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6 de abril de 2018

Sexto ciclista da Funvic com controlo positivo

A equipa que chegou a ser do escalão Profissional Continental, com planos de se transformar numa referência do ciclismo brasileiro e assim abrir portas aos seus corredores ao mais alto nível, continua a debater-se com grandes problemas de credibilidade. A Funvic regressou ao estatuto de amador, mas voltou a ser notícia pelas piores razões, com mais um dos seus ciclistas a ser apanhado nas malhas do doping. A lista continua a crescer e já são seis em menos de dois anos.

O mais recente é Roberto Silva, brasileiro de 35 anos e que recentemente participou na Volta ao Uruguai, ganha pelo companheiro Magno Nazaret. Segundo o site Ciclo 21, Silva foi suspenso pela UCI devido ao uso de substâncias dopantes, ainda que não tenham sido especificadas. Também não foi referido quando foi realizado o teste que deu positivo. O nome de Silva junta-se assim a Alex Diniz, Otavio Bulgarelli, Kleber Ramos, João Gaspar e Ramiro Rincón Díaz.

Estes dois últimos casos remontam à Volta a Portugal de 2016. O brasileiro abandonou à quinta etapa, enquanto o colombiano viria a ser o rei da montanha. Este processo ainda decorre e caso venha a ser confirmado o positivo, Rincón pode perder a camisola azul, com Joni Brandão, então na Efapel, a ter terminado em segundo naquela classificação. De recordar que a equipa brasileira chegou mesmo a cumprir uma suspensão de 55 dias  no ano passado, devido à reincidência de casos positivos em menos de um ano.

No que diz respeito a ciclistas portugueses, André Cardoso continua suspenso provisoriamente à espera da conclusão do processo. O ciclista de Gondomar deu positivo por EPO, num resultado anunciado a poucos dias da Volta a França de 2017 (27 de Junho), corrida que se preparar para competir pela primeira vez na carreira, ao lado de Alberto Contador. O contrato com a Trek-Segafredo era de apenas um ano, tendo terminado em Dezembro. Cardoso tem 33 anos e há cinco que estava no World Tour, quatro na estrutura da Cannondale. Antes esteve três temporadas na Caja Rural, enquanto em Portugal destacou-se ao serviço da equipa de Tavira. 

O jovem Rui Carvalho (22) está a cumprir uma suspensão de quatro anos pelo uso de esteróides anabolizantes durante a Volta a Portugal do Futuro, em 2015. O castigo termina a 17 de Julho do próximo ano. Mais cedo poderá ser o regresso de Daniel Silva (32 anos). Suspenso pela ADoP (Autoridade Antidopagem de Portugal) por 24 meses, por um acto considerado negligente, o antigo ciclista da Rádio Popular-Boavista - que assinou pela Funvic em 2017, mas nunca chegou a correr pela equipa brasileira -, poderá voltar à competição no próximo 1 de Maio.

Além de André Cardoso, há outro caso mediático que aguarda por uma solução final. Samuel Sánchez acusou uma hormona de crescimento pouco antes do arranque da Volta a Espanha. Porém, numa altura em que o espanhol ponderava terminar a carreira precisamente na Vuelta, a suspensão provisória acabou por precipitar essa decisão. Sánchez tem 40 anos.

»»Doping. Futura equipa de Daniel Silva suspensa até Fevereiro««

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8 de dezembro de 2017

Tudo por Contador, muito por Degenkolb e uma época feita no Angliru

A despedida de Contador acabou por marcar a época da equipa
(Fotografia: Facebook Trek-Segafredo)
Se há equipa que pode dizer que pouco ou nada correu como gostaria em 2017 é a Trek-Segafredo. A saída de Fabian Cancellara permitiu alguma folga financeira para reforçar a equipa com ciclistas de qualidade, com John Degenkolb a ter a missão de fazer esquecer o suíço nas clássicas. Claro que houve uma outra aposta que se sabia que seria a curto prazo, dois anos no máximo, mas que colocaria a equipa novamente a ser muito falada na Volta a França e não só. O efeito Alberto Contador começou pelo mediatismo e acabou com uma grande vitória no Angliru. Mas pelo meio houve muita desilusão. A formação americana reforçou-se ainda com dois portugueses. André Cardoso dava garantias que o espanhol teria um bom homem trabalho a seu lado, enquanto Ruben Guerreiro chegou ao World Tour com o estatuto de um dos ciclistas a seguir com atenção.

Começando pelos portugueses. O jovem Ruben Guerreiro, agora com 23 anos, começou 2017 em grande no Tour Down Under, na Austrália. Não quis esperar para se mostrar e aproveitou a primeira oportunidade que lhe foi dada. Bons resultados nas primeiras etapas, liderou a classificação da juventude, tendo acabado em terceiro e 18º na geral. Infelizmente para Ruben Guerreiro, um problema nos dentes estragou-lhe o início de época. Ainda esteve na Volta ao Algarve, mas nem terminou e teve mesmo de parar cerca de um mês. A Trek-Segafredo não pressionou o seu jovem talento e o ciclista foi recuperando a forma. Foi nono na Volta à Bélgica e quase ganhou uma etapa. No regresso a Portugal saiu com o título de campeão nacional de elite, na primeira vez que participou na corrida neste escalão. Novos problemas de saúde afastaram-no da Volta à Polónia e dos Europeus e até final do ano o destaque vai para o sexto lugar na Bretagne Classic-Ouest-France . É caso para dizer que foi um arranque no World Tour "aos soluços", mas com tempo para mostrar um pouco da sua qualidade. Um dos objectivos para o próximo ano será certamente alcançar uma maior regularidade, pois Guerreiro mantém intacto o estatuto de ciclista a seguir.

Experiência não faltava a André Cardoso e Alberto Contador preparava-se para ter mais um português ao seu lado, depois de anos com Sérgio Paulinho como fiel escudeiro. O ciclista de Gondomar - que desenhou o circuito dos Nacionais no qual Guerreiro se sagrou campeão - preparava-se para cumprir um sonho de carreira: estar na Volta a França. Cardoso parecia estar num bom momento de forma, realizando um Critérium du Dauphiné promissor. Foi 19º e esteve sempre perto do seu líder. Porém, a poucos dias do arranque do Tour, sai a notícia que o ciclista tinha dado positivo por EPO num teste anti-doping. Foi suspenso preventivamente e num caso que se prolonga desde Junho, continua-se sem saber o futuro de André Cardoso. Surgiram notícias que a contra-análise teria sido negativa, o que ilibaria o português. Contudo, oficialmente mantém-se o silêncio.

Ranking: 5º (7934 pontos)
Vitórias: 18 (incluindo uma etapa no Tour e na Vuelta e o título nacional de Ruben Guerreiro)
Ciclista com mais triunfos: Mads Pedersen (5)

Regressando ao início da temporada, a Trek-Segafredo queria continuar a apostar forte nas clássicas, mesmo já não contando com uma das maiores estrelas da última década. Degenkolb optou por mudar de ares para tentar recuperar uma alegria que parecia difícil de reaparecer depois de quase ter perdido um dedo num atropelamento durante a pré-época, quando estava na então Giant-Alpecin (actual Sunweb). Apareceu com vontade de voltar às grandes vitórias e continuar a somar monumentos, depois da Milano-Sanremo e Paris-Roubaix em 2015. Mas este Degenkolb não é o mesmo. Esteve sempre na discussão, é certo, terminou nos primeiros lugares nas principais clássicas em que participou, no entanto, faltou-lhe sempre o que um responsável chamaria de "instinto matador" que Cancellara tinha.

