Mostrar mensagens com a etiqueta BMC. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta BMC. Mostrar todas as mensagens

22 de setembro de 2018

Um dos Mundiais mais difícil da história começa com duas despedidas

(Fotografia: Facebook BMC Racing Team)
David Lappartient ainda mal tinha tomado posse como presidente da UCI e já estava a anunciar que ia acabar com o contra-relógio por equipas nos Mundiais. Pelo menos nos actuais moldes, ou seja, as formações dos três escalões deixam de ter acesso a esta prova. Eventualmente poderá regressar o contra-relógio colectivo por selecções. E por falar em despedidas, serão a dobrar, pois a BMC vai tentar dizer adeus com um terceiro título. A estrutura prepara-se para mudar de nome e muitos dos seus ciclistas estão de partida para outras equipas.

Dos seis que vão compor a BMC, apenas Greg van Avermaet e Patrick Bevin irão continuar naquela que será a CCC, ainda que o nome não esteja confirmado, Porém, todos querem uma última grande vitória de uma equipa que é rainha nos contra-relógios colectivos. Este ano soma três triunfos, incluindo na Volta a França, ao que acresce dez em contra-relógios individuais, seis das quais por intermédio Rohan Dennis. O australiano tem bem definido o objectivo de ficar com o título mundial, que se irá disputar na quarta-feira e é um dos principais favoritos. Mas antes é uma questão de honra fechar a presença da BMC como patrocinador principal com um título que premiará aquela que é uma das equipas mais fortes nesta vertente.

Além de Rohan Dennis (está de saída para a Bahrain-Merida), Greg van Avermaet e Patrcik Bevin, a BMC chamou Stefan Küng (vai para a Groupama-FDJ), Damiano Caruso (Bahrain-Merida) e Tejay van Garderen (EF Education First-Drapac p/b Cannondale).

A BMC venceu em 2014 e 2015, mas é a Quick-Step Floors que tem mais títulos: 2012, 2013 e 2016. Curiosamente, também haverá quem fará a sua despedida, pois três dos seis ciclistas já assinaram por outras equipas para a próxima temporada: Laurens de Plus vai para a Jumbo (a Lotto deixará de patrocinar a equipa), Max Schachmann  assinou pela Bora-Hansgrohe e Niki Terpstra mudar-se-á para a Direct Energie. Bob Jungels, Kasper Asgreen, Yves Lampaert completam o sexteto que irá atacar o quarto título mundial. A Quick-Step Floors só venceu um contra-relógio colectivo esta temporada, na Adriatica Ionica, em Itália.

Naquela que será uma curta história desta competição, que começou me 2012, a Sunweb quebrou o hegemonia das duas equipas anteriores no ano passado. Individualmente Tom Dumoulin persegue o segundo título consecutivo, mas o holandês quer repetir o duplo sucesso de 2017. Apesar de estar perder alguns ciclistas importantes, os que estarão em Innsbruck vão todos continuar na formação na próxima temporada e até mais além: Wilco Kelderman, Sam Oomen, Michael Matthews, Chad Haga, Soren Kragh Andersen, além de Dumoulin. De destacar que a Sunweb é também a campeã do mundo em título entre as senhoras.

A este trio de óbvio de candidatos junta-se a Sky (terceira há um ano) e a Mitchelton-Scott. Começando pela equipa australiana. Em seis edições somou quatro pódios! Mas nenhuma vitória. Dois segundos e dois terceiros. Tem uma última oportunidade para ajustar contas com uma prova que em 2013 escapou-lhe por um segundo. Jack Bauer, Luke Durbridge, Michael Hepburn, Daryl Impey, Cameron Meyer e Matteo Trentin têm bem claro que é para ganhar.

Quanto à Sky, apesar de Chris Froome e Geraint Thomas terem optado por não viajar para Innsbruck para nenhuma das corridas, a equipa não deixa de ser interessante: Michal Kwiatkowski, Jonathan Castroviejo, Vasil Kiryenka (campeão do mundo de contra-relógio em 2015), Gianni Moscon, Ian Stannard e Owain Doull. Castroviejo e Stannard substituem os dois britânicos comparativamente à equipa que esteve em Bergen.

Com um ciclista quatro vezes campeão do mundo da especialidade, Tony Martin, e outro dos melhores, Alex Dowsett, a Katusha-Alpecin é uma equipa a ter em conta. Porém, ambos têm estado longe do seu melhor. Nathan Haas, Reto Hollenstein, Nils Politt e Mads Würtz Schimdt completam o seis escolhido.

Nelson Oliveira (Movistar) será o único português nesta competição e terá a seu lado Andrey Amador, Winner Anacona, Imanol Erviti, Marc Soler e Jasha Sütterlin. Não é uma equipa que aspire a uma medalha, mas Oliveira aparece na lista de candidatos quando se fala do contra-relógio individual de quarta-feira.



O percurso terá 62,8 quilómetros, mais 20 do que em Bergen2017. Não só testará os limites da resistência pela sua extensão, como uma subida de cerca de cinco quilómetros, aos 40, poderá fazer a diferença (gráfico de cima). Quanto às senhoras, não terão essa dificuldade, com a distância a ser de 54,5 (gráfico em baixo).



Estarão presentes 12 equipas do World Tour, uma do escalão Profissional Continental, a CCC Sprandi Polkowice, e nove Continentais. É o arranque oficial de uns Mundiais muito esperados devido às dificuldades da corrida de fundo, com 4670 metros de acumulado à espera dos ciclistas e pendentes de fazer quebrar o melhor dos trepadores. Mas essa é só domingo, dia 30. Para já, é o contra-relógio colectivo que irá definir os primeiros campeões de mundo na Áustria. E até quarta-feira será esta especialidade que estará em destaque, ainda que a partir de segunda-feira será a nível individual (pode ver neste link quando participam ciclistas portugueses).

Aqui ficam os horários de partida para a prova feminina e masculina (hora portuguesa). Ambas serão transmitidas no Eurosport.

