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21 de junho de 2019

Américo Silva sai da Efapel

Mudança inesperada na Efapel. Depois de quatro anos como director desportivo da equipa, Américo Silva sai a pouco mais de um mês da Volta a Portugal. Rúben Pereira assume o cargo, com José Augusto Silva a juntar-se aos responsáveis, numa altura em que a Efapel está a competir no Grande Prémio Abimota.

A saída de Américo Silva deu-se após o Grande Prémio Jornal de Notícias. "Saiu por mútuo acordo entre as partes, sem qualquer problema", explicou Rúben Pereira à Lusa, num texto publicado no site do jornal Record. "Assumi o cargo e o José Augusto Silva chegou como adjunto e será uma peça importante na Volta a Portugal", acrescentou. Com o grande objectivo da temporada a aproximar-se a passos largos - a Volta arranca a 31 de Julho - é uma alteração muito relevante na estrutura. Rúben Pereira salientou que tem "grupo especial e ambicioso" e que continua "muito unido".

José Augusto Silva tem uma longa experiência no ciclismo apesar de ter estado quase uma década afastado da liderança de uma equipa, antes de ter regressado em 2017, na LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. No entanto, em 2018 esteve novamente afastado. Agora irá partilhar a responsabilidade com Rúben Pereira, filho do dono da equipa, Carlos Pereira. Ciclistas como David Blanco (que venceu cinco Voltas a Portugal), Ezequiel Mosquera, Sérgio Ribeiro e Virgílio Santos deram as primeiras pedaladas como profissionais tendo José Augusto Silva como director desportivo.

Para Américo Silva termina assim um projecto que estava a trabalhar para o tornar cada vez mais competitivo, numa altura em que a W52-FC Porto tem dominado por completo o panorama nacional, principalmente a muito desejada Volta a Portugal. Desde 2012 que a Efapel não vence a corrida. Naquele ano fê-lo com David Blanco. Já com Américo Silva como director desportivo - esteve vários anos afastado depois do fim da Liberty Seguros, após o escândalo de doping que envolveu alguns ciclistas -, Sérgio Paulinho regressou ao ciclismo nacional, numa aposta de liderança que acabou por não resultar.

No ano passado, a Efapel terminou a Volta a Portugal com resultados abaixo do esperado. Não venceu qualquer etapa, apesar de muito ter tentado, e não conseguiu colocar nem Paulinho, nem Henrique Casimiro no pódio. Também não tinha colocado ninguém entre os três primeiros nas duas edições anteriores, mas tinha ganho etapas. A pressão para 2019 subiu de tom, com o regresso de Joni Brandão a ser, essa assim, uma aposta ganha até ao momento. Depois de dois anos no Sporting-Tavira, o ciclista tem sido o abono da Efapel, somando seis das sete vitórias da equipa.

No entanto, e apesar de Joni ter ganho três etapas no Grande Prémio Jornal de Notícias, o resultado na geral não terá caído bem. Na terceira etapa, o ciclista perdeu muito tempo devido a uma fuga no primeiro sector daquela tirada, que acabaria por ser decisiva nas contas finais a favor de Ricardo Mestre (W52-FC Porto), apesar da espectacular recuperação do líder da Efapel. Joni Brandão também já havia ficado perto de ganhar o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela, mas ficou a quatro segundos do objectivo.

Ainda assim, os bons resultados dos últimos dois meses pareciam estar a dar confiança à equipa rumo à Volta a Portugal. Não tem sido estranho ver a Efapel de Américo Silva começar a ganhar tarde, mas normalmente consegue depois somar vários triunfos, como estava a acontecer.

Agora é altura de perceber como irá a equipa reagir à saída do seu director desportivo. Para já, no Grande Prémio Abimota, a resposta tem sido positiva. Apesar de ter apenas cinco ciclistas em prova, a Efapel foi terceira no contra-relógio colectivo, na primeira etapa, e Antonio Angulo foi segundo na segunda, que se realizou esta sexta-feira. Após os 170,3 quilómetros entre Ourém e Mortágua, o ciclista espanhol beneficiou das bonificações para vestir a camisola amarela, com quatro segundos sobre cinco ciclistas da W52-FC Porto: César Fonte, António Carvalho, Raúl Alarcón (o anterior líder), Jorge Magalhães e Ángel Rebollido. Oscar Pelegrí (Vito-Feirense-PNB), vencedor da etapa, está a cinco segundos de Angulo, estando na luta por repetir a conquista de 2018.

»»Ricardo Mestre ganhou corrida em que Joni Brandão lançou aviso à W52-FC Porto««

»»Efapel soma e segue««

3 de outubro de 2018

Joni Brandão está de regresso à Efapel: "Foi uma boa aposta de ambas as partes"

(Fotografia: © João Fonseca)
Dois anos depois, Joni Brandão está de regresso à Efapel. Foi nesta equipa que o ciclista se tornou num dos portugueses de referência no pelotão nacional e um candidato à vitória na Volta a Portugal, tendo sido segundo em 2015, posição que repetiu este ano, ao serviço do Sporting-Tavira. Américo Silva irá assim contar novamente com um corredor que bem conhece, numa altura em que a Efapel começa a pensar em consolidar a sua estrutura e fortalecer a equipa para tentar subir de escalão em 2020.

Mas é a curto prazo que para já se pensa, ou seja, colocar a equipa novamente na discussão da Volta a Portugal. "Desde que ele saiu, acabou por deixar um lugar vago, o lugar de quem pode disputar a Volta a Portugal. Nós necessitávamos disso. Sempre habituámos os adeptos de ciclismo a estar na discussão da Volta", salientou Américo Silva ao Volta ao Ciclismo. O director desportivo não esconde que havia a "necessidade de contratar alguém que desse garantias" de estar na disputa pelo pódio e mesmo pela vitória da competição que as equipas nacionais mais querem ganhar.

"Ele conhece a casa e nós conhecemo-lo. Foi uma boa aposta de ambas as partes", disse. Américo Silva considera que após os resultados que o ciclista de 28 anos (faz 29 a 20 de Novembro) já alcançou, a ambição de ganhar a Volta vai crescendo em Joni Brandão: "Ele vem ao encontro de uma equipa que lhe pode proporcionar esse tipo de trabalho. Ele sabe com o que pode contar aqui."

Sérgio Paulinho vai estar ao lado de Joni Brandão. O ciclista veio para a Efapel após o final da Tinkoff, tendo realizado uma carreira ao mais alto nível no World Tour como gregário. Como líder, ainda conseguiu um top dez na Volta em 2017, mas não conseguiu estar na disputa por um bom resultado nesta última edição. Somou uma vitória de etapa no Grande Prémio Abimota.