Degenkolb mostrava-se competitivo, mas naquele instante que acabaria por ser decisivo para o resultado da corrida, o alemão jogava sempre à defesa e nunca se saiu bem. Esteve discreto no Tour, abandonou na Vuelta e em Setembro colocou um ponto final na temporada de forma a fazer exames médicos e recuperar de um problema de saúde que o estava a limitar. Degenkolb somou uma vitória em 2017, numa etapa à Volta ao Dubai, a 2 de Fevereiro. Muito pouco para um ciclista do seu nível.

A Trek-Segafredo não teve só Degenkolb a render pouco. Giacomo Nizzolo realizou uma época para esquecer, de Fabio Felline e Jasper Stuyven também se esperava bem melhor. Era altura da equipa se concentrar nas grandes voltas, na esperança que as grandes vitórias chegassem.

Remetido a segunda figura com a chegada de Contador, Bauke Mollema foi ao Giro como líder, pois no Tour teria de ajudar o espanhol. O holandês esteve muito bem. Terminou em sétimo e nas etapas de montanha esteve na discussão, mas naqueles momentos decisivos (novamente o problema das clássicas, mas com outro ciclista) foi perdendo segundos que lhe custaram um lugar bem mais interessante. A partir da Volta a Itália quase só se falou de Contador na Trek-Segafredo. A equipa deixou o ciclista fazer o calendário que quis e a preparação que preferiu. Expectativas altas, mas mesmo numa equipa em que não tem um patrão que mais parecia um inimigo - Oleg Tinkov -, o espanhol não conseguiu estar ao nível necessário para seguir Chris Froome, Romain Bardet e os restantes favoritos. Tentou a etapa sem sucesso, ficando em nono na geral. É um top dez de sabor amargo para Contador. Salvou-se Mollema que deu uma etapa à formação americana.

Restava a Vuelta. Sim, porque nesta altura o espanhol já tinha anunciado que não renovaria o contrato por mais um ano, como a Trek-Segafredo pretendia. Até haveria planos de levar Contador ao Giro e à Volta a Espanha em 2018. O ciclista considerou que tinha chegado o momento do adeus. Agora é que era mesmo tudo por Contador. Na terceira etapa o objectivo da geral terminou, mas o ciclista lutou para que a sua última grande volta tivesse um significado bem mais memorável. Acabou por ser uma das figuras da corrida e aquele dia no Angliru foi épico. Um derradeiro disparo de El Pistolero, que não só permitiu uma despedida como Contador merecia, mas como acabou por quase fazer a temporada da Trek-Segafredo. Apenas uma vitória em 2017 sabe a tão pouco, mas pelo menos foi uma para a posteridade. Um dos grandes ciclista da história da modalidade saiu de cena, num momento que marcou o ano.

A aposta em dois ciclistas não compensou como se esperaria e não ajudou o sub-rendimento de outros. Por outro lado, Jarlinson Pantano acabou por estar muito preso na ajuda ao líder e o colombiano dá mostras que pode render mais se tiver liberdade, que poderá chegar em 2018. A boa notícia chamou-se Mads Pedersen. Este dinamarquês tem apenas 21 anos e é outro ciclista a seguir, como Ruben Guerreiro. Participou no Giro e numa ou outra corrida mais importante para ganhar experiência, mas depois foi sendo aposta numas menos mediáticas, ganhando quatro. Também ele é campeão nacional.

E para o próximo ano, Gianluca Brambilla irá reforçar a estrutura das três semanas, mas há outro ciclista que tem gerado curiosidade e a ver vamos se confirma o seu potencial na Trek-Segafredo, depois de duas épocas na Cannondale-Drapac. O letão Toms Skujins poderá ser importante para as clássicas, além de também ter valor para as corridas por etapas.

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29 de julho de 2017

As renovações mais do que merecidas

Ainda antes da abertura do mercado de transferências três dos ciclistas portugueses no World Tour viram a sua situação contratual resolvida, dando-lhes assim tranquilidade para o que resta da temporada. Foi precisamente essa a palavra utilizada por José Gonçalves quando chegou a acordo com a Katusha-Alpecin, sendo expectável que Tiago Machado e agora Nelson Oliveira sintam o mesmo. A Movistar anunciou esta sexta-feira a renovação de contrato, depois de um ano menos feliz para ciclista de Anadia. Tem apenas 28 anos, mas já está há sete no principal escalão e a equipa espanhola sabe que tem um excelente valor que ainda pode render muito, principalmente no contra-relógio e na ajuda preciosa aos líderes da equipa.

"Oliveira teve um rendimento notável, tanto na sua faceta de especialista de contra-relógio individual - campeão nacional, sétimo nos Jogos Olímpicos no Rio, quarto no último Europeu -, como no trabalho de equipa." As palavras escritas no site da Movistar não são apenas de circunstância. 2017 ficou marcado pela queda no Paris-Roubaix que o tirou da competição durante dois meses e muito provavelmente lhe custou a Volta a França. Porém, Nelson Oliveira tem demonstrado ao longo dos dois anos em que está na Movistar como é um homem importante na estrutura. No Tour do ano passado cumpriu os objectivos que lhe foram delineados, ainda que os resultados da equipa acabassem por não serem os desejados. Mas não foi por culpa de Nelson Oliveira. Este ano espera-se que esteja de regresso à Vuelta, está nos pré-convocados, e sem Quintana e Valverde, a ver vamos o que será pedido do ciclista português.

Em Junho teve um incidente nos Nacionais, quando não partiu para o contra-relógio por desconhecimento da mudança da hora de partida. Ou seja, Nelson Oliveira bem está a precisar de uma injecção de moral para a restante temporada e a renovação de contrato pode muito bem ser o impulso que o português precisava para aparecer mais motivado. A tranquilidade só joga a favor de quem sabe que irá continuar ao mais alto nível em 2018.

No próximo ano, Portugal terá também no World Tour Nuno Bico (Movistar), Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) e Rui Costa (UAE Team Emirates), todos com contrato até 2018. Já as grandes dúvidas chamam-se André Cardoso e José Mendes. No primeiro caso, ainda se espera por saber o resultado da contra-análise, depois de dias antes do Tour André Cardoso ter sido notificado que tinha acusado EPO. Já José Mendes alimenta o desejo de se manter na Bora-Hansgrohe, estrutura que tem sido a sua casa há cinco anos. Recentemente, o ciclista afirmou ao Volta ao Ciclismo que a renovação é um assunto que não consegue deixar de pensar.

Com a subida ao World Tour e com a expectativa de crescimento da equipa, para José Mendes seria excelente se continuasse a ter espaço na equipa alemã. Ninguém questiona a sua lealdade para com os líderes e como cumpre à risca o que lhe é pedido. Foi ao Giro e mantém-se a expectativa para ir à Vuelta. Se não houver novidades até lá, é muito possível que José Mendes jogue a sua permanência na equipa em Espanha, numa missão que não se adivinha nada fácil, mas o português nunca foi de virar a cara a um desafio.

Alguém se junta ao grupo português no World Tour?

O contingente luso no principal escalão do ciclismo tem vindo a crescer nos últimos anos. Em 2017 perdeu-se Sérgio Paulinho (regressou a Portugal para a Efapel), mas entraram José Gonçalves, José Mendes e os jovens Nuno Bico e Ruben Guerreiro. Quem se segue?

