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3 de janeiro de 2019

Vamos falar do Giro. Sim, já

(Fotografia: Giro d'Italia)
Ainda só é dia 3 de Janeiro, as equipas começaram a fazer as malas para a primeira corrida World Tour do ano na Austrália, mas a verdade é que muito se fala da Volta a Itália, com boas razões para tal, mesmo que seja apenas em Maio. A 102ª edição está a atrair vários dos líderes das equipas, em detrimento do Tour. Alguns até vão também a França, mas estão colocar o Giro como prioridade. Nem é difícil perceber as razões pelas quais o encanto da Volta a França está um pouco esbatido. Bob Jungels (Deceuninck-Quick Step) até explica de forma muito simples a razão pelo qual o Giro está a ser tão atractivo.

"É uma das coisas boas do Giro, não é uma corrida tão controlada como, digamos, o Tour." Há mais razões, claro, contudo, perante o domínio da Sky, que não se espera que seja menor este ano, mesmo com a incerteza quanto ao futuro da equipa (que até já poderá estar decidido nessa altura), os ciclistas demonstram que querem estar onde acreditam que podem lutar por uma vitória. O top dez é uma coisa bonita de se fazer, ainda mais no Tour, mas ganhar o Giro é um triunfo numa grande volta.

"As minhas hipóteses de ganhar o Giro são simplesmente muito melhores do que ganhar o Tour", afirmou Tom Dumoulin (Sunweb), que admitiu que o plano inicial era apostar tudo na Volta a França. O percurso deixou-o desiludido e, depois de falar com a equipa, resolveu regressar a Itália e tentar um segundo triunfo. Para Dumoulin há outra razão que o influenciou mais do que uma Sky dominadora: os contra-relógios. O Giro terá três, num total de 58,5 quilómetros (só um terá 34,7), enquanto no Tour está a diminuir-se cada vez mais esta vertente: dois contra-relógios de 27 quilómetros cada.

Por esta mesma razão Primoz Roglic (Jumbo-Visma) também se deixou seduzir por Itália, depois de em 2018 ter percebido que tem mesmo o que é preciso para lutar por uma grande volta. Fez um Tour brilhante, ficando à porta do pódio. Agora quer chegar mais alto e é no Giro que vai tentar fazer um pouco mais de história para a Eslovénia. O mais curioso da equipa holandesa é que ainda em Dezembro anunciou o oito para o Giro. A ajudar Roglic estará uma das revelações de 2018, Antwan Tolhoek, mais Laurens de Plus, Floris de Tier, Jos van Emden, Koen Bouwman, Paul Martens e Robert Gesink. Equipa bem interessante.

Já a pensar mais nas sete chegadas em alto e em completar o que falhou em 2018, Simon Yates (Mitchelton-Scott) escolheu regressar a Itália, para desta vez tentar levar a camisola rosa até final. O Tour pode esperar um pouco mais para o britânico, vencedor da Vuelta.

Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) e Rafal Majka (Bora-Hansgrohe) - atenção a Davide Formolo -, juntamente com os homens da casa Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e Fabio Aru (UAE Team Emirates), vão colocar o Giro no topo das prioridades, em detrimento da Volta a França. Mas há mais. A Movistar vai levar Mikel Landa e Alejandro Valverde, com o primeiro a querer acabar com as dúvidas se pode mesmo ganhar uma grande volta. Vai ainda Richard Carapaz, um voltista em evolução.

Por parte da CCC, a aposta poderá passar por Amaro Antunes. A equipa arranca nesta nova fase (a formação polaca comprou a estrutura da BMC) a pensar mais nas clássicas com Greg van Avermaet, o que poderá dar ao ciclista algarvio uma excelente oportunidade para se mostrar nas grandes voltas. O veterano Laurens ten Dam e o senhor da barba Simon Geschke são outros dois nomes apontados à corrida italiana.

Para o fim ficam dois colombianos de quem muito se espera. Um quer em 2019 abrir quer definitivamente a contagem de grandes voltas no seu currículo. Ou outro quer continuar a conquistar o World Tour de rompante.

Miguel Ángel López não quer ainda nada com o Tour. O seu discurso não podia ser mais directo: vai ao Giro para ganhar. É um ciclista com tanta qualidade que parece inevitável que ganhe uma grande volta, mas de expectativas não se vive. Vive-se de confirmações e resultados. O colombiano quer que 2019 seja o seu ano. E a Astana até vai enviar Ion Izagirre para apoiar López, mesmo que o espanhol deseje ser ele próprio um líder. Porém, a sua missão será de gregário.

Depois haverá Egan Bernal. Com Geraint Thomas a querer ir novamente ao Tour depois de o ter vencido em 2018 e com Chris Froome a apontar tudo à quinta conquista em França, a Sky vai lançar o jovem colombiano. Ao segundo ano no World Tour, Bernal terá já a sua oportunidade, mais do que merecida. Pode não ser o líder principal da Sky, nas Bernal não deixa de ser uma primeira escolha, já que os mais velhos, esses sim, mantêm o encanto por um Tour que é cada vez menos aquela corrida que todos querem estar sempre presentes. Quando se fala em vencer grandes voltas, o Giro e a Vuelta têm cada vez mais encanto! E espectáculo!

Temos ainda ciclistas que estando numa segunda linha, não deixam de ter valor. Com a chegada de Richie Porte, Bauke Mollema é novamente uma segunda escolha, tal como aconteceu em 2017, com Alberto Contador na Trek-Segafredo. E verdade seja dita, que até poderá fazer bem ao holandês. Mollema vai ao Giro, tal como Michael Woods da EF Education First e Thomas de Gendt (Lotto Soudal). O belga é mais um caça etapas, mas no Giro fez terceiro na geral em 2012. Este ano decidiu competir nas três grandes, em mais uma grande aventura de um ciclista que adora um bom desafio.

A AG2R vai deixar Tony Gallopin mostrar que tem dotes de voltista, após uma transformação que deu os primeiros sinais positivos na Vuelta. Já a Groupama-FDJ centra novamente as atenções de Thibaut Pinot no Tour e, para já, é para o sprint que escolheu levar Arnaud Démare, para medir forças com Elia Viviani (Deceuninck-Quick Step).

O Giro e também a Vuelta vão tendo cada vez mais ciclistas que as colocam como objectivos. O futuro da Sky poderá mudar este panorama, caso a equipa acabe, mas, para já, quem sai a ganhar é a Volta a Itália (de 11 de Maio a 2 de Junho). Os candidatos à maglia rosa são muitos e muito bons!

»»Giro com sete chegadas em alto e três contra-relógios««

30 de dezembro de 2018

Quando ganhar é completamente natural

Alaphilippe foi um dos ciclistas que muito contribuiu para a sensacional
época da equipa belga (Fotografia: Facebook Quick-Step Floors)
Resumir a época da Quick-Step Floors até se consegue fazer numa só palavra: ganhar! Será mais justo repeti-la: ganhar, ganhar, ganhar! A histórica equipa belga está habituada a ser das que mais vence, ou mesmo a que mais vence. Mais de 50 vitórias, não é nada de anormal, nem chegar às 60, mas 73? Número impressionante (um recorde da formação) ainda mais se se tiver em conta que entre elas estão monumentos, vitórias de etapas em grandes voltas e nem entra outros grande resultados que foram o pódio de Enric Mas na Vuelta, ou a camisola da montanha no Tour de Julian Alaphilippe.