Será uma dupla muito interessante. A experiência de Paulinho é uma enorme mais valia e não tendo qualquer problema em entregar o papel de líder - que esta temporada partilhou com Henrique Casimiro -, ter uma função mais próxima daquela que o tornou num dos ciclistas mais fiáveis do pelotão internacional, poderá ser a oportunidade para estar novamente a um nível que a Efapel precisa se quiser enfrentar o poderio da W52-FC Porto. 

Joni Brandão demonstrou este ano que é dos que consegue estar mais perto dos ciclistas azuis e brancos, mas precisa de uma equipa forte em seu redor. Além de Sérgio Paulinho (38 anos), Américo Silva está determinado em ter na Efapel ciclistas que conhece bem e que confia plenamente, pela que a continuidade de Rafael Silva (27) e Bruno Silva (30) também já estão tratadas.

Joni Brandão procurou uma mudança quando assinou pelo Sporting-Tavira, contudo, teve um 2017 para esquecer. Um problema de saúde limitou-o e acabou mesmo por o afastar da Volta a Portugal. Em 2018 verificou-se como aos poucos o ciclista foi recuperando a sua melhor forma, com bons resultados, alguns pódios, ainda que uma vitória tenha teimado em escapar-lhe. Apareceu na Volta em grande forma, mas foi impossível bater uma W52-FC Porto superior e um Raúl Alarcón irrepreensível, que "anulou" Joni Brandão quando este tentou atacá-lo. Terminou novamente em segundo, mas ficou claro que o ciclista estava definitivamente de regresso ao seu estatuto de candidato a respeitar.

Em ambos os segundos lugares, Joni perdeu para a estrutura do Sobrado, pois em 2015 foi Gustavo Veloso o vencedor. Em 2014 tinha sido quarto e em 2016 foi quinto. Ou seja, top dez é o seu lugar, mas falta-lhe a vitória.

A carreira como profissional passou nos primórdios por Espanha, mas foi na Efapel que encontrou o espaço e tranquilidade para evoluir entre 2013 e 2016. Para a equipa é um regresso bem-vindo. "Neste tipo de circunstâncias o dinheiro não é tudo. Tem de haver mais valias. É natural que se aguce mais a ambição de vencer a Volta depois de dois segundos lugares. Ele optou por regressar. Ficámos muito satisfeitos. Sabemos que não havendo azares ele pode dar-nos muitas alegrias", realçou um Américo Silva, feliz por contar novamente com um ciclista que tão bem conhece e aprecia.

»»Domingos Gonçalves regressa à Caja Rural««

»»"A Efapel, pelo percurso que tem tido, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura"««

14 de setembro de 2018

"A Efapel, pelo percurso que tem tido, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura"

Avaliar o presente, pensar no futuro próximo e começar a preparar o mais além. A Efapel pode não ter alcançado os objectivos a nível de resultados na Volta a Portugal, mas o seu director desportivo, Américo Silva, não deixa de realçar que quanto ao empenho dos seus ciclistas, nada tem a apontar. Porém, mesmo não sendo possível fugir a má Volta na falta de concretização do que se pretendia alcançar, a equipa continua a receber um forte apoio de quem a patrocina e que quer agora vê-la chegar ao escalão Profissional Continental.

O sonho é que em 2021 seja possível subir ao segundo nível do ciclismo e assim aspirar a outro tipo corridas, piscando o olho a um possível convite para uma Volta a Espanha. Numa primeira fase é necessário fazer crescer a estrutura actual de uma forma sustentável, pois Américo Silva salienta que é um projecto que quer permanecer nesse escalão e não rapidamente dar um passo atrás. "Temos muita tendência depois da Volta a Portugal em se falar de novas equipas, muitos projectos e que maioritariamente, a curto prazo, nunca são realizáveis. Por isso, para se falar num projecto destes deve-se pensar mais nesta forma, mais a longo prazo, com as coisas um pouco mais sustentadas e só assim se pode sonhar em realizar-se este tipo de planos. Todos aqueles que no calor da Volta começam a projectar coisas muito altas, normalmente não são para se ligar nenhuma, não chegam a lado nenhum", referiu ao Volta ao Ciclismo.

"Tem de ser algo pensado e sustentado, no mínimo a três anos. Não faz sentido estar num escalão que pode dar acesso a estar numa Volta a Espanha e depois haver um retrocesso", acrescentou. Américo Silva confirmou assim o desejo anunciado durante a Volta a Portugal pelo presidente da equipa, Carlos Pereira. O facto de o prazo ter sido estabelecido em 2021 é para Américo Silva uma demonstração de credibilidade do plano, que irá então ser preparado durante as próximas duas temporadas.

"As corridas contabilizam-se não propriamente pelo rendimento e empenho de cada um, mas sim pelos resultados e logicamente, nesse campo, foi uma má Volta a Portugal"

"A Efapel, pelo percurso que tem tido ao longo dos anos, tem tudo para sonhar com um projecto dessa envergadura", considerou o director desportivo. A empresa iniciou o seu patrocínio em 2011, como secundário, mas no ano seguinte já era o principal e desde 2015 que a Efapel é o único nome da equipa.

Em 2012 a Efapel ganhou a sua única Volta por intermédio do espanhol David Blanco, mas desde então que a estrutura da actual W52-FC Porto tem dominado na principal prova para as equipas nacionais. Sérgio Paulinho foi a grande aposta em 2017 e 2018, com Henrique Casimiro a ter um papel de co-líder. Porém, a vitória na Volta nunca esteve perto de acontecer e nem o pódio foi alcançado. Este ano até a conquista de uma etapa não foi alcançada, apesar da Efapel muito ter trabalhado e muito procurado colocar ciclistas na frente.

A pergunta foi então directa. Foi uma má Volta para a Efapel? "Em termos de resultado sim. Em termos de entrega da equipa e de tudo aquilo que conseguimos fazer durante a Volta não", respondeu Américo Silva. "As corridas contabilizam-se não propriamente pelo rendimento e empenho de cada um, mas sim pelos resultados e logicamente, nesse campo, foi uma má Volta a Portugal porque dos dois objectivos, nenhum foi conseguido: tentar chegar ao pódio e vencer uma etapa", acrescentou.

Sérgio Paulinho cedo ficou fora da discussão e Henrique Casimiro acabou por ir perdendo tempo. Contudo, Américo Silva não quis falar apenas do que os seus ciclistas fizeram: "Em termos da geral temos de dar mérito aos adversários. O Sérgio na etapa da Serra da Estrela não esteve ao seu melhor nível e na Volta a Portugal ter um dia em que não se esteja bem, já não se consegue fazer depois a diferença. Não é como no Tour que um dia não se está bem, mas noutro recupera-se. Aqui é necessário regularidade todos os dias. O Henrique esteve ao nível dele. Os adversários é que estiveram bastante melhor."

