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28 de novembro de 2017

Um ano com Scarponi no pensamento e com as vitórias a escassearem

(Fotografia: Facebook Astana)
Em tempos foi uma toda poderosa equipa. Mas os tempos são outros e mesmo sendo uma estrutura com um orçamento bem folgado, a Astana vive uma fase de algum descrédito. As grandes figuras não querem ficar, outras não querem ir para lá. Ainda assim, entrou em 2017 com um conjunto de ciclistas preparados a lutar por corridas. Fabio Aru estava determinado em ganhar o Giro100, Miguel Ángel López passou grande parte da temporada a recuperar de uma fractura na perna feita no final de 2016, mas apontava nem que fosse à Vuelta. Jakob Fuglsang teria a oportunidade de liderar no Tour e depois haveria um Dario Cataldo, um Oscar Gatto, Tanel Kangert, Luis Leon Sanchez e Alexey Lutsenko, entre outros, que poderiam sempre conquistar alguns triunfos. Porém, cedo ser percebeu que esta Astana teria dificuldade em impor-se como outrora, mas esse acabou por ser o menor dos problemas.

A época começou difícil, teve o pior momento possível em Abril e apesar de umas poucas alegrias, acabou novamente mal. O arranque não poderia ser mais desesperante, os meses passaram e vitórias... nem vê-las. O foco estava no Giro100 e em Aru, até que o líder caiu durante um treino e a recuperação ia ser demorada. Alexander Vinokourov, director da equipa, bem podia levar as mãos à cabeça. Nestes momentos sabe sempre bem ter um ciclista como Michele Scarponi. Apesar da veterania, era claro que a experiência poderia ser uma mais valia e Scarpa deu a resposta ao vencer na primeira etapa da Volta aos Alpes. Estávamos a 17 de Abril. Um pequeno suspiro de alívio por parte da Astana. Estaria a época a compor-se? Cinco dias mais tarde o ciclismo sofreu uma perda enorme. Scarponi foi atropelado ao treinar perto de casa. Morreu e deixou um vazio no pelotão. E deixou uma Astana sem rumo para a Volta a Itália.

Entre lágrimas e vontade de homenagear o seu companheiro, os ciclistas da Astana partiram para o Giro apenas com a responsabilidade de tentar aquela vitória de etapa que pudessem dedicar a Scarponi. Foram só oito corredores, pois Vinokourov não quis substituir o líder. O número um da equipa era para Scarpa e para Scarpa ficou. Muito lutaram os homens da Astana, mas o triunfo desejado só chegaria a 9 de Junho no Critérium du Dauphiné. Jakob Fuglsang aparecia num momento crucial: venceu duas etapas e a geral da competição vista como a que dá as indicações para o Tour. Não só libertou a equipa da pressão da falta de vitórias, como finalmente era feita a homenagem a Scarponi. E finalmente a Astana entrou um pouco mais nos eixos.


Ranking: 15º (5018 pontos)
Vitórias: 18 (incluindo uma etapa no Tour, três na Vuelta, duas e a geral no Critérium du Dauphiné)
Ciclista com mais triunfos: Jakob Fuglsang e Miguel Ángel Lopez (4)

A emoção da ausência de Scarponi esteve sempre presente. Era inevitável. No entanto, surgiram outros problemas devido à mudança de calendário de Aru. Falhando o Giro, passou para o Tour, onde o dinamarquês tinha recebido garantias que seria líder. Fuglsang (32 anos) reagiu conquistando o Critérium du Dauphiné e falou-se de uma liderança partilhada com o italiano. Naturalmente que ninguém acreditou. Na estrada o dinamarquês tentou manter-se junto dos candidatos, mas acabaria por abandonar. Entretanto, Aru ganhou uma etapa e até andou de amarelo. Problemas de saúde prejudicaram o seu final na Volta a França e nem ao pódio conseguiu subir. Ainda assim, o quinto lugar foi positivo. Já o 13º na Vuelta, nem por isso.

Mas não foi grave, pois em Espanha reapareceu Miguel Ángel López. O pequeno colombiano, que tanto está a entusiasmar pela forma aguerrida de competir, ganhou duas etapas. Foi oitavo na geral e agora espera-se que evite acidentes na pré-temporada para que apareça em grande em 2018. É que a Astana bem precisa. Lutsenko também venceu uma etapa.

A felicidade de concluir a última grande volta com algum destaque esfumou-se bastante rápido. Depois de Vincenzo Nibali sair no final de 2016, foi Fabio Aru quem bateu com a porta. Era um desfecho mais do que anunciado, mas Vinokourov disse que foi apanhado de surpresa e até ameaçou processar o italiano. Defende que ficou sem alternativas para contratar porque Aru avisou tarde que não renovaria, o que prejudica a equipa para 2018. E de facto a equipa fica orfã de um líder. Falou-se de Nairo Quintana, mas este não quebrou contrato com a Movistar, Mikel Landa não quis regressar e Rigoberto Uran preferiu continuar na Cannondale-Drapac, futura EF Education First-Drapac powered by Cannondale.

Restou ao responsável cazaque admitir o óbvio: aos 23 anos, Superman López, como é conhecido, vai mesmo assumir papel de líder, com Fuglsang a ter uma nova oportunidade, só não se sabe em qual das três grandes voltas. Porém, o dinamarquês poderá ver um Jan Hirt passar-lhe rapidamente na hierarquia, já que é um ciclista que poderá em pouco tempo alcançar bons resultados, tendo em conta o que fez no Giro ao serviço da CCC Sprandi Polkowice. Omar Fraile (Dimension Data) será um homem com características para lutar por etapas e talvez uma ajuda interessante ao jovem López. Davide Villella (Cannondale-Drapac) será uma opção forte para as clássicas, Magnus Cort Nielsen (Orica-Scott) é ciclista para mexer com corridas e procurar surpreender. Espera-se ainda que após um ano a adaptar-se ao World Tour, o espanhol Pello Bilbao possa começar a ser uma opção mais séria para lutar pela geral das provas por etapas.

Certo, é que a Astana não poderá continuar a um nível tão baixo. O Critérium du Dauphiné, as etapas no Tour e Vuelta são sempre triunfos importantes. Mas para quem sempre assumiu querer ganhar as mais importantes corridas, passar meses sem vitórias e passar quase ao lado da discussão de algumas das principais provas... É normal que Vinokourov se sinta frustrado e vai exigir (e de que maneira) muito mais aos seus ciclistas em 2018.

»»Bons ciclistas a ficarem cada vez melhor, mas falta mais equipa à Lotto-Jumbo««

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8 de novembro de 2017

Irmão de Scarponi apela a mudança cultural e política para melhorar segurança na estrada

A última vitória de Scarponi aconteceu na Volta aos Alpes (Fotografia: Facebook Astana)
Pouco depois de se conhecer que a Volta aos Alpes irá homenagear Michele Scarponi com a criação de um prémio para a equipa mais competitiva em cada etapa, o irmão do ciclista que morreu em Abril, atropelado por uma carrinha, escreveu um emotivo texto publicado no Corriere della Sera. Nele Marco Scarponi apela a uma mudança cultural e política de forma a acabar com os acidentes mortais na estrada, seja com ciclistas, peões ou condutores. Anunciou ainda a criação de uma fundação que terá como principal objectivo trabalhar para uma maior segurança na estrada: "O sorriso do Michele irá salvar muitas vidas."