Patrick Lefevere tem construído ano após ano equipas com um espírito de luta e união que se traduz em vitórias, divididas por vários dos seus ciclistas. Em 2018 foram 14 em 28 que compunham o plantel (acresce dois estagiários a partir de Agosto). Pode haver um ou outro que se destaque mais, mas há espaço para todos irem atrás do seu momento. Não foi há muito tempo que Lefevere via a Quick-Step Floors ter dificuldades em ganhar nas clássicas da casa. Uma pequena crise mais do que resolvida nas últimas duas épocas.

2018 foi simplesmente memorável: Volta a Flandres (Niki Terpstra) e Liège-Bastogne-Liège (Bob Jungels), cinco etapas do Giro, quatro no Tour e outras tantas na Vuelta. Mas há mais: E3 Harelbeke, Através da Flandres, Flèche Wallonne (que enorme exibição de Julian Alaphilippe para quebrar a senda de Alejandro Valverde), Clássica de San Sebastian, uma etapa no Critérium du Dauphiné, duas na Volta à Catalunha e no País Basco, três na Volta à Califórnia... Recorrendo ao ProCyclingStats, aqui fica o link para a lista de vitórias deste ano em que ganhar pareceu ser algo absolutamente natural para os ciclistas de azul.

E talvez esta naturalidade tenha uma base de que todos terão a sua oportunidade, tal como todos terão de ajudar outros, quando assim se impõe. É de salientar isso mesmo, que corredores como Alaphilippe, Bob Jungels e o capitão Philippe Gilbert são líderes natos que são também os primeiros a trabalharem para os companheiros. Esta capacidade e respeito pela entre-ajuda faz com que além das principais figuras, possam surgir as potenciais figuras do futuro. Álvaro Hodeg e Fabio Jakobsen são a prova disso. Quando lhes foi dada liberdade, estes dois jovens não só tiveram a ajuda dos colegas mais experientes, como aproveitaram para vencer.

A comprovar como esta equipa consegue tirar o melhor de todos os ciclistas há Elia Viviani. Quebrou contrato com a Sky, onde era um sprinter solitário, que lá ia conquistando umas vitórias, para assinar por uma equipa que fez dele o homem mais ganhador da temporada entre as formações do World Tour. Foram 19, mais nove do que em 2017, que até tinha sido a sua melhor época. A diferença esteve ainda na qualidade dos triunfos: quatro etapas no Giro e três na Vuelta como maior destaque, além do título nacional, por exemplo.

Ranking: 1º (13.385,97 pontos)
Vitórias: 73 (incluindo Volta a Flandres, Liège-Bastogne-Liège, cinco etapas no Giro, quatro no Tour e Vuelta)
Ciclista com mais triunfos: Elia Viviani (19)

Chegou para ocupar a vaga deixada por um Marcel Kittel que não queria competir por espaço com Fernando Gaviria. Viviani parecia ser uma segunda opção possível, mas foi uma de primeira categoria. De tal forma, que com a saída do colombiano, Viviani irá assumir o papel principal nos sprints e já pisca o olho ao Tour.

Gaviria teve uma temporada de altos e baixos. A aposta nas clássicas correu francamente mal, muito devido a quedas. Porém, no principal objectivo, a Volta a França, Gaviria confirmou tudo o que era esperado. Vestiu de amarelo logo a abrir e na sua estreia no Tour. Foram duas etapas ganhas antes de um abandono na fase montanhosa da corrida. Questão a melhorar se quiser ir discutir o mais famoso dos sprints, nos Campos Elísios. Kittel tinha ganho cinco em 2017, mas para quem foi pela primeira vez ao Tour, Gaviria confirmou que quer e pode ser o sprinter de referência desta grande volta nos próximos anos.

Falta saber se na UAE Team Emirates irá encontrar o comboio de qualidade que tinha na Quick-Step Floors. Custa acreditar que uma equipa que ganha o que ganha tenha dificuldades em garantir a sua estabilidade financeira. Sem um patrocinador principal para 2019 - a Quick-Step mantém-se, mas com um investimento menor - Lefevere viu-se obrigado a abrir mão de alguns dos seus ciclistas para aliviar o gasto com os ordenados, precavendo a eventualidade de ter um orçamento menor para o próximo ano.

Não renovou com Terpstra e permitiu que Gaviria ouvi-se propostas, ainda que tivesse  contrato com a Quick-Step Floors. Apesar de ter aparecido a Deceuninck, Lefevere percebeu que o dinheiro da UAE Team Emirates tinha dado a volta à cabeça de Gaviria. Deixou o seu sprinter sair e agora irá ver-se se o colombiano consegue quebrar o famoso enguiço do ciclista que sai da Quick-Step Floors e não mais consegue atingir o nível que tinha quando ali estava.

Max Schachmann (Bora-Hansgrohe), Laurens de Plus (Jumbo-Visma) e Jhonathan Narváez (Sky) também seguem novos rumos nas carreiras. Contudo, perante o historial desta estrutura, é difícil dizer que a Quick-Step Floors fica mais fraca, mesmo que tenha perdido Gaviria. A capacidade de se auto-renovar é incrível e o que mais se espera é ver como Hodeg, Jakobsen, Kasper Asgreen e Rémi Cavagna possam aparecer anda mais. E claro, ficaram Alaphilippe, Jungels, Stybar, Gilbert, Enric Mas...

O espanhol acaba por ser uma das questões que se coloca para 2019. Depois da tremenda exibição na Vuelta - vitória numa etapa e segundo na geral -, será que Lefevere aumentará a sua aposta nas grandes voltas, pensando também mais numa eventual vitória ou em mais pódios? Esta é uma equipa cuja génese se prende às clássicas e etapas. Jungels é outro voltista, mas dá mais indicações de ser um top dez, do que homem de discutir essas corridas, pelo menos para já.

Contudo, Enric Mas deixou indicações bem diferentes, de que pode ir mais longe e o seu discurso não engana. Vai atrás de ganhar e até já pensa em conquistar o Tour, onde estará em 2019, época que começará na Volta ao Algarve. Vai entrar no seu último ano de contrato, pelo que o director terá uma decisão a tomar, ainda que não se adivinhe ser fácil ficar com Mas tendo em conta o interesse que despertou.

Já Alaphilippe, apesar do Tour a todos os níveis impressionante - duas etapas e foi o rei da montanha -, o francês quer continuar a ser um ciclista para vencer corridas de uma semana, apostar tudo e mais alguma coisa nas Ardenas e depois ir até ao Tour fazer mais uns brilharetes. Tem 26 anos e não está afastada a hipótese de ainda se tornar num voltista, mas não para já.

Quase parece mal não falar de mais ciclistas que se mostraram em 2018 e contribuíram para o memorável ano, mas a época da Quick-Step Floors daria um livro de muitas páginas. De texto e de bonitas fotografias! Uma delas seria a da última equipa a vencer o contra-relógio colectivo nos Mundiais, vertente que o presidente da UCI decidiu terminar.