Potencial há, mas daí a conseguir um contrato com uma das equipas do World Tour vai uma grande distância. Nuno Bico, por exemplo, foi uma das surpresas de final do ano quando anunciou que iria para a Movistar, provando como há certas negociações que ficam em segredo e demoram a ser concluídas. Não é possível prever com exactidão, mas também não restam dúvidas que actualmente quatro nomes geram alguma curiosidade e interesse. Os gémeos Oliveira encabeçam esta curta lista. Com o talento que lhes é cada vez mais reconhecido e com a ajuda de Axel Merckx numa Axeon Hagens Berman que tantos jovens tem levado para o World Tour, tanto Rui como Ivo podem ter um futuro muito (mas mesmo muito) risonho. Porém, não deverá acontecer já em 2018. Estando na equipa que é considerada a melhor de formação, o mais provável é ficarem por lá pelo menos mais um ano, enquanto vão despertando ainda mais o interesse de grandes equipas. Assim também podem aprimorar a passagem que estão a fazer da pista para a estrada, ainda que sem esquecer a vertente que os levou à ribalta. Ruben Guerreiro fez esse percurso e agora está na Trek-Segafredo.

Em Portugal há um ciclista que entrou definitivamente na retina dos olheiros. Amaro Antunes teve um início de temporada fenomenal. Mostrou-se em Espanha e até frente a Nairo Quintana. Venceu no alto do Malhão, numa Volta ao Algarve que agora pertence à segunda categoria mundial. Na W52-FC Porto conseguiu projectar internacionalmente uma qualidade que há muito lhe era reconhecida em Portugal. Aos 26 anos parece estar no ponto para "dar o salto", sendo certo que ainda tem margem para progredir. Quem bem que o algarvio ficaria ao lado de qualquer grande líder do ciclismo mundial.

Em Espanha está Rafael Reis. Tem tido uma carreira marcada por altos e baixos e este ano começou bem, mas uma queda estragou-lhe algumas semanas na Caja Rural. Apareceu bem nos Nacionais, ainda que tenha perdido o contra-relógio para Domingos Gonçalves. Contudo, tem dado indicações que está novamente a subir de forma, provavelmente a pensar em cumprir um dos seus objectivos de temporada: ser chamado para a Vuelta. Se conseguir um lugar no nove da Caja Rural, será a montra perfeita para se mostrar. No entanto, não seria surpresa se fizesse mais um ano na formação espanhola (Profissional Continental), que serviu recentemente de rampa de lançamento para José Gonçalves e também para André Cardoso. A qualidade e o talento estão lá, mas falta um "clique" para que Rafael Reis demonstre como pode estar a um nível muito mais elevado. Lá está, pode ser que esse "clique" aconteça na Vuelta.



3 de julho de 2017

Jan Ullrich, o ostracizado

Há 20 anos Ullrich conquistou o seu único Tour e recordou o feito
nas redes sociais (Fotografia: Facebook Jan Ullrich)
Ninguém o quer ver ligado à Volta a França. Muitos nem ao ciclismo. Por vezes até parece que ninguém se quer recordar que Jan Ullrich existe e que foi um vencedor do Tour. Com a corrida a começar este ano na Alemanha, bem tentaram ignorar Ullrich, mas muito se falou dele nestes dias. Não se querem lembrar dele, mas a verdade é que não esquecem que ele é um dos rostos do doping de uma era negra da modalidade. Provavelmente não ajuda ter Lance Armstrong a sair em sua defesa, criticando a ASO por não ter convidado o alemão para a partida. Dado o crédito do americano...

Jan Ullrich chegou a estar afastado da vida pública precisamente para não ter de lidar com o constante recordar de ser um dos ciclistas que confessou o recurso a doping, depois de tanto dizer que era mentira. O alemão foi uma das figuras do ciclismo nos anos 90 e no início do século. Venceu um Tour e uma Vuelta, foi campeão olímpico e era uma das principais figuras da modalidade no seu país. Os seus embates com Marco Pantani e depois com Lance Armstrong - com o americano acabou por somar mais derrotas do que vitórias - entraram para a história da modalidade. Agora são varridos para debaixo do tapete, com esperança que lá fiquem esquecidos.

Quando o escândalo rebentou, Ullrich passou de herói à razão pela qual a Alemanha virou as costas ao ciclismo, de tal forma que a televisão estatal chegou a deixar de transmitir o Tour. Não foi o único a admitir o recurso ao doping, mas parece estar algo isolado no que diz respeito em ser perdoado, ou pelo menos recordado por algumas das coisas bonitas que fez, como acontece por exemplo com Erik Zabel. A prática do doping foi demasiado grave. Em Maio, Ullrich parecia que iria seguir os passos de outros ciclistas que apesar de também terem caído em desgraça, lá foram conseguindo voltar à modalidade com outros papéis. Foi nomeado director desportivo da Volta à Colónia, mas quatro dias depois demitiu-se, não aguentando as constantes críticas vindas principalmente dos meios de comunicação social.

A ASO, organizador do Tour, ostracizou Ullrich. Não há evento algum que receba um convite e nem o Tour arrancar em Düsseldorf no ano em que se celebra o 20º aniversário da sua vitória na Volta a França fez os responsáveis da corrida mudar de ideias. O antigo ciclista resolveu experimentar algo que admitiu nunca ter feito antes: ir ver ciclismo como um simples adepto, na berma da estrada. Adorou a experiência e adorou ver como os alemães reagiram à passagem do pelotão. "Sempre disse 'tragam o Tour, será um grande boom'", afirmou ao Bild. Ullrich disse que até recebeu um convite para estar na partida - não disse de quem -, mas que recusou porque a filha celebrava o 14º aniversário e queria que o pai estivesse com ela.

Agora com 43 anos, Ullrich contou ao jornal que há pessoas na Alemanha que continuam o recordá-lo pelo bom que fez no ciclismo. "Elas têm memórias boas [das vitórias e exibições]. Adoram ciclismo, como eu", salientou.

Apesar de ser uma das figuras ligadas à época negra do ciclismo, Jan Ullrich não teve problemas em falar da análise positiva de André Cardoso, conhecida dias antes da Volta a França começar: "É pena, mas é apenas um em 200 profissionais no pelotão. Há sempre uma ovelha negra, alguém que não percebe. Acontece nas melhores famílias."

De recordar que o ciclista português da Trek-Segafredo deu positivo por EPO, a substância de eleição precisamente na era de Ullrich. No entanto, foi pedida a contra-análise para então se confirmar ou não o positivo de Cardoso. Até lá, o corredor está suspenso preventivamente e não pôde participar pela primeira vez na carreira no Tour.

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30 de junho de 2017

Alberto Contador surpreendido com análise positiva de André Cardoso

(Fotografia: Kramon/Trek-Segafredo)
A poucas horas de começar a Volta a França, a Trek-Segafredo tenta mostrar-se forte, unida e inabalável depois da notícia que afastou André Cardoso do nove eleito. A análise positiva por EPO tirou a Alberto Contador um dos que iria ser um homem de confiança para a alta montanha e o espanhol não escondeu a surpresa. Já o director da equipa, Luca Guercilena, garantiu que os seus ciclistas estão focados no Tour e que Haimar Zubeldia, chamado à última hora para substituir o português, está pronto para ajudar o líder.

"Foi uma grande surpresa. Nunca pensei que algo como isto pudesse acontecer na nossa equipa", afirmou Alberto Contador durante a conferência de imprensa desta sexta-feira. O ciclista espanhol acrescentou: "A equipa é muito clara sobre este tipo de coisas. Temos uma política de tolerância zero sobre o doping, mas temos de esperar até ao final do processo. Não podemos controlar tudo dentro da equipa."