No texto lê-se que Marco resolveu escrever depois de saber que Alessandro Zanardi estava a liderar uma campanha de consciencialização dirigida a condutores, com incidência na utilização do telemóvel. Recentemente surgiram notícias que dão conta que o homem responsável pela morte de Scarponi estaria a ver um vídeo no telemóvel quando chocou contra o ciclista italiano. Recorde-se que Zanardi foi piloto de automóveis, chegou mesmo a estar na Fórmula 1. Em 2001 sofreu um grave acidente numa corrida na Alemanha e as duas pernas foram amputadas. Voltou a competir nos carros, mas dedicou-se entretanto ao paraciclismo.

"Decidi escrever porque nos últimos meses questiono no que se tornaram as nossas ruas, o que é a estrada, o que está na estrada e a única resposta que consigo dar é esta: as nossas estradas são o local favorito para o mais silencioso e horrível dos massacres", salientou Marco Scarponi, que falou dos números de acidentes e mortes nas estradas italianas, referindo que morreram 275 ciclistas e 570 peões em 2016, num total que ultrapassa as três mil vítimas. Entre as principais causas está precisamente a utilização do telemóvel durante a condução, além do excesso de velocidade, álcool e drogas.

Por isso, o irmão mais velho de Scarponi apela a uma mudança cultural e também política, ou seja, pede que os responsáveis tenham um papel mais activo na identificação de locais perigosos. Mas a questão vai muito além da política, com Scarponi a pedir que cada um faça o seu papel, sugerindo que talvez tenha chegado a altura de se deixar o carro na garagem para viagens curtas, seja para levar os filhos à escola, para ir trabalhar ou ir a um bar.

Com um irmão ciclista, Marco desabafou: "Pergunto-me todos os dias desde a morte do Michele: como é que os ciclistas conseguem treinar na estrada. Eles treinam, mas é muito perigoso. Há um risco real que alguém saia de casa para andar de bicicleta e não volte. Temos de fazer algo para mudar as coisas, para salvar vidas."

Michele Scarponi morreu a 22 de Abril. Tinha 37 anos, era casado e pai de gémeos, que na altura tinham quatro anos. A última vitória aconteceu dias antes na Volta aos Alpes e o veterano ciclista estava a preparar-se para liderar a Astana na 100ª edição do Giro.


30 de outubro de 2017

Vinokourov quer processar Fabio Aru

Alexander Vinokourov não se conforma por ter ficado sem um ciclista de referência para as grandes voltas em 2018. A saída de Fabio Aru parecia estar mais do que anunciada, depois de vários meses de notícias que davam conta do desejo do italiano em procurar uma nova equipa e das exigências salariais deste. No entanto, o director da Astana continua a dizer que de nada sabia e que só teve conhecimento que o seu ciclista não iria renovar pelos meios de comunicação social. O cazaque reitera que agora é tarde para contratar um corredor de destaque e, por isso, sente-se lesado.

"Agora é com os advogados. Ele não nos deu outra escolha. Ele deveria ter dito [que queria sair] logo a seguir à Volta a França, de forma a chegarmos a um acordo amigável", explicou Vinokourov ao site do seu país Vesti.kz. As declarações estão a ter repercussão nos media internacionais, com o responsável da Astana a salientar que poderia "ter utilizado o orçamento para assinar um ciclista como Rigoberto Uran. "Havia tempo depois da Volta a França, mas saber apenas há duas semanas significa que é impossível assinar com alguém. Todos os ciclistas têm contrato. Por isso, os advogados vão decidir", afirmou.

A Astana perdeu em dois anos as suas duas figuras para as grandes voltas. Vincenzo Nibali não quis ser segunda escolha atrás de Aru e foi para a Bahrain-Merida e agora é o outro italiano, que esteve seis anos na equipa. "Vamos exigir alguma compensação dele por danos causadas por termos ficado sem um ciclista de topo. Estamos agradecidos por ter ficado tanto anos na nossa equipa, por isso é desagradável, mas foi ele que escolheu este caminho", disse Vinokourov.

Além de Rigoberto Uran - que renovou com a Cannondale-Drapac -, a Astana terá estado interessada em Nairo Quintana e Mikel Landa. Algumas notícias deram conta de um possível aliciamento para que o colombiano quebrasse contrato com a Movistar, depois de uma temporada em que a relação com o director Eusebio Unzué se terá deteriorado. Já Landa tinha o seu vínculo com a Sky a terminar e era claro que o espanhol queria deixar de ser uma figura secundária. Porém, não quis regressar à Astana, onde tinha estado antes de se mudar para a Sky. Assinou pela Movistar.

Oficialmente estas alegadas propostas não foram confirmadas, pelo que Vinokourov mantém-se fiel ao discurso de que nada sabia da pretensão de Fabio Aru em sair. O contrato preveria que se a Astana igualasse uma outra proposta, o italiano ficaria. Desconhece-se o que aconteceu neste aspecto, mas conhecida e oficializada é a mudança para a UAE Team Emirates, onde será colega de Rui Costa.

Miguel Ángel López (23 anos) e Jakob Fuglsang (32) serão os ciclistas que terão de assumir a responsabilidade no Giro, Tour e Vuelta. Se quanto ao colombiano há uma enorme curiosidade para saber como irá reagir a este papel, que mais cedo ou mais tarde lhe seria entregue, já quanto ao dinamarquês há grandes dúvidas. Fuglsang comprovou esta época que poderá ser uma boa aposta para as corridas de uma semana, mas não convence para ser líder numa de três. Mas poderá ter a oportunidade para mostrar que é uma boa escolha.


22 de outubro de 2017

Astana tem dinheiro mas não chega para segurar os seus líderes

Dinheiro não é problema, mas não é suficiente e a Astana é exemplo disso. A equipa do Cazaquistão não consegue segurar os seus líderes das grandes voltas. Em dois anos perde as duas referências, que conquistaram as três competições e no final de 2015 saiu aquele que tinha todo o potencial para vir a assumir essa função, Mikel Landa. Vincenzo Nibali bateu com a porta, depois de ter dado à Astana dois Giros e um Tour, agora é Fabio Aru que se prepara para dizer adeus, depois de uma Vuelta ganha em 2015. Assinou pela UAE Team Emirates de Rui Costa. Ambos os italianos não parecem sair com a melhor das relações com o director Alexander Vinokourov. Mas este não é problema que se resume ao antigo ciclista. Alberto Contador, por exemplo, saiu no final de 2010 e deixou a equipa orfã de uma referência, depois de no ano antes dois dos principais nomes terem estado no plantel: o espanhol e Lance Armstrong.