9:10 - Bepink (Itália)
9:13 - Team Virtu Cycling (Dinamarca)
9:16 - Parkhotel Valkebug (Holanda)
9:19 - Cogeas-Mettler Pro Cycling Team (Rússia)
9:22 - BTC City Ljubljana (Eslovénia)
9:25 - Valcar PBM (Itália)
9:28 - Wiggle High5 (Grã-Bretanha)
9:31 - Ale Cipollini (Itália)
9:34 - Canyon//Sram Racing (Alemanha)
9:37 - Mitchelton-Scott (Austrália)
9:40 - Boels Dolmans (Holanda)
9:43 - Sunweb (Holanda)

13:40 - Tirol Cycling Team (Áustria)
13:43 - WSA Pushbikers (Áustria)
13:46 - Hrinkow Advarics Cycleang (Áustria)
13:49 - Dukla Banska Bustrica (Eslováquia)
13:52 - Lotto-Kern Haus (Alemanha)
13:55 - Sangemini-MG. K Vis-Vega (Itália)
13:58 - Voralberg Santic (Áustria)
14:01 - Felbermayr Simplon Wels (Áustria)
14:04 - Elkov-Author (República Checa)
14:07 - CCC Sprandi Polkowice (Polónia)
14:10 - Katusha-Alpecin (Suíça)
14:13 - Trek-Segafredo (EUA)
14:16 - AG2R La Mondiale (França)
14:19 - Lotto-Jumbo (Holanda)
14:22 - Astana (Cazaquistão)
14:25 - Movistar (Espanha)
14:28 - Mitchelton-Scott (Austrália)
14:31 - Bora-Hansgrohe (Alemanha)
14:34 - Quick-Step Floors (Bélgica)
14:37 - Sky (Grã-Bretanha)
14:40 - BMC
14:43 - Sunweb


»»Rui Costa e Nelson Oliveira em busca do arco-íris««

»»Nibali surpreendido com dureza do percurso dos Mundiais««

21 de setembro de 2018

Mais uma equipa que sai de cena e há outras em risco

Está a ser o salve-se quem puder em várias equipas e não está a ser possível para algumas salvarem-se. A Aqua Blue Sport foi a primeira a anunciar o final de um projecto que durou apenas dois anos. Segue-se agora um mais antigo e de diferente escalão, mas que tinha a sua importância na Grã-Bretanha. A JLT Condor não encontrou um patrocinador para substituir o que vai sair. Fim da linha. Nos Estados Unidos são duas equipas em perigo e no Canadá há mais uma que luta pela sobrevivência.

A BMC foi o caso mais mediático do ano. É uma equipa do World Tour, com alguns dos melhores ciclistas, vencedora de uma grande volta e de outras grandes corridas. Mesmo sendo uma equipa poderosa, sofreu para encontrar quem substituísse a marca de bicicletas, que não quer mais seguir como um patrocinador principal. Aliou-se entretanto à Dimension Data como fornecedor das bicicletas, enquanto a empresa polaca CCC (que apoia uma formação do segundo escalão) acabou por salvar a estrutura americana e vai agora para o World Tour, levando consigo o ciclista português Amaro Antunes.

A luta noutros escalões não é mais fácil. A Aqua Blue Sport tentou aliar-se à Vérandas Willems-Crelan, mas a estrutura belga preferiu seguir outro caminho. A equipa irlandesa, que nasceu acreditando ser possível sustentar-se através das vendas feitas no site dedicado à modalidade, não resistiu à falta de convite para corridas mais importantes. Fecharam-se as portas e nem a época terminou. A Vérandas Willems-Crelan irá juntar-se à holandesa Roompot-Nederlandse Loterij. Em 2019 será a Roompot-Crelan. Não deixa de ser mais uma equipa que desaparece.

A saída de patrocinadores cria uma enorme instabilidade, lançando os directores numa busca intensa por substitutos. Foi o que fez Grant Young, das bicicletas Condor. A seguradora JLT anunciou o fim do apoio, mas não foi encontrada uma solução. A equipa britânica, do escalão Continental e que já passou pela Volta a Portugal, viu-se obrigada a terminar um projecto que deu os primeiros passos em 2005. A equipa dava a oportunidade a muitos britânicos de começarem no profissionalismo.

A Grã-Bretanha arrisca-se a ficar apenas com quatro equipas no terceiro escalão, ou seja, Continentais, pois a One Pro Cycling, passou de sonhar com o World Tour, para ter de dar um passo atrás em 2018 e agora vai acabar com a equipa masculina, para apostar numa feminina. Matt Prior, o fundador da equipa, acredita que é no Women's World Tour que estão as melhores oportunidades. De referir, que haverá outra equipa a entrar no ciclismo feminino: a Trek-Segafredo.

Do outro lado do oceano a vida não está também nada fácil. A Jelly Belly vai deixar o ciclismo, depois de 19 anos a apoiar a equipa. É o fim dos famosos equipamentos com feijões coloridos. O director Danny Van Haute está em contra-relógio para salvar a equipa, tal como Thierry Attias, que viu a UnitedHealthcare também a não querer continuar a patrocinar a estrutura que engloba uma formação masculina (Profissional Continental) e feminina. Mais a norte, no Canadá, é a Silber Pro Cycling (Continental) que irá perder o seu benfeitor e corre o risco de terminar.

Esta é uma realidade que, infelizmente, não tem nada de novo e que ano após ano coloca sempre alguém à procura de soluções para salvar projectos. Uns mais antigos que outros, mas que têm em comum darem oportunidades a ciclistas de terem carreiras na modalidade e ainda dão a emprego a muitas mais pessoas que trabalham nos "bastidores".



10 de setembro de 2018

Amaro Antunes vai para o World Tour

O momento chegou para Amaro Antunes. O ciclista algarvio vai estar ao mais alto nível do ciclismo e estão escancaradas as portas para finalmente se estrear numa grande volta. A salvação da BMC passou pela parceria da CCC com a Continuum Sports, dona da estrutura. A marca polaca substituirá a das bicicletas suíças - que não irá continuar como patrocinadora - e não sendo esta uma fusão entre duas equipas, ficou indefinido o futuro dos ciclistas da formação Profissional Continental. Amaro Antunes vê agora a sua questão resolvida e Portugal terá mais um representante no principal escalão da modalidade.

Depois de uma temporada avassaladora na W52-FC Porto, Amaro escolheu a CCC Sprandi Polkowice para prosseguir a carreira, num passo que considerou o ideal, em vez de tentar logo saltar para o World Tour. Queria ser líder e a equipa polaca deu-lhe essa oportunidade. Não foi uma época fácil. Começou com a desilusão de a equipa não receber o convite para a Volta ao Algarve, onde em 2017 Amaro tinha vencido no Alto do Malhão. Tinha começado um ano com um excelente 10º na Volta à Comunidade Valenciana, mas na Ruta del Sol - que se realiza nas mesmas datas da Algarvia - estava a continuar o bom momento quando caiu e ficou muito mal tratado, principalmente numa mão.

A CCC não conseguiu ter outro convite: o do Giro. Em 2017 participou na corrida, mas este ano a escolha foi para a Israel Cycling Academy, já que a corrida começava precisamente em Israel. Com o Tour e Vuelta fora de questão, o sonho de uma grande volta ficou adiado para Amaro. As vitórias chegaram finalmente no Tour de Malopolska, na Polónia, com um triunfo de etapa e na geral. Novo golpe em Agosto, quando uma lesão o afastou do principal objectivo da época, a Volta à Polónia. Apesar dos azares, a qualidade deste ciclista foi reconhecida.

