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25 de novembro de 2018

Crowdfunding para angariar dinheiro na luta de André Cardoso contra a UCI

André Cardoso procura angariar 250 mil euros para continuar a sua batalha contra a decisão da UCI em o suspender por quatro anos. O ciclista recorreu à plataforma GoFundMe para iniciar um crowdfunding e assim obter a necessária ajuda financeira para poder prosseguir a sua defesa, mas não só. "Esta é a minha tentativa de corrigir o que está errado e limpar não apenas o meu nome mas também garantir que isto não aconteça com outra pessoa", escreveu na sua página de Facebook.

Em Junho do ano passado, André Cardoso foi notificado de uma análise positiva por EPO (Eritropoetina). Foi suspenso provisoriamente, quando estava a poucos dias de competir na sua primeira Volta a França, ao lado de Alberto Contador, na Trek-Segafredo. Só há poucos dias o processo foi encerrado pela UCI, com uma pesada sanção de quatro anos de suspensão.

O ciclista, de 34 anos, não se conforma com a decisão, pois a contra-análise foi inconclusiva, ou seja, não confirmou o primeiro teste. Ainda assim, a UCI acabou por castigar André Cardoso, pois como o resultado foi considerado "atípico", ficou aberto a interpretação por parte do organismo. Cardoso considera que a UCI quis fazer dele um exemplo, mas recusa baixar os braços.

O próximo recurso é no Tribunal Arbitral do Desporto, mas, como é explicado no texto da página de crowdfunding, é necessário dinheiro para contratar advogados e prosseguir com o processo.

Com o título "André Cardoso vs the UCI" (contra a UCI), a página pode ser vista neste link, estando até ao momento da publicação deste texto angariados 2575 euros, dos 250 mil pretendidos.


17 de novembro de 2018

Luta pela inocência passará por angariar fundos para recorrer da suspensão

Desiludido com a decisão da UCI? Sim. Mas André Cardoso não está disposto a desistir de lutar por comprovar a sua inocência no caso de doping que o leva a enfrentar uma suspensão de quatro anos. Resta ao ciclista recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto e com a questão financeira em jogo, Cardoso quer angariar fundos para ter o dinheiro necessário de forma a continuar a batalha e tentar reverter uma sanção, que considera ter sido decidida para fazerem dele um exemplo.

"Tenho lutado contra isto há 16 meses, mas, desde o início, ficou claro que a UCI queria fazer de mim um exemplo para criar um precedente para sancionar atletas com a amostra A, ignorando o devido processo." Cardoso reagiu através de um comunicado à suspensão atribuída por ter testado positivo por EPO. O corredor tem sempre defendido a sua inocência. Apesar da contra-análise não ter confirmado o resultado da primeira e ter sido considerado "atípico", a UCI acabou por aplicar a pesada suspensão a André Cardoso.

"Estou a tentar não ficar furioso, mas esta confirmação é extremamente decepcionante", lê-se no comunicado. O ciclista questiona porque razão foi contratada "uma firma de advogados de topo e quase todos os especialistas médicos" - que até poderiam ajudar o próprio atleta - se o caso era, como a UCI defendia, muito claro. "Se fosse um caso simples, isto teria sido concluído rapidamente", disse.

Perante a decisão da UCI, resta a André Cardoso o Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça. Para poder recorrer da suspensão, será preciso dinheiro. "Neste momento tenho de considerar todas as minhas opções, mas pretendo angariar fundos para uma batalha legal e continuar a trabalhar para provar a minha inocência. Para mim, isto é uma discussão sobre equidade porque, a não ser que alguém tenha os recursos de um ciclista de topo, é impossível lutar."

Aos 34 anos, é assumido que a longa suspensão coloca um ponto final na carreira de André Cardoso. O ciclista de Gondomar foi informado do resultado da análise realizada fora de competição, quando se preparava para fazer a sua estrear na Volta a França, ao lado de Alberto Contador, na Trek-Segafredo. Já lá vão quase 17 meses. Um regresso à competição só poderá acontecer a 27 de Julho de 2021, se o atleta não conseguir que o seu recurso tenha sucesso.

Apesar da contra-análise não ter confirmado o primeiro teste, a UCI terá considerado que a EPO se tinha dissipado durante o tempo que separou as duas análises. André Cardoso pediu a um especialista anti-doping, Dowe de Boer, para investigar o que terá provocado o resultado inicialmente. "As autoridades de anti-doping estão a lutar uma dura batalha contra os verdadeiros infractores. Infelizmente, em todas as batalhas há vítimas inocentes. Essas vítimas também têm direitos e devem ter a oportunidade para provar a sua inocência e limpar os seus nomes", afirmou  De Boer, citado no comunicado do ciclista português.

E acrescenta: "Neste caso específico, há algumas razões para investigar a causa desta aparente infracção de doping. Uma investigação como esta requer tempo e esforço de todas as partes envolvidas." Para De Boer, há que fazer tudo para que se previna que existam vítimas inocentes nesta batalha contra o doping.

Leia o comunicado na íntegra.



15 de novembro de 2018

UCI anuncia longa suspensão para André Cardoso

Quase 17 meses depois a UCI finaliza o caso de André Cardoso. Entre um resultado anómalo, outro "atípico" e uma luta pela sua inocência - que o ciclista percebeu que seria desigual - o veredicto é de quatro anos de suspensão por, segundo o organismo, ter recorrido a EPO, ou Eritropoetina, a substância que marcou uma era negra da modalidade nos anos 90 (e não só). O tempo da sanção é o esperado, mas todo o processo levantou muitas dúvidas sobre a justiça, ou talvez a falta dela, das regras.

Uma rápida retrospectiva: André Cardoso é sujeito a um teste anti-doping a 18 de Junho de 2017, fora de competição, uma semana depois de ter terminado o Critérium du Daupuhiné na 19ª posição. Preparava-se para fazer a sua primeira Volta a França, no apoio a Alberto Contador, ao serviço da Trek-Segafredo, quando, quatro dias antes, a 27 de Junho, foi notificado do positivo por EPO, ou, mais concretamente, do resultado anómalo. Foi suspenso provisoriamente.

O ciclista defendeu desde logo a sua inocência, pedindo que fosse feita rapidamente a contra-análise para que o processo não se arrastasse. Mas o processo arrastou-se mesmo, já que o resultado dessa contra-análise não confirmou o da amostra A, mas também não o ilibou. O contrato com a equipa americana terminou no final de 2017, pelo que o ciclista ficou sem equipa. Agora, aos 34 anos, Cardoso terá de esperar até 27 de Junho de 2021 para regressar à competição, quando tiver quase 38 anos.