Essa foi uma época que ainda hoje é recordada, principalmente pela clara divisão que havia na equipa. Mas são outras histórias. Agora a Astana volta a ficar não sem ninguém, mas com alguém com pouca experiência e ainda muito jovem. Miguel Ángel López tem a oportunidade de ouro de ser a única escolha para as grandes voltas. Jakob Fuglsang ganhou o Critérium du Dauphiné - de forma brilhante, diga-se - mas não convence para as três semanas. López tem apenas 23 anos e a sua afirmação tem sido um pouco aos soluços devido a quedas. Porém, depois de muitos meses sem competir por uma fractura na perna, o colombiano chegou à Vuelta, venceu duas etapas e fez oitavo na geral. Estará pronto para assumir a candidatura a um pódio, pelo menos?

Vinokourov não terá hipótese senão tentar apostar em López, se o mercado não trouxer nenhuma surpresa de última hora. Certo é que não terá um ciclista de renome disponível. E não foi por falta de tentativa. Perante a mais que certa saída de Aru, o responsável cazaque tentou tudo: levou um não de Rigoberto Uran, que preferiu ficar na estrutura da Cannondale-Drapac após ficar garantido um novo patrocinador para 2018; tentou explorar a relação mais distante entre Eusebio Unzué e Nairo Quintana na Movistar, mas o colombiano quer cumprir contrato com a formação espanhola; ainda tentou o regresso de Mikel Landa, mas depois de ter deixado a Astana há dois anos, nem quis pensar em regressar.

Landa era então um ciclista com futuro e quem bem esteve no Giro de 2015, como gregário de Aru. Agora é uma confirmação que a Astana perdeu um excelente ciclista a quem lhe falta agora uma vitória numa grande volta. Nibali pertence à elite de quem venceu as três e Aru é inevitavelmente uma das principais esperanças italianas de continuar a ganhar depois da Vuelta há dois anos.

A personalidade forte de Vinokourov é bem conhecida. Estes três ciclistas também a têm. Nem sempre é fácil conjugar a vontade de todos. Nibali, por exemplo, saiu mesmo de costas voltadas para o cazaque. Quando percebeu que não haveria hipótese de manter o seu estatuto perante o despontar de Aru, Nibali bateu com a porta e foi para a nova Bahrain-Merida. A Astana não se importou. Afinal tinha a sua nova grande estrela. Porém, este ano deparou-se com a intenção do italiano seguir o seu caminho. É certo que Aru estava a pedir um ordenado bem alto (fala-se em mais de dois milhões por ano), mas esse não terá sido o problema. As declarações de Vinokourov deixam transparecer que havia algo mais.

"Nunca comentou o seu desejo de sair. Questionámos regularmente sobre o seu futuro e nunca recebemos resposta", disse ao L'Equipe. O responsável disse mesmo que soube da assinatura com a UAE Team Emirates pela imprensa, criticando a atitude porque agora a Astana fica "numa situação complicada para contratar", por ser "demasiado tarde". Que Vinokourov não soubesse das intenções de Aru, ninguém acredita, mas denota que a comunicação entre os dois já não era a melhor...

Numa perspectiva de quem gosta de ciclismo, poder ver López a ter mais oportunidades é óptimo, tendo em conta que é um ciclista que dá espectáculo e vitórias. É chamado de Superman López e na Colômbia já vai roubando as atenções a Quintana e Uran. Quanto a contratações, o espanhol Omar Fraile é um bom corredor para lutar por etapas e gosta muito de tentar as camisolas da montanha. Jan Hirt será a curiosidade. Este checo de 26 anos esteve muito bem no Giro, ao serviço da CCC Sprandi Polkowice - futura equipa de Amaro Antunes -, mas falta saber como será a sua adaptação ao World Tour. Talento tem, mas às vezes não chega.

Este ano a Astana perdeu Michele Scarponi pela pior das razões. Era um ciclista muito importante, mesmo estando relegado a um papel secundário. Com a saída de Aru, não só poderia reassumir uma liderança, como aliás estava previsto acontecer no Giro100 antes do atropelamento mortal, como seria essencial para ajuda à "educação" de López.

Não se adivinha uma época de 2018 fácil para a Astana, que já passou por momentos idênticos - quando Contador saiu - e acaba sempre por reaparecer em grande. Até porque, lá está, dinheiro não é problema. Já a comunicação...

»»Condutor que atropelou Scarponi estaria a ver um vídeo no telemóvel««

»»Fabio Aru na UAE Team Emirates. Que papel terá Rui Costa em 2018?««

9 de outubro de 2017

Condutor que atropelou Scarponi estaria a ver um vídeo no telemóvel

(Fotografia: Wessel Blokzijl/Flickr)
A notícia da morte de Michele Scarponi, em Abril, deixou o mundo do ciclismo em choque. Seis meses depois, pormenores da investigação voltam a provocar sentimento idêntico. O julgamento do condutor que atropelou o ciclista italiano estará prestes a começar e o Tuttobici avança que o homem de 57 anos poderá enfrentar uma acusação de homicídio agravado, pois terá admitido que no momento do acidente terá olhado para o telemóvel para ver um vídeo.

Scarponi foi atropelado a poucos quilómetros de sua casa em Filottrano, na região de Ancona. Inicialmente, o condutor terá afirmado que não viu o ciclista devido ao reflexo do sol matinal. Entretanto, terá apresentado uma nova versão que relança o repetido alerta do perigo de mexer no telemóvel enquanto se conduz. A informação está a ser avançada pelo site italiano Tuttobici, não havendo confirmação oficial.

O acidente ocorreu depois do homem que conduzia uma carrinha não ter parado num sinal de stop. Scarponi morreu no local. Era casado e pai de gémeos (quatro anos). Dias antes tinha vencido a primeira etapa na Volta aos Alpes, naquela que foi a sua primeira vitória em quatro anos. Preparava-se para liderar a Astana na 100ª edição da Volta a Itália, depois de uma lesão ter afastado Fabio Aru da corrida. É precisamente um Giro que tem no seu palmarés.

A Volta aos Alpes terminou no dia 21 e Scarponi quis regressar de imediato para junto da família, antes de começar os derradeiros preparativos para o Giro. A última fotografia que publicou no Twitter é precisamente com os filhos. No dia seguinte saiu para fazer um treino numa zona que tantas vezes percorreu a pedalar... A Astana competiu em Itália com apenas oito ciclistas, não substituindo aquele que teria utilizado o dorsal um da equipa.

A sua morte marcou muitos ciclistas e não apenas na Astana, que muito perseguiu uma vitória para lhe dedicar. Recentemente foi Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) que lhe dedicou o título mundial conquistado em Bergen.

28 de setembro de 2017

Descida de categoria da Volta à Turquia parece ser inevitável

(Fotografia: Facebook Volta à Turquia)
Será este um fim anunciado de uma curta aventura no World Tour? A organização da Volta a Turquia já não poderá usar as clássicas de Abril como desculpa para a falta de interesse das principais equipas em estar na corrida que este ano subiu à categoria mais elevada. Em Fevereiro pediu à UCI para adiar a data, pois só uma estaria inscrita. O organismo acedeu e agendou para 10 a 15 de Outubro, em vez de 18 a 23 de Abril. O resultado é que mais três formações do principal escalão se inscreveram, mas se de facto apenas quatro aparecerem, a prova poderá estar condenada à descida, eventualmente já em 2018.