"É um sonho tornado realidade ir para o World Tour com a Continuum Sports. É uma enorme motivação para mim e estou ansioso por começar o próximo ano. O meu objectivo principal é alcançar bons resultados nas mais importantes corridas do World Tour e ajudar a equipa o máximo possível. É uma honra e uma grande responsabilidade trabalhar com alguns dos melhores ciclistas do mundo", afirmou Amaro Antunes, que depois de uma excelente notícia, espera ainda pela possibilidade surgir mais uma. O algarvio está entre os pré-convocados para os Mundiais de Innsbruck, com oito candidatos para quatro vagas: Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), José Mendes (Burgos BH), Nelson Oliveira (Movistar), Rúben Guerreiro (Trek-Segafredo), Rui Costa (UAE Team Emirates) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin).

Com a indefinição do futuro da BMC a durar até muito tarde na temporada, vários ciclistas acabaram por escolher outras equipas para prosseguirem a carreira em 2019. Isto tem significado a perda da maioria dos corredores com características de trepadores. Amaro Antunes pode ter assim a oportunidade de assumir um papel relevante dentro da equipa, que ainda não tem nome definido. Richie Porte, Tejay van Garderen, Dylan Teuns e Nicolas Roche, por exemplo, assinaram já por outras equipas (Trek-Segafredo, EF Education First-Drapac p/b Cannondale, Bahrain-Merida e Sunweb, respectivamente).

Quando a nova parceria foi anunciada em Julho, durante a Volta a França, Greg van Avermaet foi anunciado como o líder, numa equipa que seria construída a pensar no homem das clássicas e com foco neste tipo de corridas. No entanto, foi confirmado que Geraint Thomas recebeu uma proposta, mas o britânico e vencedor do último Tour, optou por renovar por três anos pela Sky. Ainda assim, aos poucos a equipa vai construindo um bloco para provas por etapas.

"O Amaro irá ter um papel chave na equipa e terá também as suas oportunidades. A sua aptidão para subir está comprovada e com a nossa perícia nos contra-relógios, poderemos fazer melhorias nessa disciplina, que irá contribuir naturalmente para os seus resultados nas corridas por etapas", realçou Jim Ochowicz. O director da BMC - e que manterá o cargo - referiu aquele que é o ponto fraco do algarvio, que, ainda assim, tem vindo a trabalhar muito, principalmente nos últimos dois anos.

"Estamos entusiasmados em dar as boas-vindas a Amaro Antunes à Continuum Sports. O Amaro é um dos maiores talentos a vir de Portugal e será o primeiro português a correr na Continuum Sports. Apesar de ser a sua primeira temporada no escalão Profissional Continental, o Amaro já tinha impressionado no passado, com alguns resultados sólidos contra ciclistas do World Tour. Sentimos que podemos continuar a desenvolver o talento puro do Amaro e ajudá-lo a atingir o seu potencial", referiu o responsável, através de um comunicado.

A equipa tem até ao momento 15 ciclistas confirmados para 2019, pelo que as contratações ainda não estão fechadas. Apenas seis transitaram até ao momento da actual BMC: Greg van Avermaet (Bel, 33), Alessandro De Marchi (Ita, 32), Joey Rosskopf (EUA, 29), Patrick Bevin (NZ, 27), Michael Schär (Sui, 31) e Nathan Van Hooydonck (Bel, 22).

Três foram chamados da CCC Sprandi Polkowice: Amaro Antunes (Por, 27) e Lukasz Owsian (Pol, 28), Szymon Sajnok (Pol, 21).

Os reforços de outras equipas são: Simon Geschke (Ale, 32, actualmente na Sunweb), Gijs Van Hoecke (Bel, 26, Lotto-Jumbo), Serge Pauwels (Bel, 34, Dimension Data), Guillaume Van Keirsbulck (Bel, 27, Wanty-Groupe Gobert), Josef Cerny (Che, 25, Elkov-Author Cycling Team) e Will Barta. O americano, de 22 anos, acaba por ser um dos grandes destaques. É mais um dos talentos que está a ser formado na Hagens Berman Axeon.


5 de setembro de 2018

Yates e Mitchelton-Scott mostraram frieza, irritando Valverde e Quintana

(Fotgrafia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Depois de um Giro no qual Simon Yates foi rei e senhor durante 18 etapas, com a Mitchelton-Scott a demonstrar uma força nunca antes vista no controlo de uma grande volta, mas que depois viu todo o trabalho desmoronar-se na 19º etapa, tanto o ciclista como a equipa mostraram agora na Vuelta que aprenderam algumas lições. Uma delas: se puderes poupar força no controlo da etapa, poupa e passa a responsabilidade ao próximo. O próximo, ou neste caso, a próxima, foi a Movistar, que se viu obrigada a perseguir uma fuga que incluiu um Thibaut Pinot que chegou a ser líder virtual. No final, tudo ficou na mesma no topo da classificação geral, contudo, as hostilidades entre as duas equipas estão abertas.

Apesar de ter na sua posse a camisola vermelha da liderança, a Mitchelton-Scott optou por deixar a frente do pelotão quando ainda faltava quase metade da etapa por concluir. Foi a mais longa da Vuelta, com 207,8 quilómetros entre Mombuey e Ribeira Sacra, Luintra e foi muito, muito atacada. Não houve paz para ninguém no constante sobe e desce. A equipa australiana e o seu líder, Simon Yates, optaram por mostrar uma tremenda frieza, arriscando mesmo a camisola vermelha. Ao não trabalhar, obrigaram a Movistar a assumir um papel que na maioria das vezes pertence a quem tem o ciclista no primeiro lugar. Porém, a Mitchelton-Scott fez-se valer do estatuto da Movistar, que está na Volta a Espanha com uma equipa fortíssima e com dois ciclistas na luta pelo triunfo, que actualmente estão em segundo e terceiro lugar.

A Movistar cumpriu a missão de terminar com uma aventura de Thibaut Pinot, que andou cerca de cem quilómetros em fuga. Tinha 2:33 de diferença no início do dia. Fugiu à procura de uma vitória de etapa e tentar subir um pouco na geral. A liderança virtual não assustou ninguém, mas a Movistar é que não quis ver o francês reentrar na luta e Pinot só acabou por recuperar 13 segundos. Ainda assim, o ciclista da Groupama-FDJ - que já teve um ciclista seu com a camisola vermelha, Rudy Molard - ficou contente com o que fez na etapa.

Esse não era o espírito de Alejandro Valverde e Nairo Quintana. Estavam bastante insatisfeitos. Ambos criticaram a Mitchelton-Scott de se aproveitar o trabalho da equipa espanhola. Valverde ataca a equipa australiana dizendo que gostam de "ir à borla", mas também se "atirou" às restantes formações: "Parece que as outras equipas não sabem correr." Já Quintana disse: "A sua [da Mitchelton-Scott] forma de correr é essa, sempre na roda e aproveitando o trabalho dos outros."

