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18 de setembro de 2017

Depois da edição centenária há que "criar algo grande". Será este um "Giro Santo"?

Alberto Contador (à esquerda) e Ivan Basso (direita) estiveram na apresentação
e pedalaram acompanhados pelo presidente da câmara Nir Barkat
e o presidente honorário do arranque do Giro em Jerusalém, Sylvan Adams
(Fotografia: Twitter Giro d'Italia
Já lhe chamam assim: o "Giro santo". Está oficializado o início da Volta a Itália em Jerusalém e agora correm os rumores que o final será no Vaticano. Mauro Vegni, director da competição, não confirma, preferindo destacar a importância da corrida ir até Israel. O Giro quer marcar a diferença e se tudo começa com um contra-relógio individual de 10,1 quilómetros, ao terceiro dia haverá uma etapa de 226 quilómetros que atravessará o deserto. Vegni diz que "o Giro inova", equanto a "Vuelta melhora" e o Tour está "atascado".

A apresentação das três primeiras etapas aconteceu com a presença de um Alberto Contador a gozar os primeiros dias pós-profissionalismo, recuperando de uma desgastante Volta a Espanha, mas já a pensar em dedicar-se aos seus projectos com os jovens ciclistas da sua fundação. O espanhol admite que ainda só andou de bicicleta um dia após o final da Vuelta, mas garante que irá voltar aos treinos, mas certamente com outro ritmo. O vencedor do Giro em 2008 e 2015 esteve acompanhado por Ivan Basso, que conta também com duas vitórias: 2006 e 2010.


Inevitavelmente Contador desviou algumas das atenções, mas é em Jerusalém que todas se vão centrar quando a 4 de Maio o pelotão arrancar na Cidade Velha de Jerusalém (10,1 quilómetros). Seguem-se dois dias para os sprinters. Primeiro serão 167 quilómetros que ligarão Haifa a Telavive e no dia seguinte a tal longa etapa pelo deserto de Neguev, que é mais de metade do território israelita. A partida será em Beersheba e a meta estará em Eilat, junto ao Mar Vermelho.


Mauro Vegni explicou ao jornal Marca que a ideia de viajar para Israel integra o plano de internacionalizar ainda mais a Volta a Itália. Para já, entra na história como a primeira grande volta a começar fora da Europa. "Israel representa um bom projecto para revalorizar o território israelita e também para promover a itanialização do mundo", salientou o responsável. Naturalmente que a questão financeira foi uma das questões, mas Vegni disse apenas que não deram primazia "ao aspecto económico, mas sim à ideia de querer algo novo".


Num país sempre sobre ameaça a nível de segurança, Mauro Vegni passa uma imagem de tranquilidade: "Francamente creio que estaremos seguros. Temos visto como os perigos podem estar em qualquer sítio. Tivemos há pouco um atentado no metro de Londres e também em Barcelona. Aqui contaremos com uma grande segurança."

Vegni também se mostra descansado com a logística necessária para levar o Giro até tão longe. Depois de uma edição especial como foi a 100ª, que atravessou Itália desde as ilhas a sul até ao norte do país, o director quer começar um novo século da corrida de uma forma inovadora. "A edição de 2017 foi histórica porque era o nosso centenário, agora temos de criar algo grande", salientou. Quanto ao falado final no Vaticano, Vegni não quis confirmar, estando ainda em estudo se Roma ou Milão recebem a etapa da consagração. 

Este ano assistiu-se à confirmação de um grande voltista, com Tom Dumoulin a ganhar o Giro. Agora falta receber se aquele a quem só lhe falta precisamente a Volta a Itália irá estar na corrida: "Estamos a trabalhar para que [Chris Froome] venha e pensamos que está perante uma oportunidade única para a disputar. Acho que não temos de mudar o percurso para o seduzir. Nunca desenhamos um percurso a pensar num ciclista." A missão não se apresenta fácil, já que Froome tem como principal objectivo garantir o quinto Tour. Depois, talvez comece mesmo a pensar no Giro.

Em 2018, a partida em Jerusalém servirá ainda de mote para uma homenagem a Gino Bartali. O ciclista italiano, que nas décadas de 30 e 40 venceu três Giros e duas Voltas a França, além de quatro Milano-Sanremo e três Giros di Lombardia, teve um papel importante na ajuda a judeus perseguidos no Holocausto, durante a II Guerra Mundial. "Ajudou a salvar muitos judeus através da bicicleta", destacou Vegni. Bartali morreu em 2000 aos 85 anos.

»»"Infelizmente as notícias sobre Israel são mais sobre a guerra do que sobre a vida normal"««

»»O Giro100 é dele e merecidamente. E agora Dumoulin?««

13 de setembro de 2017

Contador percebeu que afinal tinha quatro sonhos para concretizar enquanto ciclista

(Fotografia: Facebook Alberto Contador)
Pediram-lhe para ficar mais um ano, mas Alberto Contador respondeu que era assim que se queria despedir. Depois da forma como disse adeus na Volta a Espanha, primeiro com a vitória no Angliru, no dia seguinte com o pelotão a deixar o espanhol entrar isolado em Madrid e dar uma volta ao circuito final para assim receber a merecida ovação e depois com o autocarro da Trek-Segafredo a ser rodeado por centenas de pessoas que se quiseram despedir do ciclista, Contador regressou a casa, em Pinto - município da capital espanhola - para ser recebido como o campeão que é. "Gostaria de meter estes momentos numa caixinha e vivê-los daqui a uns anos novamente. Estou emocionado porque vejo pessoas que me viram crescer e que têm carinho por mim", salientou o ciclista (agora ex) na recepção perante uma multidão que encheu a praça principal de Pinto.

Estamos habituados a ver imagens destas quando uma equipa de futebol é campeã, por exemplo. Mas Contador deixou uma marca profunda no ciclismo e a sua terra (e não só) não o irá esquecer. El Pistolero - a alcunha perdurá no tempo - não cedeu ao apelo de competir mais um ano. "É o momento certo para deixar. Encontro-me com energia, mas há que dar espaço aos novos ciclistas. Quando me tornei profissional tinha três sonhos: ser profissional, competir no Tour e ganhá-lo. Este domingo dei-me conta que tinha um quarto: despedir-me desta maneira", referiu no discurso que fez na sua terra.

Com muitos descrentes perante a nova geração de ciclistas espanhóis, Contador deixa a sua palavra que "há corredores com muito futuro". Ele próprio vai ajudar a preparar novos talentos, pois através da sua fundação vai continuar a promover as escolinhas, juvenis e sub-23, mas também irá estar ligado a uma equipa Continental, admitindo que nos próximos anos possa vir a subir de categoria, talvez até ao World Tour.

Não o veremos disparar mais vitórias, mas parece que vamos continuar a ouvir e ver Contador, agora num outro papel no ciclismo. O próprio já brincou a dizer que os jornalistas vão gozar com ele quando engordar! É a nova vida pós profissionalismo que aí vem e Contador quer deixar a sua marca de outra maneira. Uma delas será na área da saúde. Já o faz há algum tempo, mas quer dedicar-se mais a ajudar quem tal como ele sofreu um aneurisma cerebral (em 2004): "Através dessa experiência que vivi quero que as pessoas conheçam essa doença e quero ajudar no que puder."