"O momento em que vi a UCI lutar contra mim com cinco especialistas e um grande advogado, foi o momento em que pensei: ok, se calhar isto é um mau sinal", disse Cardoso ao VeloNews, a 5 de Julho. Nesse dia, ao partilhar a entrevista no Facebook, escreveu: "No desporto não há uma luta justa contra o doping. Acima disso há sim, uma luta de conflito de interesses."

Apesar da contra-análise não ter confirmado o resultado do primeiro teste, ou seja, ter sido considerado um resultado "atípico", as regras da Agência Mundial Anti-Doping permitem que a UCI, no caso do ciclismo, possa prosseguir o processo contra o atleta. Para ficar impedida de o fazer, o resultado teria de sido classificado como negativo.

As regras abrem a porta para que o organismo possa socorrer-se do resultado do primeiro teste e eventualmente até pode nem precisar de nenhuma análise para sancionar um ciclista, se tiver testemunhas ou por admissão de culpa do atleta. O que não é o caso de Cardoso, nestas duas últimas hipóteses.

A UCI defendeu, segundo documentos citados pelo VeloNews, que entre a primeira análise e a contra-análise a presença de EPO dissipou-se nas amostras de André Cardoso. O ciclista de Gondomar fez-se representar por um advogado neste longo processo, mas a demora na resolução do caso e perante o resultado da contra-análise, o que aconteceu com o português acabou por se tornar em mais um exemplo da diferença de tratamentos entre ciclistas que são apanhados nas malhas da suspeita de doping. Principalmente na diferença de estatuto e poderio monetário.

À cabeça virá durante muito tempo o recente caso de Chris Froome. A batalha legal que se seguiu ao positivo por salbutamol foi feroz, numa equipa com poder económico para o fazer. Apesar de acusar muito mais do que outros ciclistas, como Diego Ulissi, por exemplo, Froome conseguiu que com a sua defesa, com a ajuda de estudos sobre a substância e da forma como é tratada neste tipo de testes, o seu caso fosse arquivado sem que recebesse qualquer sanção.

"Acho que isto já não é sobre doping. Agora sinto que é mais política. A UCI sabe que não sou uma estrela, que não sou milionário. Não tenho muito dinheiro para lutar. Eles não querem dizer que 'talvez o laboratório tenha cometido um erro' porque é mais fácil colocar-me fora do desporto", disse na citada entrevista.

E o dinheiro é um factor de diferenciação, pois logo naquela entrevista o ciclista disse que não teria capacidade financeira para recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto.

André Cardoso não deixou as bicicletas. É guia e até ao dia em que foi suspenso provisoriamente, era um trepador de respeito no pelotão World Tour. Tinha sete grandes voltas no currículo, todas pela equipa da Cannondale. Faltava-lhe a Volta a França e a Trek-Segafredo contratou o português como potencial gregário para Alberto Contador. O sonho estava prestes a concretizar-se.

Tudo termina com quatro anos de suspensão - tem sido o normal em casos que envolvem EPO -, conhecida 17 meses depois do anúncio da primeira análise.

(Pode ler aqui o curto comunicado da UCI, em inglês.)


6 de abril de 2018

Sexto ciclista da Funvic com controlo positivo

A equipa que chegou a ser do escalão Profissional Continental, com planos de se transformar numa referência do ciclismo brasileiro e assim abrir portas aos seus corredores ao mais alto nível, continua a debater-se com grandes problemas de credibilidade. A Funvic regressou ao estatuto de amador, mas voltou a ser notícia pelas piores razões, com mais um dos seus ciclistas a ser apanhado nas malhas do doping. A lista continua a crescer e já são seis em menos de dois anos.

O mais recente é Roberto Silva, brasileiro de 35 anos e que recentemente participou na Volta ao Uruguai, ganha pelo companheiro Magno Nazaret. Segundo o site Ciclo 21, Silva foi suspenso pela UCI devido ao uso de substâncias dopantes, ainda que não tenham sido especificadas. Também não foi referido quando foi realizado o teste que deu positivo. O nome de Silva junta-se assim a Alex Diniz, Otavio Bulgarelli, Kleber Ramos, João Gaspar e Ramiro Rincón Díaz.

Estes dois últimos casos remontam à Volta a Portugal de 2016. O brasileiro abandonou à quinta etapa, enquanto o colombiano viria a ser o rei da montanha. Este processo ainda decorre e caso venha a ser confirmado o positivo, Rincón pode perder a camisola azul, com Joni Brandão, então na Efapel, a ter terminado em segundo naquela classificação. De recordar que a equipa brasileira chegou mesmo a cumprir uma suspensão de 55 dias  no ano passado, devido à reincidência de casos positivos em menos de um ano.

No que diz respeito a ciclistas portugueses, André Cardoso continua suspenso provisoriamente à espera da conclusão do processo. O ciclista de Gondomar deu positivo por EPO, num resultado anunciado a poucos dias da Volta a França de 2017 (27 de Junho), corrida que se preparar para competir pela primeira vez na carreira, ao lado de Alberto Contador. O contrato com a Trek-Segafredo era de apenas um ano, tendo terminado em Dezembro. Cardoso tem 33 anos e há cinco que estava no World Tour, quatro na estrutura da Cannondale. Antes esteve três temporadas na Caja Rural, enquanto em Portugal destacou-se ao serviço da equipa de Tavira. 

O jovem Rui Carvalho (22) está a cumprir uma suspensão de quatro anos pelo uso de esteróides anabolizantes durante a Volta a Portugal do Futuro, em 2015. O castigo termina a 17 de Julho do próximo ano. Mais cedo poderá ser o regresso de Daniel Silva (32 anos). Suspenso pela ADoP (Autoridade Antidopagem de Portugal) por 24 meses, por um acto considerado negligente, o antigo ciclista da Rádio Popular-Boavista - que assinou pela Funvic em 2017, mas nunca chegou a correr pela equipa brasileira -, poderá voltar à competição no próximo 1 de Maio.

Além de André Cardoso, há outro caso mediático que aguarda por uma solução final. Samuel Sánchez acusou uma hormona de crescimento pouco antes do arranque da Volta a Espanha. Porém, numa altura em que o espanhol ponderava terminar a carreira precisamente na Vuelta, a suspensão provisória acabou por precipitar essa decisão. Sánchez tem 40 anos.

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»»Está a cumprir 12 anos de suspensão, mas quer voltar a competir aos 40. Nem que tenha de criar uma equipa««

8 de dezembro de 2017

Tudo por Contador, muito por Degenkolb e uma época feita no Angliru

A despedida de Contador acabou por marcar a época da equipa
(Fotografia: Facebook Trek-Segafredo)
Se há equipa que pode dizer que pouco ou nada correu como gostaria em 2017 é a Trek-Segafredo. A saída de Fabian Cancellara permitiu alguma folga financeira para reforçar a equipa com ciclistas de qualidade, com John Degenkolb a ter a missão de fazer esquecer o suíço nas clássicas. Claro que houve uma outra aposta que se sabia que seria a curto prazo, dois anos no máximo, mas que colocaria a equipa novamente a ser muito falada na Volta a França e não só. O efeito Alberto Contador começou pelo mediatismo e acabou com uma grande vitória no Angliru. Mas pelo meio houve muita desilusão. A formação americana reforçou-se ainda com dois portugueses. André Cardoso dava garantias que o espanhol teria um bom homem trabalho a seu lado, enquanto Ruben Guerreiro chegou ao World Tour com o estatuto de um dos ciclistas a seguir com atenção.