O colombiano salientou que a Movistar assumiu a responsabilidade de perseguição por querer preservar as posições dos seus dois principais ciclistas. Quintana é terceiro, a 14 segundos e Valverde segundo, a um. E é precisamente com essa intenção da equipa espanhola que jogou e provavelmente voltará a jogar a Mitchelton-Scott.

A resposta de Simon Yates não deixa dúvidas da táctica escolhida: "Estamos confiantes. A equipa fez um bom trabalho nos primeiros cem quilómetros. Foi um início difícil e caótico, que já estávamos à espera. Depois, a Movistar perseguiu, porque tem de o fazer. Não temos homens suficientes para controlar a etapa por mais de cem quilómetros. Eles têm os melhores homens aqui [na corrida]." Yates reforçou que naturalmente que Pinot é considerado um ciclista perigoso. "Não podemos controlar o dia todo e tivemos de correr alguns riscos e esse foi o risco que tomámos", salientou.

Mas é caso para dizer que é um risco controlado e uma jogada que só mais à frente na Vuelta se irá perceber se funciona. A Movistar está numa excelente posição para conquistar a Vuelta e, como equipa da casa e depois de um Tour que foi uma desilusão, a pressão é grande para obter um bom resultado que passa pela vitória na geral. As duas vitórias de etapa de Valverde são boas, mas não chegam, ainda mais quando há um ano a Movistar passou praticamente ao lado da corrida, ao não levar nenhum dos seus líderes.

Desta feita, só não levou os três porque Mikel Landa lesionou-se com gravidade na Clássica de San Sebastian. Se a Lotto-Jumbo, por exemplo, já tem assumido algumas despesas na frente do pelotão, todas as equipas irão sempre tentar usar a Movistar como um "escudo", obrigando a formação espanhola a desgastar-se e talvez assim, quando a alta montanha regressar, as restantes equipas estejam mais frescas. A Mitchelton-Scott está agora no centro das críticas da Movistar, mas já quando a Sky ou a Groupama-FDJ lideraram a Vuelta, a Movistar acabou sempre na frente do pelotão, ao ver que nenhuma tinha capacidade - ou no caso da Sky por não querer - de realizar o trabalho necessário, no ritmo necessário para controlar a corrida.

Etapa de nervos

Com esta animosidade entre as duas equipas, a etapa de quinta-feira ganha ainda mais interesse. A alta montanha regressa sexta-feira, mas com um percurso perto da costa, o vento poderá ter um papel importante nesta Vuelta na 12ª tirada. Os "abanicos", utilizando a expressão espanhola, serão um perigo constante se as previsões de vento se confirmarem, ao longo dos 181,1 quilómetros entre Mondoñedo e Faro de Estaca de Bares, na região da Galiza. A Movistar tem um passado de más memórias com este tipo de etapas.

Espera-se uma etapa de nervos, sendo que a desta quarta-feira foi tudo menos calma. Com ataques e contra-ataques, foi Alessandro de Marchi que finalmente regressou às grandes vitórias. Tantas são as vezes que se vê este italiano em fugas e, pode não ganhar muito, mas quando o faz, é sempre de nota: foi a terceira etapa na Vuelta, ao que se junta uma no Critérium du Dauphiné. Desde 2015 que De Marchi procurava este triunfo, abrilhantando ainda mais o adeus da BMC, que está a realizar a sua última grande volta com este nome. Foi a segunda vitória de etapa da equipa em Espanha, depois de Rohan Dennis ter ganho o contra-relógio e vestido a camisola vermelha. Richie Porte não conseguiu recuperar a forma para lutar pela geral depois da queda no Tour, mas a equipa já tem razões para sair de cabeça erguida da Vuelta.

Nas classificações, Valverde recuperou a camisola verde, deixando agora Peter Sagan a dois pontos. Luis Ángel Maté (Cofidis) não larga a camisola da montanha ainda que a concorrência vai começando a preparar-se para as etapas de alta montanha (cuidado com Bauke Mollema, da Trek-Segafredo). A Lotto-Jumbo está em primeiro na tabela por equipas, com Valverde a manter-se senhor do prémio combinado, mas Ben King (Dimension Data) vestirá novamente a camisola por empréstimo.

José Mendes (Burgos-BH) cortou a meta a 4:23 de De Marchi e é o melhor português na geral, na 73ª posição, a 48:05 minutos de Yates. Tiago Machado (Katusha-Alpecin) terminou a etapa a 5:04 do vencedor, Nelson Oliveira (Movistar) a 8:16 e José Gonçalves (Katusha-Alpecin) a 31:40.

Pode ver aqui as classificações após a 11ª etapa.




25 de agosto de 2018

Dennis vestiu mais uma camisola de liderança que quase foi de Nelson Oliveira

(Fotografia: La Vuelta)
Lá esteve Nelson Oliveira mais uma vez sentado no "trono" dado a quem tem o tempo mais rápido num contra-relógio. Nada de novo para o ciclista português. Por momentos pensou-se que não só venceria uma etapa na Vuelta - teria sido a sua segunda -, mas seria ainda o primeiro líder da grande volta. Mas Michal Kwiatkowski foi o "desmancha prazer", contudo, os favoritos confirmaram depois as suas credenciais. Rohan Dennis já tinha liderado o Giro, é agora primeiro na Vuelta, algo que já tinha feito em 2017. O australiano também já tem uma camisola amarela do Tour. Kwiatkowski ficou a seis segundos, Victor Campanaerts, campeão europeu da especialidade, ficou a sete e Oliveira acabou em quarto, a 17.

Um excelente início de Volta a Espanha do tetra campeão nacional da especialidade e que há um ano ficou à porta do pódio nos Mundiais. Nelson Oliveira ficou desiludido ao não entrar no grupo de eleitos para o Tour, com o Paris-Roubaix a mais uma vez a estragar-lhe parte da temporada, após uma queda. Esta foi a resposta perfeita de Nelson Oliveira, numa Vuelta em que a Movistar está para ganhar, depois de ter falhado com o tridente Nairo Quintana/Mikel Landa/Alejandro Valverde em França.

Quintana até foi um dos destaques do dia, ficando a 24 segundos de Kwiatkowski, a 12 de Wilco Kelderman (Sunweb) e a menos de dez dos irmãos Izagirre (Bahrain-Merida). E empatou com Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), por exemplo. O colombiano dá um sinal importante, numa corrida em que está sob pressão depois de dois Tours em que não conseguiu estar na luta pela vitória na geral e de ter ficado em segundo no Giro de 2017.