»»Carta aberta a Alberto Contador««

»»Houve mesmo um último disparo. Gracias Contador««

10 de setembro de 2017

Os mais e menos desta sensacional Vuelta

O pódio da 72ª edição da Vuelta: Zakarin (3º), Froome (1º) e Nibali (2º)
(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
É verdade que já se repetiu aqui várias vezes a "sensacional Vuelta", ou "fenomenal Vuelta". Mas foi e há que sublinhar isso mesmo. Com um Giro interessante, mas não tão espectacular como em anos anteriores e com uma Volta a França, mais emotiva do que tem sido normal, mas ainda assim a pecar por ter um percurso conservador, esta Vuelta foi uma corrida de três semanas de fazer os adeptos de ciclismo ficarem sentados quase da primeira à última etapa sem grandes momentos para se bocejar! Chegou ao fim e podemos começar a pensar no final de temporada, com os Mundiais e a Lombardia como principais destaques. Mas antes fica aqui os mais e menos de uma Vuelta de emoções fortes.

Os mais...

Chris Froome, claro. É o primeiro ciclista a fazer a dobradinha Tour/Vuelta desde que as corridas estão no actual calendário. Depois de três segundos lugares, finalmente a vitória e com uma demonstração do poderio que nos habituámos a ver no Tour e que este ano tinha sido colocado em causa. Venceu duas etapas (uma foi o contra-relógio) e vestiu a camisola vermelha na terceira etapa e nunca mais a tirou. A Sky também esteve em grande nível, depois de há um ano ter falhado perante o seu líder na Vuelta. Wout Poels foi imperial, Gianni Moscon uma confirmação que é mais um homem preparado para servir a Sky nas grandes voltas.

Alberto Contador. Começou tão mal esta Vuelta que se chegou a temer que a despedida seria marcada por um abandono. Afinal, a má etapa de Andorra tinha sido devido a um problema de saúde. Recuperou e foi espectáculo atrás de espectáculo. Custou, mas ganhou uma etapa e logo no Angliru. É o primeiro ciclista a vencer duas vezes nesta mítica subida. Faltou-lhe o pódio na hora do adeus, mas deixou uma marca tão profunda nesta Volta a Espanha, que garantiu que será lembrado por mais uma grande corrida que fez, independentemente do quarto lugar. E que bonita foi aquela entrada em Madrid, com o pelotão a deixar-se ficar para trás, deixando Contador receber uma enorme ovação pelas ruas da sua cidade. Mais um pormenor: salvou a Espanha de não ter nenhum ciclista seu a vencer em casa, algo que só aconteceu em 1996.

Ilnur Zakarin e Wilco Kelderman. O russo da Katusha-Alpecin consegue o seu primeiro pódio numa grande volta. A aposta de José Azevedo começa a render, depois do quinto lugar no Giro. A concorrência era bem mais feroz na Vuelta e apesar de um início pouco convincente, Zakarin terminou em grande e a dizer que está pronto para um maior desafio em 2018: o Tour. Quanto ao holandês da Sunweb, depois de ter sido o homem de confiança que Tom Dumoulin perdeu no incidente com a moto no Giro, agarrou com tudo o que tinha a oportunidade de liderar uma grande volta. Acabou por cair de terceiro para quinto lugar no Angliru, mas ainda assim são mais os aspectos positivos a tirar do que os negativos. Demonstrou que a Sunweb tinha razão em mandar para casa um Warren Barguil a querer ser a estrela e não um homem de equipa. A ver vamos o que reserva a Kelderman em 2018, sendo certo que não irá livrar-se de ajudar Dumoulin, mas a merecer nova oportunidade como líder.

Michael Woods. É a surpresa no top dez. Aos 30 anos fez a sua melhor corrida, naquela que foi apenas a sua segunda grande volta. Brilhante sétimo lugar do canadiano que pouco se falou até hoje, mas que agora fica-se a pensar se tem mais para mostrar ou se apenas garantiu um lugar na equipa para 2018, no apoio a Rigoberto Uran. Pode já ter aparecido tarde, mas serão três semanas marcantes na carreira de um ciclista que normalmente mostra-se em provas de uma semana nos EUA, ou nas clássicas. Por curiosidade, Woods ganhou em 2015 a Clássica Internacional de Loulé. A Cannondale-Drapac colocou ainda Davide Villella como o rei da montanha, num ano muito positivo nas provas de três semanas, mesmo com a ameaça de ser o fim da linha da formação, algo já confirmado que não irá acontecer.

Miguel Ángel López. O Super-Homem do ciclismo está de regresso. Foi um ano penoso depois no final de 2016 ter sofrido uma queda grave num treino, na qual fracturou a perna. A confirmação do seu talento para as três semanas não aconteceu na Vuelta de 2016 (também caiu e abandonou depois de ter vencido nesse ano a Volta a Suíça), surgiu nesta, com duas vitórias de etapa e o oitavo posto na geral. Foi o melhor ciclista da Astana, que tinha Fabio Aru como líder. É um ciclista com um futuro muito (mesmo muito) promissor.

Os caçadores de etapas. Matteo Trentin (quatro) e Tomasz Marczynski (duas) foram os ciclistas que repetiram vitórias na Vuelta, além de López e Froome. Para o italiano foi o passaporte para o grupo de corredores que conquistaram tiradas nas três grandes voltas, enquanto o polaco estreou-se a vencer nestas corridas. Trentin venceu em Madrid, mas falhou a camisola verde porque, ao contrário do que se esperava, Froome foi sprintar e garantiu por dois pontos essa classificação. Ainda assim, para o italiano e para a Quick-Step Floors foi um saldo muito positivo. A equipa belga sai da Vuelta com seis vitórias, mais uma do que as conquistas no Giro e no Tour. Que época tremenda! Mas Marczynski contribuiu também para a Lotto Soudal ter razões para sorrir depois de um Tour em que ficou a zero. Armée Sander e Thomas de Gendt também venceram para a equipa. O belga juntou-se a Trentin como o vencedor nas três grandes.

A Aqua Blue Sport foi a única equipa das que receberam um convite para a Vuelta a conquistar uma vitória de etapa. A formação irlandesa - que conta com o massagista português Pedro Claudino - tentou ao sprint com o campeão inglês em 2016 Adam Blythe e integrou algumas fugas. Foi assim que conseguiu um triunfo por intermédio do austríaco Stefan Denifl. Foi uma vitória de extrema importância para uma formação a cumprir o seu primeiro ano de existência e a justificar um convite que surpreendeu muitos. Cofidis, Manzana Postobón e a formação da casa, Caja Rural, não conseguiram o mesmo protagonismo.

Os menos...

Começando pelas outras promessas além de López. As atenções eram muito sobre as espanholas e foi Marc Soler quem mais se mostrou. O jovem de 23 anos entrou em fugas e esteve muito activo na Vuelta, mas não foi recompensado nem com uma vitória de etapa, nem com uma classificação na geral digna de nota (perdeu mais de duas horas). Ganhou experiência o que poderá ser importante para o futuro, já que é um ciclista muito novo. O mesmo acontece com Jaime Rosón. Esteve um pouco melhor, mas o reforço da Movistar para 2017 - actualmente na Caja Rural - não se viu muito e acabou com mais de uma hora de atraso. Mais um caso em que se pode dizer que ganhou experiência.