Começando pelos portugueses. O jovem Ruben Guerreiro, agora com 23 anos, começou 2017 em grande no Tour Down Under, na Austrália. Não quis esperar para se mostrar e aproveitou a primeira oportunidade que lhe foi dada. Bons resultados nas primeiras etapas, liderou a classificação da juventude, tendo acabado em terceiro e 18º na geral. Infelizmente para Ruben Guerreiro, um problema nos dentes estragou-lhe o início de época. Ainda esteve na Volta ao Algarve, mas nem terminou e teve mesmo de parar cerca de um mês. A Trek-Segafredo não pressionou o seu jovem talento e o ciclista foi recuperando a forma. Foi nono na Volta à Bélgica e quase ganhou uma etapa. No regresso a Portugal saiu com o título de campeão nacional de elite, na primeira vez que participou na corrida neste escalão. Novos problemas de saúde afastaram-no da Volta à Polónia e dos Europeus e até final do ano o destaque vai para o sexto lugar na Bretagne Classic-Ouest-France . É caso para dizer que foi um arranque no World Tour "aos soluços", mas com tempo para mostrar um pouco da sua qualidade. Um dos objectivos para o próximo ano será certamente alcançar uma maior regularidade, pois Guerreiro mantém intacto o estatuto de ciclista a seguir.

Experiência não faltava a André Cardoso e Alberto Contador preparava-se para ter mais um português ao seu lado, depois de anos com Sérgio Paulinho como fiel escudeiro. O ciclista de Gondomar - que desenhou o circuito dos Nacionais no qual Guerreiro se sagrou campeão - preparava-se para cumprir um sonho de carreira: estar na Volta a França. Cardoso parecia estar num bom momento de forma, realizando um Critérium du Dauphiné promissor. Foi 19º e esteve sempre perto do seu líder. Porém, a poucos dias do arranque do Tour, sai a notícia que o ciclista tinha dado positivo por EPO num teste anti-doping. Foi suspenso preventivamente e num caso que se prolonga desde Junho, continua-se sem saber o futuro de André Cardoso. Surgiram notícias que a contra-análise teria sido negativa, o que ilibaria o português. Contudo, oficialmente mantém-se o silêncio.

Ranking: 5º (7934 pontos)
Vitórias: 18 (incluindo uma etapa no Tour e na Vuelta e o título nacional de Ruben Guerreiro)
Ciclista com mais triunfos: Mads Pedersen (5)

Regressando ao início da temporada, a Trek-Segafredo queria continuar a apostar forte nas clássicas, mesmo já não contando com uma das maiores estrelas da última década. Degenkolb optou por mudar de ares para tentar recuperar uma alegria que parecia difícil de reaparecer depois de quase ter perdido um dedo num atropelamento durante a pré-época, quando estava na então Giant-Alpecin (actual Sunweb). Apareceu com vontade de voltar às grandes vitórias e continuar a somar monumentos, depois da Milano-Sanremo e Paris-Roubaix em 2015. Mas este Degenkolb não é o mesmo. Esteve sempre na discussão, é certo, terminou nos primeiros lugares nas principais clássicas em que participou, no entanto, faltou-lhe sempre o que um responsável chamaria de "instinto matador" que Cancellara tinha.

Degenkolb mostrava-se competitivo, mas naquele instante que acabaria por ser decisivo para o resultado da corrida, o alemão jogava sempre à defesa e nunca se saiu bem. Esteve discreto no Tour, abandonou na Vuelta e em Setembro colocou um ponto final na temporada de forma a fazer exames médicos e recuperar de um problema de saúde que o estava a limitar. Degenkolb somou uma vitória em 2017, numa etapa à Volta ao Dubai, a 2 de Fevereiro. Muito pouco para um ciclista do seu nível.

A Trek-Segafredo não teve só Degenkolb a render pouco. Giacomo Nizzolo realizou uma época para esquecer, de Fabio Felline e Jasper Stuyven também se esperava bem melhor. Era altura da equipa se concentrar nas grandes voltas, na esperança que as grandes vitórias chegassem.

Remetido a segunda figura com a chegada de Contador, Bauke Mollema foi ao Giro como líder, pois no Tour teria de ajudar o espanhol. O holandês esteve muito bem. Terminou em sétimo e nas etapas de montanha esteve na discussão, mas naqueles momentos decisivos (novamente o problema das clássicas, mas com outro ciclista) foi perdendo segundos que lhe custaram um lugar bem mais interessante. A partir da Volta a Itália quase só se falou de Contador na Trek-Segafredo. A equipa deixou o ciclista fazer o calendário que quis e a preparação que preferiu. Expectativas altas, mas mesmo numa equipa em que não tem um patrão que mais parecia um inimigo - Oleg Tinkov -, o espanhol não conseguiu estar ao nível necessário para seguir Chris Froome, Romain Bardet e os restantes favoritos. Tentou a etapa sem sucesso, ficando em nono na geral. É um top dez de sabor amargo para Contador. Salvou-se Mollema que deu uma etapa à formação americana.

Restava a Vuelta. Sim, porque nesta altura o espanhol já tinha anunciado que não renovaria o contrato por mais um ano, como a Trek-Segafredo pretendia. Até haveria planos de levar Contador ao Giro e à Volta a Espanha em 2018. O ciclista considerou que tinha chegado o momento do adeus. Agora é que era mesmo tudo por Contador. Na terceira etapa o objectivo da geral terminou, mas o ciclista lutou para que a sua última grande volta tivesse um significado bem mais memorável. Acabou por ser uma das figuras da corrida e aquele dia no Angliru foi épico. Um derradeiro disparo de El Pistolero, que não só permitiu uma despedida como Contador merecia, mas como acabou por quase fazer a temporada da Trek-Segafredo. Apenas uma vitória em 2017 sabe a tão pouco, mas pelo menos foi uma para a posteridade. Um dos grandes ciclista da história da modalidade saiu de cena, num momento que marcou o ano.

A aposta em dois ciclistas não compensou como se esperaria e não ajudou o sub-rendimento de outros. Por outro lado, Jarlinson Pantano acabou por estar muito preso na ajuda ao líder e o colombiano dá mostras que pode render mais se tiver liberdade, que poderá chegar em 2018. A boa notícia chamou-se Mads Pedersen. Este dinamarquês tem apenas 21 anos e é outro ciclista a seguir, como Ruben Guerreiro. Participou no Giro e numa ou outra corrida mais importante para ganhar experiência, mas depois foi sendo aposta numas menos mediáticas, ganhando quatro. Também ele é campeão nacional.