Nos técnicos oito quilómetros de Málaga, que Dennis cumpriu em 9:39 minutos, Richie Porte (BMC) confirmou que não está a 100%. Ainda não recuperou a forma depois da queda na nona etapa do Tour e a gastroenterite que o afectou antes da Vuelta também não ajudou. Considerando Kwiatkowski o primeiro da lista de candidatos, o australiano perdeu 45 segundos. Pior fez Louis Meintjes (Dimension Data), começa logo com um défice de 51 segundos.

Nelson Oliveira não terá aspirações a vestir a camisola vermelha e talvez no contra-relógio da última semana se o possa voltar a ver na luta por uma etapa. Certo, é que pensando nos Mundiais, este é o Oliveira que se quer ver em Innsbruck. Fez uma excelente exibição num contra-relógio que nem sequer o beneficiava. Gosta deles mais longos e com mais dificuldades. O sinal está dado.

Quanto aos restantes portugueses em prova, Tiago Machado foi 87º a 47 segundos de Dennis e o companheiro da Katusha-Alpecin, José Gonçalves, perdeu 1:18 minutos, sendo 170º. José Mendes (Burgos-BH) fez mais 1:04 minutos, ocupando a 134ª posição.

Pode ver aqui as classificações completas.

Quem é o líder da Sky?

Sim, a questão volta-se a colocar. Agora é entre Michal Kwiatkowski e David de la Cruz. O espanhol ficou com o dorsal um da equipa e tem falado como líder. O polaco vem do Tour, mas começou muito forte e tem na Vuelta a oportunidade desejada de mostrar que pode ser o próximo voltista da Sky. Ainda é cedo para se entrar em disputas e especulações, mas a montanha chega rápido nesta corrida e pode ser que não se demore muito a perceber como irá funcionar a formação britânica que pode fazer o pleno de vitórias em grandes voltas neste ano. Seria ainda a quinta vitória consecutiva. A etapa de domingo tem um final que Kwiatkowski até poderá gostar para se afirmar um pouco mais frente ao espanhol.

De la Cruz, que esteve no Giro, mas preparou a época a pensar na Vuelta (um dos poucos a fazê-lo), ficou a 39 segundos do companheiro de equipa. Nada que não se recupere na montanha, mas teria sido importante mostrar-se mais forte logo no início. Talvez por isso, o espanhol não tenha escondido a desilusão no final do dia.

Kwiatkowski é um nome possível para a subida de terceira categoria, mas é o de Alejandro Valverde que mais salta à vista. Tal como Rohan Dennis tinha este contra-relógio com o seu nome escrito para ganhar, este domingo é o espanhol que tem um final ao seu jeito. Será a subir (terceira categoria), ainda que não demasiado íngreme. Quem tem capacidade de explosão neste tipo de subidas, tem esta etapa na mira. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) não pode ser excluído, ele que faz bem este finais, tal como Matteo Trentin (Mitchelton-Scott) ou Tiesj Benoot (Lotto Soudal). A questão de Sagan é se já estará recuperado das mazelas da queda já perto do fim do Tour.

Serão 163,5 quilómetros entre Marbelha e Caminito del Rey, com uma segunda categoria logo a abrir e três terceiras pelo caminho. Poderá haver uma selecção nos últimos quilómetros, mas não entre os candidatos, a não ser que alguém não esteja de facto bem neste início de Vuelta.



»»Uma Vuelta de segundas oportunidades e a pensar nos Mundiais««

»»Rui Costa sem grandes voltas. Vuelta com quatro portugueses««

23 de agosto de 2018

Porte confirmado numa Trek-Segafredo à procura de resultados imediatos mas também de uma renovação

(Peter De Voecht/PNBettiniPhoto©2018)
Richie Porte vai continuar a sua demanda por uma Volta a França na Trek-Segafredo. Era o segredo mais mal guardado do mercado de transferências e foi confirmado a apenas dois dias do início da Vuelta, a última grande volta da BMC. O australiano nunca conseguiu colocar na estrada todo o potencial para lutar por uma grande volta, mas apesar de na Trek-Segafredo esperarem que os azares fiquem para trás, Porte ainda tem um último objectivo com a camisola da actual equipa: concretizar o desejo de dar mais uma corrida de três semanas à BMC, depois de Cadel Evans ter vencido o Tour em 2011.

Com a indefinição do futuro da equipa a arrastar-se até à Volta a França, Porte tinha avisado que não esperaria tanto tempo para decidir onde estaria a partir de 2019. Vai para outra equipa americana que está a precisar de uma renovação urgente. A aposta em Alberto Contador não resultou nas vitórias ambicionadas e o espanhol terminou a carreira ao final de uma época com a equipa. A Trek-Segafredo ficou sem um verdadeiro líder para as grandes voltas, com Bauke Mollema a não ser mais do que um possível top 10.

Porte não será uma renovação a pensar na juventude. O australiano fará 34 anos logo em Janeiro. O que a equipa procura para este papel específico é experiência. Alguém que possa trazer um resultado imediato, depois de um hiato que não pára de aumentar, desde que Chris Horner surpreendeu tudo e todos ao ganhar a Vuelta em 2013 aos 42 anos. A equipa era então a RadioShack-Leopard.

Andy Schleck terminou a carreira muito antes de ter chegado ao seu auge e tem sido uma incessante luta por encontrar alguém que possa de facto ser um candidato a ganhar um Giro, Tour ou Vuelta. Um muito jovem Bob Jungels chegou a fazer parte do plantel, mas mudou-se para a Quick-Step Floors. Contador fez sonhar. El Pistolero acabou por sair "apenas" com uma grande vitória de etapa no Angliru, mas sem Tour, nem Volta a Espanha. Porte preenche os requisitos para ser um forte candidato a ganhar uma grande volta, com o australiano a manter-se focado no Tour.

Porém, ainda na Sky, quando lhe foi dada a oportunidade de liderar um Giro, tudo o que podia correr mal, correu. Saiu da equipa britânica, para não ficar à espera de Chris Froome e poder também ele apostar no Tour. Começou com um quinto lugar ao serviço da BMC. Em 2017 parecia estar numa forma fenomenal. Caiu na nona etapa e abandonou. Este ano foi mais discreto, mas era novamente um favorito. A nona etapa foi novamente madrasta.

É por isso que aparece na Vuelta, apenas pela segunda vez na sua carreira - a primeira foi em 2012 - decidido a quebrar um enguiço nestas corridas, o que poderá servir de mote para a nova etapa na Trek-Segafredo. Parte como um dos principais favoritos e está na altura de finalmente se mostrar como candidato até final. Apesar de ser considerado um dos melhores voltistas, o facto é que nem um pódio tem para mostrar.

A questão na Trek-Segafredo passa agora por munir a equipa de homens fortes para ajudar Porte. Nos ciclistas já confirmados para 2019, a formação continua muito virada para as clássicas, mas com Porte garantido, poderá ser um incentivo para contratar os ciclistas necessários. Michael Gogl e Gianluca Brambilla - que está a ter um ano para esquecer - são os principais nomes de corredores de três semanas no plantel. A renovação de Bauke Mollema ainda não é certa, ficando a dúvida se o holandês estará disposto a abdicar novamente do seu papel líder, depois de ter passado para segundo plano com a presença de Contador. Porém, parece inevitável que perca protagonismo.