Há ainda Rubén Fernández e David de la Cruz. O primeiro, da Movistar, deu tanto espectáculo há um ano e neste... praticamente nada. O segundo, da Quick-Step Floors e de malas feitas para a Sky, mostrou debilidades sempre que as dificuldades montanhosas mais complicadas apareceram. Quando se queria mostrar para garantir pelo menos um top dez, caiu antes de chegar ao Angliru e abandonou. Esperava-se mais e melhor dos dois.

Já se falou de dois ciclistas da Movistar, mas se há um grande menos nesta Vuelta é a equipa espanhola. Orfã de um líder (Nairo Quintana fez o Giro e o Tour e Alejandro Valverde está a recuperar de uma grave queda na Volta a França), a oportunidade dada aos ciclistas mais novos não deu frutos, pelos menos nesta Vuelta. Aposta para o futuro dirá o director desportivo Eusebio Unzué. Também não ajudou Carlos Betancur desistir após uma queda, ele que até parecia estar de facto bem fisicamente. Mas para uma equipa espanhol, a única do World Tour, com um patrocinador tão exigente que nem deixa que o campeão espanhol utilize uma camisola que o identifique claramente como tal, ter o melhor classificado na 36ª posição a 1:43.45 horas (Richard Carapaz)... Não há razões para sorrir. E nem uma etapa foi ganha pela Movistar. Volta para esquecer da equipa de Nelson Oliveira.

Destacam-se pela negativa mais duas equipas. A BMC que começou por vestir a vermelha e tentar disputar a geral primeiro com Rohan Dennis (mais uma vez não acabou uma grande volta) e depois com Nicholas Roche que foi um descalabro depois de sonhar com o pódio. Salvou-se o top dez de Tejay van Garderen, "oferecido" por Fabio Aru no Angliru. A Orica-Scott apostou forte com Johan Esteban Chaves e os gémeos Yates. Adam e Simon foram uma tremenda desilusão. Talento não lhes falta, mas está a faltar algo para começarem finalmente a discutir grandes voltas, além das classificações da juventude. Quanto a Chaves, foi ao Tour para ganhar ritmo depois de meio ano perdido a recuperar de uma lesão no joelho. Apareceu bem na Vuelta, mas não na apresentada há um ano, que lhe valeu o pódio. Com um contra-relógio de 40 quilómetros foi impossível lutar por resultado idêntico. Apesar de no início ser o colombiano o único que não largava Froome, quebrou e terminou fora do top dez. Mesmo com alguns problemas na montanha, que revelam que ainda não está a 100%, tem de melhorar no contra-relógio se quer aspirar a algo mais.

Já aqui se falou de Fabio Aru. O que dizer de um ciclista que perdeu 15 minutos no Angliru? Terminou o Tour doente e não conseguiu estar ao seu melhor na Vuelta. É uma pena, porque numa corrida com tanto espectáculo, teria sido tão bom ver este italiano a ser aquele ciclista irreverente que sabe e gosta de ser.

Os portugueses

José Gonçalves não terminou, pois uma queda na sexta etapa acabou com a sua Vuelta. Mas o contingente português contou com mais quatro ciclistas e todos andaram em fugas. Rui Costa e Nelson Oliveira com bons resultados, mas não houve vitória. O ciclista da UAE Team Emirates conseguiu um quarto lugar, que tem de ser valorizado já que fez uma parte da Vuelta com uma ferida nas costas, resultado de uma queda. Ainda este domingo tentou novamente a sua sorte. Foi 43º, a 1:58.46 horas, mas mais do que esta classificação ficaram indicações que poderá aparecer bem nos Mundiais. Nelson Oliveira conseguiu um quinto lugar e a certa altura chegou a bater à porta do top dez. Foi um teste às capacidades de voltista do ciclista da Movistar, sem estar no papel de gregário. Mas esta Vuelta é mesmo muito dura e com o passar das montanhas Oliveira foi perdendo tempo. Terminou na 47ª posição, a 2:16.03. No contra-relógio, o próprio assumiu que foi uma desilusão a sua exibição nesse dia, ficando longe dos melhores: a 2 2:47 de Chris Froome.

Ricardo Vilela fez a Vuelta lesionado. Ainda assim manteve-se em prova até final, representando uma Manzana Postobón que tanto se quis mostrar nesta corrida. Foi 50º, a 2:25.21 de Froome. Rafael Reis fez a sua estreia e acabou por ser o intervenientes de um dos momentos negativos na Vuelta. Não por sua responsabilidade. Quando integrava uma fuga, acabou por ser tocado por uma moto, que lhe provocou uma queda. Infelicidade para o português da Caja Rural que certamente ganhou uma experiência importante durante as últimas três semanas, naquele que está a ser o seu primeiro ano numa equipa Profissional Continental. Terminou na 132ª posição, a 4:27.14.

Muito mais haveria a dizer, mas vamos evitar um testamento. De ano para ano esta Vuelta tem sido o palco de cada vez mais espectáculo e, por isso, entramos em contagem decrescente até à próxima, a 73ª edição.


Summary - Stage 21 - La Vuelta 2017 por la_vuelta



9 de setembro de 2017

Houve mesmo um último disparo. Gracias Contador

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
As imagens são sempre impressionantes. Ver uma multidão engolir a estrada e ir abrindo caminho à passagem dos ciclistas. Porém, ao se ver Alberto Contador aparecer por entre as pessoas foi difícil não sentir um arrepio. São imagens tão frequentes no ciclismo, mas pela última vez foi Contador a figura que surgiu como herói do dia. Houve mesmo um último disparo, um último grande espectáculo, uma derradeira marca para a história. Quando no domingo cortar a meta em Madrid, Contador não será mais um. Será aquele que sairá da bicicleta e começará uma nova vida dedicada aos jovens talentos que durante anos o viram pedalar nas grandes competições e ganhar as três grandes voltas. El Pistolero termina a carreira com uma última enorme vitória, numa das subidas mais difíceis. O Angliru foi o cenário do conto de fadas que até pareceu que todos os ciclistas queriam que tivesse mesmo um final feliz. Bom, quase todos, afinal a etapa foi para Contador, mas o pódio em Madrid não contará com uma das figuras máximas do ciclismo espanhol.

Falaremos de Contador durante muito tempo. Nem será difícil adivinhar quando. Sempre que houver uma etapa de montanha mais aborrecida lá iremos pensar "ah, se estivesse aqui o Contador", ou quando alguém fizer um ataque a 50 quilómetros ou mais da meta, diremos "é ao estilo Contador". Com o tempo surgirão novas referências, novos ídolos, mas há ciclistas que conseguem manter-se sempre como um atleta a ser recordado como exemplo de comparação. Contador será um deles.