Termina-se com uma das contratações que vai receber muita atenção. O "miúdo maravilha" da Bélgica só podia assinar por esta equipa. Remco Evenepoel dá o salto de júnior directamente para o profissionalismo, depois de vencer quase todas as corridas em que participou em 2018. Títulos nacionais, europeus, mundiais, foi tudo dele. A exibição na corrida de estrada, em que fez uma recuperação incrível até chegar à frente da corrida e vencer, deu logo a entender que Evenepoel não ia ficar longe dos holofotes do World Tour.

A diferença de realidades é muita, pelo que 2019 será um ano de adaptação para Evenepoel. Não será ciclista para clássicas do pavé, querendo tornar-se num voltista. É quase inevitável colocá-lo no topo da lista de ciclistas jovens a seguir em 2019. Para já, o belga é apenas um dos dois reforços da equipa que se chamará Deceuninck-Quick Step.


Permanências: Philippe Gilbert, Julian Alaphilippe, Bob Jungels, Elia Viviani, Yves Lampaert, Enric Mas, Zdenek Stybar, Kasper Asgreen, Eros Capecchi, Rémi Cavagna, Tim Declercq, Dries Devenyns, Álvaro Hodeg, Fabio Jakobsen, James Knox, Iljo Keisse, Davide Martinelli, Michael Morkov, Fabio Sabatini, Maximiliano Richeze, Pieter Serry, Florian Sénéchal e Petr Vakoc.

Contratações: Remco Evenepoel e Mikel Frolich Honoré (Virtu Cycling).

»»A Sky de grandes vitórias, da revelação do ano e da polémica««

»»Uma Bora-Hansgrohe que não foi só Peter Sagan««

28 de abril de 2018

Wolfpack, a história da alcunha da Quick-Step Floors que remonta a um gangue

(Fotografia: © Sigfrid Eggers/Quick-Step Floors)
"Wolfpack" tornou-se na nova imagem de marca da Quick-Step Floors. A ideia "pegou" há cerca de um ano, ganhou forna em 2018, ainda que seja utilizada no seio da equipa desde 2012. Este época foi criada uma comunidade, todo um merchandising e a hashtag #thewolfpack não mais deixou de ser utilizada pela equipa. Mas afinal como começou o "Woldfpack", alcateia em português? Até foi num gangue na Dinamarca, mas o objectivo no ciclismo foi mesmo o de representar a união e a lealdade. E a Quick-Step Floors tem sido o exemplo disso, com uma mentalidade em prol do colectivo que já lhe rendeu 27 vitórias em 2018.

"É uma imagem muito forte, não é? Não te ris quando o 'wolfpack' está a chegar. É um bom nome. Não queres ser conhecido como os 'White Ponies' (póneis brancos), pois não?"  Brian Holm, director desportivo da equipa, é o criador do nome e explicou ao Velonews como surgiu: "Começou em 2012 quando eu vim para a equipa. Foi um pouco por piada que comecei a utilizar [a expressão] em alguns e-mails. Quando eu estava a crescer, havia um gangue no meu bairro, em Copenhaga, que se chamava 'Wolfpack' e eram uns fulanos perigosos. Os ciclistas gostaram [do nome]. Ouvia-se na equipa há uns anos, mas no ano passado o Bob Jungels começou a dizê-lo durante a Volta a Itália. Depois, o Alessandro Tegner [director de marketing da Quick-Step Floors) fez uns chapéus. E a partir daí pegou."

Holm salientou como noutros desportos as equipas têm este tipo de nomes, exemplificando com o futebol americano, e têm também mascotes. Porém, no ciclismo não é habitual, sendo que de vez em quando nascem algumas alcunhas, mas nada que seja explorado comercialmente como está a ser o nome "Wolfpack". "Há algumas piadas dentro do pelotão. Há uma equipa a que chamam "os cabeleireiros", contou o director desportivo.

"Wolfpack" pretende destacar a lealdade, característica que Holm realçou ser algo enraizado na Quick-Step Floors. Foi criado o logótipo que surgiu nas camisolas e que de imediato chamou a atenção. O autocarro já tem a imagem, que entretanto se tornou a de uma comunidade, como a própria equipa quis. Quem pretender fazer parte, só precisa de se registar no site (aqui fica o link) e terá acesso a descontos, concursos e muito mais.

"Todos parecem felizes com o nome", disse Holm, que considera que esta alcateia até tem o seu macho alfa: "Philippe Gilbert, sem dúvida. Desde o primeiro dia em que chegou à equipa, ele tem sido um líder. Quem vês a correr sem luvas? É o Gilbert. Todos abanaram a cabeça quando ele atacou na Volta a Flandres, no ano passado. Ele conseguiu, certo? É um sacana duro de roer."

Depois de uma primavera excepcional, com a conquista de dois monumentos - a Volta a Flandres e a Liège-Bastogne-Liège -, chegou o momento de atacar as grandes voltas. E se para a geral poder-se-á não colocar ninguém como grande candidato, já para continuar a somar vitórias, a Quick-Step Floors apresenta-se fortíssima. Só para que não se duvide que esta equipa vai continuar "prego a fundo" à procura de vitórias, olhando para 2017, no Giro venceu cinco etapas (quatro por Fernando Gaviria e uma assinada por Bob Jungels), cinco no Tour (todas por Marcel Kittel) e seis na Vuelta (quatro por Matteo Trentin, uma por Julian Alaphilippe e outra por Yves Lampaert).

Uns ciclistas saíram, outros têm objectivos diferentes em 2018, mas esta Quick-Step Floors está a realizar uma época sensacional, dividindo vitórias entre os ciclistas mais experientes e até por aqueles que acabaram de chegar ao World Tour. Qual será o próximo ataque do "Wolfpack"?

»»Ciclista ciumento não tem lugar na Quick-Step Floors««

»»Todos a olhar para Valverde e Alaphilippe e a Quick-Step ganhou com Bob Jungels««

»»Só um grande ciclista, um verdadeiro campeão, poderia bater outro. Até Valverde se rendeu a Alaphilippe««

27 de abril de 2018

Liège-Bastogne-Liège vai mesmo ter um final diferente 28 anos depois

(Fotografia: Twitter Liège-Bastogne-Liège)
Bob Jungels acabou por ser o último ciclista a ganhar em Ans, pelo menos durante alguns tempo. Há alguns meses que se falava com alguma intensidade da possibilidade do percurso do monumento mais antigo ser alterado, visto ter-se tornado uma corrida algo previsível. A confirmação já chegou: a corrida irá fazer jus ao seu nome e regressar a uma meta no centro de Liège, 28 anos depois de ter sido desviada para Ans, que fica na região de Liège, mas mais afastada da cidade.

"A tradição não proíbe mudanças! Apesar da ASO estar ligada à história dos eventos que organiza, também se mantém aberta a mudanças para refrescar a imagem." A justificação da Amaury Sport Organisation (ASO) até é interessante, visto que muitas vezes é acusada de estar presa às escolhas mais tradicionais nas corridas, com destaque para a Volta a França. A Liège-Bastogne-Liège já algum tempo que tinha caído na previsibilidade, com várias subidas a fazer alguma selecção nos candidatos, mas com a última dificuldade em Ans a ser onde se decidia o monumento. Jungels quebrou um pouco essa rotina ao ter escapado antes ao grupo de favoritos e ter alcançado uma vitória a solo.