E para o próximo ano, Gianluca Brambilla irá reforçar a estrutura das três semanas, mas há outro ciclista que tem gerado curiosidade e a ver vamos se confirma o seu potencial na Trek-Segafredo, depois de duas épocas na Cannondale-Drapac. O letão Toms Skujins poderá ser importante para as clássicas, além de também ter valor para as corridas por etapas.

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29 de julho de 2017

As renovações mais do que merecidas

Ainda antes da abertura do mercado de transferências três dos ciclistas portugueses no World Tour viram a sua situação contratual resolvida, dando-lhes assim tranquilidade para o que resta da temporada. Foi precisamente essa a palavra utilizada por José Gonçalves quando chegou a acordo com a Katusha-Alpecin, sendo expectável que Tiago Machado e agora Nelson Oliveira sintam o mesmo. A Movistar anunciou esta sexta-feira a renovação de contrato, depois de um ano menos feliz para ciclista de Anadia. Tem apenas 28 anos, mas já está há sete no principal escalão e a equipa espanhola sabe que tem um excelente valor que ainda pode render muito, principalmente no contra-relógio e na ajuda preciosa aos líderes da equipa.

"Oliveira teve um rendimento notável, tanto na sua faceta de especialista de contra-relógio individual - campeão nacional, sétimo nos Jogos Olímpicos no Rio, quarto no último Europeu -, como no trabalho de equipa." As palavras escritas no site da Movistar não são apenas de circunstância. 2017 ficou marcado pela queda no Paris-Roubaix que o tirou da competição durante dois meses e muito provavelmente lhe custou a Volta a França. Porém, Nelson Oliveira tem demonstrado ao longo dos dois anos em que está na Movistar como é um homem importante na estrutura. No Tour do ano passado cumpriu os objectivos que lhe foram delineados, ainda que os resultados da equipa acabassem por não serem os desejados. Mas não foi por culpa de Nelson Oliveira. Este ano espera-se que esteja de regresso à Vuelta, está nos pré-convocados, e sem Quintana e Valverde, a ver vamos o que será pedido do ciclista português.

Em Junho teve um incidente nos Nacionais, quando não partiu para o contra-relógio por desconhecimento da mudança da hora de partida. Ou seja, Nelson Oliveira bem está a precisar de uma injecção de moral para a restante temporada e a renovação de contrato pode muito bem ser o impulso que o português precisava para aparecer mais motivado. A tranquilidade só joga a favor de quem sabe que irá continuar ao mais alto nível em 2018.

No próximo ano, Portugal terá também no World Tour Nuno Bico (Movistar), Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) e Rui Costa (UAE Team Emirates), todos com contrato até 2018. Já as grandes dúvidas chamam-se André Cardoso e José Mendes. No primeiro caso, ainda se espera por saber o resultado da contra-análise, depois de dias antes do Tour André Cardoso ter sido notificado que tinha acusado EPO. Já José Mendes alimenta o desejo de se manter na Bora-Hansgrohe, estrutura que tem sido a sua casa há cinco anos. Recentemente, o ciclista afirmou ao Volta ao Ciclismo que a renovação é um assunto que não consegue deixar de pensar.

Com a subida ao World Tour e com a expectativa de crescimento da equipa, para José Mendes seria excelente se continuasse a ter espaço na equipa alemã. Ninguém questiona a sua lealdade para com os líderes e como cumpre à risca o que lhe é pedido. Foi ao Giro e mantém-se a expectativa para ir à Vuelta. Se não houver novidades até lá, é muito possível que José Mendes jogue a sua permanência na equipa em Espanha, numa missão que não se adivinha nada fácil, mas o português nunca foi de virar a cara a um desafio.

Alguém se junta ao grupo português no World Tour?

O contingente luso no principal escalão do ciclismo tem vindo a crescer nos últimos anos. Em 2017 perdeu-se Sérgio Paulinho (regressou a Portugal para a Efapel), mas entraram José Gonçalves, José Mendes e os jovens Nuno Bico e Ruben Guerreiro. Quem se segue?

Potencial há, mas daí a conseguir um contrato com uma das equipas do World Tour vai uma grande distância. Nuno Bico, por exemplo, foi uma das surpresas de final do ano quando anunciou que iria para a Movistar, provando como há certas negociações que ficam em segredo e demoram a ser concluídas. Não é possível prever com exactidão, mas também não restam dúvidas que actualmente quatro nomes geram alguma curiosidade e interesse. Os gémeos Oliveira encabeçam esta curta lista. Com o talento que lhes é cada vez mais reconhecido e com a ajuda de Axel Merckx numa Axeon Hagens Berman que tantos jovens tem levado para o World Tour, tanto Rui como Ivo podem ter um futuro muito (mas mesmo muito) risonho. Porém, não deverá acontecer já em 2018. Estando na equipa que é considerada a melhor de formação, o mais provável é ficarem por lá pelo menos mais um ano, enquanto vão despertando ainda mais o interesse de grandes equipas. Assim também podem aprimorar a passagem que estão a fazer da pista para a estrada, ainda que sem esquecer a vertente que os levou à ribalta. Ruben Guerreiro fez esse percurso e agora está na Trek-Segafredo.

Em Portugal há um ciclista que entrou definitivamente na retina dos olheiros. Amaro Antunes teve um início de temporada fenomenal. Mostrou-se em Espanha e até frente a Nairo Quintana. Venceu no alto do Malhão, numa Volta ao Algarve que agora pertence à segunda categoria mundial. Na W52-FC Porto conseguiu projectar internacionalmente uma qualidade que há muito lhe era reconhecida em Portugal. Aos 26 anos parece estar no ponto para "dar o salto", sendo certo que ainda tem margem para progredir. Quem bem que o algarvio ficaria ao lado de qualquer grande líder do ciclismo mundial.

Em Espanha está Rafael Reis. Tem tido uma carreira marcada por altos e baixos e este ano começou bem, mas uma queda estragou-lhe algumas semanas na Caja Rural. Apareceu bem nos Nacionais, ainda que tenha perdido o contra-relógio para Domingos Gonçalves. Contudo, tem dado indicações que está novamente a subir de forma, provavelmente a pensar em cumprir um dos seus objectivos de temporada: ser chamado para a Vuelta. Se conseguir um lugar no nove da Caja Rural, será a montra perfeita para se mostrar. No entanto, não seria surpresa se fizesse mais um ano na formação espanhola (Profissional Continental), que serviu recentemente de rampa de lançamento para José Gonçalves e também para André Cardoso. A qualidade e o talento estão lá, mas falta um "clique" para que Rafael Reis demonstre como pode estar a um nível muito mais elevado. Lá está, pode ser que esse "clique" aconteça na Vuelta.



