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18 de março de 2019

Ponto final no sonho de Tafi

(Fotografia: © Eric Houdas/Collection personnelle/Wikimedia Commons)
Parecia ser impossível, mas Andrea Tafi até chegou a dizer que teria encontrado uma equipa que o recebesse para celebrar a 20º aniversário da sua vitória no Paris-Roubaix competindo novamente no mítico monumento. Nunca se soube que equipa seria essa, apesar de alguns nomes terem sido lançados publicamente, mas desmentidos. Ainda assim, Tafi teria a possibilidade de pedalar um pouco na edição do dia 14 de Abril, mas, afinal, vai mesmo assistir de fora. Uma lesão típica de ciclista acabou com o seu sonho. Enquanto profissional nunca tinha sofrido este problema.

"Talvez não estivesse destinado a correr no Paris-Roubaix por uma última vez. Incrivelmente esta é a minha primeira fractura", admitiu Andrea Tafi ao Cyclingnews. Aos 52 anos, o italiano continua a competir e numa corrida local, na Toscana, Tafi caiu e partiu a clavícula. Ainda com quase um mês até ao monumento francês, o ciclista até tem tempo para recuperar já que não teve de ser operado. Porém, não é por acaso que o Paris-Roubaix é apelidado de Inferno do Norte, pelo que os médicos aconselharam-no a não arriscar. O pavé poderá fazer mais estragos: "Se fosse uma corrida normal de estrada, poderia treinar nos rolos e ainda estar competitivo."

Tafi tenta levantar a cabeça perante a desilusão, admitindo que se sacrificou muito a treinar nos últimos cinco meses. "Estava preparado, mas agora, só posso lamber as feridas e olhar para o futuro. Não me arrependo de nada", disse. Acrescentou que, antes da queda, iria mesmo pedalar um pouco na 117ª edição do Paris-Roubaix. Como sem equipa não poderia competir, Tafi explicou que tanto a UCI, como a ASO, organizadora da corrida, tinham concordado que andasse uns minutos na frente do pelotão antes do arranque da prova.

Afastada que está a possibilidade de, aos 52 anos, competir no monumento que venceu em 1999, Tafi não escondeu que ficou sentido com as muitas críticas que ouviu quando anunciou que ia tentar entrar numa equipa para estar no Paris-Roubaix. Um dos mais duros nas palavras foi o antigo companheiro na Mapei-Quickstep Paolo Bettini: "Ao Andrea digo-lhe: espero que não corras. Precisas de fazer outra coisa na vida aos 52 anos." Até Patrick Lefevere - que conhece bem Tafi que representava a estrutura agora conhecida por Deceuninck-QuickStep -, admitiu não perceber a intenção do antigo ciclista.

A maioria das críticas centrava-se no facto de Tafi puder tirar o lugar a um ciclista mais jovem, caso alguma equipa lhe abrisse uma vaga. "Fiquei um pouco sentido porque nunca quis roubar a ribalta aos ciclistas actuais ou tirar o lugar a um ciclista mais novo. Só queria correr mais um dia e celebrar tudo o que há de bom no ciclismo e mostrar que podemos pedalar e competir mesmo depois dos 40 [anos]", salientou.

Tafi garante que, apesar da lesão, vai estar na partida do Paris-Roubaix para assistir ao início de uma corrida que sempre promete espectáculo. Quando recuperar da clavícula partida, voltará a andar de bicicleta, pois: "Amo o ciclismo."


28 de novembro de 2018

Tafi no Paris-Roubaix? "Precisas de fazer outra coisa na vida aos 52 anos"

(Fotografia: Twitter Andrea Tafi)
Quando Andrea Tafi anunciou a intenção de correr o Paris-Roubaix e assim celebrar o 20º aniversário da sua vitória no monumento francês, a ideia foi bastante falada, mas talvez poucos acreditassem que, aos 52 anos, alguma equipa o contrataria. Porém, cerca de 15 dias depois, o italiano confirmou que já tinha encontrado uma. Qual? Continua no segredo dos deuses. O que não é segredo é que nem todos estão a gostar deste possível regresso e o compatriota de Tafi, o bicampeão do mundo Paolo Bettini, não poderia ter sido mais directo nas críticas.

"Ao Andrea digo-lhe: espero que não corras. Precisas de fazer outra coisa na vida aos 52 anos", afirmou, numa entrevista à Gazzetta dello Sport. E continuou. "Ele está a conquistar a atenção mediática com isto, mas seria melhor pensar em deixar o lugar vago para um jovem ciclista. Ao fazer [a corrida] ele está a roubar o lugar a alguém."

Bettini é um pouco mais novo, tem 44 anos, e garante que não tem qualquer intenção de regressar ao activo. "Sou um embaixador para diferentes empresas e divirto-me a pedalar com os seus clientes. Pedalo quando quero. Nem pensar que o vou fazer três vezes por semana", afirmou o ex-ciclista, que também já foi seleccionador do seu país.