Sendo ou não um fã incondicional do ciclista espanhol, quem é adepto de ciclismo tem sempre um "fraquinho" por ciclistas que tenham a capacidade de mexer com a corrida como Contador tantas vezes o vez. É triste vê-lo abandonar. Sabia-se que era algo inevitável e até já o tinha ameaçado fazê-lo no final de 2016. Tivemos mais um ano de El Pistolero e mesmo não tendo sido um ano fenomenal (o Angliru foi a sua única vitória e a única espanhola na Vuelta), não o esqueceremos, como não esqueceremos esta subida ao Angliru. Não se irá pedir para ficar mais um ano. Já se percebeu que chegou a hora de Contador e é melhor sair assim, com uma grande vitória a celebrar o enorme ciclista que é. Não ganhou a Vuelta, naquele que seria o final mais que perfeito do conto de fadas, mas ficará sempre aquele pequeno pormenor na história, quase irrelevante perante a emoção do momento, mas que será valorizado quando esta emoção passar e ficarem os números e os factos: Contador é o primeiro a ganhar duas vezes no Angliru, em sete vezes que a mítica subida vez parte do percurso da Vuelta.

Serão feitas muitas homenagens. O Volta ao Ciclismo recupera aqui aquela feita por Octávio Lousada Oliveira, um fã de Contador, que lhe escreveu uma carta aberta no início da Vuelta. Com um texto como este (link em baixo), é difícil escrever melhor. Aqui fica o convite para ler ou reler todas as emoções que Contador fez viver este incondicional adepto de El Pistolero. Resta dizer: Gracias Contador!

Carta aberta a Alberto Contador.

Fica aqui também a mensagem de agradecimento do ciclista no Twitter a todos os que o apoiaram (texto continua em baixo).


Ah, é verdade, Froome ganhou a Vuelta

É em tom de brincadeira que se escreve esta frase, naturalmente! Com Contador a ganhar na despedida, sendo um ídolo espanhol na Vuelta, quase que Froome se tornou uma actor secundário. Mas ele teve um papel bem principal. Com o Angliru a ter o potencial para tanto glorificar ainda mais o triunfo do britânico, como a poder transformar a Vuelta num autêntico pesadelo, Froome e a Sky garantiram que o momento acabasse num feito histórico. O ciclista é o primeiro a fazer a dobradinha Tour/Vuelta desde que as corridas encontram-se na actual colocação no calendário.

Depois de três segundos lugares, Froome jogou na perfeição toda uma temporada para chegar ao Angliru com um tremendo poderio. E para que ninguém tivesse dúvidas que estava mesmo a terminar muito bem fisicamente, deu um safanão que deixou todos para trás, menos Contador que até esteve na mira de Froome, que recuperou muito tempo, mas nunca sequer tentou tirar a vitória que o britânico sabia a quem deveria pertencer. Nem tentou ele, nem ninguém. Quanto muito até houve umas pequenas ajudas de alguns ciclistas para garantir que o Angliru fosse conquistado por Contador. Froome tinha a vitória que lhe mais interessava. Foi difícil, foi emocionante, foi uma Vuelta espectacular e amanhã haverá a consagração em Paris e o merecido reconhecimento que hoje está dividido com Alberto Contador.

Vincenzo Nibali caiu na descida antes do Angliru e acabou por voltar a fracassar quando precisava de um último suspiro para de facto assustar Froome. Nunca sequer demonstrou ser uma ameaça, por mais pequena que fosse. Quem se assustou foi mesmo o italiano da Bahrain-Merida que obrigou a equipa a fazer umas contas rápidas para perceber se não estaria em causa o segundo lugar. Segurou-o por 36 segundos e viu o primeiro ficar a 2:15 minutos.

Ilnur Zakarin, a aposta de José Azevedo para as grandes voltas, está finalmente a mostrar-se ao nível esperado. Subiu à terceira posição, naquele que será o seu primeiro pódio da carreira, com a Katusha-Alpecin a perceber que, faltando aprimorar alguns pormenores, principalmente tácticos e também de apoio a nível de equipa, tem um ciclista que pode começar a sonhar um pouco mais alto.

O derrotado do dia foi Wilco Kelderman. Caiu de terceiro para quinto, mas o holandês é mais uma certeza para a Sunweb para as três semanas, num ano simplesmente brilhante para a equipa alemã nas grandes voltas. E no descalabro total de Fabio Aru (Astana) - perdeu 15:07 minutos - agradeceu Tejay van Garderen que entrou no top dez, algo importante para o americano da BMC, que rapidamente está a perder crédito na equipa. Não que seja brilhante ficar a 15:36 de Froome, mas é pelo menos um resultado mais digno de nota de um ciclista que tem estatuto de líder.


Davide Villella (Cannondale-Drapac) é o rei da montanha da Vuelta. Sagrou-se ainda antes da subida ao Angliru. Froome vence a geral, mas por resolver ainda está a questão dos pontos. O britânico da Sky lidera com 153 pontos, seguido por Nibali com 128. Porém, em Madrid, Matteo Trentin (127) irá fazer um último esforço para recuperar a camisola que já vestiu e assim terminar em grande uma Vuelta memorável para o o italiano da Quick-Step Floors, que já conta com três vitórias de etapas (perfil da última etapa da Vuelta na imagem em cima). Froome não se irá importar de lhe entregar a camisola. Estará mais concentrado na sua consagração de vencedor da Vuelta. Portanto, Trentin terá a concorrência esperada no provável sprint que irá concluir uma Volta a Espanha simplesmente fenomenal.


Summary - Stage 20 - La Vuelta 2017 por la_vuelta

8 de setembro de 2017

Aí está o tão temido e brutal Angliru

(Fotografia: Mikel Ortega/Flickr)
Se há subida capaz de tirar o sorriso ao mais confiante dos ciclistas é o Angliru. Até os melhores dos trepadores o temem. Esta é apenas a sétima vez que faz parte da Volta a Espanha, mas foi o suficiente para ganhar fama como uma das subidas mais difíceis do ciclismo, com muitos a considerarem mesmo a pior. Este sábado é lá que se vai voltar a decidir uma Vuelta, depois de Juan Cobo o ter feito em 2011, então frente a um Bradley Wiggins, o rei da Sky naquela altura. O Angliru por si só é de tirar o sono a muitos, mas com as previsões a apontarem para a piores das versões da subida... Froome já o disse: "Vai ser brutal!" Contador diz que vai ser um dia de loucos. É um Angliru à chuva que espera pelo pelotão, a tal pior das versões. Mais do que apenas se pensar quem irá ganhar, fica-se também a pensar quem lhe irá resistir?

Aqui vai uma tentativa de explicar porque razão o Angliru é tão temido, ainda mais quando irá decidir uma grande volta que tem sido simplesmente espectacular! São 12,5 quilómetros de ascensão, a terminar uma curta etapa de 117,5 (com duas primeiras categorias "para aquecer"). A primeira metade do Angliru varia entre os 6 e 7%, mas tem logo uma fase a 22,5%. Chega a ter uma fase de descanso, mas quando começa a segunda metade... Cabanes-20%, Llagos-12,5%, Picones-18%, Cobayos-17%, Cueña les Cabres-23,6% e Aviru-20%. O final até é em ligeira descida, mas até lá se chegar será uma batalha de resistência. Aqui não há margem para erros. Um ataque mal feito e de primeiro passa-se rapidamente para uma desvantagem irrecuperável. Uma reacção demasiado tardia a um ataque e poderá já não haver tempo nem força para apanhar quem escapou. O Angliru está na categoria especial de montanhas que os ciclistas sabem que têm de aparecer no seu melhor.