O resultado foi anunciado pela UCI na terça-feira, o que levou à suspensão imediata de André Cardoso. O corredor de Gondomar já pediu a contra-análise. Se der positiva, o ciclista poderá ser suspenso até quatro anos. De recordar que Alberto Contador também já esteve envolvido num caso de doping. Ficou conhecido como o "bife à Contador", pois o ciclista defendeu-se do positivo dizendo que tinha consumido um bife contaminado. A decisão final demorou, mas o espanhol acabou suspenso, tendo sido retirada a vitória no Tour de 2010 e no Giro de 2011, este último competiu enquanto esperava pela sanção.

Como se pode calcular, na Trek-Segafredo não se quer falar muito sobre o assunto até que seja conhecido o resultado da contra-análise, que André Cardoso pediu para ser realizada rapidamente. "Não vamos perder tempo a discutir isso. Estamos focados na corrida e em alcançar um bom resultado", realçou Luca Guercilena.

Quanto à chamada do veterano de 40 anos, Haimar Zubeldia, o responsável afirmou que a equipa, tal como as outras, tem os pré-convocados e mesmo depois de anunciar os eleitos, os excluídos ficam em stand-by para colmatar qualquer problema que possa levar a uma chamada tardia. Ou seja, os 12 foram preparados para o Tour, o que significa que Zubeldia estará pronto para enfrentar a dura corrida.

Mas se os líderes não quiseram prolongar-se nas declarações sobre a situação de André Cardoso, já Koen de Kort não se poupou nas palavras e disse mesmo que a confirmar-se o positivo, nunca mais quer ver o corredor português. "Não consigo acreditar. Tenho esperança que a contra-análise seja negativa porque não consigo imaginar que se possa ser tão estúpido", disse ao Cycling News. O holandês mostra-se satisfeito pelos testes estarem a apanhar quem não respeita as regras, mas confessa os sentimentos mistos por se tratar de um colega de equipa que está em causa.

"Não podes ser tão estúpido e tomar EPO. Todos sabem que já não é possível porque os testes estão muito bons. Não é possível. Recorrer a qualquer doping é ridículo, mas à EPO é algo que me ultrapassa", disse.

Kort, que será um dos braços direitos de John Degenkolb nos sprints, recordou como em 2009 preferiu deixar o World Tour - estava na Astana - e ir para uma equipa de escalão inferior por não gostar do que estava a ver. Disse mesmo que chegou a estar desiludido com o ciclismo e que estar numa formação mais pequena acabou por ser decisivo para recuperar a confiança.

"Acredito que 99% do pelotão está limpo. Claro que ainda há alguns ciclistas por aí que não sabem, não se pode mudar... Esperemos que arranjem emprego fora do desporto. Se ele [André Cardoso] tomou realmente EPO, então espero nunca mais o ver." Palavras duras de Koen de Kort, mas para já, todos estão à espera do resultado da contra-análise.

Além das declarações de membros da Trek-Segafredo, Oleg Tinkov também não conseguiu ficar calado. Deixou insinuações através do Twitter que teria havido uma troca de sangue entre Cardoso e Contador... O russo não perde uma oportunidade para atacar o espanhol...

»»André Cardoso acusa EPO. Foi suspenso e diz adeus à Volta a França««

27 de junho de 2017

André Cardoso acusa EPO. Foi suspenso e diz adeus à Volta a França

André Cardoso preparava-se para viver um sonho que há muito ambicionava realizar: estar na Volta a França. Seria a sua estreia, sendo que teria o papel de estar ao lado de Alberto Contador. Porém, a UCI divulgou hoje que o ciclista português testou positivo a substância Eritropoetina, mas conhecida por EPO. Foi suspenso, numa decisão já confirmada pela sua equipa, Trek-Segafredo.

Segundo o comunicado da União Ciclista Internacional (UCI), a amostra em causa foi recolhida fora da competição, a 18 de Junho, uma semana depois de André Cardoso ter terminado na 19ª posição o Critérium du Dauphiné. Nessa corrida, o gondomarense mostrou que poderia ser um ciclista importante na ajuda a Alberto Contador na Volta a França, que começa no sábado.

O ciclista já pediu a contra-análise, mas irá ficar suspenso até ser conhecido o resultado. Se se confirmar o positivo, André Cardoso arrisca uma pena pesada. Recentemente, a UCI suspendeu Giampaolo Caruso por dois anos. O italiano também testou positivo por EPO, num caso que acabou por se arrastar durante cinco anos.

"É com um profunda desilusão que acabámos de ser informados que o nosso ciclista, André Cardoso, testou positivo uma substância proibida. De acordo com a nossa política de tolerância zero, ele foi imediatamente suspenso", lê-se no comunicado da Trek-Segafredo. A equipa escreve ainda que irá agir de acordo com os detalhes que receber. Se a contra-análise for positiva, o mais provável é que André Cardoso veja o seu contrato ser terminado, como normalmente acontece nestas situações.

Depois de quatro anos na estrutura da actual Cannondale-Drapac, André Cardoso (32 anos) mudou-se para a outra formação americana. Na Trek-Segafredo, o português teve sempre a ambição de conseguir ser um dos homens de confiança de Alberto Contador no Tour. Na antiga equipa participou em sete grandes voltas, quatro Vueltas e três Giros. Apesar de ser sempre um ciclista de trabalho, o pior resultado de Cardoso na geral foi o 25º lugar na Vuelta de 2015. O melhor foi o 14º na Volta a Itália do ano passado. Em 2011, ao serviço do Tavira, André Cardoso venceu uma etapa na Volta a Portugal, na chegada à Torre. No domingo, o ciclista esteve na sua terra a competir nos Nacionais. Foi ele quem desenhou o percurso da prova de estrada em Gondomar. Acabou por abandonar, pois ao perder contacto com a frente da corrida começou a pensar em poupar forças para o Tour. O vencedor foi o seu colega de equipa, Ruben Guerreiro.

A Trek-Segafredo chamou o veterano espanhol Haimar Zubeldia (40 anos) para substituir o André Cardoso na equipa para o Tour.

Eritropoetina (EPO) ajuda a aumentar a produção de glóbulos vermelhos no sangue. Tal permite que mais oxigénio chegue aos músculos, o que contribui para uma melhor performance desportiva. Esta substância tem sido a mais falada em casos de doping no ciclismo nas décadas de 80 e 90 e também no início do século.

André Cardoso pede que não o julguem demasiado rápido

Entretanto, o ciclista português já reagiu à informação da UCI. Numa mensagem escrita em inglês na sua página de Facebook, André Cardoso nega ter recorrido à EPO e pediu que a contra-análise seja feita o mais rapidamente possível.

"Estava ansioso para dar o meu melhor pela equipa e por mim no Tour. Acredito num desporto limpo e sempre agi como um atleta limpo, mas tenho a noção que as notícias colocam uma nuvem negra não só sobre mim, mas também no desporto e na equipa, colegas e staff", lê-se no texto que publicou.

Cardoso afirma ainda estar consciente que será visto como culpado, realçando que está devastado pela notícia. "Nunca tomei substâncias ilegais", frisou. Acrescentou: "Espero que aqueles que me conhecem, que confiem em mim quando digo que estou inocente e que os meus colegas e fãs não me julguem demasiado rápido nesta altura tão difícil."

Leia em baixo a mensagem completa.


(Texto actualizado às 23:00 com a declaração de André Cardoso no Facebook.)

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25 de junho de 2017

"É especial ganhar pela primeira vez na Trek-Segafredo nos Nacionais"

Ruben Guerreiro "trocou" o título nacional de sub-23 pelo de elite. Na primeira vez que competiu nesta categoria vestiu a camisola que agora irá envergar no pelotão internacional, ao serviço da Trek-Segafredo. "Foi uma corrida bastante dura e eu cheguei quase sem energias. Os últimos metros foram muito duros, mas assim sabe muito melhor e todo o esforço foi recompensado", salientou ao Volta ao Ciclismo.