Com a reformulação do calendário do World Tour em 2017, a entrada de novas corridas foi acompanhada por algumas regras especiais. Em primeiro lugar as equipas do escalão não estariam obrigadas em participar, ao contrário do que acontece com as restantes competições que já pertenciam ao calendário. As novas provas tem de garantir que pelo menos dez das formações estejam presentes. Se em dois anos consecutivos tal não acontecer, a competição volta a descer de categoria.

Bora-Hansgrohe, Trek-Segafredo, UAE Team Emirates e Astana são as únicas equipas do World Tour que estarão inscritas, segundo o Cycling News. Na Quick-Step Floors, por exemplo, nenhum ciclista quer viajar para a Turquia. Foi o próprio director Patrick Lefevere quem o admitiu em Fevereiro. A corrida até fazia parte do calendário da formação belga, mas nenhum corredor quis participar.

Agora já não há forma de tentar disfarçar o que realmente está em causa. A insegurança e instabilidade política que se vive na Turquia não transmitem confiança a ninguém. Os ataques terroristas assustam, mas a tentativa de golpe de Estado e a forma como politicamente o presidente Erdogan tem liderado o país, causam ainda mais nervosismo a quem tem de viajar para a Turquia. Um dos responsáveis da Lotto Soudal, Marc Sergeant, deu precisamente esses dois exemplos para justificar a ausência da equipa, em Abril, e parece que não há intenção de mudar de ideias.

Quando a Volta à Turquia reapareceu no calendário da UCI em 2008, até começou por atrair várias equipas do World Tour. Porém, com o passar dos anos essa presença foi diminuindo, muito devido aos casos de doping que surgiram, inclusivamente num dos vencedores turcos. Apesar do interesse ser mais reduzido, a boa estrutura organizacional acabou por ser uma grande ajuda para que recebesse o estatuto de World Tour em 2017.

Porém, tudo está a correr mal. Até a apresentação das etapas só aconteceu na segunda-feira. Perante a realidade que já não é possível esconder atrás de desculpas como "má altura no calendário", poderá acontecer que a Volta a Turquia em 2018 já não esteja no calendário World Tour. Para já aparece nele, mas se se confirmarem apenas quatro equipas do principal escalão, descer de categoria e não esperar mais um ano, poderá ser uma forma até para salvaguardar a corrida. A nível financeiro o gasto é muito superior quando se está no World Tour. Haverá decisões a tomar depois do dia 15 de Outubro.

De recordar, que o vencedor em 2016 foi o português José Gonçalves. Então na Caja Rural, foi uma vitória que colocou o gémeo na rota de uma grande equipa mundial. Foi a Katusha-Alpecin, de José Azevedo, que o foi buscar. E não estará inscrita este ano, pelo que Gonçalves não estará na Turquia para usar o dorsal número um.

Apesar dos problemas, a Volta à Turquia irá pelo menos realizar-se, o que não aconteceu com a Volta ao Qatar. Era outra das corridas novas no World Tour, mas problemas financeiros levaram ao seu cancelamento.

»»Já é conhecido o calendário do World Tour para 2018««

»»Orçamentos muito mais altos, falta de garantias e insegurança. Organizadores das novas corridas do World Tour questionam benefícios da subida de categoria««

»»Federação compromete-se a organizar a Volta ao Qatar em 2018««

3 de setembro de 2017

López ameaça tirar ribalta a Quintana

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
Jovem, irreverente, com uma daquelas vontade de ganhar que tanto resulta num grande espectáculo e em vitórias ou numa enorme frustração. É um trepador nato como na Colômbia tanto aparecem, mas com a vontade de trabalhar e evoluir a acompanhar esse talento, se não de nada lhe serviria. Miguel Ángel López é a próxima grande estrela do país. Pelo menos, tem tudo para o ser.

Perdeu quase uma temporada por causa de uma queda num treino, na qual fracturou a perna. Mas aí está ele. Não foi na Vuelta de 2016 que vimos o que poderia fazer numa corrida de três semanas (também caiu e abandonou), é agora em 2017. Não é tarde. Longe disso. Este López está mais do que a tempo de entrar naquela elite que discute triunfos nas classificações gerais, está mais do que a tempo de tirar da ribalta um Quintana que todos sabem que é bom, mas os anos vai passando e o colombiano continua ofuscado atrás da sombra de Chris Froome naquele que é o seu grande objectivo: a Volta a França.

Como as responsabilidades são ainda bem diferentes, comparativamente com as de Quintana, López está quanto muito ainda um pouco escondido na sua própria sombra. Ganhou pela segunda vez na Vuelta - e logo na etapa rainha, na Serra Nevada - e confirma as expectativas que se tinha criado sobre ele quando em 2016 conquistou a Volta à Suíça. No desporto já se sabe: confirmam-se umas expectativas, criam-se novas.

A Astana "apanhou" López em 2015 depois de no ano antes ter ganho a Volta a França do Futuro. O colombiano fez logo um sétimo lugar na Volta a Suíça e um quarto na Volta a Burgos, corrida de diferente categoria, mas ainda assim um resultado relevante. No ano seguinte, a Astana começou a apostar mais no jovem ciclista. Foi quarto no Tour de San Luis, venceu uma Volta a Suíça vista como uma das corridas de preparação para o Tour, mas antes tinha sido 20º no País Basco. A Vuelta foi uma desilusão pela queda que sofreu e estragou o que desejava ser a confirmação definitiva. O final de temporada foi estranho. Em sete clássicas italianas, desistiu em seis, mas foi ganhar a prestigiada Milano-Torino!

Em 2017 só em Junho começou a competir por causa de uma fractura na perna, mas estas duas etapas na Vuelta colocam-no como uma das grandes estrelas da corrida, sendo já sexto na geral, tendo ultrapassado o seu líder, Fabio Aru. Isto é López a aproveitar a oportunidade. Tudo indica que o italiano está de saída da Astana, deixando a equipa orfã de um grande líder para as três semanas (com todo o respeito por Jakob Fuglsang). López sabe que está ali uma porta aberta e uma boa Vuelta poderá colocá-lo numa posição de liderança, mesmo tendo apenas 23 anos.

Tem parecenças com Quintana, quando o ciclista da Movistar tinha a sua idade. Gosta de atacar, mexer na corrida e procurar a vitória, mesmo que seja uma missão de contornos difíceis. Gosta de desafios. Não é muito de testar os adversários. Prefere testar-se a si próprio, sabendo que estando bem é um corredor muito complicado de bater e principalmente de perceber quando irá dar o seu golpe. É o Super-Homem do ciclismo, a alcunha que já pegou! Quintana perdeu um pouco dessa espontaneidade. A experiência tornou-o mais cauteloso, ainda que seja quando mostra aquele Quintana de outros tempos (até parece que foi há muito... mas tem apenas 27 anos) que tende a conquistar grandes vitórias.