3 de julho de 2017

Jan Ullrich, o ostracizado

Há 20 anos Ullrich conquistou o seu único Tour e recordou o feito
nas redes sociais (Fotografia: Facebook Jan Ullrich)
Ninguém o quer ver ligado à Volta a França. Muitos nem ao ciclismo. Por vezes até parece que ninguém se quer recordar que Jan Ullrich existe e que foi um vencedor do Tour. Com a corrida a começar este ano na Alemanha, bem tentaram ignorar Ullrich, mas muito se falou dele nestes dias. Não se querem lembrar dele, mas a verdade é que não esquecem que ele é um dos rostos do doping de uma era negra da modalidade. Provavelmente não ajuda ter Lance Armstrong a sair em sua defesa, criticando a ASO por não ter convidado o alemão para a partida. Dado o crédito do americano...

Jan Ullrich chegou a estar afastado da vida pública precisamente para não ter de lidar com o constante recordar de ser um dos ciclistas que confessou o recurso a doping, depois de tanto dizer que era mentira. O alemão foi uma das figuras do ciclismo nos anos 90 e no início do século. Venceu um Tour e uma Vuelta, foi campeão olímpico e era uma das principais figuras da modalidade no seu país. Os seus embates com Marco Pantani e depois com Lance Armstrong - com o americano acabou por somar mais derrotas do que vitórias - entraram para a história da modalidade. Agora são varridos para debaixo do tapete, com esperança que lá fiquem esquecidos.

Quando o escândalo rebentou, Ullrich passou de herói à razão pela qual a Alemanha virou as costas ao ciclismo, de tal forma que a televisão estatal chegou a deixar de transmitir o Tour. Não foi o único a admitir o recurso ao doping, mas parece estar algo isolado no que diz respeito em ser perdoado, ou pelo menos recordado por algumas das coisas bonitas que fez, como acontece por exemplo com Erik Zabel. A prática do doping foi demasiado grave. Em Maio, Ullrich parecia que iria seguir os passos de outros ciclistas que apesar de também terem caído em desgraça, lá foram conseguindo voltar à modalidade com outros papéis. Foi nomeado director desportivo da Volta à Colónia, mas quatro dias depois demitiu-se, não aguentando as constantes críticas vindas principalmente dos meios de comunicação social.

A ASO, organizador do Tour, ostracizou Ullrich. Não há evento algum que receba um convite e nem o Tour arrancar em Düsseldorf no ano em que se celebra o 20º aniversário da sua vitória na Volta a França fez os responsáveis da corrida mudar de ideias. O antigo ciclista resolveu experimentar algo que admitiu nunca ter feito antes: ir ver ciclismo como um simples adepto, na berma da estrada. Adorou a experiência e adorou ver como os alemães reagiram à passagem do pelotão. "Sempre disse 'tragam o Tour, será um grande boom'", afirmou ao Bild. Ullrich disse que até recebeu um convite para estar na partida - não disse de quem -, mas que recusou porque a filha celebrava o 14º aniversário e queria que o pai estivesse com ela.

Agora com 43 anos, Ullrich contou ao jornal que há pessoas na Alemanha que continuam o recordá-lo pelo bom que fez no ciclismo. "Elas têm memórias boas [das vitórias e exibições]. Adoram ciclismo, como eu", salientou.

Apesar de ser uma das figuras ligadas à época negra do ciclismo, Jan Ullrich não teve problemas em falar da análise positiva de André Cardoso, conhecida dias antes da Volta a França começar: "É pena, mas é apenas um em 200 profissionais no pelotão. Há sempre uma ovelha negra, alguém que não percebe. Acontece nas melhores famílias."

De recordar que o ciclista português da Trek-Segafredo deu positivo por EPO, a substância de eleição precisamente na era de Ullrich. No entanto, foi pedida a contra-análise para então se confirmar ou não o positivo de Cardoso. Até lá, o corredor está suspenso preventivamente e não pôde participar pela primeira vez na carreira no Tour.

»»Jan Ullrich e o regresso ao ciclismo por quatro dias««

»»André Cardoso acusa EPO. Foi suspenso e diz adeus à Volta a França««

30 de junho de 2017

Alberto Contador surpreendido com análise positiva de André Cardoso

(Fotografia: Kramon/Trek-Segafredo)
A poucas horas de começar a Volta a França, a Trek-Segafredo tenta mostrar-se forte, unida e inabalável depois da notícia que afastou André Cardoso do nove eleito. A análise positiva por EPO tirou a Alberto Contador um dos que iria ser um homem de confiança para a alta montanha e o espanhol não escondeu a surpresa. Já o director da equipa, Luca Guercilena, garantiu que os seus ciclistas estão focados no Tour e que Haimar Zubeldia, chamado à última hora para substituir o português, está pronto para ajudar o líder.

"Foi uma grande surpresa. Nunca pensei que algo como isto pudesse acontecer na nossa equipa", afirmou Alberto Contador durante a conferência de imprensa desta sexta-feira. O ciclista espanhol acrescentou: "A equipa é muito clara sobre este tipo de coisas. Temos uma política de tolerância zero sobre o doping, mas temos de esperar até ao final do processo. Não podemos controlar tudo dentro da equipa."

O resultado foi anunciado pela UCI na terça-feira, o que levou à suspensão imediata de André Cardoso. O corredor de Gondomar já pediu a contra-análise. Se der positiva, o ciclista poderá ser suspenso até quatro anos. De recordar que Alberto Contador também já esteve envolvido num caso de doping. Ficou conhecido como o "bife à Contador", pois o ciclista defendeu-se do positivo dizendo que tinha consumido um bife contaminado. A decisão final demorou, mas o espanhol acabou suspenso, tendo sido retirada a vitória no Tour de 2010 e no Giro de 2011, este último competiu enquanto esperava pela sanção.

Como se pode calcular, na Trek-Segafredo não se quer falar muito sobre o assunto até que seja conhecido o resultado da contra-análise, que André Cardoso pediu para ser realizada rapidamente. "Não vamos perder tempo a discutir isso. Estamos focados na corrida e em alcançar um bom resultado", realçou Luca Guercilena.

Quanto à chamada do veterano de 40 anos, Haimar Zubeldia, o responsável afirmou que a equipa, tal como as outras, tem os pré-convocados e mesmo depois de anunciar os eleitos, os excluídos ficam em stand-by para colmatar qualquer problema que possa levar a uma chamada tardia. Ou seja, os 12 foram preparados para o Tour, o que significa que Zubeldia estará pronto para enfrentar a dura corrida.