Daniel Mestre foi dos que viu a vitória de etapa escapar, mas não é de falta de sorte que Américo Silva se queixa. "Este ano as coisas não aconteceram. Vendo agora com à distância, se formos avaliar etapa a etapa, tal como não ganhámos, poderíamos ter ganho duas. Falhou não termos conseguido, mas não nos podemos recriminar por nada do que fizemos na Volta a Portugal. Temos a consciência que tudo fizemos para conseguir. O que falhou foram as circunstâncias da corrida, o ter faltado um bocadinho mais de força, ou o quer que seja, mas não recorremos à parte da sorte", salientou.

"Não nos podemos recriminar por nada do que fizemos na Volta a Portugal. Temos a consciência que tudo fizemos para conseguir"

Os ciclista da Efapel acreditaram até ao fim que poderiam pelo menos vencer a etapa, mas esta não chegou, pelo que o melhor resultado acabou por ser o 10º lugar de Henrique Casimiro, a 6:49 do vencedor, Raúl Alarcón (W52-FC Porto).

O peso da Volta nas contas finais da equipas portuguesas é enorme, mas Américo Silva destacou como a nível de temporada geral a Efapel esteve bem. A primeira vitória só chegou no final de Março, na Clássica Aldeias do Xisto, por intermédio de Daniel Mestre, mas entretanto já são nove, além de oito classificações "secundárias". Rafael Silva ainda trouxe uma medalha de bronze para Portugal nos Jogos do Mediterrâneo. O último triunfo foi num dos circuitos de Verão, com Mestre a impor-se em Nafarros.

Mas ainda há mais uma conquista na mira antes de Américo Silva se concentrar a 100% na preparação para 2019, sendo que só então se começará a perceber que equipa e que papéis dentro da estrutura terão os ciclistas que a representarem. O espanhol Marcos Jurado está na disputa pela Taça de Portugal, com apenas 28 pontos a separá-lo de David Rodrigues, da Rádio Popular-Boavista. Porém, a luta irá incluir mais ciclistas, como por exemplo, o colega de Rodrigues, Luís Gomes, António Barbio e Francisco Campos, do Miranda-Mortágua, e Márcio Barbosa (Aviludo-Louletano-Uli), por exemplo. Frederico Figueiredo também está bem colocado, mas o ciclista do Sporting-Tavira está na Volta a China, que acaba este sábado.

Francisco Campos está ainda na luta pela vitória em sub-23, estando em igualdade pontual com André Carvalho, com vantagem para o ciclista da Liberty Seguros-Carglass. Hugo Nunes, também do Miranda-Mortágua, tem dez pontos de desvantagem para o duo.

A época irá terminar onde começou, na região de Aveiro. À espera do pelotão estão os últimos 151,6 quilómetros de estrada do ano, numa corrida que se inicia na Câmara Municipal de Anadia, às 11:30 de domingo, terminando cerca das 15:00, no Parque Municipal de Murtosa. Haverá duas contagens de montanha para se tentar fazer diferenças, em Talhadas e em Sever do Vouga.

É uma antecipação do final de temporada, depois do cancelamento da corrida de Tavira, que estava agendada para 6 de Outubro e que definiria o vencedor da Taça de Portugal, que será então conhecido já este domingo. O Festival de Pista de Tavira será assim novamente o local de despedida da temporada de 2018, a 5 de Outubro.


3 de fevereiro de 2018

Paulinho, Mestre e Américo Silva em uníssono: "A Efapel está mais forte"

Preparou-se a equipa, garantiram-se reforços, definiram-se objectivos. Agora está na altura de passar para a estrada a ambição de uma Efapel muito baseada na experiência, mas com a confiança que esse factor poderá marcar a diferença no momento de discutir vitórias, sempre com a Volta a Portugal em mente, ainda que com metas pensadas para outras corridas. "Nunca prometemos vitórias, mas trabalho e profissionalismo. No entanto, as grandes equipas sobrevivem dos grandes resultados e a Efapel vai estar na discussão das corridas", assegurou Daniel Mestre.

Se Daniel Mestre continua a ser uma das figuras da equipa, principalmente nos sprints, Sérgio Paulinho mantém o papel de maior mediatismo, não se estivesse perante um medalhado olímpico e de um ciclista com mais de uma década de World Tour. Depois de um ano a adaptar-se à função de líder, sentir-se-á o Paulinho mais pressionado a apresentar resultados? "Não!" A resposta dificilmente poderia ter sido dita com maior segurança. "O que posso mostrar este ano? Talvez fazer alguma coisa que não fiz em 2017. Talvez tenha tido um pouco de medo de ser o líder, se calhar tive medo de atacar... Ou seja, quero fazer um 2018 com mais ambição, pôr esse medo de parte e foi isso que me fez continuar mais um ano no ciclismo", salientou ao Volta ao Ciclismo.

O final de temporada ficou marcado por uma queda no Circuito de Alcobaça e por uma operação a uma hérnia. "Foram quase três meses sem bicicleta. Perdi muito a forma", contou Paulinho. Por isso, disse que entrará mais tranquilo na época, com o plano de recuperar a sua melhor condição física, mas não só a pensar na Volta a Portugal. "Será o objectivo principal, mas durante o ano tentarei estar na discussão noutra fase. Isto é, apontar um primeiro pico para determinada altura, que ainda não está decidido. Tentarei ter dois picos."

"A experiência nunca é de mais. Não está no auge da carreira dele, mas para o ciclismo português [Arroyo] pode ter um papel muito importante"

Sérgio Paulinho (37 anos), referiu ainda como na Efapel não é o líder indiscutível, pois existem outros ciclistas com capacidade para assumir esse papel, inclusivamente no seu terreno. Isso mesmo é confirmado pelo director desportivo, Américo Silva: "[O Henrique Casimiro] pelo que tem vindo a fazer, nestes dois últimos anos na Volta a Portugal, por mérito próprio estará no mesmo patamar que o Sérgio." O responsável realçou ainda a contratação de David Arroyo. "A experiência nunca é de mais. O palmarés dele demonstra a grande qualidade que ele sempre teve. Não está no auge da carreira dele, mas para o ciclismo português pode ter um papel muito importante", frisou.

O espanhol, de 38 anos, tem no seu currículo um pódio no Giro, uma etapa na Vuelta e muitos anos de ciclismo ao mais alto nível, com parte da carreira a ser feita na estrutura da Movistar e nos últimos cinco anos na Caja Rural. Porém, em 2004 passou por Portugal, na então LA Pecol. "Já conhece o nosso ciclismo, através de mim, quando há 14 anos foi segundo na Volta. Conhecemo-nos muito bem", recordou Américo Silva.

Se o rendimento poderá baixar com o passar da idade, o director desportivo acredita que a chave para ver um veterano continuar a ser importante está no incentivo. "Se não diminuir o incentivo, acho que não se nota assim tanto [a idade], tendo em conta a tal experiência que se vai adquirindo. Tenho a esperança que o Arroyo tenha o incentivo que não teve nos últimos anos." Isto significa que o espanhol terá também ele as suas oportunidades.

