou que irá para casa.

Fim do Giro para Cancellara e também para Marcel Kittel, que nem fez o contra-relógio.


Giro d'Italia 2016 - Stage 9 - Highlights por giroditalia