Giulio Ciccone (Bardiani CSF) é um dos nomes falados como reforço, assim como a potencial nova estrela colombiana Ivan Ramiro Sosa (Androni Giocattoli-Sidermec). Apesar da juventude, o italiano faz 24 anos em Dezembro e Sosa 21 em Outubro, seriam dois excelentes contratações, não só para o bloco de Porte, mas também, aí sim, a pensar numa renovação com ciclistas jovens. O australiano seria um "professor" muito interessante para dois corredores que estão entre as referências da nova geração. Sosa venceu esta quinta-feira a primeira etapa nos Alpes no Tour de l'Avenir (Volta a França do Futuro).

O português Ruben Guerreiro, mais um jovem, tem vindo a ser preparado para as corridas por etapas e até estava previsto estrear-se este ano na Vuelta. O sonho ficou adiado, aguardando-se também por conhecer se o futuro do campeão nacional de 2017 passará pela Trek-Segafredo.

A outra contratação já confirmada da Trek-Segafredo é a de Matteo Moschetti, o jovem da Polartec-Kometa (equipa da Fundação Alberto Contador), sprinter e com características para as clássicas.

De recordar que a BMC deixará de patrocinar a actual estrutura, mas a polaca CCC já assegurou a continuidade do projecto. A marca de bicicletas irá aliar-se à Dimension Data em 2019.

Uma surpresa

Se a contratação de Richie Porte por parte da Trek-Segafredo já era falada há algum tempo, a ida de Niki Terpstra para a Direct Energie foi uma surpresa. A saída do holandês da Quick-Step Floors tinha sido adiantada pelo próprio director da equipa belga. Sem um patrocinador principal para 2019, Patrick Lefevere admitiu não ter dinheiro para corresponder às exigências financeiras de Terpstra. Aos 34 anos é um novo fôlego na carreira, depois de oito anos na estrutura belga.

A Direct Energie quer estar no escalão World Tour em 2019 e Terpstra foi contratado para mostrar todas as suas credenciais nas clássicas do pavé. É um daqueles ciclistas que, por vezes, pouco se vê, mas que, de repente, alcança grandes vitórias. Um Paris-Roubaix e uma Volta a Flandres comprovam isso mesmo, num currículo que pode não colocá-lo como um dos ciclistas mais memoráveis, mas Terpstra é um dos melhores que há no pavé.

A Quick-Step Floors irá perder também Laurens de Plus para a Lotto-Jumbo, que no próximo ano será apenas Jumbo.

Para onde vão os irmãos Izagirre?

Ouvir a Bahrain-Merida dizer que não irá corresponder às exigências de ordenado dos irmãos Izagirre até parece estranho tendo em conta que é uma das equipas com maior força financeira e que apostava muito nos irmãos. A sua renovação era o passo mais esperado, contudo, o próprio director, Bret Copeland, confirmou que não irá acontecer Mas, salvo alguma reviravolta de última hora, a única certeza é que Gorka e Ion vão para outra equipa. O último esteve dois anos na Bahrain-Merida, já Gorka só por lá ficará em 2018.

A UAE Team Emirates foi dada como o possível destino, mas nos últimos dias, alguns meios de comunicação social espanhóis dão como certa a ida para a Astana. Tal como a Trek-Segafredo, também a equipa cazaque estava à procura de homens para liderar a equipa nas corridas de três semanas. Com a saída de Fábio Aru e com Jakob Fuglsang a não ser um candidato que consiga estar ano nível de Chris Froome, Geraint Thomas, Tom Dumoulin ou Romain Bardet, era esperado que Alexander Vinokourov abri-se os cordões à bolsa para garantir um reforço forte. Podem ser dois. Se há equipas financeiramente tão ou mais abonadas que a Bahrain-Merida, estas são duas delas, certamente, mesmo com os problemas de financiamento estatal que afectou a Astana no início de temporada, entretanto já resolvido.

Ambos passaram parte da carreira como gregários de luxo na Movistar. Ion ia liderar a Bahrain-Merida no Tour em 2017, mas caiu e abandonou logo no contra-relógio inaugural. O que podem os irmãos Izagirre fazer como líderes é algo que ainda não se percebeu por completo, já que este ano estiveram na ajuda a Vincenzo Nibali no Tour, até este abandonar. Depois assumiram-se como caça-etapas. Na Vuelta terão novamente o italiano na equipa, só que Nibali ainda não está completamente recuperado da fractura na vértebra, pelo que os Izagirre poderão ser chamados a algo mais naquela que poderá ser a sua despedida da Bahrain-Merida, no que a provas de três semanas diz respeito.

Se forem para a Astana, juntar-se-ão a um Miguel Ángel López a crescer como voltista e que poderá em breve ser um dos principais ciclistas de três semanas. Até lá, a experiência dos Izagirre será importante para os tais resultados imediatos, como acontece com a contratação de Porte por parte da Trek-Segafredo.


14 de agosto de 2018

BMC alia-se à Dimension Data

(Fotografia: © Scott Mitchell/Dimension Data)
A nova vida da BMC irá passar pelo projecto sul-africano Dimension Data. A marca suíça de bicicletas não quis mais continuar a suportar uma equipa do World Tour, mas não vai abandonar o mais alto nível do ciclismo e um palco importante para a promover os seus produto. Em 2019, BMC substitui a Cervélo no fornecimento de bicicletas.

O fim da BMC como equipa ficou definido este ano, com Jim Ochowicz a ver-se obrigado a procurar um novo patrocinador principal para manter a estrutura. Custou, mas da Polónia apareceu a CCC, que queria subir de nível e agarrou a oportunidade, ainda que alguns ciclistas já tenham acertado contratos com outras formações. A Dimension Data está à procura de revitalizar um projecto, que a nível social é um exemplo mundial, mas cujos resultados competitivos estão muito abaixo do desejado.

A parceria com a BMC foi a primeira grande "contratação" para a próxima temporada, por assim dizer. A equipa está muito activa no mercado e já garantiu o dinarmarquês Michael Valgren (ciclista da Astana que este ano venceu a Omloop Het Nieuwsblad e a Amstel Gold Race), o checo Roman Kreuziger (Mitchelton-Scott) e o suíço Danilo Wyss, que está precisamente na BMC. Também está garantida uma jovem promessa norueguesa, Rasmus Tiller, da equipa Continental, Joker Icopal. Uma das grandes dúvidas que persiste é renovação ou não de Mark Cavendish. É dos ciclistas mais bem pagos e não tem rendido, nem de perto, nem de longe, o esperado nas duas últimas temporadas. Primeiros sofreu de uma mononucleose e depois tem sido vítima de várias quedas, normalmente com alguma gravidade. Da equipa há um discurso de alguma receptividade para a continuidade do sprinter de 33 anos, mas a incerteza persiste.