Mas se os líderes não quiseram prolongar-se nas declarações sobre a situação de André Cardoso, já Koen de Kort não se poupou nas palavras e disse mesmo que a confirmar-se o positivo, nunca mais quer ver o corredor português. "Não consigo acreditar. Tenho esperança que a contra-análise seja negativa porque não consigo imaginar que se possa ser tão estúpido", disse ao Cycling News. O holandês mostra-se satisfeito pelos testes estarem a apanhar quem não respeita as regras, mas confessa os sentimentos mistos por se tratar de um colega de equipa que está em causa.

"Não podes ser tão estúpido e tomar EPO. Todos sabem que já não é possível porque os testes estão muito bons. Não é possível. Recorrer a qualquer doping é ridículo, mas à EPO é algo que me ultrapassa", disse.

Kort, que será um dos braços direitos de John Degenkolb nos sprints, recordou como em 2009 preferiu deixar o World Tour - estava na Astana - e ir para uma equipa de escalão inferior por não gostar do que estava a ver. Disse mesmo que chegou a estar desiludido com o ciclismo e que estar numa formação mais pequena acabou por ser decisivo para recuperar a confiança.

"Acredito que 99% do pelotão está limpo. Claro que ainda há alguns ciclistas por aí que não sabem, não se pode mudar... Esperemos que arranjem emprego fora do desporto. Se ele [André Cardoso] tomou realmente EPO, então espero nunca mais o ver." Palavras duras de Koen de Kort, mas para já, todos estão à espera do resultado da contra-análise.

Além das declarações de membros da Trek-Segafredo, Oleg Tinkov também não conseguiu ficar calado. Deixou insinuações através do Twitter que teria havido uma troca de sangue entre Cardoso e Contador... O russo não perde uma oportunidade para atacar o espanhol...

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27 de junho de 2017

André Cardoso acusa EPO. Foi suspenso e diz adeus à Volta a França

André Cardoso preparava-se para viver um sonho que há muito ambicionava realizar: estar na Volta a França. Seria a sua estreia, sendo que teria o papel de estar ao lado de Alberto Contador. Porém, a UCI divulgou hoje que o ciclista português testou positivo a substância Eritropoetina, mas conhecida por EPO. Foi suspenso, numa decisão já confirmada pela sua equipa, Trek-Segafredo.

Segundo o comunicado da União Ciclista Internacional (UCI), a amostra em causa foi recolhida fora da competição, a 18 de Junho, uma semana depois de André Cardoso ter terminado na 19ª posição o Critérium du Dauphiné. Nessa corrida, o gondomarense mostrou que poderia ser um ciclista importante na ajuda a Alberto Contador na Volta a França, que começa no sábado.

O ciclista já pediu a contra-análise, mas irá ficar suspenso até ser conhecido o resultado. Se se confirmar o positivo, André Cardoso arrisca uma pena pesada. Recentemente, a UCI suspendeu Giampaolo Caruso por dois anos. O italiano também testou positivo por EPO, num caso que acabou por se arrastar durante cinco anos.

"É com um profunda desilusão que acabámos de ser informados que o nosso ciclista, André Cardoso, testou positivo uma substância proibida. De acordo com a nossa política de tolerância zero, ele foi imediatamente suspenso", lê-se no comunicado da Trek-Segafredo. A equipa escreve ainda que irá agir de acordo com os detalhes que receber. Se a contra-análise for positiva, o mais provável é que André Cardoso veja o seu contrato ser terminado, como normalmente acontece nestas situações.

Depois de quatro anos na estrutura da actual Cannondale-Drapac, André Cardoso (32 anos) mudou-se para a outra formação americana. Na Trek-Segafredo, o português teve sempre a ambição de conseguir ser um dos homens de confiança de Alberto Contador no Tour. Na antiga equipa participou em sete grandes voltas, quatro Vueltas e três Giros. Apesar de ser sempre um ciclista de trabalho, o pior resultado de Cardoso na geral foi o 25º lugar na Vuelta de 2015. O melhor foi o 14º na Volta a Itália do ano passado. Em 2011, ao serviço do Tavira, André Cardoso venceu uma etapa na Volta a Portugal, na chegada à Torre. No domingo, o ciclista esteve na sua terra a competir nos Nacionais. Foi ele quem desenhou o percurso da prova de estrada em Gondomar. Acabou por abandonar, pois ao perder contacto com a frente da corrida começou a pensar em poupar forças para o Tour. O vencedor foi o seu colega de equipa, Ruben Guerreiro.

A Trek-Segafredo chamou o veterano espanhol Haimar Zubeldia (40 anos) para substituir o André Cardoso na equipa para o Tour.

Eritropoetina (EPO) ajuda a aumentar a produção de glóbulos vermelhos no sangue. Tal permite que mais oxigénio chegue aos músculos, o que contribui para uma melhor performance desportiva. Esta substância tem sido a mais falada em casos de doping no ciclismo nas décadas de 80 e 90 e também no início do século.

André Cardoso pede que não o julguem demasiado rápido

Entretanto, o ciclista português já reagiu à informação da UCI. Numa mensagem escrita em inglês na sua página de Facebook, André Cardoso nega ter recorrido à EPO e pediu que a contra-análise seja feita o mais rapidamente possível.

"Estava ansioso para dar o meu melhor pela equipa e por mim no Tour. Acredito num desporto limpo e sempre agi como um atleta limpo, mas tenho a noção que as notícias colocam uma nuvem negra não só sobre mim, mas também no desporto e na equipa, colegas e staff", lê-se no texto que publicou.

Cardoso afirma ainda estar consciente que será visto como culpado, realçando que está devastado pela notícia. "Nunca tomei substâncias ilegais", frisou. Acrescentou: "Espero que aqueles que me conhecem, que confiem em mim quando digo que estou inocente e que os meus colegas e fãs não me julguem demasiado rápido nesta altura tão difícil."

Leia em baixo a mensagem completa.


(Texto actualizado às 23:00 com a declaração de André Cardoso no Facebook.)

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25 de junho de 2017

"É especial ganhar pela primeira vez na Trek-Segafredo nos Nacionais"

Ruben Guerreiro "trocou" o título nacional de sub-23 pelo de elite. Na primeira vez que competiu nesta categoria vestiu a camisola que agora irá envergar no pelotão internacional, ao serviço da Trek-Segafredo. "Foi uma corrida bastante dura e eu cheguei quase sem energias. Os últimos metros foram muito duros, mas assim sabe muito melhor e todo o esforço foi recompensado", salientou ao Volta ao Ciclismo.

É um ano de estreias para o jovem ciclista que estava em Gondomar com a perspectiva de ajudar André Cardoso, mas as circunstâncias da corrida ditaram que fosse o corredor de Pegões Velhos a ficar na frente, enquanto o gondomarense, ao ficar para trás, começou a pensar na Volta a França e acabou por abandonar, curiosamente num circuito que ele próprio desenhou. "Eu nunca pensei ganhar os Nacionais, mas tentei chegar no meu melhor nível. A solução passava por formar uma equipa com André Cardoso. Eu queria ajudá-lo. Ele estava a correr em casa e com a ida à Volta à França seria um prémio justo se fosse campeão nacional", referiu Ruben Guerreiro.