Os organizadores consideram que as alterações irão tornar o "formato mais condizente com o nome da corrida". "A mudança do local da meta é essencialmente feito por critérios desportivos, com intenção de tornar o final da corrida ainda mais atractivo", explicou a organização, num comunicado.

A última fez que o até então tradicional final no centro de Liège foi o local da consagração, o vencedor foi o italiano Moreno Argentin, em 1991. Agora é preciso aguardar para saber como irão ser distribuídas as subidas que compunham a fase decisiva da corrida e em 2019, 28 anos depois, a La Doyenne regressa, de certa forma, a casa. Até então, só em 1972 tinha fugido à tradição, com um final em Verviers. Também já era falado que se a mudança viesse a confirmar-se, sendo potencialmente um final mais plano, poderá chamar novamente outro tipo de ciclistas, com Peter Sagan e Greg van Avermaet logo à cabeça. Mas primeiro será preciso conhecer o novo percurso.

Onde não se irá mexer é no muro de Huy. Apesar da Flèche Wallonne andar a sofrer um pouco do mesmo mal da Liège-Bastogne-Liège, ou seja, acaba por ser algo previsível que a vitória se vai discutir na mítica subida, ainda assim, esta é uma tradição que continua a resultar a nível de espectáculo. Irá manter-se pelo menos até 2024. Já os locais do início continuarão a ser alterados para irem mostrando várias zonas da Valónia. E em 2019 será Ans a receber o arranque da Flèche Wallonne. Uma forma de compensar a perda da Liège-Bastogne-Liège.


23 de abril de 2018

Ciclista ciumento não tem lugar na Quick-Step Floors

(Fotografia: © Sigfrid Eggers/Quick-Step Floors)
Com mais de 30 anos de carreira como director desportivo, Patrick Lefevere admite que ao ver como os seus ciclistas trabalham em equipa, ajudando-se mutuamente para alcançarem vitórias, é algo que ainda o deixa emocionado. Para o responsável da Quick-Step Floors esta foi a melhor primavera de sempre, com dois monumentos conquistados, a Flèche Wallonne, E3 Harelbeke... praticamente todas as clássicas belgas, além de vitórias de etapas na Volta a Catalunha e ao País Basco. E contabilizando todos os triunfos desde o início do ano, são 27, distribuídos por 12 ciclistas, com a Sky a ser a equipa que mais se aproxima deste fabuloso registo, com 15 triunfos.

"Não é possível fazer melhor. É a minha melhor primavera de sempre e foi com uma equipa muito jovem", salientou Lefevere ao jornal belga Het Nieuwsblad. Bob Jungels e Julian Alaphilippe têm 25 anos, Fabio Jakobsen e Álvaro Hodeg (duas das revelações deste início de temporada), têm 21, Enric Mas, 23, Max Schachmann, 24, só para nomear alguns. Niki Terpstra (33), Maximiliano Richeze (35) e Philippe Gilbert (35) são os veteranos, mas só o último ainda não venceu este ano, apesar de ser ele quem detém o melhor currículo. Porém, Gilbert foi visto mais do que uma vez a trabalhar para colegas bem mais novos, ou então a tentar mexer na corrida. "Vemos como o Philippe Gilbert não tem problemas em abrir a corrida [como aconteceu na Liège] para os outros. Isso é o conceito de equipa: ninguém tem ciúmes", realçou Lefevere, que foi mais longe: "Se vejo um ciclista ciumento, tiro-o da minha equipa."

Esta é uma equipa habituada a somar mais de 50 ou 60 vitórias por ano, ainda assim, 27 e o mês de Abril ainda nem terminou, é algo que deixou Lefevere orgulhoso. No ano passado, por exemplo, "só" atingiram este número já em Maio, durante a Volta à Califórnia. Mas para o director há algo importante a destacar nesta juventude de enorme talento que corrida após corrida aparece a ganhar com a camisola da Quick-Step Floors. "Quando o Johan Museew parou, as pessoas pensavam que tínhamos um problema. O mesmo aconteceu com a despedida de Tom Boonen. Parecia que estávamos amputados, mas havia rapazes prontos para assumir a responsabilidade", referiu.

E assim foi, pois além dos jovens que apareceram, ciclistas ainda novos, mas já com experiência apareceram a grande nível, como foi o caso de Pieter Serry (29) e Yves Lampaert  (27), este último também já ganhou. E depois houve Zdenek Stybar (32), a quem continua a escapar um monumento, mas que nas clássicas do pavé foi um incansável em garantir que a Quick-Step Floors somava vitórias. Grande exemplo foi para os mais jovens, chegando a preparar os sprints para quem ainda agora chegou ao World Tour. "Estamos muito contentes. Não é possível fazer melhor. Eu devia dar uma conferência de imprensa amanhã a dizer que vamos abandonar em grande estilo", brincou Lefevere.

Desistir é uma palavra que não existe no vocabulário desta equipa belga, numa altura que virará as atenções para as grandes voltas. As clássicas são o ADN desta estrutura, mas não se se pense que irá desaparecer com a chegada do Giro, Tour e mais tarde a Vuelta. No ano passado foi uma autêntica papa-etapas com Fernando Gaviria, Marcel Kittel e Matteo Trentin a não darem hipótese nos sprints.

Kittel não quis competir por um lugar no Tour com Gaviria e foi para a Katusha-Alpecin, enquanto Trentin foi à procura de um papel de maior destaque durante toda a temporada na Mitchelton-Scott. Nem um, nem outro está a ter um ano muito memorável. Já a Quick-Step Floors contratou Elia Viviani (29 anos) e já lá vão seis vitórias. Vai ao Giro para matar a fome de grandes voltas, depois da Sky o ter deixado de fora de todas em 2017. Gaviria tem estado a recuperar de uma queda no Tirreno-Adriatico, depois de a estreia como aposta nas clássicas não ter corrido muito bem. No entanto, já tem quatro vitórias e vai regressar esta terça-feira na Volta a Romandia, na preparação rumo ao Tour. E há que salientar que, apesar de já ser um dos melhores sprinters do mundo, só tem 23 anos.

Quanto a Viviani há que referir que é mais um exemplo de outra capacidade extraordinária da Quick-Step Floors. Ciclistas que vivem maus ou menos bons momentos na carreira, vão para a estrutura de Lefevere e simplesmente desatam a ganhar. Aconteceu com Viviani, que atravessa a sua melhor temporada, foi o caso de Marcel Kittel quando deixou a então Giant-Alpecin (actual Sunweb) e com Gilbert que no ano passado voltou às grandes vitórias, depois de uma travessia no deserto durante grande parte da sua estadia na BMC.

Se para as classificações gerais não se espera uma candidatura ao nível de um Chris Froome, Romain Bardet, Tom Dumoulin, Nairo Quintana ou outros grandes voltistas, Enric Mas estará no Giro para mostrar que Espanha tem mais um homem que quer e pode assumir-se como referência, agora que Alberto Contador saiu de cena. Em França, será a vez de Bob Jungels elevar o seu nível e ir à procura de pelo menos um top dez.