A chuva aumenta em muito a dificuldade. Já houve ocasiões em que os carros nem poderem acompanhar os ciclistas até ao fim porque não conseguiam ter aderência. Um furo, uma avaria mecânica, um imprevisto seja ele qual for e recuperar torna-se numa missão impossível. A maioria dos ciclistas que está a lutar pela geral conhece este Angliru. Froome era um jovem aspirante a suceder a Wiggins quando por lá passou em 2011, ano em que começou a mostrar o seu talento. Foi segundo na geral, a 13 segundos de Cobo. A Sky tanto queria que Wiggins ganhasse que só demasiado tarde deu autorização a Froome para tentar bater Cobo. No Angliru, Froome acompanhou Wiggins até final, perdendo mais de um minuto. A história que entretanto o britânico escreveu no ciclismo é conhecida, mas falta-lhe a Vuelta. São três segundos lugares. "Chega!" Pensará Froome.

O líder da Sky tem 1:37 minutos de vantagem sobre Vincenzo Nibali. Entre os dois, é Froome quem se deu melhor com o Angliru. Não é uma subida que goste, pois aquelas rampas acima de 20% não são as suas preferidas. No entanto, sendo uma ascensão longa, assenta melhor nas suas características de alguém que gosta de impor um ritmo. O italiano da Bahrain-Merida não se importa de subidas longas, mas estas rampas têm sido a sua perdição em algumas ocasiões. A luta pela geral será em condições normais entre estes dois ciclistas, a não ser que o Angliru provoque alguma catástrofre o que nunca é de afastar dadas as dificuldades, não esquecendo que estamos em final de Vuelta, ou seja, muitos quilómetros e muitas subidas já ultrapassadas. Um desgaste físico enorme.

Porém, há um homem que até é provável que roube as atenções a Froome: Alberto Contador. O espanhol tem atacado sempre que pode desde que recuperou da doença que lhe tirou a hipótese de lutar pela Vuelta, na subida em Andorra. Rampas acima dos 20%, subidas longas... Há poucas subidas que não sejam adequadas para Contador. Era ele a mais recente coqueluche do ciclismo espanhol quando venceu no Angliru e ganhou ainda essa Vuelta. Se há candidato à vitória na etapa deste sábado, é Contador. E se Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) e Wilco Kelderman (Sunweb) fraquejarem o mínimo que seja, o espanhol pode recuperar o pouco mais de um minuto de desvantagem que tem. Mais do que o terceiro lugar é difícil, mas a forma como tem estado a pedalar - ainda esta sexta-feira lá foi na última subida do dia, ainda que tenha sido apanhado depois na parte plana -, este Contador pode ser sinónimo de um derradeiro espectáculo. Um daqueles espectáculo que falaremos durante anos e anos!


Um pouco de história

O Angliru aparece na Volta a Espanha pela primeira vez em 1999, na sexta etapa, tendo o então ídolo espanhol José María Jiménez sido o vencedor. No ano seguinte foi o italiano Gilberto Simoni. Em 2002 foi Roberto Heras que também vestiu a camisola da liderança que não seguraria até final da Vuelta. Em 2008 foi Alberto Contador e 2011 o surpreendente Cobo, que fez a corrida da sua vida. A última vez que por lá se passou na Vuelta foi em 2013. Kenny Elissonde tinha apenas 22 anos quando ganhou, a vitória mais importante da carreira do actual ciclista da Sky, mas que então representava a FDJ.

Quanto a recordes, o ciclista mais rápido a subir o Angliru na Volta a Espanha foi Roberto Heras: 41:55 minutos, uma média de 18,3 quilómetros/hora. Segue-se Chris Horner, que não conseguiu ultrapassar Elissonde, mas ainda assim foi mais rápido na subida: 43:06 minutos. O americano - que em 2013 ganhou a Vuelta aos 41 anos - bateu por pouco a marca de Contador: 43:12.

De Gendt é o número 101º

No início desta Vuelta, Matteo Trentin tornou-se no 100º ciclista a conseguir vencer pelo menos uma etapa nas três grandes voltas. Esse era também o objectivo do belga Thomas de Gendt. É o senhor fugas. O rei, mesmo. Ele que já venceu no Stelvio (2012) e no Mont Ventoux (2016), conseguiu em Gijon o seu grande objectivo do ano e um da sua carreira.

Foi ao sprint que De Gendt conquistou a etapa depois de uma fuga que o pelotão chegou a deixar ter quase 18 minutos de vantagem. Bateu Jarlinson Pantano (Trek-Segafredo) e jovem espanhol Ivan García Cortina (Bahrain-Merida), que aos 21 anos tentou ganhar em casa - é de Gijon -, mas acabou por ficar em terceiro.

Para os portugueses foi mais um dia de sofrimento, na perspectiva de pensar: será desta? Rui Costa (UAE Team Emirates) esteve na fuga, trabalhou muito, mas não conseguiu discutir o sprint como queria. Terminou em quarto, mas foram boas as indicações que deixou, numa altura em que irá começar a pensar nos Mundiais... depois de sobreviver ao Angliru, claro!

Veja aqui as classificações.


Summary - Stage 19 - La Vuelta 2017 por la_vuelta


»»Aguenta coração!««

»»Este é El Pistolero! Froome bem avisou...««

7 de setembro de 2017

Aguenta coração!

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
Depois desta etapa foi a primeira expressão que ocorreu. Aguenta coração! É uma conhecida expressão dita por uma das vozes de rádio mais conhecida nos relatos de futebol, Nuno Matos, mas que aqui, no ciclismo, assenta perfeitamente com tudo o que está a acontecer nesta Volta a Espanha. Não há sossego, não há momentos mortos. É para lutar até ao fim. Uns dias ganham-se segundos, noutros perde-se e no dia seguinte lá se vai novamente para a batalha. Para aqueles que estão a questionar-se se esta é uma das melhores Vueltas dos últimos anos, aqui fica uma opinião: sim, sem dúvida! Talvez até se possa ir um pouco mais longe: é uma das melhores corridas de três semanas dos últimos anos.

A competição está de tal forma intensa e indefinida, que com duas etapas para terminar (mais a de consagração em Madrid), começam a faltar palavras para descrever, de analisar sem que cair na repetição de palavras como emocionante, excelente, brilhante... Já só dá vontade de pedir que o tempo passe rápido e que chegue a próxima etapa e a do Angliru no sábado. Nesta altura é difícil delinear possíveis tácticas, criar expectativas sobre determinados ciclistas, se vão atacar, se vão quebrar... É de tirar o fôlego até para quem está num sofá a ver a corrida!

Um dia depois de Chris Froome não ter estado tão bem, depois de ter feito um grande contra-relógio, eis que o britânico surpreendeu (um pouco) ao forçar o andamento na última rampa do dia. Era uma subida de terceira categoria, mas como é normal na Vuelta, são autênticas rampas que em poucos metros estragam corridas. E que o diga Vincenzo Nibali. Está bem num dia, mas está mal noutro. Se fosse um pouco mais consistente, se calhar estaria mesmo a pisar os calcanhares a Froome. Como não consegue, hoje perdeu 21 segundos e está 1:37 minutos. Nada que possa deixar o britânico a respirar mais aliviado. Longe disso.