É um ano de estreias para o jovem ciclista que estava em Gondomar com a perspectiva de ajudar André Cardoso, mas as circunstâncias da corrida ditaram que fosse o corredor de Pegões Velhos a ficar na frente, enquanto o gondomarense, ao ficar para trás, começou a pensar na Volta a França e acabou por abandonar, curiosamente num circuito que ele próprio desenhou. "Eu nunca pensei ganhar os Nacionais, mas tentei chegar no meu melhor nível. A solução passava por formar uma equipa com André Cardoso. Eu queria ajudá-lo. Ele estava a correr em casa e com a ida à Volta à França seria um prémio justo se fosse campeão nacional", referiu Ruben Guerreiro.

Aos 22 anos, aquele que no início da temporada foi considerado um dos talentos a seguir na estreia no World Tour pelos meios de comunicação especializados, vai agora vestir de facto a camisola de campeão nacional porque enquanto sub-23 acabou por não ter a oportunidade. Na Axeon Hagens Berman - onde evoluiu durante dois anos sob a batuta de Axel Merckx - fez provas de elite e não do escalão em que era campeão. "Estou bastante orgulhoso. Vai-me dar bastante motivação. Ainda mais! Mas será também uma grande responsabilidade e tentarei representar bem o país com esta camisola", salientou o ciclista que sucede a José Mendes (Bora-Hansgrohe)

Ruben Guerreiro começou muito bem a temporada na Austrália, tendo chegado a liderar a classificação da juventude no Tour Down Under, além de dois top dez em etapas. Porém, problemas nos dentes do siso acabaram por afastar o ciclista das corridas. Abandonou na Cadel Evans Great Ocean Road Race e na quarta tirada da Volta ao Algarve a equipa resolveu que deveria recuperar devidamente do problema que o estava a limitar. "Estive dois/três meses para recuperar", recorda. Mas o pior já passou e na Trek-Segafredo a confiança é grande sobre o que Ruben Guerreiro pode vir a dar. "Nesta equipa sinto-me bastante acolhido. Eles gostam de jovens corredores e sempre confiaram em mim. É um orgulho estar nesta formação."

A conquista do título nacional é uma forma de também dizer aos responsáveis da equipa americana que está de novo bem e pronto para discutir vitórias. E a primeira vez que irá vestir a camisola de campeão será na Volta a Polónia, que começa na quinta-feira.

Mas antes haverá tempo para festejar e a seu lado estará o amigo Rafael Reis (Caja Rural) que foi segundo no contra-relógio e não terminou a corrida em linha. Tal como a corrida de sub-23, muitos ciclistas encontraram enormes dificuldades num percurso duríssimo e que fez com que 31 dos 52 corredores que alinharam à partida não terminassem a prova.

"Não é um percurso assim tão duro", destacou o autor, André Cardoso. Visto ser a sua terra foi convidado a escolher como seria a corrida em Gondomar. É a Cidade Europeia do Desporto em 2017 e, por isso, neste domingo houve mais dois eventos que até obrigaram Cardoso a excluir alguns locais. "Tínhamos de fazer um percurso que também prendesse estas pessoas que estão aqui para nos apoiar e não considero que tivesse uma dureza excessiva. Se comparámos com o de Braga [onde se realizaram os Nacionais em 2015 e 2016], no ano passado tivemos quatro mil de desnível e este ano tinha no máximo 3800", afirmou Cardoso ao Volta ao Ciclismo. Acabou mesmo por dizer, bem disposto a poucos dias de se estrear no Tour: "Não se pode agradar a todos."

Domingos Gonçalves perto da dobradinha

A corrida foi atacada desde cedo, mas houve muitas mexidas durante os 177 quilómetros. Domingos Gonçalves destacou-se e parecia que dificilmente perderia o que seria uma fantástica dobradinha, depois de na sexta-feira ter conquistado o título de campeão de contra-relógio. Porém, uma queda na última volta deitou tudo a perder e o grupo perseguidor reentrou na luta. Na complicada subida na Avenida Mário Soares, Ruben Guerreiro foi o mais forte no sprint que deixou Rui Vinhas e Ricardo Vilela a três segundos.

Apesar dos dois terem ficado desiludidos por ver o título ali tão perto, mas a "fugir" para Guerreiro, a verdade é que o segundo lugar é mais um excelente resultado para o ciclista da W52-FC Porto, numa altura em que se aproxima a Volta a Portugal, corrida que surpreendeu ao vencer em 2016. Quanto a Vilela, ainda não foi desta que venceu ao serviço da Manzana Postobón.

Fim de estrada para os Campeonatos Nacionais de 2017 e aqui fica a classificação da prova de elite e em baixo outros campeões nacionais já conhecidos (algumas corridas realizam-se segunda e terça-feira):

  1. Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), 4:36.25 horas
  2. Rui Vinhas (W52-FC Porto), a 3 segundos
  3. Ricardo Vilela (Manzana Postobón), m.t.
  4. José Gonçalves (Katusha-Alpecin), a 9
  5. Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 13
  6. António Carvalho (W52-FC Porto), a 24
  7. Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), a 32
  8. Tiago Machado (Katusha-Alpecin), a 2:46 minutos
  9. João Rodrigues (W52-FC Porto), m.t.
  10. César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack), m.t.
  11. Rafael Silva (Efapel), a 2:48
  12. Joni Brandão (Sporting-Tavira), m.t.
  13. Henrique Casimiro (Efapel), a 2:55
  14. David Rodrigues (W52-FC Porto), m.t.
  15. Joaquim Silva (W52-FC Porto), a 8:40
  16. Daniel Freitas (W52-FC Porto), m.t.
  17. Afonso Luís (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack), m.t.
  18. Sérgio Paulinho (Efapel), m.t.
  19. Rui Souda (Rádio Popular-Boavista), m.t.
  20. José Ferreira (W52-FC Porto), m.t.
  21. José Mendes (Bora-Hansgrohe), m.t.


Outros campeões:
  • Holanda: Ramon Sinkeldam (Sunweb)
  • Áustria: Gregor Mühlberger (Bora-Hansgrohe)
  • República Checa: Zdenek Stybar (Quick-Step Floors)
  • Eslováquia: Juraj Sagan (Bora-Hansgrohe)
  • Bélgica: Oliver Naesen (AG2R)
  • França: Arnaud Démare (FDJ)
  • Espanha: Jesús Herrada (Movistar)
  • Alemanha: Marcus Burghardt
  • Suíça: Silvan Dillier (BMC)
  • Polónia: Adrian Kurek (CCC Sprandi Polkowice)
  • Letónia: Krists Neilands (Israel Cycling Academy)


23 de junho de 2017

André Cardoso faz a sua estreia na Volta a França ao lado de Contador

(Fotografia: Trek-Segafredo)
Está confirmado. André Cardoso vai ser um dos homens ao lado de Alberto Contador no assalto à Volta a França. Depois de anos a ter Sérgio Paulinho como gregário, o líder agora da Trek-Segafredo vai contar com outro português. O ciclista de Gondomar tinha este objectivo quando trocou a Cannondale-Drapac pela outra equipa americana e vê agora realizado o seu desejo.

Cardoso tem tido uma época muito discreta, pois a sua preparação foi pensada para este momento da temporada. É praticamente o tudo ou nada para Contador voltar a conquistar o Tour, numa fase da carreira em que já poucos acreditam que seja capaz de bater Chris Froome ou Nairo Quintana (e agora também Richie Porte).