Pelo meio haverá corridas de uma semana ou de um dia e seria estranho se no final do ano não estivéssemos a olhar para um registo a rondar as 60 vitórias, ainda que se o ritmo de triunfos se mantiver, poderemos estar perante algo histórico.

Aqui ficam as 27 vitórias até ao momento da Quick-Step Floors (a categoria está entre parêntesis, com as identificadas como UWT a pertenceram ao calendário World Tour):

➤ Terceira etapa do Tour Down Under (2.UWT), 18 de Janeiro: Elia Viviani
➤ Primeira etapa da Volta a San Juan (2.1), 21 de Janeiro: Fernando Gaviria
➤ Quarta etapa da Volta a San Juan (2.1), 24 de Janeiro: Maximiliano Richeze
➤ Primeira etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 6 de Fevereiro: Fernando Gaviria
➤ Segunda etapa da Volta ao Dubai, 7 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Segunda etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 7 de Fevereiro: Fernando Gaviria
➤ Terceira etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 8 de Fevereiro: Fernanco Gaviria
➤ Quarta etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 9 de Fevereiro: Julian Alaphilippe
➤ Quinta etapa da Volta ao Dubai (2.HC), 10 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Classificação geral da Volta ao Dubai (2.HC), 10 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Segunda etapa da Volta a Abu Dhabi (2.UWT), 22 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Le Samyn (1.1), 27 de Fevereiro: Niki Terpstra
➤ Dwars door West-Vlaanderen (1.1), 4 de Março: Rémi Cavagna
Danilith Nokere Koerse (1.HC), 14 de Março: Fabio Jakobsen
Handzame Classic (1.HC), 16 de Março: Álvaro Hodeg
Primeira etapa da Volta à Catalunha (2.UWT), 19 de Março: Álvaro Hodeg
Driedaagse Brugge - De Panne (1.HC), 21 de Março: Elia Viviani
E3 Harelbeke (1.UWT), 23 de Março: Niki Terpstra
Sexta etapa da Volta à Catalunha (2.UWT), 24 de Março: Max Schachmann
Dwars door Vlaanderen (1.UWT), 28 de Março 1 de Abril: Yves Lampaert
Volta a Flandres (1.UWT), 1 de Abril: Niki Terpstra
Primeira etapa da Volta ao País Basco (2.UWT), 2 de Abril: Julian Alaphilippe
Segunda etapa da Volta ao País Basco (2.UWT), 3 de Abril: Julian Alaphilippe
Scheldeprijs (1.HC), 4 de Abril: Fabio Jakobsen
Sexta etapa da Volta ao País Basco (2.UWT), 7 de Abril: Enric Mas
Flèche Wallonne (1.UWT), 18 de Abril: Julian Alaphilippe
Liège-Bastogne-Liège (1.UWT), 22 de Abril: Bob Jungels



22 de abril de 2018

Todos a olhar para Valverde e Alaphilippe e a Quick-Step ganhou com Bob Jungels

(Fotografia: Twitter Quick-Step Floors)
Se há algo que ficou bem claro nesta Liège-Bastogne-Liège é que esta Quick-Step Floors anda perto da perfeição como equipa e que o monumento mais antigo da história do ciclismo está desesperadamente a precisar de uma revitalização no seu percurso. Em 258 quilómetros apenas os últimos 30 serem de facto interessantes, é muito redutor  numa corrida desta magnitude. Valeu Bob Jungels que animou (e de que maneira) a fase decisiva, com a concorrência a marcar-se de tal maneira que as reacções acabaram por ser pouco assustadoras e bem controladas por um Julian Alaphilippe, que de principal candidato - a par de Alejandro Valverde - passou a um homem de trabalho, brilhante em "atrapalhar" a perseguição ao colega de equipa. A forma como o francês festejou ao cortar a meta e aquele abraço de Enric Mas a Jungels diz tudo: esta Quick-Step Floors é uma equipa por excelência. Quem não ganha festeja e emociona-se como se tivesse sido o vencedor.

Tantos perguntam se o ciclismo é um desporto colectivo. A Quick-Step Floors é um exemplo perfeito que sim. Ganha a individualidade, é certo, mas é o trabalho de todos que permite que nesta fase do ano já sejam 27 as vitórias, distribuídas por 12 ciclistas. E dois monumentos, nos quatro realizados (fica a faltar a Lombardia, a 13 de Outubro). Alaphilippe era o líder, ainda mais depois de ter ganho a Flèche Wallonne. Philippe Gilbert a outra carta a jogar (já venceu a Liège em 2011) e Bob Jungels acabava quase por ser um outsider. Mas nesta Quick-Step Floors, todos têm a sua oportunidade e um líder nunca é indiscutível. A corrida acaba por ditar quem vai lutar pelo triunfo.

Até foi Gilbert quem finalmente mexeu numa corrida até então a roçar um absoluto aborrecimento. Antes a subida que sempre marcou este monumento, La Redoute, passou-se sem história. Foi em Roche-aux-Faucons que as movimentações se tornaram decisivas. Bob Jungels colocou-se na frente e na descida ganhou vantagem sobre quem sobreviveu a estes ataques que partiram por completo um grupo que era então estranhamente grande.

Curiosamente, foi precisamente neste local que Andy Schleck atacou quando em 2009 venceu a Liège-Bastogne-Liège. Outro luxemburguês inscreve agora o seu nome na mítica corrida, que acabou por ter um final menos habitual comparativamente com os últimos anos, já que Jungels chegou isolado. Chegou a ter um minuto de vantagem, muito por culpa de atrás ninguém se entender e até deixarem Alaphilippe liderar o grupo e claro que o francês tirava sempre o pé do acelerador. Só por uma vez tentou ele próprio atacar, quando Jelle Vanendert (Lotto Soudal) chegou a reduzir a diferença para 20 segundos. Porém, o belga, que foi terceiro na Flèche Wallonne, quebrou e Alaphilippe abortou o seu ataque.

Jungels ficou mesmo com o monumento, com Michael Woods (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) - atenção ao canadiano para o Giro - e Romain Bardet (AG2R) a fechar o pódio. Boa época de clássicas para o francês, tanto no seu país, como em corridas mais importantes. Tinha terminado em segundo na Strade Bianche e no Tour du Finistère, sendo nono na Flèche Wallonne. No início da temporada venceu a clássica de l'Ardèche Rhône Crussol.

Pequeno pormenor: os quatro monumentos já realizados foram todos decididos por ataques a alguns quilómetros da meta. Foi assim na Milano-Sanremo, por Vincenzo Nibali, repetiu-se a história na Volta a Flandres com Niki Terpstra e Peter Sagan escapou ao grupo de favoritos no Paris-Roubaix, ainda que no final tenha sido obrigado a fazer um sprint com Silvan Dillier.