López pode aprender com o seu compatriota. Naturalmente que não pode correr sempre a pensar tanto em si, sem tentar ler bem os seus adversários. Terá de o fazer quando começar a pensar em ganhar uma grande volta. Diz que não é para já, mas não irá demorar muito a estar nessa posição. É um talento que está ali prontinho a "explodir". Com um dos ciclistas que mais espectáculo dá no ciclismo a preparar-se para terminar a carreira, Alberto Contador, pode-se dizer que seria tão bom se López evoluísse de forma a ser o enorme ciclista que pode ser, mas sem perder este estilo irreverente quando a maturidade desportiva começar a impor-se.

Froome repete a receita

Dois dias, duas etapas de montanha com quase todos os rivais a atacarem Chris Froome. Duas etapas em que o britânico deixou-os ir, apenas para os ir apanhando um a um e no final até ganhou tempo! Impressionante! Alberto Contador tentou repetir a dose de há um ano nesta etapa curta e montanhosa, atacando de longe. Levou consigo aquele que seria o eventual vencedor da etapa, tal como aconteceu em 2016 em Formigal, mas desta vez não resistiu na Serra Nevada, acabou mesmo por ceder até para Froome. Não se arrepende. Fará tudo para ganhar uma etapa. Em final de carreira, nada tem a perder.

Já Vicenzo Nibali tem uma Vuelta a perder. Tanto se esforçou para ganhar segundos nos últimos dias, para agora perder seis por ficar num corte já perto da meta, depois de um ataque que mais uma vez em nada resultou. O discurso que o italiano da Bahrain-Merida tem e que é partilhado por Johan Esteban Chaves (Orica-Scott), por exemplo, talvez comece a pesar na pensamento de todos: Froome está simplesmente muito forte e os seus adversários admitem-no e até admiram.

A Vuelta não está no bolso, mas já vão faltando ideias para bater Froome e os fiéis escudeiros, Wout Poels e Mikel Nieve. Os rivais não podem só estar à espera que o britânico volte a ter duas quedas num dia - e não o têm feito -, mas depois de tanto ataque, Froome não cedeu um milímetro. Exibição notável deste grande ciclista e que vai provocando um desgaste mental e uma frustração miudinha que vai crescendo quando a Vuelta se aproxima do final. Froome aprendeu com os erros do passado e está na forma que no passado lhe valeu um domínio incontestável no Tour.

Esta segunda-feira descansa-se e planifica-se uma última semana de assalto à liderança, enquanto na Sky se vai planear como proteger ainda mais o forte, ou seja, a camisola vermelha.


Summary - Stage 15 - La Vuelta 2017 por la_vuelta



19 de julho de 2017

Quintana de saída da Movistar? Sky e Astana podem estar na corrida pela sua contratação

(Fotografia: Facebook Movistar)
Com uma lista bem interessante de ciclistas em final de contrato e que podem mexer com o mercado de transferências quando abrir a 1 de Agosto, Nairo Quintana acabou de se tornar a potencial grande movimentação do ano. Na Movistar é quase impossível esconder o mal-estar entre o colombiano e o director Eusebio Unzue. O repto de fazer Giro/Tour tinha tudo para colocar o ciclista na história, mas acabou por se tornar num verdadeiro pesadelo e a época está agora a ser analisada, tanto pela equipa, como pelo atleta. Enquanto na Volta a França Quintana vai-se enterrando cada vez mais na classificação geral - perdeu mais 7:47 minutos e é 12º, a 12:54 de Chris Froome -, da Colômbia surgem notícias que a Sky e a Astana fizeram propostas ao ciclista. Apesar de ter contrato até 2019, Quintana estará tentado a quebrar contrato e mudar-se para outra estrutura.

As recentes declarações de Unzue sobre o seu líder terão sido a gota de água que fez transbordar o copo da paciência de Quintana. O director afirmou que o ciclista de 27 anos não foi brilhante no Giro e que só no Blockhaus tinha estado bem. Quintana foi segundo na Volta a Itália, depois de perder a maglia rosa na última etapa para Tom Dumoulin, no contra-relógio. O Tour é para esquecer e a família do ciclista já saiu em sua defesa. O pai acusa Unzue de ter obrigado Quintana a fazer as duas grandes voltas, algo que Quintana não queria, pois o objectivo era ganhar a Volta a França, a que lhe falta no currículo. Quando questionado quem tinha decidido fazer as duas corridas, Unzue disse, segundo o El País, que houve um mútuo acordo. Mas de quem foi a ideia? A resposta voltou a ser foi mútua.

Quando o percurso do Giro100 foi anunciado, Quintana foi um dos ciclistas que elogiou as etapas. No Natal anunciou que ia estar em Itália, com Unzue a desmentir. Mais tarde, o director confirmou que era mesmo a escolha tentar fazer a dobradinha que ninguém consegue desde Marco Pantani em 1998.

A Movistar sonhou alto, mas tudo se desfez com estrondo. Alejandro Valverde estava a compensar a época infeliz de Quintana (seja lhe dado o mérito próprio: estava a fazer a temporada da Movistar em termos de vitórias), mas a equipa perdeu o espanhol na primeira etapa do Tour e também a Vuelta poderá tornar-se uma missão difícil para ganhar, com Valverde de fora o resto do ano.

A rádio colombiana RCN avançou que a Sky e a Astana querem contar com Quintana já em 2018. São duas equipas com potencial financeiro para o fazer, não só na questão de pagar ao ciclista, mas também numa eventual compensação à Movistar. A Astana pode perder Fabio Aru para a UAE Team Emirates, já a Sky parece estar resignada a ver Mikel Landa mudar-se precisamente para a Movistar. No entanto, ter Quintana na equipa quando Chris Froome ainda continua em alta seria algo muito complicado de gerir, visto que os dois têm o objectivo do Tour. O britânico já afirmou que quer chegar às cinco vitórias e juntar-se ao restrito grupo que alcançou a marca.

De salientar que não há qualquer confirmação oficial da alegada intenção de Quintana, ou das ofertas da Sky e Astana. Eusebio Unzue já garantiu que o colombiano vai ficar e que tem contrato para cumprir até 2019. O director realçou que depois de terminar a Volta a França será feita uma análise profunda para tentar perceber o que correu mal e porquê. Mas o facto que ninguém altera, é que Quintana passou um ano sem vitórias na geral de uma grande volta, perdendo o Giro para um surpreendente Dumoulin e sendo uma sombra de si próprio no Tour, onde nem no top dez deverá terminar. Há muito a analisar e provavelmente algumas pazes a fazer para que Nairo Quintana recupere a alegria, confiança e motivação.