Inevitavelmente falou-se de Sérgio Paulinho e Américo Silva acredita que o ciclista ainda tem algo para dar. "O Sérgio sofreu aquela transformação [de gregário para líder], que se foi fazendo durante 2017. Quando acabámos a época, principalmente a Volta a Portugal, eu fiquei com a sensação que o Sérgio ainda tinha mais qualquer coisa do que aquilo que deu em 2017. O próprio Sérgio, e não sendo ele um ciclista muito expressivo, também me confessou que ficou com o incentivo e com o moral que este ano pode andar melhor", garantiu.

"Penso que as coisas nesta equipa têm funcionado pelo colectivo e assim irá continuar a ser"

Américo Silva acredita que a Efapel "está eventualmente mais forte na alta montanha", mas acrescentou como conseguiu concretizar um dos seus desejos: "Ter um bloco reforçado para fazer uma trabalho mais específico para o Daniel Mestre chegar em melhores condições ao sprint". Um desses novos homens será Pedro Paulinho, irmão de Sérgio. "É bastante bom para os dois estar aqui. É muito gratificante. Treinamos sempre juntos", contou o mais velho dos Paulinhos.

Porém, Pedro andará mais ao lado de Daniel Mestre, que na última Volta a Portugal não conseguiu por pouco a desejada etapa. Confessou sentir-se triste, mas agora o pensamento está em 2018. "Sou um ciclista que gosta de estar minimamente bem em todas as corridas que faço. É claro que que se gosta de apontar picos de forma. Uma corrida que gosto bastante é o Grande Prémio Jornal de Notícias, onde nos últimos dois anos venci duas etapas. Não escondo que a Volta a Portugal é a corrida que gostamos de estar na máxima força e é para aí que vou apontar mais e tentar este ano uma vitória de etapa", explicou. Além de Arroyo e Pedro Paulinho (ex-Louletano-Hospital de Loulé, 27 anos), chegou também outro espanhol, Marcos Jurado (ex-Burgos-BH, 26). "Temos homens mais fortes", realçou Daniel Mestre.

No entanto, o ciclista de Almodôvar não estará na discussão da Prova de Abertura Região de Aveiro, que marca o arranque do calendário nacional. Serão 155,5 quilómetros entre Oliveira do Bairro e Torreira. Mestre está a recuperar de uma lesão, apontando tentar melhorar a forma na Volta ao Algarve, para atacar a Volta ao Alentejo, a meio de Março.
No dia em que a equipa se apresentou, não ficaram dúvidas que o discurso dos ciclistas é de motivação e principalmente da já conhecida união que marca este grupo. "Penso que as coisas nesta equipa têm funcionado pelo colectivo e assim irá continuar a ser", afirmou Américo Silva.

Equipa: Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro, Daniel Mestre, Bruno Silva, Rafael Silva, Jesus del Pino, David Aroyo, Marcos Jurado e Pedro Paulinho.



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22 de novembro de 2017

Atenções centradas em Sérgio Paulinho com a equipa a corresponder como um todo

Conseguirá Sérgio Paulinho passar de gregário a líder? Foi a pergunta que se fez durante todo ano. A Efapel recebeu um dos ciclistas mais importantes que Portugal teve no World Tour. Medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, Sérgio Paulinho esteve mais de uma década ao lado de algumas das grandes referências da modalidade e tornou-se num dos homens de trabalho mais apreciados no pelotão internacional. E alcançou uns triunfos pessoais memoráveis, como as etapas no Tour (2010) e na Vuelta (2006). De regresso a casa, o ciclista, agora com 37 anos, nunca escondeu que seria um desafio ter um papel diferente.

Agarrou a oportunidade ao lado do director desportivo e amigo Américo Silva e quando chegou o momento de dar a resposta, disse que sim, que pode ser um líder. Porém, não conseguiu o resultado que procurava na Volta a Portugal, mas comprovou que, independentemente da idade, está-se sempre a aprender e a evoluir. Sérgio Paulinho espera que este tenha sido um ano de transição, para em 2018 alcançar o que ambiciona com a Efapel.

A equipa tem sido uma das mais fortes do pelotão nacional, mas ciente que, tal como todas as outras, está na perseguição à W52-FC Porto. Perder Joni Brandão para o Sporting-Tavira foi um rude golpe, contudo, a Efapel respondeu com uma contratação de peso. A responsabilidade era grande, mas tanto o director desportivo, como o ciclista sempre afastaram um aumento de pressão devido ao mediatismo de Sérgio Paulinho e também por a Efapel não ganhar a Volta a Portugal desde 2012, então com o espanhol David Blanco.

Ranking nacional: 3º (1703 pontos)
Vitórias: 6 (incluindo uma etapa na Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Daniel Mestre (3)

Com as atenções centradas em Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro quase passou despercebido. Pode ter sido mais discreto, é certo, mas alcançou sempre resultados interessantes e que claramente davam outra opção a Américo Silva. O melhor aconteceu em Espanha, na Volta a Castela e Leão, onde fechou o pódio. Na Volta a Portugal acabou por ser um co-líder. Terminou na oitava posição, uma acima de Paulinho. Para uma Efapel que na Senhora da Graça perdeu a possibilidade de discutir a corrida, foram resultados importantes, ainda que aquém do desejado.

Não foi uma temporada fácil. Só em Maio surgiu a primeira vitória e logo a dobrar, no Grande Prémio Jornal de Notícias. Daniel Mestre tirou um peso dos ombros da equipa. Parecia que o difícil tinha sido conseguir o primeiro triunfo. Jesús de Pino venceu o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela e mais tarde a Volta a Albergaria. Daniel Mestre celebrou no Troféu Joaquim Agostinho, mas a grande vitória do ano chegaria por um ciclista mais improvável. António Barbio já havia demonstrado como é um corredor de confiança no trabalho que faz em prol da equipa. De vez em quando chega aquele momento em que um gregário por excelência tem a sua oportunidade e há que agarrá-la.

Na chegada a Santo Tirso, Del Pino estava na fuga com Barbio, mas o português teve liberdade para tentar a sua sorte. Num daqueles dias que marcam uma carreira, Barbio (23 anos) pedalou como nunca e aguentou o ritmo numa subida à Nossa Senhora da Assunção que poderia traí-lo. Ganhou isolado e deu uma importante vitória a uma Efapel que já tinha visto Daniel Mestre ficar perto. Não houve pódio e muito menos a conquista da corrida, mas Barbio e o top dez de Paulinho e Casimiro fizeram com que o balanço pudesse ser considerado positivo.

Uma palavra para Rafael Silva. Ninguém apontaria nada a um ciclista que leva 14 pontos nas costas e mais três no braço e decidisse abandonar. Rafael Silva continuou, com o apoio de colegas que recusaram deixá-lo para trás. Não foi fácil, mas ainda conseguiu dar uma ajuda mais perto do final da Volta. Em Viseu, na última etapa, só havia sorrisos por ter cortado a meta.