Já aqui se tinha falado das alianças poderem ser a forma de construir uma frente mais forte contra Chris Froome. Ora a aliança aconteceu, mas não bem aquela mais esperada. Alberto Contador (que etapa realizou, outra vez!) que muito mexeu na corrida e sufocou toda a gente, aproveitou a aceleração de Froome para se colar ao britânico. Deixou o líder da Sky sofrer um pouco, contudo, lá deu uma ajuda com mais um autêntico safanão que obrigou Froome a pedalar rápido. Os dois uniram-se para deixar Nibali, Kelderman e Zakarin para trás, enquanto Michael Woods (Cannondale-Drapac) aguentou-se como pôde na roda dos dois homens fortes deste final de Vuelta.

Para Froome foi perfeito ganhar mais uns segundos a Nibali. Da maneira como está a ser esta Vuelta, a estratégia de ganhar todos os segundos possíveis está claramente a resultar. Para Contador é o pódio que fica um pouco mais perto. E não, o espanhol não desistiu de ainda fazer derradeira surpresa. É um objectivo de cada vez. Chegar ao pódio depois de ter estado abaixo do top 30, seria fenomenal por si só. Contador vai fazer tudo para esse objectivo e para ganhar uma etapa - não pode é continuar a deixar as fugas ganharem tanto tempo, mas para isso precisava de uma Trek-Segafredo mais forte em seu redor -, estando sempre à espreita de ver quando Froome possa fraquejar um pouco. Já se percebeu que Contador está endiabrado. É um final de carreira para recordar, seja qual for o resultado!

Wilco Kelderman (Sunweb) e Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) uniram-se primeiro para não deixar fugir em demasia Froome e Contador e depois para ganhar tempo a Nibali. No primeiro caso estiveram bem, pois perderam apenas quatro segundos. No segundo, ganharam 17. Pode não parecer muito, mas dá sempre um alento extra que nestas situações tão indefinidas pode ter o seu papel. É certo que para o russo é mais viável tentar tirar Kelderman do terceiro lugar, mas dadas as circunstâncias de corrida, não desaproveitou a aliança momentânea, não vá Nibali ter mais alguma falha nas duas etapas que faltam e Kelderman não. O italiano, por seu lado, não teve ninguém! Chegou sozinho e cabisbaixo.

O compatriota Fabio Aru, também andou em solitário, mas por escolha própria. O ciclista da Astana pouco conseguiu: ultrapassou Wout Poels na classificação (é agora oitavo) e está empatado com Michael Woods. Porém, conseguiu lançar a discussão que na Astana ninguém se estará a entender com quem tem "prioridade": Miguel Ángel Lopez (duas vitórias de etapa, sexto, a 5:16 e que bem precisou de uma ajuda que não teve nesta etapa), ou Aru (a 6:33), o líder da equipa no arranque da Vuelta, mas que dificilmente conseguirá mais do que ultrapassar Woods e o mesmo o colega López?

Não vale a pena prolongar a escrita. O que se quer mesmo é ver as etapas que faltam e conhecer quem ganha esta super Volta a Espanha.


Esta sexta-feira é mais uma etapa curta (149,7 quilómetros), com a maior dificuldade logo no início. Ou seja, pode ser atacada nos primeiros quilómetros. Ou não... Da maneira como estes ciclistas estão a lutar, tem tudo para ser mais um grande dia, mesmo com o Angliru ali tão perto (sábado). Aguenta coração!

E lá está o vencedor da tirada a ficar para segundo plano! A Lotto Soudal pode não estar a ter aquele protagonismo mais mediático que André Greipel, por exemplo, costuma dar, mas depois de um Tour nada produtivo, na Vuelta a equipa belga somou a terceira vitória. Depois das duas de Tomasz Marczynski, foi Sander Armée que se isolou na última subida e conquistou a sua primeira etapa numa grande volta aos 31 anos.


Summary - Stage 18 - La Vuelta 2017 por la_vuelta



6 de setembro de 2017

Este é El Pistolero! Froome bem avisou...

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
Estava Alberto Contador enterrado na classificação geral, a mais de três minutos e com a Volta a Espanha a ter enfrentado apenas a primeira grande dificuldade em Andorra. Para muitos o espanhol estava arrumado e restava-lhe tentar uma vitória de etapa para sair com um momento de glória na corrida do adeus. Chris Froome sempre desconfiou e recusou tirar Contador da lista dos seus rivais. O ciclista da Trek-Segafredo veio depois dizer que tinha estado doente e aos poucos foi recuperando. Três semanas pode de facto parecer uma eternidade numa competição. O Contador que se viu na subida de Machucos nada tem a ver com o corredor infeliz, de ar derrotado em Andorra. Este Contador é o El Pistolero que espalha terror ao atacar numa subida, com todos a tentar seguir alguém que é quase impossível de o fazer quando está em forma. 

Estamos perante um último esforço. Um último tudo ou nada. Não ganhou a etapa, mas ganhou tempo. O espanhol já tinha avisado que o top 10 saberia a pouco. O pódio seria bem melhor. Entrar em Madrid com a camisola vermelha um sonho que está afinal vivo. "Claro que quero ganhar a Vuelta", disse. E porque não? Froome bem avisou, mais do que uma vez, que não se poderia menosprezar Contador e lá está ele a deixar novamente o britânico preocupado em terras espanholas.

A distância ainda é grande, 3:34 minutos, quando faltam três dias para terminar (isto contando que no domingo será a etapa da consagração). Porém, na tirada desta quarta-feira, Contador tirou 1:18 minutos a Froome. Na primeira semana o espanhol era um ciclista triste, que pensava no que poderia fazer para não acabar a carreira sem deixar uma derradeira marca. Agora, Contador é um corredor de motivação renovada e em alta. O pódio está a pouco mais de um minuto, mas se as pernas continuarem a responder como fizeram hoje, Contador ameaça tentar algo mais. Pergunta-se novamente: e porque não? Se é para acabar, que acabe a tentar tudo. Froome nunca o tirou da sua lista e não tendo razões para perder o sono, irá certamente estar bem acordado nas próximas etapas.

É que Contador pode não ser o mais forte candidato a tirar a camisola vermelha de Froome, mas é o mais forte candidato a impulsionar algum ataque que possa levar o britânico a ficar novamente para trás, com Vincenzo Nibali à espreita. O italiano da Bahrain-Merida mostrou-se algo derrotado após o contra-relógio, mas mesmo dizendo que não acredita que Froome esteja mais fraco depois do líder da Sky ter ficado para trás em Machucos, os mais de 40 segundos recuperados, voltam a fazer Nibali acreditar que ainda há uma hipótese, mesmo com uma Sky fortíssima no apoio a Froome.

Terá o britânico pagado o esforço de um contra-relógio em que ganhou tempo a todos? Talvez, mas este tipo de rampas - em Machucos os dois primeiros quilómetros rondaram os 25% - não é o tipo de subida que agrade mais a Froome, que prefere subidas onde possa impor um ritmo. Já Contador adora estas rampas. Notou-se! Nibali não é doido por elas, mas também as aproveita quando se sente bem. Froome não entrou em pânico, preferindo encontrar o tal ritmo. Não é que estivesse assim tão confortável na classificação para ver os seus rivais afastarem-se, mas também é verdade que o esforço do contra-relógio ainda lhe permite ter uma vantagem maior do que a que tinha antes do esforço individual de terça-feira.