Os italianos foram companheiros de equipa na Mapei-Quickstep durante quatro temporadas (1999-2002). Foram dois especialistas em clássicas e no que diz respeito a monumentos, Tafi ganhou a Lombardia (1996), o Paris-Roubaix (1999) e Volta a Flandres (2002). Bettini venceu duas vezes a Liège-Bastogne-Liège (2000 e 2002), a Milano-Sanremo (2003) e a Lombardia também em duas ocasiões (2005 e 2006). Bettini não era tão dotado para o pavé. Aliás, Tafi é mesmo o único italiano a vencer os dois monumentos neste tipo de piso.

Andrea Tafi retirou-se em 2005, mas não deixou de pedalar e este ano até participou numa corrida húngara, com classificação 1.2 da UCI, tendo terminado na 37ª posição. Foram 157,6 quilómetros a 48 quilómetros por hora de média.

Quanto à equipa que terá demonstrado interesse em contratá-lo, uma do World Tour dá-lhe acesso directo à corrida, mas também poderá ser uma das Profissionais Continentais com um convite para competir, que ainda não foram anunciados. A sul-africana Dimension Data (World Tour) já foi falada, mas não passa, por agora, de um rumor. Tafi tinha antes de mais garantir que cumpre os requisitos do regulamento anti-doping para competir numa corrida deste nível, algo que estará resolvido.

Lefevere diz que não compreende

O histórico director da Quick-Step Floors foi abordado por Tafi sobre a possibilidade de competir pela equipa por quem ganhou em 1998, então a Mapei-Quickstep. Patrick Lefevere deu um redondo não. "Ele perguntou-me, a rir, mas meio a sério, se a nossa equipa estaria interessada, mas sabes como é composta a nossa equipa. É já uma luta para escolher os sete ciclistas para o Paris-Roubaix e não quero investir num projecto só pela publicidade. Espero que ele encontre outra maneira", referiu ao Cycling News, poucos dias depois, no início de Novembro, de Tafi anunciar que tinha encontrado quem o recebesse.

Lefevere explicou que esteve com Tafi num evento de um patrocinador e que todos estavam a perguntar ao antigo ciclista "se ele tinha febre, ou algo parecido, ou se tinha endoidecido". "Não percebo", desabafou o responsável belga. Para Lefevere, há mais em jogo do que o simples regresso ao Paris-Roubaix, pois, ao estar a preparar um documentário, para o director da Quick-Step Floors, está-se a falar de um negócio, de uma aposta comercial.

Antes de se saber que já haveria uma equipa interessada em contratar Tafi para o Paris-Roubaix - não está excluída a hipótese de fazer algumas corridas antes para se preparar -, o italiano tinha dito que se não conseguisse estar na prova profissional, faria a competição amadora. O objectivo passa mesmo por fazer um documentário sobre este seu regresso a Roubaix, 20 anos após ter vencido o mítico monumento, seja em que moldes for.

Agora é esperar para saber qual é a equipa que Tafi diz o querer, mas uma casa de apostas italiana até já avançou com as probabilidades para este possível regresso do atleta ao Paris-Roubaix. Uma vitória 1/350, um pódio 1/150 e um top dez 1/50.


8 de novembro de 2018

Tafi encontrou equipa para estar no Paris-Roubaix aos 52 anos

(Fotografia: Eric Houdas/Collection personnelle/Wikimedia Commons)
O improvável estará mais próximo de se tornar realidade. Quando anunciou que gostaria de competir no Paris-Roubaix em 2019 e assim celebrar o 20º aniversário da sua vitória no monumento, parecia ser uma ideia de loucos. Para o fazer, Andrea Tafi teria de ser contratado por uma equipa. Aos 52 anos, percebe-se porque se pensaria que tal era improvável. O regresso "a casa" seria algo perfeito, mas por mais que Patrick Levefere respeite Tafi, na Quick-Step Floors a ambição é demasiado grande para dar um lugar ao italiano. "Por sorte, encontrei outra grande equipa", anunciou. Qual? Teremos de esperar mais um pouco para saber.

"Infelizmente, não posso dizer qual. Ainda não", salientou ao jornal belga Het Laatste Nieuws. Em 1999, Tafi venceu o Paris-Roubaix pela Mapei-Quickstep, pelo que representar novamente a equipa foi algo que o motivou a falar com Lefevere, o mítico director desportivo, que só em Roubaix conta com 11 triunfos. "Disse-me que tinha uma grande equipa e que gostava do que quero fazer, mas era impossível receber-me, já que qualquer ciclista [da equipa] que parte para Roubaix, fá-lo para ganhar", explicou Tafi, que afirmou compreender perfeitamente a posição de Lefevere.

Apesar de saber bem o que é fazer o Paris-Roubaix - competiu em 13 edições e terminou-as todas -, fazer este monumento aos 52 anos será completamente diferente. Mas não é por acaso que é conhecido como o Gladiador. "Eu sei o quanto é difícil. Vou treinar e ver como será", afirmou. No entanto, Tafi recusa  a ideia de estar a cometer uma loucura. "Todo o mundo pensa que estou louco, mas eu não acho. Sigo o meu coração. Quero saber quais são os meus limites", referiu. Acrescentou que não vai dizer que terminará em determinado lugar: "Não sou hipócrita."