A época da Efapel pode ter-se centrado muito em Sérgio Paulinho, mas acabou por demonstrar que o todo o conjunto tinha valor. Ainda assim, em 2018 será de esperar que na Volta a Portugal do próximo ano possa estar na discussão. Barbio e Álvaro Trueba optaram por outros caminhos - Miranda-Mortágua e Sporting-Tavira -, mas já está garantido mais um ciclista muito experiente, o espanhol David Arroyo (37). De Espanha chega ainda Marcos Jurado (26) que estava na Burgos-BH.



21 de maio de 2017

Efapel com dois ciclistas no pódio na Volta a Castela e Leão

O pódio final: Rosón, Hivert e o português Henrique Casimiro
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
Tem competido mais por Portugal este ano, mas a viagem até Espanha da Efapel foi bastante produtiva. A equipa terminou a Volta a Castela e Leão com dois ciclistas no pódio. Henrique Casimiro foi terceiro a 55 segundos do vencedor, o francês Jonathan Hivert, da Direct Energie. Em segundo ficou Jaime Roson, ciclista espanhol da Caja Rural que alcança a mesma posição da Volta à Croácia. Casimiro foi terceiro na etapa rainha de sábado, tirada que acabou por ser decisiva para a classificação final. Já Daniel Mestre conquistou a camisola dos pontos, subindo assim também ao pódio. Porém, a prestação das equipas portuguesas teve ainda mais resultados de nota.

João Rodrigues foi o mais forte na montanha
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
João Rodrigues (W52-FC Porto) venceu a classificação da montanha e a Efapel foi a segunda melhor equipa, a 26 segundos da italiana Androni Giocattoli. No top dez da geral, destaque ainda para a presença de Frederico Figueiredo (Sporting-Tavira), a 1:08 minutos de Hivert, António Carvalho e Joaquim Silva, ambos da W52-FC Porto, foram sétimo (a 1:14) e oitavo (a 1:19), respectivamente e o espanhol Jesus del Pino (Efapel) foi nono, a 1:28.

Ao fim de três dias de competição, o director desportivo da Efapel ficou muito satisfeito com a exibição dos seus ciclistas. “A nossa prestação foi extremamente positiva. Viemos com o intuito de lutar pelas vitórias e isso foi uma realidade. Além disso, conseguimos terminar no pódio da geral individual com o Henrique [Casimiro], conquistámos a camisola azul com o Daniel [Mestre] e ainda terminámos em segundo a nível colectivo. Foi uma corrida dura e exigente mas a equipa esteve à altura. Saímos com um conjunto ainda mais preparado e forte”, salientou Américo Silva, num comunicado da equipa.

Daniel Mestre ficou com a camisola dos pontos
(Fotografia: Facebook Volta a Castela e Leão)
A última etapa da Volta a Castela e Leão foi ganha por Carlos Barbero, ciclista da Movistar, a única equipa do World Tour presente nesta corrida. Nuno Bico foi um dos corredores presentes pela formação espanhola, terminando na 48ª posição da geral, a 5:20 minutos de Hivert. O outro português em prova por uma equipa estrangeira, Rafael Reis (Caja Rural), foi 55º, a 6:34. O ciclista de Palmela foi terceiro na primeira etapa, atrás de Daniel Mestre, ambos batidos pelo russo Alexander Evtushenko (Lokosphinx).

Das seis equipas de elite portuguesas só o Louletano-Hospital de Loulé não esteve presente, mas todas estarão juntas no Grande Prémio Jornal de Notícias. Uma das principais corridas do calendário nacional realiza-se esta semana entre 24 e 28 de Maio.

Pedro Lopes conquista Taça de Portugal de juniores

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ciclista da equipa Alcobaça CC/Crédito Agrícola foi sexto classificado no Circuito da Palmeira - Prémio Peixoto Alves, em Braga, mas o resultado foi suficiente para Pedro Lopes conquistar a Taça de Portugal de juniores, somando 250 pontos, mais 39 pontos do que Pedro Teixeira (Maia) e 43 do que Hugo Garcez (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel).

Afonso Silva venceu a corrida que homenageia o vencedor da Volta a Portugal em 1965. O ciclista do Sporting/Tavira/Formação Eng. Brito da Mana deixou Pedro Teixeira a 1:06 minutos.

Nos sub-23, a selecção nacional participou na Ronde de l’Isard, uma das mais prestigiadas provas por etapas deste escalão. Ciclistas como Kenny Elissonde (actualmente na Sky) e Alexandre Geniez (AG2R) ganharam esta corrida. Andrew Talansky e Joe Dombrowski (Cannondale-Drapac), Jonathan Castroviejo (Movistar), Dylan Teuns (BMC), Tiesj Benoot (Lotto Soudal) e George Bennett (Lotto-Jumbo e que ganhou a Volta a Califórnia) são nomes que constam da lista de pódios.

Tiago Antunes foi terceiro na última etapa da Ronde de l’Isard, ganha pelo russo Pavel Sivakov (BMC Development Team), que conquistou também a geral. O melhor português foi precisamente Tiago Antunes, com o décimo lugar a 12:10 minutos. Quanto aos restantes representantes lusos, Hugo Nunes foi 26.º, a 26:50; Gonçalo Carvalho, 28.º, a 30:11; Venceslau Fernandes, 34.º, a 34:45; Gaspar Gonçalves, 42.º, a 38:57; André Carvalho, 63.º, a 55:43.

José Borges em acção (Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Na Taça de Portugal de Enduro, José Borges (Enduro BTT Braga) manteve a invencibilidade, vencendo a segunda prova em Lorvão. O madeirense Emanuel Pombo (Ciclo Madeira Clube Desportivo) repetiu o segundo lugar da primeira etapa da competição. Nas senhoras, a estoniana Maaris Meier (Maiatos/Reabnorte) não deu hipóteses à concorrência, batendo Ana Leite (Enduro BTT Braga) por 1:03 minuto, mas o segundo lugar permitiu-lhe manter a liderança da Taça de Portugal.

João Nóbrega (Ciclo Madeira Clube Desportivo) foi o melhor júnior, Duarte Ribeiro (Maiatos/Reabnorte) venceu a corrida de cadetes, Hélder Padilha (Montanha Clube/LouzanPark) impôs-se nos Master 30, e Vasco Correia (Penacova DI/UD Lorvanense) manteve-se invencível nos Master 40.