Este ano, a equipa só soma cinco vitórias, nenhuma do World Tour. Um dos principais momentos de 2018 foi a revelação do australiano Ben O'Connor, autor de um dos triunfos mais bonitos da temporada na terceira etapa do Tirreno-Adriatico. Estava a realizar um excelente Giro, até que uma queda o obrigou a abandonar, numa corrida em que o regressado Louis Meintjes foi uma desilusão.

O projecto tenta recuperar algum sucesso competitivo, enquanto mantém o seu lado social, no qual oferece bicicletas a crianças desfavorecidas em África.


2 de agosto de 2018

Greipel e Teuns assinaram por novas equipas

Greipel deixa a Lotto Soudal (Fotografia: Facepeeters/Photography - Lotto Soudal)
Está aberto o mercado de transferências e já podem ser oficializados os novos contratos, que impliquem mudança de equipa. André Greipel e Dylan Teuns são dois dos ciclistas que já definiram o seu futuro. A lista de corredores que ficará livre no final do ano dá para formar mais do que uma equipa de luxo, com destaque para o recente vencedor da Volta a França, Geraint Thomas.

Nestes dois primeiros dias, algumas das formações do World Tour têm estado a incorporar estagiários. A Trek-Segafredo foi buscar o luxemburguês Michel Ries e o italiano Matteo Moschetti, ambos da Polartec-Kometa de Alberto Contador. No caso de Moschetti será a oportunidade de se começar a ambientar à equipa por quem já assinou para 2019. A Sky foi buscar mais dois britânicos, Ethan Hayter e Mark Donovan.

Mas as primeiras contratações para 2019 começaram a ser confirmadas, com destaque para o sprinter André Greipel. Durante o Tour, a Lotto Soudal emitiu um comunicado no qual dizia apenas que ao fim de oito anos a equipa e o ciclista alemão iriam seguir caminhos separados. Aos 36 anos, Greipel vai revelando alguma dificuldade em disputar os sprints com a nova geração, mas se há alguém que não desiste é aquele que ganhou a alcunha de Gorila. 

Continua a não falar em se retirar e vai agora para o escalão Profissional Continental. A Fortuneo-Samsic contratou Greipel não só na esperança que ainda possa somar umas vitórias que esta equipa francesa bem precisa (só tem uma esta época), mas também para ajudar na evolução dos mais jovens, como é o caso do holandês de 21 anos, Bram Welten. "Desde que comecei a andar de bicicleta que queria ganhar corridas e ter novos desafios. Temos de sair da nossa zona de conforto para progredir", afirmou Greipel ,que em Janeiro passará a ser companheiro de Warren Barguil, a grande figura da equipa, mas que falhou por completo na Volta a França.

Já Dylan Teuns irá continuar no World Tour. Com a indefinição da BMC a durar até tão tarde - só foi anunciado um patrocinador, a CCC, durante o Tour -, muitos dos ciclistas terão fechado acordo com outras estruturas. O belga, de 26 anos, vai mudar-se para a Bahrain-Merida, que poderá ser uma equipa muito activa no mercado, pois quer reforçar o seu bloco de clássicas e também das grandes voltas, já começando a pensar na era pós-Nibali. O britânico Stephen Williams (SEG Racing) tem 22 anos e já está a estagiar na formação do Médio Oriente.

Tanto Greipel, como Teuns assinaram contratos até 2020.

Uma mudança que se verificou logo a 1 de Agosto foi a do holandês Jetse Bol. O companheiro de Ricardo Vilela na Manzana Postobón irá agora estar ao lado de José Mendes na Burgos-BH, sendo um reforço para a equipa espanhola que estará presente na Vuelta.

Os mais apetecíveis

Geraint Thomas (Sky) e Richie Porte (BMC) são dois dos grandes nomes em final de contrato. O primeiro admitiu que está a analisar todas as hipóteses, enquanto o australiano está a ser dado como reforço da Trek-Segafredo. Já os gémeos Yates terão deixado algumas equipas desiludidas, mas ambos não foram atrás de contratos milionários, preferindo ficar numa casa que bem conhecem e que lhes tem dado tudo. Ganha a Mitchelton-Scott que manteve dois ciclistas de quem se continua a esperar muito.

Entre os portugueses no World Tour, Rui Costa (UAE Team Emirates) não está a ter uma temporada para recordar, muito devido a um problema no joelho. A Vuelta poderá ser importante para definir o seu futuro. Tiago Machado (Katusha-Alpecin) e Nuno Bico (Movistar) também ainda não têm confirmado o seu futuro. Ruben Guerreiro deverá fazer parte dos planos da Trek-Segafredo para continuar, numa altura em que a equipa norte-americana quer começar a elaborar uma renovação do seu plantel.

Dito por não dito

Wout van Aert é também um ciclista apetecível, mas está "preso" à Veranda’s Willems-Crelan até 2019, o que significa que se alguém o quiser, terá mesmo de abrir os cordões à bolsa. Na quarta-feira a Aqua Blue Sport anunciou que tinha adquirido a Sniper Cycling, empresa que está por trás da equipa belga. Porém, a Veranda’s Willems-Crelan distanciou-se das supostas negociações.

Recentemente Van Aert foi dado como quase certo na Lotto-Jumbo e a lista de interessados inclui várias equipas do World Tour. Talvez por isso, o ciclista belga, de 23 anos, não está minimamente preocupado, apenas quer garantir que poderá continuar a fazer o calendário de ciclocrosse.


17 de julho de 2018

Depois da típica etapa de montanha controlada pela Sky que venha uma ao estilo da Vuelta

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
O primeiro dia de alta montanha na Volta a França trouxe um grande Julian Alaphilippe e um nada por parte dos candidatos. Foi uma típica etapa desde que a Sky chegou ao pelotão. A equipa britânica controlou por completo o ritmo e ninguém se atreveu a atacar. Aquela aceleração de Daniel Martin a cerca de 500 metros do final da última subida foi a única movimentação, mas serviu "apenas" para deixar para trás Rigoberto Uran e Bob Jungels. Nem sequer foi uma surpresa ver os favoritos ficarem quietos, pois seguem-se duas etapas com chegada em alto e talvez aí sim, haja mais acção. Depois de uma etapa típica do Tour, vem aí uma mais ao género da Vuelta.