Em condições normais poder-se-ia dizer que os dois próximos dias não seriam os preferidos para tentar mexer com a geral, ainda mais quando no sábado o Angliru espera o pelotão. Porém, se realmente Contador, Nibali e não vamos esquecer Wilco Kelderman (Sunweb) e Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), quiserem pressionar Froome, então é melhor não deixar tudo para o fim... Ainda que esse fim no Angliru tenha tudo para ter contornos épicos. Que grande Volta a Espanha!

Em dias como este, em que tanto está em jogo pela vitória final, há tendência a deixar para segundo plano quem resistiu na frente e conquistou um brilhante triunfo. Não terá sido fácil para o austríaco Stefan Denifl gerir o esforço e manter a calma quando sabia que Contador vinha a subir a um ritmo alucinante. Aguentou, ganhou uma excelente etapa e deu uma vitória histórica para a Aqua Blue Sport. Esta nova equipa, de origem irlandesa e que recebeu, algo surpreendentemente, um convite para a Volta a Espanha, viveu momentos difíceis quando na quinta-feira ficou sem o seu autocarro. Alguém incendiou-o, danificando uma boa parte do veículo. A equipa continuou em prova e ganhou em Machucos, um nome que não será esquecido no ciclismo irlandês e austríaco.


Summary - Stage 17 - La Vuelta 2017 por la_vuelta



5 de setembro de 2017

Como é que Froome pode perder a Vuelta

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
Chris Froome foi sensacional, mas não resolveu a Volta a Espanha como se calhar pretendia. Bateu todos no contra-relógio e só Vincenzo Nibali não está a mais de dois minutos, mas por apenas dois segundos. O italiano até parecia estar a pedalar rumo a uma catástrofe, mas afinal soube gerir bem o esforço e nos últimos quilómetros recuperou de forma a pelo menos não perder o segundo lugar para um super Wilco Kelderman, que fecha agora o pódio. As distâncias podem não ser decisivas, contudo, mais do que alguém ainda vir a ganhar a Froome, é mais o próprio britânico que poderá ser o principal responsável se perder a Vuelta. Por outro lado, a luta pelo pódio está completamente em aberto. Vão ser quatro dias de nervos.

Os 40,2 quilómetros que começaram no circuito de Navarra e acabaram em Logroños foram encarados por todos como de importância extrema. Não havia tempo para poupanças a pensar na montanha que por aí vem nos quatro competitivos de Vuelta (mais a etapa de consagração de domingo). Todos sabiam que Chris Froome tinha este contra-relógio marcado como um dia essencial para ganhar uma vantagem que pode revelar-se determinante. Froome não desiludiu, Wilco Kelderman foi excelente, Vincenzo Nibali sai um pouco cabisbaixo. Já Alberto Contador esperava mais, mas foi um dos melhores contra-relógios que fez nos últimos anos e para quem já andou fora do top dez, é agora quinto e tem o pódio na mira.

Nibali ficou a 1:58 minutos do britânico da Sky (estava a 1:01) e apesar de não deixar de olhar para a frente na tabela - apesar de estar algo pessimista -, tem mesmo de começar a olhar para trás, pois Kelderman (Sunweb) está somente a 42 segundos. E é melhor o líder da Bahrain-Merida não facilitar nem um metro, é que Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) e Alberto Contador (Trek-Segafredo) podem aproveitar uma subida mais explosiva para criar dificuldades a um Nibali que já demonstrou uma ou outra fraqueza, ainda que tenha sido o rival mais consistente de Chris Froome.

O britânico não arrumou com as decisões na Vuelta, mas ganhou uma margem que lhe vai permitir (e à Sky) controlar ainda mais a corrida, ganhando ainda uma motivação extra pela sua segunda vitória de etapa. Parece impossível controlar ainda mais, mas não é. Com a luta pelo pódio lançada e com quase dois minutos para Nibali, Froome poderá jogar um pouco mais frio, ficando na expectativa quando aparecerem os ataques. Não signifique que vá deixar alguém escapar. Não o fez até agora e com o final tão próximo, não vai deixar certamente, afinal um azar (e teve três numa só etapa - duas quedas e uma avaria) e lá se vão segundos muito rapidamente. Nem Contador irá ter ordem para fugir. Froome já afirmou mais do que uma vez que o espanhol não pode ser excluído da disputa. O britânico sabe como um ataque do líder da Trek-Segafredo pode fazer estragos difíceis de remediar.

Mais do que alguém ainda poder ganhar esta Vuelta, será preciso Froome perdê-la. Está sentado na pole-position, onde gere muito melhor a corrida do que quando tem ainda de fazer alguma jogada de ataque. O ciclista que analisa todos os seus números ao ínfimo pormenor, que raramente dá uma pedalada que não esteja prevista, Froome contará com Mikel Nieve e Wout Poels para estudar bem os adversários durante as próximas etapas. Tudo será controlado, todos os rostos, todas as pedaladas. Já se percebeu que todos irem atacando é algo que não assusta a Sky. Para derrotar o britânico, os rivais vão precisar de mais do que cada um tentar a sua sorte. Chegou o momento de algumas alianças, tentando estudar que objectivos encaixam melhor uns nos outros.

Exemplo: Nibali ataca com Contador. O italiano aponta ainda à camisola vermelha, o espanhol sabe que é muito difícil, mas poderá ficar com a vitória de etapa e ainda chegar ao pódio. E claro, as alianças são momentâneas e Contador pode sempre noutro dia tentar algo mais... Ainda no campo das suposições, Zakarin e Kelderman querem ambos o pódio e podem aliar-se para tirar de lá Nibali e ainda tentar aproximarem-se de Froome... Isto para falar apenas dos cinco primeiros.

O britânico da Sky só perderá esta Vuelta se os adversários o conseguirem enervar. Não é impossível. Se recuarmos à etapa em que caiu duas vezes, a segunda queda aconteceu porque o britânico deixou-se apoderar por algum nervosismo depois da primeira queda e da avaria que o fizeram perder tempo. É um ciclista experiente, mas a ansiedade nestas fases decisivas das corridas, ainda mais quando Froome poderá fazer um pouco de história, pode influenciar até o mais controlado dos ciclistas a nível emocional.

É preciso testar Froome fisicamente, claro, mas a nível psicológico pode estar algo a explorar. Contador e Nibali sabem como o fazer. Já Zakarin e Kelderman ainda estão a aprender este lado do ciclismo. O importante é não deixar Froome ficar confortável nas etapas de montanha. O britânico só tem de resistir mais quatro dias. Quanto mais tempo passar e o vantagem não diminuir, mesmo sendo um ciclista que já demonstrou algumas dificuldades na última semana no passado, Froome irá manter sem problemas de maior a camisola vermelha.

Alianças e algum risco. Vai ser preciso assumir algo diferente e esta quarta-feira isso certamente que irá acontecer. Machucos é uma subida considerada pelo pelotão como brutal e não é para menos (imagem ao lado). Só no início estão rampas de 26% e 25%. Baixa depois um pouco, mas anda quase sempre acima dos 10%. A média de 8,7% é enganadora, pois é influenciada pelas curtas zonas de descanso. Curtas, mas que podem ser importantes para recuperar um pouco de fôlego. Não há ciclista do topo da tabela que não considere que Machucos poderá ser muito importante na decisão desta Vuelta.