Ao contrário do que acontece com dois dos seus principais adversários, Contador irá dividir a liderança com John Degenkolb. A Trek-Segafredo tenta oferecer as melhores condições ao espanhol, mas não descura os sprints com o alemão, que terá a ajuda de Fabio Felline e Koen de Kort. Além de André Cardoso - que no Critérium du Dauphiné deu mostras de estar num bom momento de forma -, Contador terá a ajuda de Bauke Mollema e Jarlinson Pantano. O holandês vem de um Giro onde desiludiu um pouco, enquanto o colombiano pode muito bem ser o homem mais importante para o líder nas etapas de alta montanha. No entanto, Pantano quererá espreitar uma oportunidade para também deixar a sua marca pelo menos numa etapa. Michael Gogl e Markel Irizar completam o nove da Trek-Segafredo que deixou de fora o fiel amigo de Contador, Jesús Hernández. O espanhol esteve mal no Dauphiné e não mostrou estar ao nível necessário para ser a verdadeira ajuda que Contador tanto vai precisar.

A Trek-Segafredo está a realizar uma temporada aquém do desejado. Soma apenas cinco vitórias, passou ao lado das clássicas depois de Degenkolb não ter conseguido estar sequer na luta e agora aposta tudo no Tour com Contador, depois de Mollema não ter sido o líder que esperavam no Giro. Ainda assim, a formação americana não seguiu o exemplo da Sky que terá oito ciclistas a trabalhar para Froome, enquanto na BMC só Greg van Avermaet terá alguma liberdade, ainda que terá também ele o seu papel na ajuda a Porte.

Quanto a André Cardoso fará a sua oitava grande volta, mas será a sua estreia no Tour. Na estrutura da Cannondale-Drapac era normalmente opção para a Volta Itália ou Espanha. O português conta com 29 dias de competição, tendo o seu melhor resultado alcançado na Clássica Aldeias do Xisto quando, ao serviço ao selecção, terminou na sétima posição. Cardoso junta-se a Tiago Machado nos portugueses que vão ao Tour.

Dos principais candidatos, falta agora conhecer quem irá acompanhar Nairo Quintana na Movistar, além de Alejandro Valverde. Nelson Oliveira está nos pré-convocados.



11 de março de 2017

José Poeira juntou grupo de talento para representar a selecção na Clássica Aldeias do Xisto

É preciso aproveitar todas as oportunidades e José Poeira não quis desperdiçar a possibilidade de conseguir juntar um grupo de muita qualidade de jovens ciclistas, para assim os analisar na Clássica Aldeias do Xisto - que se realiza este domingo - já a pensar nas corridas da Taça das Nações e, claro, nos Europeus e Mundiais. Para estes últimos campeonatos ainda faltam uns meses, mas o seleccionador nacional diz que é preciso começar a trabalhar logo no início do ano para preparar ao pormenor a participação portuguesa nos vários escalões. Os gémeos Oliveira, André Carvalho, João Almeida e Daniel Viegas são os jovens que José Poeira vai aproveitar para ver e que espera que possam também de beneficiar da experiência de André Cardoso, Tiago Machado e Ricardo Vilela.

"Neste caso o interesse maior é pelos sub-23 porque são com eles que vamos trabalhando durante o ano em diferentes corridas da Taça das Nações. Por vezes é complicado juntá-los antes porque estão em diferentes equipas e vai ser interessantes vê-los este domingo", explicou José Poeira ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador valoriza o facto de ciclistas do World Tour - André Cardoso (Trek-Segafredo) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) - e de formações Profissionais Continentais - Ricardo Vilela (Manzana Postobón) - terem interesse em representar nesta fase da época a selecção: "É bom para eles, é bom para nós e é bom para a corrida, pois enriquece o pelotão e torna as coisas mais interessantes. Motiva toda a gente, pois são ciclistas que fazem a Volta a Itália ou a Volta a França e isso é importante para a corrida e para o ciclismo." Apesar do objectivo não ser lutar pela vitória, pois ver os como estão os ciclistas é o mais importante, José Poeira não afasta a possibilidade de algum dos seus corredores entrar na luta por um bom resultado.

Há que salientar que o grupo de potenciais ciclistas eligíveis para a selecção conta com alguns que estão em equipas nacionais, mas José Poeira disse que esses vão competindo nas suas formações. O seleccionador tenta aproveitar para ver aqueles que estão no estrangeiro, como João Almeida, por exemplo. O jovem de 18 anos assinou pela italiana Unieuro Trevigiani-Hemus 1896, do escalão continental, e José Poeira vai aproveitar para ver como está a evoluir o ciclista, agora que subiu ao escalão de sub-23.

Não conhecendo o trabalho que está a ser feito com João Almeida na formação transalpina, o seleccionador deixa o alerta: "Essas equipas, esses directores têm de ter cuidado, pois há que se ter a percepção que estão a lidar com um jovem que veio de júnior, onde a distância das corridas e o ritmo é diferente. Penso que essas pessoas têm a percepção que ciclistas como o João Almeida devem fazer corridas adequadas para a idade e não devem fazer muitas. Para se ter bons atletas, temos de saber trabalhar com eles nestas alturas das carreiras."

Quanto a Ivo e Rui Oliveira assinaram por uma das melhores equipas de formação, a americana Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, e José Poeira deixa elogios aos gémeos. "Eles devem muito à pista. São dotados de uma técnica e de uma experiência de domínio da bicicleta no pelotão. Estão a evoluir fisicamente, estão a melhorar nas subidas e já passam bem a média montanha, além de terem uma excelente ponta final. Para a idade que têm [20], em corridas de sub-23 dão bem conta de si e discutem os primeiros lugares", realçou.

Clássica Aldeias do Xisto para decidir o Troféu Liberty Seguros

Serão 140 quilómetros de sobe e desce, com o pelotão a começar na Aldeia da Barroca (Fundão) às 12:00 e com a meta colocada na subida de segunda categoria na Aldeia da Cerdeira (Lousã). Pelo meio haverá duas ascensões de terceira e uma de primeira que antecede a última subida do dia. E para fazer jus ao nome, a clássica passará pelas aldeias Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Casal Novo, Talasnal e do Candal.

O Troféu Liberty Seguros é liderado pelo jovem Francisco Campos (Miranda-Mortágua), em igualdade pontual com Amaro Antunes (W52-FC Porto), que foram os vencedores da primeira e segunda corrida respectivamente, ou seja, na prova de abertura Região de Aveiro e na Clássica da Arrábida. Dado o fantástico início de temporada que está a realizar, Amaro Antunes é o grande favorito à vitória tanto na corrida, como à conquista do troféu.




9 de fevereiro de 2017

André Cardoso: "Estar ao lado de um grande campeão [Alberto Contador] é um orgulho para mim"

(Fotografia: Trek-Segafredo)
A carreira de André Cardoso tem sido construída passo a passo. Vai subindo na escala de importância e confiança nas equipas por onde tem passado e este ano deu mais um passo ao optar pela Trek-Segafredo, preparando-se para ser um dos homens de confiança de Alberto Contador. O ciclista portuense, de 32 anos, não esconde como se sente motivado para a nova fase da carreira e antes de começar a temporada pela Trek-Segafredo, passou por Portugal para ganhar ritmo competitivo na Prova de Abertura Região de Aveiro, ao serviço da Selecção Nacional. No dia 15 será o momento de mostrar todo o seu valor no apoio a Contador na Volta à Andaluzia: "Espero fazer uma época ao mais alto nível, se possível, sempre ao lado do Alberto Contador."