A organização da Volta a França seguiu o exemplo da corrida espanhola e colocou no percurso duas etapas mais curtas. A de 65 quilómetros será na próxima semana, mas haverá esta quarta-feira uma de 108,5 quilómetros, com chegada em alto em la Rosière. Ciclistas como Nairo Quintana (Movistar) e Romain Bardet (AG2R) não podem estar à espera da última semana para recuperar o tempo perdido, ainda mais tendo em conta que não são os melhores dos contra-relogistas. Para Chris Froome têm pouco mais de um minuto para recuperar, mas é sensato não estar a menosprezar Geraint Thomas. Para o galês são cerca de dois minutos de desvantagem.

Estas etapas nos Alpes serão interessantes para perceber como irá agir a Sky com os seus co-líderes. Serão mesmo? Até agora Thomas tem estado imune a azares e já procurou bonificações, mas as decisões aproximam-se com os Alpes a serem o primeiro desafio de montanha. Quinta-feira é dia de Alpe d'Huez. Talvez aí se possa perceber melhor como estará Froome, que fez e ganhou o Giro, e se Thomas é de facto um ciclista que os adversários terão de ter em conta. Até ao momento está a realizar uma excelente corrida, sendo segundo, a 2:22 de Greg van Avermaet. Acabar a segunda semana de amarelo, nem é uma ideia completamente descabida.

Mas uma etapa de cada vez. A desta quarta-feira terá duas categorias especiais logo a abrir, seguida de uma segunda e uma primeira para acabar. Com apenas quatro chegadas em alto até ao final do Tour, quem tem de recuperar tempo e prefere este tipo de tiradas, então não pode desaproveitar. E sim, volta-se a pensar em Nairo Quintana, já que Bardet, por exemplo, não se dá mal com etapas que terminem com descidas.

Com as subidas mais difíceis logo de início e com uma classificação geral tão afectada pelas quedas das primeiras etapas, o percurso da 11ª etapa está a pedir ataques desde muito cedo.

(O texto continua por baixo da imagem.)



É o momento para a Movistar demonstrar que é de facto capaz de se debater com a Sky, mesmo que já tenha perdido um ciclista, José Joaquín Rojas (caiu na etapa do pavé). A AG2R ficou sem dois ciclistas até ao momento. Axel Domont e Alexis Vuillermoz vão fazer falta a Bardet.

Rigoberto Uran teve um mau dia. Mais um. O colombiano, segundo classificado em 2017, está a sofrer da queda na etapa do pavé, no domingo. Perdeu mais dois minutos e já são mais de cinco de atraso para Geraint Thomas. A EF Education First-Drapac p/b Cannondale não tinha ninguém com o seu líder quando este mais precisou. A condição física de Uran irá determinar quando poderá tentar começar a recuperar tempo, pelo que o objectivo poderá passar por, pelo menos, não perder mais tempo nos próximos dois dias.

Bob Jungels (Quick-Step Floors) acumulou quase um minuto, mas visto que tem sido dos que tem escapado às quedas e furos, o luxemburguês mantém vivo o sonho do top dez. É neste momento quinto.

O dia de Alaphilippe

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Enquanto Jungels fraquejava no grupo de favoritos, na frente Julian Alaphilippe realizava uma exibição que já lhe é bem característica. Entrou na fuga do dia e soube esperar pelo momento para atacar. Foi na penúltima subida, de primeira categoria (faltava outra idêntica é já tinha ultrapassado uma de categoria especial, uma de primeira e uma de quarta). E se ainda pensou que teria Rein Taaramäe (Direct Energie) como companheiro de ocasião, o francês estava simplesmente forte de mais e partiu para uns últimos quilómetros em solitário. Subiu bem, desceu melhor e quando Ion Izagirre (Bahrain-Merida) resolveu perseguir Alaphilippe, já era demasiado tarde.

Era uma vitória que o ciclista perseguia, naquela que é a sua terceira grande volta, segundo Tour (falhou no ano passado devido a lesão). Depois de confirmar que pode mesmo ser um rei nas Ardenas ao vencer a Flèche Wallonne, agora conquistou uma etapa no Tour. É difícil ver o francês a tornar-se num voltista, mas um caça etapas e um homem de clássicas, isso sim, parece encaixar na perfeição a este fantástico corredor de 26 anos. Esta temporada conta ainda com duas etapas na Volta ao País Basco e uma no Critérium du Dauphiné. Começou 2018 com um triunfo no quarto dia da Colombia Oro y Paz.

Para a Quick-Step Floors é a terceira vitória no Tour e depois de Fernando Gaviria vestir a camisola amarela, Alaphilippe terá a das bolinhas, de líder de montanha. No total de uma temporada arrasadora por parte da equipa de Patrick Lefevere, já são 50 triunfos.

A melhor defesa é o ataque

Alaphilippe foi perfeito nos 158,5 quilómetros entre Annecy e Le Grand-Bornand, mas Greg van Avermaet também se destacou. Era mais do que esperado que o belga perdesse a amarela agora que o Tour entrou na montanha. Mas não. Avermaet está a gostar e foi para a fuga. Lutou, lutou, lutou e cortou a meta a 1:44 minutos de Alaphilippe, mas, mais importante, deixou aqueles que querem a sua camisola a mais de dois minutos.

Será o oitavo dia de amarelo, depois de ter ganho a liderança no contra-relógio colectivo. Pode até ser o último, contudo, numa BMC que ficou sem Richie Porte, com Tejay van Garderen também fora de qualquer aspiração na geral (são mais de 15 minutos para o companheiro), a exibição de Avermaet está a salvar o Tour da equipa. 

Talvez tenha recebido uma motivação extra com o anúncio do novo patrocinador - a CCC irá assumir o papel até agora da BMC - e com o seu estatuto de líder para 2019. Foi uma excelente etapa do belga. Atacou para defender e até consolidar o seu primeiro lugar. Aconteça o que acontecer a partir de agora, a corrida de Avermaet está mais do que feita. Mas não é ciclista para simplesmente relaxar!

Nas outras classificações, mudança também na juventude, além da classificação da montanha (Toms Skujins perdeu para Alaphilippe). Pierre Latour (AG2R) irá vestir a camisola branca que pertencia a Soren Kragh Andersen (Sunweb). A Movistar também desalojou a Quick-Step Floors do primeiro lugar por equipas. Já Peter Sagan continua imperturbável com a sua camisola verde dos pontos. Integrou a fuga para ir buscar os pontos no sprint intermédio e são mais 101 do que Fernando Gaviria. Começa a parecer que só algum azar tirará a Sagan a sexta vitória nesta classificação.


Esta terça-feira realizou-se também a La Course by Le Tour de France, a corrida feminina. A holandesa Annemiek van Vleuten, da Mitchelton-Scott foi a vencedora, batendo por um segundo a compatriota Anna van der Breggen, da Boels-Dolmans. A sul-africana Ashleigh Moolman (Cervélo-Bigla) fechou o pódio, ao cortar a meta 1:22 minutos depois de Van Vleuten (veja aqui os resultados).