A confirmar-se a presença de Tafi, o italiano será, sem surpresa, o ciclista mais velho a alguma vez competir no Paris-Roubaix. O mais velho a ganhar o monumento francês foi um ciclista da casa: Gilbert Duclos-Lassalle, em 1993. Tinha 38 anos, naquela que foi a sua segunda vitória no Inferno do Norte.

Tafi retirou-se em 2005, mas não deixou de pedalar e este ano até participou numa corrida húngara, com classificação 1.2 da UCI, tendo terminado na 37ª posição. Foram 157,6 quilómetros a 48 quilómetros por hora de média. Além da questão da equipa, o italiano terá de cumprir os requisitos da UCI, algo que o antigo ciclista explicou, quando anunciou a sua intenção, que já tinha contactado o organismo devido ao passaporte biológico que é obrigado a ter.

Andrea Tafi foi um dos maiores especialistas italianos de clássicas. Além do Paris-Roubaix, venceu ainda a Volta a Flandres em 2002 e seis anos antes havia conquistado a Lombardia. Foi o único ciclista do seu país a vencer o Roubaix e a Flandres.

Seja qual for a equipa que terá aceite contratar por uma corrida apenas Tafi, tem garantida uma forte cobertura mediática. A confirmar-se a presença do italiano no Paris-Roubaix será, inevitavelmente, um dos destaques. Não só receberá muita atenção por parte dos meios de comunicação social antes e depois da corrida, como deverá ter direito a algum tempo de antena na transmissão televisiva. Ou seja, o patrocinador ou patrocinadores vão ter o seu destaque numa das provas mais populares do ciclismo mundial.

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18 de outubro de 2018

O Gladiador quer estar no Paris-Roubaix 20 anos depois de o ter ganho

(Fotografia: Eric Houdas/Collection personnelle/Wikimedia Commons)
Muito se tem falado no ciclismo como a idade já não tem o peso de outros tempos. A culpa é, em grande parte, de um senhor chamado Alejandro Valverde, que aos 38 anos ganha como poucos e até foi campeão do mundo pela primeira vez em 2018. Temos ainda como exemplo recente um Chris Horner que aos 41 anos (quase 42) venceu uma Volta a Espanha (2013). A longevidade com resultados de alto nível é algo que começa a tornar-se mais comum. Mas como será correr um Paris-Roubaix aos 52 anos? Andrea Tafi quer experimentar como forma de celebrar o 20º aniversário do "Inferno do Norte".

Quando se fala de especialistas em clássicas italianos, Tafi é um dos maiores. Chamavam-lhe o Gladiador. Vencedor de três monumentos, é o único daquele país a conseguir triunfos no Paris-Roubaix (1999) e Volta a Flandres (2002), tendo ainda uma Lombardia (1996). Tafi retirou-se em 2005, mas não deixou de pedalar e este ano até participou numa corrida húngara, com classificação 1.2 da UCI, tendo terminado na 37ª posição. Foram 157,6 quilómetros a 48 quilómetros por hora de média. "Senti-me bem e alguém perguntou-me porque não fazia novamente o Roubaix", contou Tafi à Gazzetta dello Sport. Ficou lançado o desafio.

É o primeiro a falar numa "missão impossível", mas está disposto a fazer tudo para a tornar possível. Já contactou a UCI devido ao passaporte biológico e também começou a conversar com algumas equipas sobre a possibilidade de o contratarem apenas para o Paris-Roubaix. Tafi não está a pensar num regresso, apenas em correr o monumento que venceu há 20 anos, representando então a Mapei-Quickstep. Foi a 11 de Abril de 1999, com a prova de 2019 a estar agendada para 14 de Abril. "Tive contactos em Itália e Bélgica, mas não [de equipas] do World Tour. Ainda não há nada de concreto até agora", afirmou.

Entre as equipas Profissionais Continentais convidadas para participar no monumento, as italianas têm ficado de fora, com a escolha a recair mais entre as francesas e belgas. Mesmo sendo apenas por uma corrida, o Paris-Roubaix é uma das mais mediáticas, pelo que foi questionado porque haveria uma equipa contratar um ciclista de 52 anos. "Porque eu tenho a mesma mentalidade e motivação de há 20 anos. Não quero certamente um circo. Quero dedicar-me a 110%. Não tenho medo", salientou Tafi.

Acrescentou que, naturalmente, os mais jovens terão mais ritmo, mas disse que continua a fazer 18 a 19 mil quilómetros todos os anos e pesa entre 79 e 80 quilos. "Sei ao que vou. Espero não fazer um figura ridícula", afirmou, garantindo que está "calmo e sereno". "Deixem-me sonhar", apelou.

Certo é que Tafi conseguiu desde já uma grande atenção mediática e está decidido em treinar para estar no Paris-Roubaix de 2019. Falta saber se conseguirá cumprir os requisitos da UCI e, principalmente, se consegue que uma equipa o receba por um dia. Caso não consiga, assegurou que irá estar sempre presente, mas na prova para amadores.

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