Durante os estágios que já realizou, o último em altitude, André Cardoso teve tempo para conhecer o seu novo líder e só tem elogios. "É uma pessoa bastante simples, bastante humilde. É um campeão, mas não tem grandezas de campeão. É uma pessoa super acessível", salientou ao Volta ao Ciclismo. E o português não esconde: "Estar ao lado de um grande campeão é um orgulho para mim."


"Não escondo que, se surgir a oportunidade, gostava um dia de ganhar uma etapa no World Tour"

Depois de em 2011 ter ganho uma etapa e de ter terminado em segundo na Volta a Portugal, a 1:31 minutos de Ricardo Mestre - num ano em que o top dez foi 100% português - e por tudo o que já tinha demonstrado até esse momento, tornou-se inevitável a saída para o estrangeiro, com a Caja Rural a servir de trampolim para a chegada ao World Tour. Três anos na equipa espanhola abriram as portas da então Garmin Sharp. Entre 2014 e 2017, o portuense esteve ao lado de nomes como Ryder Hesjedal, Daniel Martin, Andrew Talansky, Rigoberto Uran e Pierre Rolland, para nomear apenas alguns.

André Cardoso sempre foi um homem de trabalho e foi conquistando a cada corrida, cada vez mais confiança dos seus líderes. No entanto, a agora Cannondale-Drapac não é a equipa mais ganhadora do World Tour e até no mundo do ciclismo até se fala que quando um corredor sai da equipa, começa a ganhar. Uma brincadeira é certo, mas será que podemos esperar ver um André Cardoso a tentar vencer corridas? "Não escondo que, se surgir a oportunidade, gostava um dia de ganhar uma etapa no World Tour", admitiu, mas rapidamente acrescentou: "Porém, estou focado no meu trabalho, estou focado em ser uma mais valia para o Alberto Contador."


"O Ruben Guerreiro já demonstrou que tem braveza e garra de campeão no Tour Down Under. Espero e acredito que ele vai fazer uma excelente época"

As primeiras semanas na nova equipa, também ela americana, "correram muito bem" e André Cardoso salientou a "excelente organização" da Trek-Segafredo, formação que este ano reforçou-se ainda com outro grande nome do ciclismo mundial: John Degenkolb. "Os estágios e o convívio com os companheiros de equipa têm sido excelentes. Espero que continue assim, até porque já temos algumas vitórias e isso dá-nos alguma tranquilidade", referiu. Bauke Mollema venceu a Volta a San Juan e Degenkolb conquistou uma etapa na Volta ao Dubai.

(Imagem: Trek-Segafredo)

O calendário de André Cardoso será, para começar, a Volta a Andaluzia (imagem em cima) - não estará assim na Volta ao Algarve, visto realizar-se na mesma data, de 15 a 19 de Fevereiro -, Paris-Nice (de 5 a 12 de Março) e Volta ao País Basco (de 3 a 8 de Abril).

O portuense não é o único português na Trek-Segafredo. Outra das contratações da equipa foi a jovem promessa, Ruben Guerreiro, e André Cardoso acredita que estamos perante um ciclista com potencial para vingar ao mais alto nível: "É o primeiro ano do Ruben numa equipa World Tour e já demonstrou que tem braveza e garra de campeão no Tour Down Under. Espero e acredito que ele vai fazer uma excelente época."

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16 de janeiro de 2017

O que esperar dos portugueses no World Tour

A lista vai aumentando. Portugal está cada vez mais na rota dos melhores olheiros mundiais e os ciclistas portugueses vão tendo oportunidades para se mostrarem ao mais alto nível. A maior referência dos últimos anos, Sérgio Paulinho, saiu, assim como Mário Costa, que optou por terminar a carreira, depois de ter estado ao lado do irmão, Rui Costa, na Lampre-Merida. Porém, em 2017 entram quatro novos ciclistas. José Gonçalves era um corredor que há muito se esperava que chegasse ao World Tour, o trabalho de José Mendes na Bora-Argon 18 foi recompensado com um contrato, numa altura em que a equipa resolveu subir de escalão. E depois teremos dois jovens de grande talento: Ruben Guerreiro e Nuno Bico.

O que podemos esperar dos oito portugueses que este ano estarão no World Tour?

André Cardoso (32 anos, Trek-Segafredo)
(Fotografia: Trek-Segafredo)
Depois de três anos na estrutura da Cannondale, o ciclista de Gondomar optou por um novo desafio. André Cardoso tornou-se numa peça importante na equipa americana, sendo um homem de confiança para os líderes da equipa, evoluindo ao lado de nomes como Rigoberto Uran, Ryder Hesjedal e Daniel Martin. No entanto, o ciclista português entendeu que estava na altura de mudar e provavelmente escolheu um excelente momento. 

Enquanto a Cannondale luta para conseguir alguma estabilidade, faltando à equipa resultados em provas importantes, André Cardoso assinou por uma equipa com uma confiança e bolsa renovada. A também americana Trek-Segafredo reforçou-se com grandes nomes como Alberto Contador e John Degenkolb.

André Cardoso deverá tornar-se num dos homens de trabalho do espanhol e as características do português poderão ser de grande importância para um Contador 100% concentrado em ganhar a Volta a França. Para Cardoso, um gregário por excelência, será o reconhecimento da sua qualidade e a oportunidade de estar ao lado de um dos melhores ciclistas do mundo. No entanto, sendo esse gregário de luxo, será difícil ver André Cardoso ter muitas oportunidades para mostrar que também ele pode conquistar uma vitória, já muito merecida, no World Tour. Os dois top 20 na Vuelta e um no Giro comprovam que é um ciclista que poderia ir mais longe. Mas o seu papel, de salientar novamente que será de grande importância, será estar ao lado do líder.

José Gonçalves (27 anos, Katusha-Alpecin)
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
É caso para dizer: até que enfim! Há algum tempo que esta entrada no World Tour por parte de José Gonçalves era aguardada. O ciclista esperou pelo momento que considerou ser o ideal. Depois de dois bons anos na francesa La Pomme Marseille e dois ainda melhores na Caja Rural (aquela Vuelta de 2015 será difícil de esquecer, na qual tanto lutou por uma etapa), o gémeo resolveu finalmente dar o salto, aproveitando o convite da Katusha-Alpecin, que agora tem como director José Azevedo.

O José Gonçalves de ataque, sempre a querer mostrar-se e lutar por uma vitória, poderá agora tornar-se num José Gonçalves mais trabalhador em prol de um líder. No entanto, o próprio admitiu, numa conversa com o Volta ao Ciclismo, que espera ter oportunidades na Katusha. Com apenas um ano de contrato, o ciclista português sabe que não há margem para erros se quiser manter-se no World Tour.

Uma coisa é certa: José Gonçalves é um lutador que não vira a cara a um desafio. Poderá não ter a liberdade que teve nas equipas por onde passou no passado, mas seria muito estranho se não o víssemos ao ataque, sempre que surgir uma oportunidade para tal... e tiver autorização.

José Mendes (31 anos, Bora-Hansgrohe)
(Fotografia: Bora-Hansgrohe)
Dificilmente 2017 poderia começar mais perfeito. Foram quatro anos de trabalho na estrutura Profissional Continental alemã, que no ano passado tinha o nome de Bora-Argon 18, que foram recompensados, justamente, com a subida com a equipa ao escalão máximo do ciclismo. E mais: José Mendes chega a este ponto alto da carreira vestindo a camisola de campeão nacional, de que tanto se orgulha. Mas os pontos positivos continuam. A agora Bora-Hansgrohe é desde já uma equipa muito popular, pois afinal conta com a grande estrela do ciclismo Peter Sagan e com um grupo de ciclistas de grande qualidade.