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16 de julho de 2017

Volta a França entra em "território desconhecido"

(Fotografia: ASO/Pauline Ballet)
O pelotão vai descansar um dia antes de entrar na fase final da Volta a França e aproveitando a frase do director da BMC, Jim Ochowicz, o Tour vai entrar em "território desconhecido". Com seis etapas por realizar, quatro ciclistas estão separados por 29 segundos, com outros dois a terem pouco mais de um minuto de desvantagem. Faltam os Alpes e falta o contra-relógio do penúltimo dia. A corrida está completamente em aberto, com os candidatos a mostrarem tanto os pontos fortes como algumas fraquezas. E claro, se não se esperava tanto equilíbrio, ainda menos se esperava que corredores como Rigoberto Uran estivessem na luta e que Nairo Quintana nem no top dez tivesse lugar.

"Estamos a caminhar para território desconhecido. É uma corrida diferente em vários aspectos. Alguns dos favoritos nem cá estão", salientou Jim Ochowicz, ao Cycling News. O director da BMC perdeu o seu líder, Richie Porte, que se contava poder estar nesta luta. Caiu há uma semana e está a recuperar das fracturas. Ochowicz já não está a lidar com a pressão da geral - procura uma vitória de etapa -, mas analisa a disputa pela camisola amarela. "Penso que muitos ciclistas não vão querer ir para o contra-relógio nesta situação. Por isso, alguns irão estar em modo de ataque já que Froome será o favorito para o contra-relógio", salientou o responsável.

Ochowicz considera mesmo que perante a indefinição será muito difícil as fugas triunfarem: "É preciso ganhar tempo quando há a oportunidade para ganhar esse tempo." O director frisou mesmo que tudo o que poderá acontecer na derradeira semana é imprevisível.

As declarações de Ochowicz são a forma perfeita para se olhar para as últimas seis etapas (cinco se considerarmos que a última é de consagração): é impossível prever o que vai acontecer! Chris Froome e a Sky já fraquejaram, mas o britânico também teve uma demonstração de força, como aconteceu este domingo quando recuperou de dois problemas com a bicicleta para não só reentrar no grupo de favoritos, como ainda para sprintar, só para mandar a mensagem que contem com ele para uma luta acesa. Fabio Aru (a 18 segundos) demonstrou estar tão bem até que uma má colocação lhe custou a liderança. Mesmo sem equipa, a Astana, o italiano será um perigo ao objectivo da quarta vitória no Tour para Froome. Romain Bardet (a 23 segundos) conta com a AG2R, claramente uma equipa forte e preparada para estar ao lado do seu líder e enfrentar a Sky olhos nos olhos. Porém, Bardet cedeu um pouco na subida final da etapa de sábado.

Rigoberto Uran (Cannondale-Drapac, a 29 segundos) é a grande surpresa. O colombiano já demonstrou que não pode ser afastado da luta só porque não tem convencido nos últimos anos ou porque companheiros para o ajudar, nem vê-los. Uran está muito bem, muito regular, a correr com grande inteligência. Este domingo, quando Froome reentrou no grupo, nunca mais lhe largou a roda. Quando o contra-relógio chegar, deste quarteto é o ciclista que poderá fazer frente ao britânico se a distância se mantiver tão curta.

E depois temos um Daniel Martin (Quick-Step Floors, a 1:12 minutos). É uma meia surpresa. Já se sabe que o irlandês tem capacidade para top dez em grandes voltas, mas tem estado a superar expectativas no Tour e hoje recuperou alguns segundos. De recordar que foi mais uma das vítimas da nona etapa, que viu Richie Porte ficar fora de acção. Martin esteve inclusivamente envolvido na queda do australiano, tendo voltado a cair mais tarde.  O pódio é um claro objectivo para o ciclista irlandês.

E Mikel Landa? Este domingo lá deu uma ajuda a Froome, admitindo que recebeu ordens da equipa para o fazer. Se foi a atitude esperada, o espanhol deixou um claro sinal que quer mesmo um bom resultado individual: mal chegou ao grupo de favoritos com o britânico, Landa imediatamente foi para a parte da frente, deixando Froome entregue a si, enquanto o britânico tentava recuperar algum fôlego. São 1:17 minuto a separá-lo do colega e líder, mas já é difícil disfarçar que Landa quer mais do que o top dez. Vamos dizer que o pódio o fará feliz...

Quanto à última semana, vamos ter atenção às etapas de quarta e quinta-feira. Primeiro teremos a esperada ascensão ao Col du Galibier, num dia que contará com duas categorias especiais, uma primeira e uma segunda e sem chegada em alto, algo que até tem ajudado ao espectáculo. Na quinta o Col d'Izoard será mesmo o local da meta e de emoção! Depois tudo deverá ficar guardado para o contra-relógio de sábado, em Marselha, já que a etapa de sexta serão três terceiras categorias em disputa. Porém, se houver a necessidade de alguns ciclistas em ganhar segundos... Lá está, esta última semana poderá ser muito atacada todos os dias.

Segunda-feira é dia de descanso e terça será mais uma etapa rápida. Duas subidas para começar, uma longa descida e atenção às pequenas rampas da parte final do percurso. Será um bom aquecimento para o que virá nos dias seguintes, mas ninguém poderá cometer erros. A partir de agora podem ser fatais.


Trek-Segafredo suspira de alívio

No ano pós-Fabian Cancellara, a Trek-Segafredo está a lutar para reencontrar-se com os grandes momentos. John Degenkolb está a anos luz do rendimento do suíço e Alberto Contador não está a ser o candidato ao Tour desejado. Bauke Mollema desiludiu no Giro e em França também não estava a ser fonte de satisfação, oferecendo uma ajuda muito pobre ao seu líder. Porém, o holandês que há um ano chegou a sonhar com o pódio, acabou por dar à Trek-Segafredo a melhor vitória de 2017: a etapa que terminou em Puy-en-Velay marcou o primeiro triunfo numa corrida do World Tour este ano para a formação americana.

Foi a primeira e em grande estilo, já que foi uma fuga solitária que parecia destinada ao fracasso. No entanto, com o quarteto perseguidor - que contava com o fantástico Warren Barguil (Sunweb) -  a desentender-se, Mollema nunca deixou de acreditar, não olhou para trás e lá foi ele até à estreia a vencer no Tour, ele que em 2013 tinha conquistado uma etapa na Vuelta.

O dia ficou ainda marcado pela imagem de um Nairo Quintana derrotado, a nem conseguir acompanhar Froome quando este tinha furado e tentava chegar-se ao grupo de favoritos. O colombiano da Movistar perdeu quase quatro minutos para o britânico e já são 6:16, está fora do top dez, onde entrou Damiano Caruso (BMC).