»»Daniela Reis contente com corrida das suas "tuguinhas"««

»»Raúl Alarcón vence Volta às Astúrias e deixa Nairo Quintana no segundo lugar. W52-FC Porto foi a melhor equipa««

8 de maio de 2017

Sérgio Paulinho e Américo Silva recordam as participações na Volta a Itália

(Fotografia: Giro d'Italia)
Sérgio Paulinho e Américo Silva. Duas gerações de ciclistas portugueses, amigos e agora líder e director desportivo da Efapel. Actualmente trabalham em prol de tentar vencer a Volta a Portugal, no regresso de Paulinho a Portugal depois de 12 anos ao mais alto nível, mas no currículo de ambos está uma Volta a Itália. Em ano da 100ª edição da corrida, o Volta ao Ciclismo foi recordar a experiência de ambos nesta corrida, que está na sombra do Tour, mas que tem por hábito oferecer bons espectáculos de ciclismo. Ambos adoraram a experiência e Sérgio Paulinho disse mesmo que recomenda aos ciclistas portugueses que tiverem a oportunidade a fazer o Giro.

"Nestes últimos anos, a corrida que mais adorei fazer foi o Giro. É tudo em si... o convívio que há no Giro acaba por ser diferente de todas as outras corridas. Recomendo", salientou o ciclista da Efapel. Foi em 2015 que Sérgio Paulinho foi chamado para estar em Itália, a grande volta que lhe faltava. "Era um desejo que sempre tive e estive ao ponto de não o concretizar porque não fazia parte do meu calendário em 2015. Só fui à última hora porque no início do ano a minha forma era boa, as coisas estavam a correr-me bastante bem e a equipa decidiu levar-me", recordou. Competitivamente acabou por ser mais uma grande volta que ajudou Alberto Contador a conquistar - Paulinho terminou na 97ª posição, a mais de quatro horas do colega -, mas o português salienta também outros factores que o fizeram adorar as três semanas que passou no Giro, comparativamente com a Volta a França.

"Os hotéis são muito melhores, a comida é muito melhor. Quando falo da comida, falo daquela que costumamos comer, as massas, o arroz... é completamente diferente. Para mim o Giro tem tudo para ser melhor do que o Tour. O único problema da Volta a Itália, por vezes, é a meteorologia, devido às suas datas. Se calhar, se trocássemos o Giro pelo Tour, acho que logo no primeiro ano o Giro teria muito mais impacto do que o Tour", referiu. Mesmo em termos de público, o ciclista destacou que em Itália é melhor.

Das três grandes voltas, Sérgio Paulinho considera que a italiana é a mais dura. Contudo, destaca então um outro factor extra-corrida: o convívio. "Só para se ter uma ideia, há sempre aqueles espaços a que chamamos villages, onde estão os stands dos patrocinadores e que nós podemos visitar. Mas no Tour é praticamente impossível. Ou seja, no Tour, levantamo-nos, tomamos o pequeno-almoço, vamos para o autocarro, do autocarro vamos directos para a partida. Não podemos ir visitar os stands, tomar um café com amigos do pelotão... No Giro isso é possível fazer e é uma coisa que nós ciclistas gostamos, esse convívio, de tirar fotos com miúdos que nos vêm ver, que querem as fotos com os seus ídolos. E depois é aquele tempo de café: dentro de uma hora és meu adversário, mas agora somos amigos! Isso encantou-me", contou.

É preciso recuar até 1993 para falar da presença de Américo Silva na Volta a Itália. Terminou na 116ª posição, a mais de duas horas do vencedor, Miguel Indurain. Teve como melhor resultado o nono lugar numas das etapas. "Não me correu muito bem. Naquele ano fizemos a Volta a Espanha e Giro, que eram corridas muito em cima uma da outra. Eu estava numa equipa pequena e não havia o intuito de estar bem no Giro, era mais nas provas em Espanha. Eu fui dos poucos da equipa que terminou a corrida", recordou. 

Mesmo não tendo corrido bem, Américo Silva realçou que gostou muito de estar no Giro e comparou com a Volta a Espanha: "O nível competitivo era superior." Porém, disse que a organização era melhor na Vuelta. Quanto ao facto do Giro estar sempre atrás do Tour a nível de importância e de preferência da maioria dos ciclistas, ainda que tenha até possa proporcionar melhores espectáculos, o director desportivo da Efapel realçou que a Vuelta tem sido a mais espectacular nos últimos anos e mesmo assim está em terceiro nesse "ranking" das grandes voltas.

"A grande diferença que existe é que normalmente para o Giro e Vuelta meia dúzia de ciclistas preparam-se bem. Na Volta a Itália são os italianos e normalmente na Vuelta, os espanhóis, mas um ou outro estrangeiro. No caso do Tour, todos os ciclistas que lá estão vão na máxima força. Ninguém vai lá a dizer a dizer que vai preparar outra corrida. No Giro alguns dizem isso. A Volta a Espanha como é a última e como andaram bem no Giro ou no Tour, então há uma elite que a disputa. Só por este discurso percebe-se que o Tour... é o Tour. Todos partem com o objectivo de estar muitíssimo bem na Volta a França", explicou.

No entanto, considera que este ano poderemos estar perante um Giro mais competitivo, até pela presença de vários líderes que, ao terem essa posição numa equipa, querem ganhar. E claro, na Volta à França há um Chris Froome e uma Sky que diminuem muito a possibilidade de alguém vencer, o que faz com que alguns ciclistas olhem para a corrida italiana como a possibilidade de vencer uma grande volta. E depois, ser 100ª edição também tem o seu peso.

Candidatos ameaçam começar a atacar já no Etna

Quanto à actual edição, as primeiras três etapas da Volta a Itália foram mais a pensar nos sprinters, ainda que na segunda uma subida de segunda categoria dificultou a vida de alguns dos homens da rápido. Se na maior parte dos dias foram tiradas do mais expectável no ciclismo - fuga, com equipas dos sprinters a perseguir - os finais acabaram por ser bem interessantes. No primeiro dia foi Lukas Pöstlberger a grande surpresa. Tentou preparar o sprint para o colega Sam Bennett, mas ganhou vantagem e acabou por vencer, com a Bora-Hansgrohe a começar o Giro - a sua primeira grande volta como equipa World Tour - com todas as camisolas, já que Cesare Benedetti ficou como líder da classificação da montanha.

Na segunda etapa, André Greipel venceu a sétima da sua carreira no Giro, mas no dia seguinte o vento proporcionou um grande espectáculo, com a Quick-Step Floors a "partir" o pelotão. Fernando Gaviria venceu na sua estreia no grande volta e Bob Jungels ganhou uns segundos aos restantes candidatos. Três etapas, três líderes e esta terça-feira haverá certamente um novo.


Depois do dia de descanso, os ciclistas terão pela frente a primeira chegada em alto. O Etna poderá começar a marcar desde já diferenças, tendo em conta o discurso de alguns dos favoritos. Geraint Thomas (Sky) está com ideias, assim como Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo). Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) admite como seria perfeito estar vestido de rosa quando na quarta-feira a etapa acabar em Messina, cidade onde nasceu. Tejay van Garderen (BMC) diz que está a sentir-se muito bem, mas fala mais em defender-se do que propriamente atacar. Serão 181 quilómetros entre Cefalù e a meta no Etna (gráfico da subida final em baixo).