E é Froome quem o diz: tudo pode mudar rapidamente nesta Volta a Espanha...


Os portugueses

Em dia de contra-relógio e com dois especialistas portugueses em prova, nem Nelson Oliveira, nem Rafael Reis conseguiram mostrar-se. O quatro vezes campeão nacional foi 24º a 2:47 de Froome, talvez acusando um pouco o esforço de uma Vuelta dura para a Movistar e na qual se tem visto Oliveira a tentar um bom resultado para a equipa espanhola. É de recordar que já chegou a estar à porta do top 10. O vice-campeão nacional ficou a 4:00 de Froome, sendo que Rafael Reis vai continuando a acumular experiência naquela que está a ser a sua primeira grande volta, ao serviço da Caja Rural.

Rui Costa (UAE Team Emirates) ficou a 4:31 e Ricardo Vilela (Manzana Postobón) a 4:47. Não está fácil, mas Rui Costa tem o objectivo de ainda tentar uma vitória de etapa na sua estreia na Vuelta. Já integrou fugas, mas não tem sido sucesso. Tem resistido aos ferimentos nas costas provocados por uma queda e é de esperar uma última tentativa do campeão do mundo de 2013 de ter o seu momento na Vuelta.

AG2R manda para casa dois dos seus ciclistas

O vídeo surgiu ontem na internet, mas as imagens eram pouco nítidas. Nelas viam-se ciclistas agarrados a um carro da AG2R numa subida durante a etapa de domingo. Não se conseguia perceber quem eram, mas a equipa francesa identificou-os e mandou-os para casa. Alexandre Geniez e Nico Denz "apanharam uma boleia" e perante as imagens a equipa nem quis esperar por uma sanção da organização, até porque é a credibilidade da formação que está em causa.

No Paris-Nice, Romain Bardet também fez o mesmo ainda que por razões diferentes, pois o seu objectivo era não perder tempo para a frente da corrida. Foi expulso. A AG2R pediu desculpa pela acção de Geniez e Denz.


Summary - Stage 16 - La Vuelta 2017 por la_vuelta



2 de setembro de 2017

O fantasma de Formigal sobre um Froome que resistiu a tudo e a quase todos

(Fotografia: Unipublic/Photogomez Sport)
4 de Setembro de 2016. 15ª etapa de uma Vuelta que tinha Nairo Quintana na liderança, mas com uns escassos 54 segundos de vantagem sobre Chris Froome e com um contra-relógio ainda por realizar. A tirada era uma daquelas "canhão", com apenas 118,5 quilómetros, que terminavam na subida de primeira categoria em Aramon Formigal. Antes havia uma terceira e uma segunda categoria para ultrapassar. Os ciclistas mal tinham começado a pedalar quando Alberto Contador atacou numa zona inesperada. Nairo Quitana foi com ele e não foi sozinho. A Sky estava distraída e Chris Froome não esperava tamanho ataque tão cedo e por aqueles ciclistas. Quando reagiu era tarde e nem tinha equipa, que tinha ficado num corte no pelotão. A velocidade foi alucinante tendo em conta o percurso: 40,7 quilómetros/hora de média. Ganhou Gianluca Brambilla, mas disso poucos se lembram. Mas quem assistiu não esquece como Quintana ganhou a Vuelta naquele dia porque soube aproveitar um ataque que só Contador tem coragem para fazer entre corredores da sua especialidade. Froome ficou a 3:37 minutos, recuperou ainda um pouco, mas perdeu a corrida nesse dia e só não perdeu a equipa porque a organização não quis excluir boa parte do pelotão, que chegou fora do tempo limite.

3 de Setembro de 2017. 15ª etapa da Vuelta. Froome lidera com 55 segundos de vantagem sobre Vincenzo Nibali. 129 quilómetros esperam o pelotão, com duas primeiras categorias e uma especial a terminar na Serra Nevada, quase aos três mil metros de altitude e sem tempo para descansar da ascensão anterior. Consideram a etapa rainha, mesmo com o Angliru ainda por ultrapassar no próximo sábado. Estará o receio de uma repetição de Formigal a assombrar Froome? O britânico garante que não. Não acredita que tal possa voltar a acontecer, principalmente a parte da Sky e de ele próprio serem apanhados desprevenidos. Naquele dia aprenderam que a concentração tem de ser desde o primeiro ao último metro e Froome já demonstrou este ano que a lição ficou bem assimilada.

A etapa deste domingo tem o nome de Contador escrito. É incontornável. Começou mal a Vuelta, mas tem estado a lutar pela sua etapa e por subir na classificação na corrida da despedida. Sabe que o elemento surpresa é quase inexistente depois do que fez em Formigal, mas é nele que se vão centrar muitas das atenções. Talvez seja o momento perfeito para outro ciclista tentar ser ele a surpresa...


Froome não esquecerá Formigal e preparou esta Vuelta bem de mais para a deixar escapar de uma forma tão infantil como aconteceu há um ano. Mérito para os que atacaram, demérito para uma equipa que relaxou, talvez vítima de um excesso de confiança. O passado já lá vai. É pelo que vai acontecer neste domingo que se anseia por ver. Podem-se fazer previsões, antecipar possíveis cenários, mas simplesmente parece que são tantas as variáveis que o texto não teria fim. Espera-se espectáculo. Seja ele qual for e proporcionado por quem for.

Estas etapas "canhão" estão cada vez mais presentes nas grandes voltas. Por um dia, os trepadores podem andar a fundo. E com as distâncias grandes (mais de dois minutos, exceptuando Nibali), ninguém poderá pensar em poupanças. Os dias estão a passar e Froome não cede (com excepção das duas quedas que teve na quinta-feira). Neste sábado os rivais atacaram à vez e Froome lá foi apanhando-os a todos. Até lhes ganhou tempo, menos a Nibali, que bonificou quatro segundos. Mesmo quem já não sonhe em ganhar a Vuelta, há ainda muito por definir no top dez e a luta de uns, pode resultar em alianças com a luta de outros. Sozinhos começa a ser cada vez mais difícil bater Froome.

Rafal Majka venceu uma etapa, salvando uma temporada menos conseguida do polaco. Apostou forte num Tour que acabou numa queda. Chegou fora de forma à Vuelta devido à recuperação física que teve de fazer, mas este ciclista da Bora-Hansgrohe tem qualidade para muito mais e em Espanha já fez um pódio. No ano em que conseguir escapar a alguns azares e ser mais consistente nos resultados, este é um ciclista que pode muito bem deixar os polacos a imaginar grandes vitórias (mais umas para juntar às de Michal Kwiatkowski). Por agora fica-se por uma etapa na Vuelta em 2017, mas é noutro triunfo que se concentram as atenções. A luta pela geral está ao rubro. Esperava-se que Majka fosse um dos seus intervenientes, mas tornou-se num actor secundário para desilusão da equipa alemã e dele próprio, certamente.


Summary - Stage 14 - La Vuelta 2017 por la_vuelta


Veja aqui as classificações.

»»Enquanto os sprinters se queixam, Trentin ganha e Escartín dá ao público o que este mais gosta de ver««

»»Não lhes chamem etapas de transição. Não na Vuelta!««