Na Volta a Espanha de 2016 José Mendes teve a oportunidade de liderar a equipa. Agora sabe que será mais difícil ter esse papel com a entrada de Rafal Majka e o regresso de Leopold König. No entanto, ao português espera um papel importante de apoio aos líderes. Precisamente por ser um ciclista muito regular e de confiança (cumpre à risca o que lhe é pedido), a equipa conta com ele para estar nos grandes momentos, quando os líderes mais precisarem.

O ciclista de Guimarães mostrou-se desde cedo entusiasmado por competir ao lado de algumas das principais figuras da actualidade no ciclismo, não se importando perder algum do estatuto que tinha até agora na equipa. Os objectivos são outros, mas nem por isso menos ambiciosos. Um deles é estar na Volta a Itália.

Nelson Oliveira (27 anos, Movistar)
(Fotografia: Movistar)
A expectativa para ver até onde pode ir Nelson Oliveira é grande. No ano passado foi notória a evolução do ciclista, principalmente no contra-relógio, a sua especialidade. Mas logo no primeiro ano na Movistar, Nelson Oliveira ganhou a confiança de Eusebio Unzué, com o director desportivo a colocá-lo na equipa na Volta a França, no apoio a Nairo Quintana. Foi dos poucos que pode dizer que cumpriu o seu trabalho como lhe foi pedido e ainda subiu ao pódio no contra-relógio.

Além dessa especialidade, Nelson Oliveira deverá ter novamente a oportunidade para se mostrar nas clássicas. Em 2016 caiu no Paris-Roubaix e acabou por ter de parar umas semanas. Porém, o ciclista português quer estar na luta por bons resultados nas provas de um dia e será de esperar vê-lo em boa forma em Março e Abril.

Ainda tem muita margem de progressão, pelo que a Movistar certamente que quererá explorar e trabalhar todas as qualidades de Nelson Oliveira, até porque perdeu alguns ciclistas importantes, o que abriu "vagas" para que o português assuma cada vez mais um papel de maior relevância na equipa espanhola.

Nuno Bico (22 anos, Movistar)
(Fotografia: Movistar)
Foi preciso esperar quase até ao final do ano para conhecer o destino de Nuno Bico. Mas a notícia não podia ter sido melhor: aos 22 anos chega ao World Tour e na Movistar, uma das equipas mais fortes do pelotão internacional. Um contrato mais do que merecido para um jovem de grande potencial e que em 2016 evoluiu na Klein Constantia, equipa de sub-23 da Etixx-QuickStep, que entretanto foi extinta. Não "subiu" à equipa belga, mas estará ao lado de Nelson Oliveira, o que também poderá ser muito importante para sua adaptação ao mais alto nível do ciclismo.

Nuno Bico tem tudo para ser uma aposta de futuro na Movistar e, por isso, é possível que não se veja muito do português em grandes corridas. O seu calendário apresenta para já a participação em troféus espanhóis. Eusebio Unzué claramente quer ter calma com Nuno Bico. Este primeiro ano será mais de aprendizagem, mas se tudo correr bem é possível que vá aos poucos sendo chamado para competições mais importantes.

Sendo um jovem com grande potencial principalmente para corridas de um dia, a Movistar terá esperança em formar um ciclista para essas provas (Valverde vai durando, mas eventualmente irá retirar-se). Porém,  Nuno Bico também já demonstrou potencial para corridas por etapas. Vamos ver como evolui um ciclista que promete.

Ruben Guerreiro (22 anos, Trek-Segafredo)
(Fotografia: Trek-Segafredo)
É considerado por alguns meios de comunicação da especialidade como um dos jovens a seguir em 2017. O campeão nacional de sub-23 aproveitou muito bem os dois anos que esteve na Axeon Hagens Berman, sob o comando de um Axel Merckx que tem um toque de Midas no que diz respeito em escolher jovens com talento e ajudá-los a chegar ao World Tour. No final da época teve um problema físico e perante o passo importante que se preparava para dar, houve grande preocupação em garantir que o ciclista recuperasse a 100%, não tendo ido aos Mundiais, por exemplo.

Ao contrário de Nuno Bico, Ruben Guerreiro vai ser desde logo aposta da Trek-Segafredo em provas importantes, a começar desde já pelo Tour Down Under, tendo também no seu calendário o Paris-Nice e a Volta à Califórnia. Estas corridas demonstram que a equipa americana vê o potencial que o ciclista tem para as provas por etapas, ainda que não seja de afastar que se o possa ver numa clássica.

Em conversa com o Volta ao Ciclismo, Axel Merckx afirmou que acredita que trabalhando, Ruben Guerreiro pode vingar no World Tour, tendo ainda muito a evoluir, como por exemplo fisicamente, sendo "um pouco frágil". No entanto, não tens dúvidas: "Ele é um dos maiores talentos que está aí."

Rui Costa (30 anos, UAE Abu Dhabi)
(Fotografia: Facebook de Rui Costa)
2017 poderá marcar uma nova fase na carreira de Rui Costa. Pela primeira vez vai fazer a Volta a Itália, deixando o Tour de ser o principal objectivo no que diz respeito a provas de três semanas. Depois de tanta incerteza quanto ao futuro da equipa, o campeão do mundo de 2013 revelou um discurso confiante, o que deixa também alguma expectativa para as clássicas, nomeadamente a sua preferida, a Liège-Bastogne-Liège que no ano passado Wout Poels "não o deixou" ganhar.

Não se sabe se aparecerá no Giro para lutar pela geral ou por etapas, mas tendo em conta que a equipa continua a ter o mesmo problema dos últimos anos - falta de ciclistas para ajudar de forma eficiente o seu líder durante toda a competição - não seria de estranhar se Rui Costa apostasse mais em tentar conquistar pelo menos uma etapa e inscrever assim o seu nome na 100ª edição da Volta a Itália, algo que a própria equipa deve desejar muito, pois terá também Diego Ulissi com esse objectivo.

Rui Costa está com "fome" de vitórias e com Louis Meintjes a ficar com o lugar de líder para o Tour, não significa que o português esteja em segundo plano, muito pelo contrário, tem uma oportunidade para procurar outras conquistas, já que continua a ser um dos "chefes-de-fila" da agora formação do Médio Oriente.

Tiago Machado (31 anos, Katusha-Alpecin)
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Renovou pela Katusha e irá começar o ano como líder no Tour Down Under. Porém, Tiago Machado irá manter em grande parte da temporada o seu papel de gregário e aguardar pelos momentos em que lhe for dada liberdade. É um ciclista que procura uma vitória no World Tour e mesmo sabendo que terá de trabalhar para um líder, Tiago Machado mantém a ambição de alcançar o objectivo, como ficou claro na última Volta a Espanha em que tentou através de fugas chegar a essa vitória.

A sua passagem pela Katusha, vai agora para a terceira época, tem sido marcada por uma clara conquista de maturidade. Pode ter perdido alguma daquela espontaneidade que o levavam a atacar em várias corridas - nem sempre na melhor altura, mas lá espectáculo sabia dar -, contudo, a sua evolução táctica é notória. Com alguma liberdade poderemos ver aquele Tiago Machado de ataque, mas na equipa agora liderada por José Azevedo, são as qualidades de gregário que mais têm sido exploradas e o português poderá assumir um papel importante talvez ao lado de Ilnur Zakarin.

E o próprio admitiu ao Volta ao Ciclismo um pormenor interessante: as suas melhores temporadas foram sempre quando teve um português ao seu lado. Terá José Gonçalves. Dois homens de ataque. Dois homens para o espectáculo. Só se poderá esperar (e desejar) que a Katusha lhes dê oportunidades para brilharem.

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