Aos 22 anos, aquele que no início da temporada foi considerado um dos talentos a seguir na estreia no World Tour pelos meios de comunicação especializados, vai agora vestir de facto a camisola de campeão nacional porque enquanto sub-23 acabou por não ter a oportunidade. Na Axeon Hagens Berman - onde evoluiu durante dois anos sob a batuta de Axel Merckx - fez provas de elite e não do escalão em que era campeão. "Estou bastante orgulhoso. Vai-me dar bastante motivação. Ainda mais! Mas será também uma grande responsabilidade e tentarei representar bem o país com esta camisola", salientou o ciclista que sucede a José Mendes (Bora-Hansgrohe)

Ruben Guerreiro começou muito bem a temporada na Austrália, tendo chegado a liderar a classificação da juventude no Tour Down Under, além de dois top dez em etapas. Porém, problemas nos dentes do siso acabaram por afastar o ciclista das corridas. Abandonou na Cadel Evans Great Ocean Road Race e na quarta tirada da Volta ao Algarve a equipa resolveu que deveria recuperar devidamente do problema que o estava a limitar. "Estive dois/três meses para recuperar", recorda. Mas o pior já passou e na Trek-Segafredo a confiança é grande sobre o que Ruben Guerreiro pode vir a dar. "Nesta equipa sinto-me bastante acolhido. Eles gostam de jovens corredores e sempre confiaram em mim. É um orgulho estar nesta formação."

A conquista do título nacional é uma forma de também dizer aos responsáveis da equipa americana que está de novo bem e pronto para discutir vitórias. E a primeira vez que irá vestir a camisola de campeão será na Volta a Polónia, que começa na quinta-feira.

Mas antes haverá tempo para festejar e a seu lado estará o amigo Rafael Reis (Caja Rural) que foi segundo no contra-relógio e não terminou a corrida em linha. Tal como a corrida de sub-23, muitos ciclistas encontraram enormes dificuldades num percurso duríssimo e que fez com que 31 dos 52 corredores que alinharam à partida não terminassem a prova.

"Não é um percurso assim tão duro", destacou o autor, André Cardoso. Visto ser a sua terra foi convidado a escolher como seria a corrida em Gondomar. É a Cidade Europeia do Desporto em 2017 e, por isso, neste domingo houve mais dois eventos que até obrigaram Cardoso a excluir alguns locais. "Tínhamos de fazer um percurso que também prendesse estas pessoas que estão aqui para nos apoiar e não considero que tivesse uma dureza excessiva. Se comparámos com o de Braga [onde se realizaram os Nacionais em 2015 e 2016], no ano passado tivemos quatro mil de desnível e este ano tinha no máximo 3800", afirmou Cardoso ao Volta ao Ciclismo. Acabou mesmo por dizer, bem disposto a poucos dias de se estrear no Tour: "Não se pode agradar a todos."

Domingos Gonçalves perto da dobradinha

A corrida foi atacada desde cedo, mas houve muitas mexidas durante os 177 quilómetros. Domingos Gonçalves destacou-se e parecia que dificilmente perderia o que seria uma fantástica dobradinha, depois de na sexta-feira ter conquistado o título de campeão de contra-relógio. Porém, uma queda na última volta deitou tudo a perder e o grupo perseguidor reentrou na luta. Na complicada subida na Avenida Mário Soares, Ruben Guerreiro foi o mais forte no sprint que deixou Rui Vinhas e Ricardo Vilela a três segundos.

Apesar dos dois terem ficado desiludidos por ver o título ali tão perto, mas a "fugir" para Guerreiro, a verdade é que o segundo lugar é mais um excelente resultado para o ciclista da W52-FC Porto, numa altura em que se aproxima a Volta a Portugal, corrida que surpreendeu ao vencer em 2016. Quanto a Vilela, ainda não foi desta que venceu ao serviço da Manzana Postobón.

Fim de estrada para os Campeonatos Nacionais de 2017 e aqui fica a classificação da prova de elite e em baixo outros campeões nacionais já conhecidos (algumas corridas realizam-se segunda e terça-feira):

  1. Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo), 4:36.25 horas
  2. Rui Vinhas (W52-FC Porto), a 3 segundos
  3. Ricardo Vilela (Manzana Postobón), m.t.
  4. José Gonçalves (Katusha-Alpecin), a 9
  5. Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 13
  6. António Carvalho (W52-FC Porto), a 24
  7. Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), a 32
  8. Tiago Machado (Katusha-Alpecin), a 2:46 minutos
  9. João Rodrigues (W52-FC Porto), m.t.
  10. César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack), m.t.
  11. Rafael Silva (Efapel), a 2:48
  12. Joni Brandão (Sporting-Tavira), m.t.
  13. Henrique Casimiro (Efapel), a 2:55
  14. David Rodrigues (W52-FC Porto), m.t.
  15. Joaquim Silva (W52-FC Porto), a 8:40
  16. Daniel Freitas (W52-FC Porto), m.t.
  17. Afonso Luís (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack), m.t.
  18. Sérgio Paulinho (Efapel), m.t.
  19. Rui Souda (Rádio Popular-Boavista), m.t.
  20. José Ferreira (W52-FC Porto), m.t.
  21. José Mendes (Bora-Hansgrohe), m.t.


Outros campeões:
  • Holanda: Ramon Sinkeldam (Sunweb)
  • Áustria: Gregor Mühlberger (Bora-Hansgrohe)
  • República Checa: Zdenek Stybar (Quick-Step Floors)
  • Eslováquia: Juraj Sagan (Bora-Hansgrohe)
  • Bélgica: Oliver Naesen (AG2R)
  • França: Arnaud Démare (FDJ)
  • Espanha: Jesús Herrada (Movistar)
  • Alemanha: Marcus Burghardt
  • Suíça: Silvan Dillier (BMC)
  • Polónia: Adrian Kurek (CCC Sprandi Polkowice)
  • Letónia: Krists Neilands (Israel Cycling Academy)


23 de junho de 2017

André Cardoso faz a sua estreia na Volta a França ao lado de Contador

(Fotografia: Trek-Segafredo)
Está confirmado. André Cardoso vai ser um dos homens ao lado de Alberto Contador no assalto à Volta a França. Depois de anos a ter Sérgio Paulinho como gregário, o líder agora da Trek-Segafredo vai contar com outro português. O ciclista de Gondomar tinha este objectivo quando trocou a Cannondale-Drapac pela outra equipa americana e vê agora realizado o seu desejo.