Regressando à Liège, Valverde procurava igualar Eddy Merckx com cinco vitórias, mas desta feita nem no top dez ficou (13º, a 51 segundos). Ainda tentou um ou outro ataque, mas no grupo simplesmente ninguém se entendia o suficiente para perseguir seriamente Jungels. Daniel Martin foi dos mais insatisfeitos. Depois de uma Flèche Wallonne em que ficou para trás, sendo uma enorme desilusão a forma que apresentou, o irlandês mostrou que teve um mau dia na quarta-feira e esteve muito activo na Liège. Um furo a oito quilómetros acabou com a sua corrida. Levou as mãos à cabeça e tinha razão para tal. Cortou a meta a 2:41 minutos (18º). 15 segundos depois chegou Rui Costa (22º). O português não conseguiu manter-se no grupo dos favoritos quando começaram as movimentações a 30 quilómetros do final. A UAE Team Emirates mostrou intenções ao liderar o pelotão durante muito tempo, mas no final saiu frustrada.

Domenico Pozzovivo veio de um segundo lugar na Volta aos Alpes para um quinto na Liège. Este italiano na Bahrain-Merida está a prometer para o Giro, tal como Davide Formolo (Bora-Hansgrohe), que foi sétimo. Tom Dumoulin (Sunweb) ainda tentou, mas claramente não se apresentava com o objectivo de vencer (15º). É difícil perceber como estará para o arranque da corrida que ganhou há um ano. E na perspectiva de quem foi à clássica a pensar um pouco na preparação para o Giro, Chris Froome terá gostado do que viu sobre Sergio Henao, mas já deve estar preocupado com o Wout Poels que teve uma semana das Ardenas para esquecer.

Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) era o outro português em prova, tendo abandonado. O mesmo sucedeu com Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport), na corrida feminina, ganha novamente por Anna van der Breggen. A semana das Ardenas pertence ao Women's World Tour desde o ano passado, quando o calendário começou, e a holandesa só falhou a vitória na última Amstel Gold Race, que, no entanto, foi ganha pela colega da Boels-Dolmans, Chantal Blaak.


Para Bob Jungels é a vitória mais importante da carreira. Porém, já venceu uma etapa no Giro no ano passado, em Bergamo, além de ter conquistado a classificação da juventude em 2016 e 2017. É quatro vezes campeão nacional de estrada e três de contra-relógio. A Quick-Step Floors vai apostar no ciclista de 25 anos no Tour, com o objectivo mínimo de o meter no top dez.

Mudança de percurso

Se tirar o muro de Huy da decisão da Flèche Wallonne poderia originar uma revolução, já tirar o final da Liège-Bastogne-Liège de Ans será uma mudança bem-vinda para a maioria. Desde 1992 que este monumento está preso a um percurso muito idêntico. As pequenas mudanças, como por exemplo este ano a subida de La Redoute surgiu um pouco mais afastada da meta, não têm oferecido um maior entusiasmo à corrida.

No próximo ano é possível que o final da La Doyenne regresse a algo mais tradicional antes de se fixar em Ans. A diferença é que será uma aproximação à meta em plano. A Liège-Bastogne-Liège irá assim chamar outro tipo de ciclistas, além dos trepadores. Nomes como Peter Sagan ou Greg van Avermaet podem muito bem colocar esta prova no seu calendário. As subidas ganharão outra importância. Favorecerá ataques daqueles que não quererão um sprint. Pelo menos na teoria, a Liège-Bastogne-Liège poderá tornar-se mais "movimentada".

Mas é só para 2019. Esta época terminaram as emoções fortes desta fase das clássicas. Agora é tempo de entrar definitivamente em contagem decrescente para o Giro, a primeira grande volta do ano, que começa dia 4 de Maio, em Jerusalém, Israel.





28 de janeiro de 2018

O apelo de Bob Jungels após o atropelamento de dois colegas de equipa

Jungels estava a treinar com Vakoc e De Plus (Fotografia: Twitter Bob Jungels)
Bob Jungels tem mostrado através dos Twitter o quanto o atropelamento de dois dos seus companheiros da Quick-Step Floors, enquanto treinavam, o afectou. O luxemburguês tem publicado mensagens de apoio, mas foi agora mais longe, partilhando um vídeo apelando ao respeito na estrada por parte de todos, seja qual for o veículo que se esteja a conduzir. "Espero que ninguém tenha de passar pelo que eu passei com os meus dois colegas de equipa. Aconselho vivamente a partilhar a estrada, talvez fazer um sinal se alguém faz algo mal, mas não façam nenhuma acção que possa provocar uma situação como a que tivemos", apelou o ciclista.

Os três corredores da formação belga estavam em estágio na África do Sul, quando o checo Petr Vakoc e o belga Laurens de Plus foram atropelados por uma carrinha. Jungels seguia à frente dos dois companheiros e não foi apanhado no acidente. Ambos foram transportados para o hospital, com Vakoc a ser a situação mais grave. Precisou de ser operado à coluna, já se encontrando a recuperar. Dentro de dez dias deverá poder regressar a casa.

"Num momento estamos a rir com o nosso companheiro e no segundo seguinte estamos a correr, a gritar, sem saber o que fazer, a pedir a ajuda. Depois, tê-lo nos meus braços, sem saber se ele vai praticar outra vez ciclismo, andar, ou seja o que for... No final, tudo acabou de forma bastante positiva, apesar do que aconteceu", referiu Jungels no vídeo publicado no YouTube (pode ver mais em baixo).

A África do Sul tem tornado-se num destino preferencial para alguns ciclistas, além de Chris Froome, que também já influenciou o colega da Sky, Geraint Thomas, pelo menos em 2017. Além do trio da Quick-Step Floors, também os gémeos Yates, Adam e Simon, da Mitchelton-Scott, por exemplo, estão no país a preparar a nova temporada. Jungels quis que ficasse bem claro que a decisão de ir para a África do Sul foi a mais acertada, dizendo mesmo que os condutores demonstram grande respeito pelos ciclistas.

No entanto, o luxemburguês, de 25 anos, desabafou: "É triste que se tenha sempre de chegar a uma situação como esta para se acordar." O ciclista considera que "muito está a ser feito para a segurança dos ciclistas na estrada", mas realçou: "Somos os mais vulneráveis na estrada. Não temos um chassi a proteger-nos."  Jungels deixou por isso um apelo: "Todos devem considerar se vale a pena perder um ou dois minutos a ultrapassar-nos, ou a ver-se envolvido numa situação como a que estivemos há dois dias. Não estou a dizer que os ciclistas fazem tudo bem. Muitas vezes ocupamos demasiado da estrada, muitas vezes não respeitamos as regras, o que é justo dizer que também não é correcto."

Este incidente reavivou a memória do choque violento que atirou cinco ciclistas da então Giant-Alpecin (actual Sunweb) para o hospital, em Alicante, em Janeiro de 2016. John Degenkolb, Warren Barguil, Chad Haga, Fredrik Ludvigsson, Ramon Sinkeldam e Max Walscheid foram atropelados por uma condutora britânica que conduzia em contra-mão. Haga e Degenkolb foram os casos mais preocupantes. O alemão quase perdeu um dedo e ficou de fora grande parte da temporada. No ano passado Chris Froome também teve um encontro imediato com o carro quando treinava numa zona perto do Mónaco, na preparação para a Volta a França, mas não sofreu ferimentos de maior.

A mensagem de Jungels não está a passar despercebida, com alguns comentários a salientarem precisamente como o ciclista apelou a todos, incluindo quem anda de bicicleta, para que assim se possa de facto falar em segurança na estrada.

Veja o vídeo na íntegra.