Résumé - Étape 15 - Tour de France 2017 por tourdefrance


15 de julho de 2017

A importância da equipa

(Fotografia: ASO/Bruno Bade)
Nos últimos dias a Sky e Chris Froome tem estado no centro das discussões na Volta a França. A perda de força no controlo das etapas, a forma física pouco convincente do seu líder (comparativamente com os anos anteriores), a aparente quebra de coesão com Mikel Landa a desafiar a ditadura de tudo por um líder e a procurar ele próprio um resultado, fomentarem inúmeras conversas. Sendo a equipa que nos últimos cinco anos venceu o Tour quatro vezes, é normal que quando aparece finalmente quem coloque em causa esse domínio, tal se torne o assunto do dia... após dia. Porém, pode não ser a Sky das edições anteriores, mas no que diz respeito aos pormenores básicos que têm de ser cumpridos para evitar males maiores desnecessários, a formação britânica não falhou. Froome também não falhou e inesperadamente está já na posição habitual e com uma vantagem ainda mais ampla do que quando perdeu para Fabio Aru há dois dias.

"Não esperava estar de novo de amarelo no final da etapa. Nunca sonharia tirar 24 segundos ao Aru." A declaração demonstra bem como até Chris Froome ficou surpreendido por ter recuperado a liderança, que também significou que recuperou o sorriso. Estar de amarelo é já um estado de espírito para o britânico. Quanto ao que aconteceu com o seu rival, Froome admitiu que esperava que naquela última subida em Rodez, curta, mas com quase 10% de pendente, se pudesse fazer algumas diferenças. Não para Aru e muito menos para ser líder, agora com 18 segundos de vantagem.

Fabio Aru assumiu que cometeu o erro de ficar mal posicionado nos últimos quilómetros. Quando a subida começou, o grupo partiu e o italiano da Astana viu os rivais escaparem. Na preparação para a discussão da etapa, foi desde cedo claro que Aru não estava bem colocado no pelotão. A Sky estava bem na frente com o seu líder, a AG2R também cumpriu com Romain Bardet, mas o francês acabaria por ceder nos últimos metros e perdeu cinco segundos. Rigoberto Uran, sozinho, fez o que tem sabido fazer melhor: escolher bem onde estar e a que ritmo seguir.

A experiência fez a diferença para Uran, a experiência e a equipa fizeram a diferença para Chris Froome. A falta de apoio de companheiros e alguma ingenuidade custaram a Fabio Aru a liderança, numa etapa que não deveria ter falhado. O italiano tinha tudo para entrar na última semana de amarelo, colocando pressão nos rivais, principalmente num Froome e numa Sky algo nervosos e obrigados a repensar a táctica. Mas Aru entregou-lhes o lugar no qual a formação britânica melhor se sente. Facilitou o trabalho.

Quando vestiu a amarela foi logo a questão levantada: como iria a Astana lidar com a defesa do primeiro lugar? Sem Dario Cataldo e entretanto também sem Jakob Fuglsang, Aru tem estado praticamente entregue a si próprio. Michael Valgren e Andrei Grivko, por exemplo, estão a ser uma desilusão.

A discussão é antiga. Pode ou não um ciclista ganhar uma grande volta sem equipa? Alberto Contador diria que sim! Recuando à Volta a Itália de 2015, o espanhol esteve constantemente isolado nos momentos decisivos, enquanto Aru, nesse ano com a equipa mais forte do Giro, fez de tudo para ganhar. Contador sofreu, mas praticamente sozinho ganhou. Porém, é cada vez mais raro tal acontecer e quando se fala de Contador, fala-se de um fora de série. Já está a perder influência, mas nos seus tempos áureos, Contador sozinho (ou praticamente) fez muitos estragos e conquistou muitas vitórias.

Mas olhando para as mais recentes vitórias nas grandes voltas, as equipas têm tido quase sempre um papel essencial. Nairo Quintana teve uma Movistar forte a ajudá-lo na Vuelta no ano passado e o próprio Aru contou com o apoio da Astana um ano antes. Com a Sky já se sabe como tem sido no Tour. Em Maio, Tom Dumoulin não venceu ao estilo de Contador no Giro, mas foi das edições em que um ciclista se fez valer muito da sua qualidade individual. Ainda assim, comparando com o que está a acontecer com a Astana, a Sunweb esteve bem melhor na Volta a Itália.

A Aru resta-lhe voltar ao plano antes de vestir a amarela. Aproveitar o trabalho da Sky, poupar-se e atacar nos momentos certos. Tendo em conta que a Astana dificilmente seria a ajuda na defesa da amarela, se calhar o melhor mesmo é jogar ao ataque. Mas claro, se chegar ao ponto de ter voltar a defender...

Com tudo isto, ganha quem está a assistir ao Tour. A indecisão mantém-se e mesmo com a perda de tempo de Aru e Bardet, continua tudo em aberto.

Este domingo é uma daquelas etapas praticamente sem quilómetros plano, excepto os primeiros. Com a exigência e muita emoção desta segunda semana, é difícil perceber se haverá intenções de mexer novamente na geral, ou se os candidatos vão esperar antes pelas decisões finais, ou seja, pelas muito exigentes etapas nos Alpes na quarta e quinta-feira. É um bom dia para Alberto Contador tentar a sua etapa, talvez...


Matthews venceu e manda mensagem a Kittel

Foi difícil não pensar em Peter Sagan nesta 14ª etapa. Aquela chegada a Rodez assentaria às suas características, tal como a Michael Matthews e Greg van Avermaet. O eslovaco já lá não anda depois da polémica decisão da organização em o mandar para casa após o incidente com Mark Cavendish. Houve espectáculo mesmo sem Sagan e Matthews não desperdiçou a oportunidade para vencer a sua segunda etapa no Tour, repetindo o sucesso de 2016. Porém, este triunfo tem importância acrescida. Com Marcel Kittel a ficar para trás, o australiano aproveitou para se aproximar do alemão na luta pela classificação dos pontos. São 101 pontos a separá-los. A missão está difícil, mas Kittel terá recebido a mensagem que não pode facilitar. Tem uma vantagem confortável, mas Matthews não vai baixar os braços.

Foi a segunda vitória consecutiva da Sunweb, depois da de sexta-feira de Warren Barguil. A equipa alemã está a viver um ano de sonho nas grandes voltas. Conquistou o Giro, já soma duas vitórias no Tour, Barguil está num bom caminho para ser o rei da montanha e Matthews mantém o seu objectivo vivo. 2017 marca definitivamente a mudança de planos desta formação, que irá apostar cada vez mais em classificações nas grandes voltas em detrimento da época das clássicas e nos sprints (não totalmente neste último caso).

Veja aqui o resultado da 14ª etapa e as classificações.


Résumé - Étape 14 - Tour de France 2017 por tourdefrance

22 de maio de 2017

O que é preciso para bater o cavalheiro Dumoulin? Quintana explica

(Fotografia: Giro d'Italia)
Terça-feira, 23 de Maio. 16ª etapa da 100ª edição da Volta a Itália. Se há dia que se esperava este ano no ciclismo, este é um deles. A tirada tem tudo para ser épica, mas o melhor é que poderá ser apenas o início de uma semana memorável de ciclismo. Tom Dumoulin é um líder não surpreendente, mas com uma vantagem inesperada. Nairo Quintana (o único a menos de três minutos), Thibaut Pinot e Vincenzo Nibali não se rendem e atenção a Ilnur Zakarin que ainda tem os olhos postos pelo menos no pódio.