Numa corrida de 21 dias, pode parecer cedo para tentar ataques muito fortes. Porém, tendo em conta que só no domingo os candidatos voltarão a ser colocados em prova, com mais uma chegada em alto, em Blockhaus, é provável que se comece a assistir a alguns testes, nem que seja tentar perceber quem está e não está bem.

»»Veio o vento e foi 'showtime' da Quick-Step Floors««

»»Greipel em máxima potência já tem a sua maglia rosa««

14 de fevereiro de 2017

Volta ao Algarve entre o brilho do World Tour e a ambição das equipas nacionais

(Fotografia: Facebook Volta ao Algarve)
Aos 43 anos de história a Volta ao Algarve atinge o seu ponto áureo. Ou não? Poderá esta competição dar mais um passo e chegar ao World Tour? Valerá a pena fazê-lo ou ser uma corrida 2.HC (o segundo escalão mais importante) é o equilíbrio perfeito entre ter algumas das melhores equipas mundiais e manter a porta aberta para as portuguesas, todas do escalão Continental?

A Volta ao Algarve mexe com sentimentos diferentes comparativamente com a Volta a Portugal. A nossa "grandíssima" continua a ser a corrida do povo, aquela onde se cumprem tradições quase religiosamente. E isso é positivo. Apesar de se gostar que pudesse regressar a tempos em que atraiu outro tipo de equipas, para já, agarramos esta tradição para manter a Volta a Portugal viva. Na Volta ao Algarve é tudo diferente. Nesta corrida vê-se mais aquele adepto do ciclismo, aquele que conhece praticamente todo o pelotão internacional e que procura as grandes estrelas tratando-as pelo nome sem hesitação ou necessidade de perguntar a alguém. São adeptos de todas as idades. Não significa que não gostem ou não sigam o ciclismo português. Mas enquanto na Volta a Portugal ainda se mantém aquela tradição muito em família de ir ver o pelotão passar, na Volta ao Algarve é tudo (ou quase) pelo autógrafo, pela fotografia, por um momento com uma grande estrela, que de outra forma dificilmente se verá in loco.

Onde encaixam as equipas portuguesas? Américo Silva considera que é a oportunidade dos ciclistas terem "um contacto internacional dentro de portas", mas José Santos considera que "o pelotão é tão forte, que não há hipótese", não vendo grandes benefícios para as formações nacionais. O director desportivo da Efapel e da Rádio Popular-Boavista têm duas visões bem diferentes desta internacionalização da Volta ao Algarve.

"É um nível competitivo completamente diferente, mas também necessitamos disso. Independentemente de estarmos a falar de patamar diferentes, é bom que os objectivos sejam por vezes altos para termos a noção da dificuldade que é para chegar às vitórias e assim querermos mais e trabalharmos mais. Se os objectivos se tornarem fáceis, as coisas tornam-se demasiado monótonas", explicou Américo Silva ao Volta ao Ciclismo.

Já José Santos faz uma comparação futebolística: "É como fazermos um torneio de futebol e incluir o Real Madrid, o Barcelona, o FC Porto e o Benfica e colocarmos lá uma equipa da terceira divisão!" O mais antigo director desportivo do pelotão nacional destaca ainda que "não é normal que um país tenha o seu pico de actividade em Fevereiro. É o mês mais competitivo em Portugal". José Santos refere-se ao facto da época por cá começar neste mês e que além da Prova de Abertura e da Volta ao Algarve, seguir-se logo a Volta ao Alentejo, a outra competição mais importante do calendário, a seguir à Algarvia e à Volta ao Portugal. E este ano a Taça do Alpendre foi cancelada, ou talvez adiada, já que está em aberto a possibilidade de se realizar noutra altura do ano.

Salienta ainda que tem dúvidas que valha a pena fazer uma preparação específica para a Volta ao Algarve, tendo em conta que não há previsão de alcançar um resultado de nota, ainda que diga que "no ciclismo não há nada que não possa acontecer".

E Amaro Antunes é a prova disso. Terminou na 10ª posição em 2016, então ao serviço da LA Alumínios-Antarte. Américo Silva recorda isso mesmo e realça também que a Efapel conseguiu ficar nos 15 primeiros colectivamente, algo que diz ter sido "muito positivo" tendo em conta a forte concorrência que enfrentou.

O responsável da Efapel refere ainda a transmissão televisiva que este ano está garantida no Eurosport e na TVI24. Ou seja, uma exposição mediática sempre desejada. No entanto, José Santos considera que na Volta ao Algarve só se fala das grandes equipas, "o que é normal". Mais uma vez fala em benefícios, realçando que vão todos para as equipas do World Tour: "Nos seus países de origem não podem treinar. Vêm para o sul de Espanha e para Portugal porque o clima é bom. Na Europa não há muitas provas nesta altura. Há fora da Europa. Se colocássemos a Volta ao Algarve em Maio não viria nenhuma dessas equipas."

Mesmo a possibilidade de jovens ciclistas terem contacto com o pelotão internacional, José Santos afirma ser preferível esse contacto ser feito em corridas como a Route du Sud. "O pelotão não é tão grande e estão lá algumas dessas equipas, mas o ambiente, organização e as pessoas são diferentes", diz.

Enquanto José Santos assume um tom mais crítico, Américo Silva considera que a Volta ao Algarve está no ponto certo. Crescer mais poderá trazer mais desvantagem às equipas portuguesas: "Crescer mais depois de terem cá estado Richie Porte, Marcel Kittel, Alberto Contador? Mais que isso não se pode pedir."

A subida para a segunda categoria da UCI e a transmissão televisiva são duas grandes vitórias para a Federação Portuguesa de Ciclismo. Se as equipas do World Tour já vinham marcando presença na Algarvia, a transmissão televisiva, por exemplo, poderá aumentar a atracção, pois a partir de agora a exposição mediática é outra e principalmente é aquela que as grandes equipas querem: mostrar os seus patrocinadores ao maior número de público, algo que o Eurosport traz garantias.

A organização da Volta ao Algarve terá agora o objectivo de consolidar esta posição da corrida no calendário internacional. Uma subida à categoria World Tour poderá ser uma tentação, mas exemplos recentes demonstram que, para já, a Algarvia estará na posição ideal.

Recentemente organizações de corridas que subiram ao World Tour manifestaram a preocupação que os custos (que podem chegar a triplicar) não compensem os eventuais benefícios, que até podem não ser muitos devido à regra que as equipas do principal escalão podem escolher se querem ou não estar presentes nas novas corridas. A Volta à Turquia, por exemplo, só tem uma garantida e dificilmente terá as dez que está obrigada para se manter na categoria.