Cardoso tem tido uma época muito discreta, pois a sua preparação foi pensada para este momento da temporada. É praticamente o tudo ou nada para Contador voltar a conquistar o Tour, numa fase da carreira em que já poucos acreditam que seja capaz de bater Chris Froome ou Nairo Quintana (e agora também Richie Porte).

Ao contrário do que acontece com dois dos seus principais adversários, Contador irá dividir a liderança com John Degenkolb. A Trek-Segafredo tenta oferecer as melhores condições ao espanhol, mas não descura os sprints com o alemão, que terá a ajuda de Fabio Felline e Koen de Kort. Além de André Cardoso - que no Critérium du Dauphiné deu mostras de estar num bom momento de forma -, Contador terá a ajuda de Bauke Mollema e Jarlinson Pantano. O holandês vem de um Giro onde desiludiu um pouco, enquanto o colombiano pode muito bem ser o homem mais importante para o líder nas etapas de alta montanha. No entanto, Pantano quererá espreitar uma oportunidade para também deixar a sua marca pelo menos numa etapa. Michael Gogl e Markel Irizar completam o nove da Trek-Segafredo que deixou de fora o fiel amigo de Contador, Jesús Hernández. O espanhol esteve mal no Dauphiné e não mostrou estar ao nível necessário para ser a verdadeira ajuda que Contador tanto vai precisar.

A Trek-Segafredo está a realizar uma temporada aquém do desejado. Soma apenas cinco vitórias, passou ao lado das clássicas depois de Degenkolb não ter conseguido estar sequer na luta e agora aposta tudo no Tour com Contador, depois de Mollema não ter sido o líder que esperavam no Giro. Ainda assim, a formação americana não seguiu o exemplo da Sky que terá oito ciclistas a trabalhar para Froome, enquanto na BMC só Greg van Avermaet terá alguma liberdade, ainda que terá também ele o seu papel na ajuda a Porte.

Quanto a André Cardoso fará a sua oitava grande volta, mas será a sua estreia no Tour. Na estrutura da Cannondale-Drapac era normalmente opção para a Volta Itália ou Espanha. O português conta com 29 dias de competição, tendo o seu melhor resultado alcançado na Clássica Aldeias do Xisto quando, ao serviço ao selecção, terminou na sétima posição. Cardoso junta-se a Tiago Machado nos portugueses que vão ao Tour.

Dos principais candidatos, falta agora conhecer quem irá acompanhar Nairo Quintana na Movistar, além de Alejandro Valverde. Nelson Oliveira está nos pré-convocados.



11 de março de 2017

José Poeira juntou grupo de talento para representar a selecção na Clássica Aldeias do Xisto

É preciso aproveitar todas as oportunidades e José Poeira não quis desperdiçar a possibilidade de conseguir juntar um grupo de muita qualidade de jovens ciclistas, para assim os analisar na Clássica Aldeias do Xisto - que se realiza este domingo - já a pensar nas corridas da Taça das Nações e, claro, nos Europeus e Mundiais. Para estes últimos campeonatos ainda faltam uns meses, mas o seleccionador nacional diz que é preciso começar a trabalhar logo no início do ano para preparar ao pormenor a participação portuguesa nos vários escalões. Os gémeos Oliveira, André Carvalho, João Almeida e Daniel Viegas são os jovens que José Poeira vai aproveitar para ver e que espera que possam também de beneficiar da experiência de André Cardoso, Tiago Machado e Ricardo Vilela.

"Neste caso o interesse maior é pelos sub-23 porque são com eles que vamos trabalhando durante o ano em diferentes corridas da Taça das Nações. Por vezes é complicado juntá-los antes porque estão em diferentes equipas e vai ser interessantes vê-los este domingo", explicou José Poeira ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador valoriza o facto de ciclistas do World Tour - André Cardoso (Trek-Segafredo) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) - e de formações Profissionais Continentais - Ricardo Vilela (Manzana Postobón) - terem interesse em representar nesta fase da época a selecção: "É bom para eles, é bom para nós e é bom para a corrida, pois enriquece o pelotão e torna as coisas mais interessantes. Motiva toda a gente, pois são ciclistas que fazem a Volta a Itália ou a Volta a França e isso é importante para a corrida e para o ciclismo." Apesar do objectivo não ser lutar pela vitória, pois ver os como estão os ciclistas é o mais importante, José Poeira não afasta a possibilidade de algum dos seus corredores entrar na luta por um bom resultado.

Há que salientar que o grupo de potenciais ciclistas eligíveis para a selecção conta com alguns que estão em equipas nacionais, mas José Poeira disse que esses vão competindo nas suas formações. O seleccionador tenta aproveitar para ver aqueles que estão no estrangeiro, como João Almeida, por exemplo. O jovem de 18 anos assinou pela italiana Unieuro Trevigiani-Hemus 1896, do escalão continental, e José Poeira vai aproveitar para ver como está a evoluir o ciclista, agora que subiu ao escalão de sub-23.

Não conhecendo o trabalho que está a ser feito com João Almeida na formação transalpina, o seleccionador deixa o alerta: "Essas equipas, esses directores têm de ter cuidado, pois há que se ter a percepção que estão a lidar com um jovem que veio de júnior, onde a distância das corridas e o ritmo é diferente. Penso que essas pessoas têm a percepção que ciclistas como o João Almeida devem fazer corridas adequadas para a idade e não devem fazer muitas. Para se ter bons atletas, temos de saber trabalhar com eles nestas alturas das carreiras."

Quanto a Ivo e Rui Oliveira assinaram por uma das melhores equipas de formação, a americana Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, e José Poeira deixa elogios aos gémeos. "Eles devem muito à pista. São dotados de uma técnica e de uma experiência de domínio da bicicleta no pelotão. Estão a evoluir fisicamente, estão a melhorar nas subidas e já passam bem a média montanha, além de terem uma excelente ponta final. Para a idade que têm [20], em corridas de sub-23 dão bem conta de si e discutem os primeiros lugares", realçou.

Clássica Aldeias do Xisto para decidir o Troféu Liberty Seguros

Serão 140 quilómetros de sobe e desce, com o pelotão a começar na Aldeia da Barroca (Fundão) às 12:00 e com a meta colocada na subida de segunda categoria na Aldeia da Cerdeira (Lousã). Pelo meio haverá duas ascensões de terceira e uma de primeira que antecede a última subida do dia. E para fazer jus ao nome, a clássica passará pelas aldeias Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Casal Novo, Talasnal e do Candal.

O Troféu Liberty Seguros é liderado pelo jovem Francisco Campos (Miranda-Mortágua), em igualdade pontual com Amaro Antunes (W52-FC Porto), que foram os vencedores da primeira e segunda corrida respectivamente, ou seja, na prova de abertura Região de Aveiro e na Clássica da Arrábida. Dado o fantástico início de temporada que está a realizar, Amaro Antunes é o grande favorito à vitória tanto na corrida, como à conquista do troféu.