O holandês tem estado simplesmente fenomenal. Está a responder às questões que se colocava sobre ele. Primeiro, se estava a subir melhor. Resposta: muito melhor. Segundo, se tinha perdido algo no contra-relógio dado estar mais magro: não perdeu nada! Terceiro, se consegue aguentar várias montanhas numa etapa. E quarta, se consegue recuperar bem depois de uma tirada muito dura. Estas duas serão respondidas esta semana. Há mais uma pergunta: o que é preciso para ganhar a Dumoulin? Nairo Quintana responde: recuperar o tempo perdido atacando nas subidas e ter uma margem de 40 segundos para gerir no contra-relógio de domingo.

Depois de perder mais de dois minutos no primeiro esforço individual, o colombiano ainda assim mostra-se seguro que sendo mais o último mais curto, não irá perder tanto. Portanto, o objectivo está traçado para os próximos dias, mas o líder da Movistar admite que pode muito bem ter uma missão complicada pela frente, não duvidando que Tom Dumoulin é até ao momento o mais forte. "Até agora não apresentou nenhuma debilidade. Não sei se ganhará o troféu, vamos tentar que não [o ganhe]. A alta montanha não o favorece. O que vai fazer a diferença será a subida, mais do que o contra-relógio de Milão no último dia", salientou Quintana na conferência de imprensa, no dia de descanso do Giro.

O colombiano considera que as próximas etapas beneficiam-no mais, já que têm muita montanha, pois até agora as principais dificuldades acabaram por ser únicas nas etapas. Além das subidas, as descidas poderão fazer também alguma diferença. Quando ganhou o Giro em 2014, Quintana fê-lo com a ajuda do tempo que ganhou durante uma descida. Claro que a polémica mantém-se. Foi um dia confuso, de más condições atmosféricas nos Alpes. Quintana atacou enquanto outros ciclistas pensaram que a etapa estava neutralizada. A organização acabou por oficializar o tempo que distanciou Quintana de Rigoberto Uran. Numa luta de colombianos, o primeiro acabou por triunfar, mas aquele dia não foi esquecido, pelo que lhe foi perguntado se poderia atacar numa descida. Até disse que sim, mas salientou que prefere as subidas. Tendo em conta a sua má fama a descer - até caiu no domingo -, não se espera outra coisa que não seja apostar tudo nas fase ascendente das montanhas. Mas fica a promessa, Dumoulin pode esperar um Quintana a fazer tudo para o deixar para trás, a fazer tudo para testar os limites do holandês.

E a queda foi outro assunto abordado. Dumoulin colocou-se na frente do grupo para que Quintana pudesse reentrar. Um "cavalheiro", diz o ciclista da Movistar. Depois o colombiano sprintou e ganhou seis segundos de bonificação. Foi leal? "Foi um gesto muito bonito, digno de um cavalheiro. Agradecemos. Teríamos chegado, mas com mais esforço. O tema da chegada é diferente, não tem nada a ver com os gestos, quis vencer a etapa", salientou.

A muito esperada 16ª etapa: 222 quilómetros entre Rovetta e Bormio e três subidas do mais difícil deste Giro

Quintana é o pretendente, Dumoulin o dono da maglia rosa. Para o holandês só há duas formas de descrever a etapa de terça-feira: "Ou será muito difícil, ou será muito, muito difícil." "Já tive etapas duras no passado, mas vamos ver como vai ser. Os meus adversários vão certamente atacar-me e será definitivamente um dia de sofrimento", realçou. Dumoulin não está preocupado com os seus adversários e tenta passar uma imagem descontraída, livre de pressões. Dumoulin até aceita as dúvidas que subsistem sobre a sua capacidade e não se mostra excessivamente preocupado se por acaso perder tempo na 16ª etapa. Porém, recordou que não conhecia bem as etapas anteriores com montanha, mas se há subidas que conhece muito bem é o Mortirolo e o Stelvio, onde já fez estágios em altitude, inclusivamente antes da Vuelta de 2015 que deixou escapar na derradeira etapa de montanha para Fabio Aru.



Neve e perigo de avalanches no Stelvio

As previsões apontam que não haverá problemas com o percurso para a 16ª etapa. Porém, a neve ainda é imagem de marca do Stelvio, cuja primeira passagem será a Cima Coppi do Giro (ponto mais alto - imagem de cima). A organização irá verificar as condições para garantir a segurança, principalmente tendo em conta que é uma etapa cujas descidas são de elevada pendente, técnicas e com zonas perigosas.

Para já, a única medida tomada será a limitação de carros que irá passar por ali devido ao perigo de avalanches, numa altura em que a neve começa a derreter. A caravana será reduzida ao estritamente necessário, um corte que não afectará os carros das equipas, nem os veículos para a transmissão televisiva.

Homenagem a Scarponi no Mortirolo


(Fotografia: Astana)
Uma das míticas subidas da Volta a Itália será este ano dedicada a Michele Scarponi, o ciclista que morreu no final de abriu ao ser atropelado por uma carrinha durante um treino. Foi numa passagem no Mortirolo - agora chamada de Cima Scarponi - que o italiano conquistou a sua última etapa no Giro (foram três) em 2010. Naquele ano a etapa também não terminou no Mortirolo, mas foi ali que Scarponi começou a construir o triunfo, quando Ivan Basso e Vincenzo Nibali tentaram fugir. Em Aprica, foi Scarponi quem levantou os braços para celebrar.

Mas haverá mais homenagens. A Astana vai aproveitar esta etapa que inclui o Mortirolo para oferecer aos adeptos um bidão muito especial. Nele está Frankje, o papagaio que se tornou um parceiro famoso dos treinos de Scarponi na sua terra. O ciclista partilhou nas redes sociais vários vídeos com o fiel amigo. Os corredores da Astana também utilizarão este bidão especial. A família de Scarponi também irá receber alguns.

Durante este Giro têm sido muitas as referências ao vencedor da Volta a Itália em 2011. Os adeptos não esquecem Scarponi e o seu nome é escrito na estrada ou em faixas, por vezes com mensagens para um ciclista que espalhava boa disposição e simpatia.



Kruijswijk começou o Giro com costelas partidas

O holandês da Lotto-Jumbo tem sido uma das desilusões da Volta a Itália. Há um ano, por esta altura da corrida, muito se falava sobre a possibilidade de ganhar o Giro. Este ano já mal se fala de Steven Kruijswijk. É 10º após o abandono de Tanel Kangert (Astana), a 7:03 minutos de Dumoulin e com Adam Yates (Orica-Scott) a aproximar-se perigosamente.

No terceiro e último dia de descanso do Giro, Kruijswijk explicou o que se está a passar com ele, admitindo que fracturou umas costelas quando caiu na Volta a Yorkshire, que abandonou, e que não conseguiu recuperar devidamente. Em nada ajudou já ter caído também neste Giro. No entanto, ainda ambiciona alcançar algo durante esta semana: "Espero que o corpo esteja recuperado e que possa despender toda a minha energia em conseguir um resultado."

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