Depois há outra situação que envolve a Volta à Califórnia. Com a subida à categoria World Tour e tendo em conta que já era uma corrida popular entre as grandes equipas, as formações Continentais dos EUA estão a ver a porta fechar-se para a principal competição no país, situação que está a gerar muitas críticas, mas que pouco haverá a fazer. A Volta à Califórnia sobe de categoria, mas deixa de receber muitas das equipas nacionais.

Demorou e foi necessário muito trabalho para dar a importância que hoje a Volta ao Algarve tem actualmente. Além das equipas do World Tour - que este ano serão 12 das 25 presentes (o máximo permitido) -, também atrai nomes importantes do escalão Profissional Continental. Caso da Caja Rural que muito gosta de marcar presença em Portugal. O director desportivo Eugenio Goikoetxea considera que a Algarvia "é uma prova muito importante e com boas equipas, equipas do World Tour". Mais habituado a lidar com formações deste nível, o responsável da formação espanhola diz que será difícil conseguir um grande resultado devido "à tanta qualidade que está na prova". Mas irá, naturalmente, tentar.

Até onde poderá chegar a Volta ao Algarve? O tempo o dirá, mas ao olhar para o pelotão que estará presente, o melhor é aproveitar o presente. John Degenkolb, Mark Cavendish, André Greipel, Tony Martin, Sep Vanmarcke...  E esta quarta-feira, Albufeira recebe a grande partida (12:30), com a primeira etapa a terminar em Lagos, com chegada ao sprint a ser a mais provável (cerca das 16:50).


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28 de janeiro de 2017

Américo Silva: "A Efapel está colectivamente mais forte"

(Fotografia: Facebook Efapel)
A Efapel fez a contratação mais mediática do pelotão nacional para 2017. O regresso de Sérgio Paulinho a Portugal, depois de 12 anos no World Tour, significa que a equipa de Ovar tem um novo líder, depois de ter perdido dois dos principais ciclistas: Joni Brandão e Filipe Cardoso. Porém, permaneceram Daniel Mestre, Henrique Casimiro, Rafael Silva, António Barbio e Álvaro Trueba. Bruno Silva está de regresso depois de dois anos na La Alumínios-Antarte, o espanhol Jesus del Pino (26 anos, ex-Burgos BH) foi contratado a pensar na montanha, tal como o jovem colombiano Matteo Garcia (20 anos, ex-EPM-UNE-Área Metropolitana). Conclusão de Américo Silva: "A Efapel está colectivamente mais forte."

O director desportivo está satisfeito com os ciclistas com quem está a trabalhar este ano, salientando que apesar das saídas, "mantém-se a parte da coesão da equipa, que também tem um papel fundamental". No entanto, Américo Silva avisa que 2017 não será como no ano passado: "As equipas reforçaram-se e todas têm um líder consistente para vencer corridas. Em 2016, as vitórias e o trabalho realizado em busca dessas vitórias foram repartidos entre a Efapel e a W52-FC Porto. Acho que este ano as corridas serão mais competitivas."

Ganha o público que terá corridas mais indefinidas, perde a Efapel que poderá não conseguir tantas vitórias. Mas Américo Silva garantiu que a formação estará na luta da primeira à última corrida. "Os nossos objectivos serão sempre dois: vencer e trabalhar para vencer", salientou o responsável ao Volta ao Ciclismo. A Efapel, que só venceu uma Volta a Portugal, aposta forte com a contratação de Sérgio Paulinho, ainda assim, Américo Silva afirmou que a pressão para alcançar a vitórias, nomeadamente na principal corrida portuguesa, não aumentou. "Este patrocinador logicamente que gosta de vencer como todos, mas tem a noção do investimento que faz e tem estado satisfeito com a prestação da equipa em termos desportivo e de imagem", explicou.


"Noto que o Sérgio já assimila essa liderança. Agora as provas vão nos dar determinados pormenores para saber se é preciso ir corrigindo algo, ou não, nessa capacidade de liderança"

David Blanco conquistou a única Volta a Portugal para a Efapel, em 2012, e Américo Silva acredita que Sérgio Paulinho pode dar essa vitória à equipa. A experiência do ciclista de 36 anos será uma arma e o trabalho para "transformar" um gregário num líder está a ser feito de forma gradual. "As corridas terão um papel muito importante, mas noto que o Sérgio já assimila essa liderança. Agora as provas vão nos dar determinados pormenores para saber se é preciso ir corrigindo algo, ou não, nessa capacidade de liderança, para que assim possa tentar chegar às vitórias", frisou.

Américo Silva terá de aliar a experiência de Sérgio Paulinho à juventude de ciclistas como Matteo Garcia. O colombiano destacou-se como sub-23 na Colômbia, mas o próprio director desportivo da Efapel admitiu que não sabe o que esperar de Garcia. "Já vi qualidade nele [durante o estágio]. Não estamos à espera de o ver conquistar logo vitórias, mas precisamos de ciclistas para a alta montanha e ele mesmo tendo pouca experiência tem uma característica muito importante: a vontade de aprender. Tendo vontade e humildade - e ele tem muita - está tudo encaminhado para que possamos ter um ciclista com a qualidade que nós pretendemos", referiu.

António Barbio (23 anos) e Alvaro Trueba (24 anos) são também ele jovens promissores, mas Américo Silva recordou: "Normalmente juventude representa inexperiência e isso nunca é uma mais valia. Mas existe qualidade na juventude da equipa e agora há um trabalho muito maior a fazer, principalmente da minha parte, para conseguir tirar resultados. É um trabalho interessante de desenvolver."

O pelotão mais competitivo dos últimos anos

O regresso de ciclistas como Sérgio Paulinho, Edgar Pinto (LA-Alumínios-Metalusa-BlackJack) e Fábio Silvestre (Sporting-Tavira), as permanências de Joni Brandão e Gustavo Veloso, por exemplo, ajudam a fazer do pelotão nacional "um dos mais competitivos dos últimos anos". Américo Silva considera que poderá assistir-se ao um (re)início de crescimento do ciclismo em Portugal, com maior interesse por parte dos adeptos e eventualmente de patrocinadores.

"Esperemos que tenha esse tipo de repercussão. A crise afectou todas as áreas em Portugal, em termos desportivos, empresarial... Está tudo interligado. Agora, no desporto e concretamente no ciclismo, vai este ano haver alguma melhoria. Não será significativa, mas podem ser os primeiros passos", disse o director desportivo.

(Fotografia: Facebook Efapel)

A Efapel apresentou este sábado os seus ciclistas, uma semana antes do arranque da temporada no Troféu Liberty Seguros (5 de Fevereiro), 160 quilómetros que começam em Anadia, com a meta precisamente na "casa" da Efapel, em Ovar.

»»Sérgio Paulinho: "Acho que 2017 vai ser um ano espectacular. Acho que vou ser bastante feliz"««

»»Sérgio Paulinho: "O Alberto Contador nunca foi capaz de me dizer nada. Foi isso que mais me magoou"««