Psicólogo ajudou mãe de Laurens de Plus

Laurens de Plus não está a ter meses fáceis. Em Outubro terminou a temporada na Lombardia com uma aparatosa queda, passando por cima do raile de protecção e caindo numa ribanceira. Apesar dos ferimentos, principalmente numa perna, o belga de 22 anos recuperou e queria começar bem a nova temporada, a terceira na Quick-Step Floors. 

Aquando do incidente na Lombardia, o ciclista admitiu que o psicólogo da equipa ajudou a sua mãe a lidar com o sucedido. "Agora a minha mãe tem sempre medo. O ciclismo é um desporto com numerosos riscos e dá muitos problemas. Porém, na equipa temos um bom psicólogo, o Jef Brouwers, que a ajudou muito. Espero que veja as próximas corridas de forma mais serena", disse então ao site RTBF.

Perante este novo acidente com alguma gravidade, agora durante um treino, Brouwers deverá entrar novamente em acção, não só para ajudar a família dos ciclistas, mas também os próprios. Para De Plus, por exemplo, será um verdadeiro teste a sua capacidade mental para recuperar de duas situações muito complicadas, num curto espaço de tempo.

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26 de janeiro de 2018

Início de ano atribulado para a Quick-Step Floors: depois da queda de Gaviria, dois ciclistas foram atropelados

De Plus e Vakoc estavam a treinar com Jungels quando foram atropelados
(Fotografia: Twitter Bob Jungels)
Num dia parecia que a temporada da Quick-Step Floors estava a arrancar para mais a senda de vitórias habitual (acima de 50 por ano), mas inesperadamente as preocupações são agora com a condição física de três ciclistas. Fernando Gaviria sofreu uma queda aparatosa na Volta a San Juan e já regressou a casa. Mas se o colombiano não inspira cuidados de maior e apesar de ter ficar maltratado, irá voltar à competição rapidamente, a pior notícia chegou esta sexta-feira: Laurens De Plus e Petr Vakoc foram atropelados durante um treino, na África do Sul, com o checo a precisar de ser operado devido a lesões nas vértebras. Bob Jungels estava com os companheiros, mas escapou ao embate causado por uma carrinha.

"Estávamos a treinar quando, de repente, ouvi um barulho muito alto e no segundo seguinte vi o Laurens e o Petr no chão. Não vi a carrinha que vinha atrás, mas tê-los-á atingido ou com o espelho ou mesmo com o lado esquerdo da parte frente [do veículo]. Corri na direcção deles e pude ver que estavam feridos, por isso, não me atrevi a mexer neles", contou Bob Jungels, que seguia à frente de De Plus e Vakoc. "Uma senhora que estava na berma da estrada aproximou-se e ajudou-nos, chamando uma ambulância, enquanto o nosso treinador Koen [Pelgrim] e eu falávamos com eles. Foi muito difícil vê-los naquele estado e espero que eles recuperem rapidamente deste momento complicado", acrescentou Bob Jungels, citado no comunicado da equipa.

A Quick-Step Floors explicou que o belga Laurens de Plus (22 anos) sofreu contusões num pulmão e rim e irá ficar uns dias no hospital para se observado. Porém, destacou que é Vakoc (25) quem mais preocupa e a intervenção cirúrgica estava prevista ainda para hoje. De recordar que em Outubro De Plus foi um dos ciclistas que caiu numa ribanceira durante o último monumento do ano, a Lombardia, que o deixou com uma lesão no joelho, além de ficar mal tratado noutras partes do corpo. O belga estava a preparar o regresso à competição.

Bob Jungels deixou esta mensagem no Twitter (texto continua em baixo).


Quanto a Fernando Gaviria, a queda durante a Volta a San Juan levou-o a passar uma noite do hospital, mas o ciclista já recebeu autorização para regressar à Colômbia. O sprinter, que havia vencido a primeira etapa, ficou ferido nas costas, braços e nas mãos, mas o estado do joelho e o facto do capacete ter partido na queda, fez com que o médico optasse por ordenar a ida de Gaviria ao hospital. Porém, foi confirmado que, apesar do aparato, os problemas físicos não são graves. "Sinto-me bem depois da queda de ontem", garantiu o ciclista, que contou que o pelotão ia a grande velocidade, até porque era uma zona de muito vento, e que houve um movimento nos corredores à sua frente, acabando por tocar com a roda num dos seus companheiros. "Ninguém podia fazer nada para evitar [o que aconteceu]."

Gaviria mantém o plano de competir na Colombia Oro y Paz, que se realiza entre 6 e 11 de Fevereiro, num início de temporada em que pretende preparar uma forte presença nas clássicas, tendo no seu calendário os monumentos Milano-Sanremo, Volta a Flandres e Paris-Roubaix. Quanto a grandes voltas, depois de dominar na sua estreia em 2017 na Volta a Itália (quatro etapas e a classificação dos pontos), Gaviria vai atacar o Tour.

É um arranque de temporada acidentado para a Quick-Step Floors, que ainda assim, já soma três vitórias em Janeiro: Elia Viviani (terceira etapa do Tour Down Under), Fernando Gaviria e Maximiliano Richeze (primeira e quarta etapa da Volta a San Juan, respectivamente).

De recordar que a Quick-Step Floors é uma das 13 equipas do World Tour que marcará presença na Volta ao Algarve. Bob Jungels e Philippe Gilbert são duas hipóteses para estar num pelotão que já está a ficar bastante interessante (ver link em baixo).

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»»208 dias depois, eis Valverde!««

31 de julho de 2017

Viviani afinal está bem na Sky. Mercado de transferências abre esta terça-feira

(Fotografia: Facebook Elia Viviani)
Está quase! A especulação está perto de terminar para dar lugar às confirmações oficiais. Quem vai para onde? O mercado de transferências abre esta terça-feira e há muitas indefinições para resolver. Certo é que Elia Viviani não vai sair da Sky como chegou a ser avançado por um jornal italiano. Apesar de ter ficado desiludido por não ter ido nem ao Giro, nem ao Tour e a presença na Vuelta também está longe de ser uma certeza, Viviani confirmou que não vai para a UAE Abu Dhabi e quer cumprir até final o contrato com a Sky, ou seja, até 2018. No entanto, a equipa britânica irá perder um ciclista que importante no apoio a Chris Froome, enquanto a Quick-Step Floors renovou com uma das suas jovens estrelas.

Começando por Viviani. O descontentamento do ciclista por ter sido excluído do Giro100 era conhecida. Era uma edição especial e o sprinter italiano queria deixar uma marca na corrida. Porém a equipa apostou em Geraint Thomas e Mikel Landa para a geral e os restantes ciclistas foram escolhidos para ajudá-los. Com Chris Froome na luta por mais um Tour era mais do que certo que não haveria espaço para Viviani. O ano não tem sido muito produtivo e a Gazzetta dello Sport dava conta que o sprinter queria sair já em Agosto para a UAE Abu Dhabi e assim garantir a presença na Vuelta. A formação de Rui Costa está apostada em reforçar-se bem para 2018, mas afinal não contará com Viviani. Não para já, pelo menos.

"Estou feliz na Sky. Fiquei desiludido por ter perdido as grandes voltas, todos sabemos disso, mas espero estar nessas corridas na próxima época", garantiu Viviani ao Cycling News. Com esta decisão, o italiano não se irá tornar num dos poucos casos no ciclismo de alguém que quebrou contrato com uma equipa. Viviani salientou ainda que não só está satisfeito na Sky, como tem o objectivo bem definido em conquistar dez vitórias esta temporada. Faltam seis e quer que uma delas seja nos Europeus da próxima semana.

De saída está mesmo Mikel Nieve. Oficialmente a confirmação só será feita a partir de amanhã, mas foi Chris Froome quem assumiu que o espanhol vai para a Orica-Scott em 2018. "Não queríamos perder o Mikel Nieve, mas a Orica fez uma oferta fabulosa e irá dar-lhe um papel de mentor de jovens, algo que é muito adequado para ele", disse o britânico, numa entrevista ao The Sunday TimesNieve está há quatro anos na Sky, depois de ter construído a sua carreira na Euskaltel-Euskadi.

Quick-Step Floors anuncia primeira renovação

Perante tanta incerteza quanto ao futuro da equipa e que faz com que os ciclistas estivessem todos em final de contrato, Patrick Lefevere ou assegurou o patrocinador que tanto queria para se juntar à Quick-Step, ou vai mesmo continuar com os actuais, ainda que isso signifique que não tenha o reforço financeiro desejado. Bob Jungels é o primeiro a renovar contrato e logo por três anos. O luxemburguês é um dos jovens talentos da equipa e Lefevere tem esperança estar perante o ciclista que irá definitivamente colocar a equipa a lutar por algo mais que o top dez numa grande volta.

Jungels tem 24 anos (faz 25 em Setembro) e foi no Giro que se destacou. Venceu duas vezes a classificação da juventude e na última edição junto uma vitória de etapa. A juntar-se a Jungels na renovação estará quase certo Fernando Gaviria (22). O sprinter colombiano é uma autêntica pérola e as quatro vitórias de etapa no Giro são vistas como apenas o início de uma carreira fantástica como sprinter nas principais corridas.

Julian Alaphilippe (25) também é um dos ciclistas com um futuro promissor e Philippe Gilbert será a voz da experiência. Aos 35 anos reencontrou-se com as vitórias e com as grandes exibições. Patrick Lefevere quer continuar a contar com o belga, tendo em vista a fase das clássicas. Já Marcel Kittel e Daniel Martin estarão a estudar propostas. O alemão estará a ser tentado pela Katusha-Alpecin e o irlandês pela UAE Team Emirates.

A partir desta terça-feira vamos começar a saber o que decidiram. Aqui fica a lista com alguns dos principais ciclistas que estão em final de contrato. De recordar que dos portugueses no World Tour só falta definir o futuro de José Mendes (Bora-Hansgrohe) e de André Cardoso (Trek-Segafredo). Este último ainda espera pelo resultado da contra-análise do caso de suspeita de doping, encontrando-se suspenso provisoriamente.

»»As renovações mais do que merecidas««

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»»UAE Team Emirates quer construir super equipa para 2018««

21 de maio de 2017

Etapa de loucos. Quintana até sprintou!

Um sprint de candidatos (Fotografia: Giro d'Italia)
O pelotão estava com vontade de entrar de folga! Mesmo com uma subida de segunda categoria e outra de terceira, a média rondou os 48 quilómetros/hora e antes das duas dificuldades esteve mesmo nos 52 quilómetros/hora. Resultado, a etapa terminou quase uma hora antes do previsto, com os 199 quilómetros a serem percorridos em 4:16:51 horas, com Bob Jungels a vencer a etapa. No final estavam todos bastante ofegantes e não era para menos. Desde o primeiro quilómetro que foi imposta uma velocidade elevada. Apesar de parecer que algumas equipas queriam baixar o ritmo, houve sempre alguém a querer controlar o pelotão e esse controlo tinha de ser feito pedalando bem rápido. Só já com mais de 100 quilómetros cumpridos é que se formou uma fuga digna desse nome, mas que ainda assim não resistiu.

A mente de todos está na etapa de terça-feira e quanto mais cedo começasse a recuperação, contando que esta segunda-feira é dia de descanso, melhor. Mas lá que foi rápida a tirada, lá isso foi. Porém, houve algum desgaste inesperado, como foi o caso de Nairo Quintana que caiu na última descida (ver vídeo em baixo). No entanto, contou com o desportivismo de Tom Dumoulin, que se colocou na frente do pelotão, dando ordem para se esperar pelo colombiano. O holandês, líder do Giro, justificou a decisão por não querer ganhar porque um rival caiu ou teve um furo. Claro que rapidamente se recordou como na etapa do Blockhaus a Movistar não "levantou o pé" quando Geraint Thomas e Mikel Landa caíram após o choque de Wilco Kelderman com uma moto da polícia. A atitude de Dumoulin revela de facto um carácter de um campeão e é também assim que se conquista o respeito de colegas e rivais.


Giro d'Italia - Stage 15 - Quintana crashed por giroditalia

A Bahrain-Merida de Vincenzo Nibali e a Orica-Scott de Adam Yates não deixaram que a velocidade baixasse muito, mas foi o suficiente para Quintana recuperar o seu lugar no grupo. No caso da Orica-Scott percebe-se, afinal Yates também foi um dos afectados na queda que terminou com o Giro de Thomas (entretanto abandonou) e Landa. Já a Bahrain-Merida... Nibali e Quintana não são exactamente bons amigos...

Jungels, um ciclista muito, muito promissor (Fotografia: Giro d'Italia)
O final em Bergamo acabou por ter algo raro. O grupo de candidatos à vitória na Volta a Itália a sprintar. Podem não ter o estilo dos sprinters, mas ainda assim foram uns metros finais emocionantes, com Bob Jungels a demonstrar que tem a lição bem estudada, depois de ver Fernando Gaviria ganhar quatro etapas desta forma no Giro. E aí vão cinco vitórias em Itália para a Quick-Step Floors, 30 em 2017. Sim, 30! Foi a primeira vitória numa grande volta do ciclista de 24 anos, que este ano e em 2016 já vestiu a maglia rosa do Giro, tendo reforçado a liderança na juventude, com os dez segundos de bonificação.

A surpresa do sprint foi Nairo Quintana. Pequeno, magrinho, mas quando foi preciso ter força, o colombiano mostrou que a tem e foi buscar seis segundos nas bonificações, com Dumoulin a cortar a meta no oitavo lugar, juntamente com o invulgar grupo de sprinters de ocasião.

Destaque ainda para a aparatosa queda de Tanel Kangert (Astana), que foi obrigado a abandonar, tendo fracturado o cotovelo. Veja aqui.

Os ataques a Dumoulin ficaram guardados para terça-feira, num dos dias mais esperados este ano no ciclismo, com uma etapa que terá o Mortirolo, Stelvio (a Cima Coppi, ponto mais alto do Giro, a 2488 metros) e ainda o Bormio, mas com a etapa a não terminar em alto, ou seja, as descidas podem ser tão importantes como as subidas. Espectáculo garantido, numa semana de montanha e mais montanha, com um contra-relógio a fechar a Volta a Itália no domingo.


Giro d'Italia 2017 - Stage 15 - Highlights por giroditalia