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6 de setembro de 2018

Mais um incidente depois da meta a provocar a queda de ciclistas

(Imagem: Print screen)
Há uma semana, o helicóptero voou baixo de mais e a deslocação de ar fez com que as grades de segurança, de plástico, se deslocassem para a estrada, provocando a queda a alguns ciclistas. Agora, numa altura em que os ciclistas pensam que podem começar a relaxar, já que tinham cortado a meta, novo incidente, com um membro da organização a originar uma queda que deixou Dylan van Baarle mal tratado e sem certeza se irá continuar na corrida.

É um daqueles momentos que só visto. Nas imagens televisivas vê-se um homem a correr, de costas para os ciclistas, quando finalmente se virou, já não foi a tempo de evitar o choque com Alexandre Geniez, o vencedor da etapa. A meta estava colocada numa descida e foi discutida ao sprint, pelo que a velocidade era elevada. Não ajudou a estrada ser muito estreita e naquela zona da meta ainda fica com menos espaço devido à colocação dos repórteres fotográficos. A situação não seria fácil, mas se tudo tivesse sido cumprido à letra, dificilmente haveria problemas. Porém, o membro da organização tapou o único espaço que restava. para passar.

O ciclista da AG2R foi só o primeiro. Um polícia terá evitado que caísse desamparado, mas Dylan van Baarle não teve a mesma sorte. Quase deu uma cambalhota por cima do homem que também caiu no choque com Geniez. Mark Padun (Bahrain-Merida) e Dylan Teuns (BMC) não conseguiram evitar o incidente, mas com eles está tudo bem, tal como com Geniez. Van Baarle é que passou de estar a disputar uma etapa na Vuelta - foi segundo - para o risco de ser forçado a abandonar.

A Sky confirmou que o holandês não sofreu qualquer fractura, contudo, está bastante dorido e há uma preocupação com a coxa direita. A forma como passar a noite e como se sentirá de manhã poderá determinar a continuidade ou não do holandês. O membro da organização não saiu incólume do acidente, mas não tem ferimentos graves.

A situação não deixou ninguém satisfeito. No entanto, foi Gianni Bugno, presidente da Associação de Ciclistas Profissionais, que deu voz a uma maior revolta. "Não percebo porque está tanta gente na zona da meta. Se houvesse um sprint com cem ciclistas a cortar a meta ao mesmo tempo, poderia ter sido bem mais sério", afirmou o antigo ciclista. Bugno lamentou que casos como este aconteçam "apesar das medidas de segurança e de toda a polícia". Apelou ainda que a UCI intervenha para que os regulamentos das organizações sejam cumpridos.

"Não há circunstância atenuadoras. Estamos muito desiludidos por esta última falta de atenção para com os ciclistas. O ciclismo está a tornar-se num desporto perigoso em vez de melhorar [a segurança] e nesta altura já não estamos com vontade de ouvir aqueles que não respeitam as regras", afirmou o italiano.

A organização já pediu desculpa pelo sucedido, esperando que os ciclistas afectados possam continuar na corrida, mas Bugno disse que já não se aceitam desculpas por "acidentes previsíveis".

As duas situações geraram naturais criticas de alguns ciclistas. São inadmissíveis em qualquer corrida, mas o impacto é ainda maior quando se está numa das mais importantes  e mediáticas provas a nível mundial, na qual exige-se o maior e mais o perfeito do profissionalismo, para a segurança de todos.


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31 de agosto de 2018

Pelotão furioso com condições da estrada

Os últimos 20 quilómetros foram muito complicado
com quedas e furos (Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Num dia, o helicóptero voou baixo de mais e provocou a queda de alguns ciclistas já depois da etapa terminar. Escusado será dizer que as críticas vieram de todo o lado. Mas o pior estava por acontecer. Os últimos 20 quilómetros da tirada desta sexta-feira provocaram a ira do pelotão. A estrada em mau estado e muito estreita causou vários incidentes. Michal Kwiatkowski foi dos mais afectados, mas a insatisfação não foi expressa apenas pela Sky.

"Não sei o que os organizadores estavam a pensar ao levarem-nos para estradas como aquela. Condições terríveis. Queriam quedas e tiveram-nas", afirmou Simon Yates (Mitchelton-Scott), um dos mais duros nas palavras. O australiano conseguiu chegar a são e salvo à meta em Pozo Alcón, mas um dos seus colegas, Damien Howson, foi um dos vários ciclistas a cair. "Foi muito perigoso", desabafou Yates, desiludido com a fase final do percurso da sétima etapa.

Sentimento partilhado por Daniel Martin. Além das quedas, os furos também foram um problema. O irlandês foi um dos azarados e perdeu 4:27 minutos. "Teria sido simpático limparem a estrada", disse Martin, referindo-se ao facto de haver muita gravilha, o que só contribuiu para a dificuldade dos ciclistas em manobrarem as bicicletas e para originar problemas mecânicos. "Eram estradas mesmo, mesmo más. Estivemos em boas estradas largas durante todo o dia e depois atiram-nos para isto. Foi o caos", salientou.

Em sete etapas, ainda ninguém abandonou na Vuelta, o que muito se deve ao tipo de estradas por onde o pelotão tem andado. Na sexta etapa houve um primeiro erro, com um obstáculo mal identificado a originar uma queda que envolveu vários ciclistas. Depois da meta em San Javier, Mar Menor houve então o incidente com o helicóptero. Ao voar demasiado baixo, a deslocação de ar que criou fez com que umas barreiras de plástico fossem, para o meio da estrada e houve quem não as conseguisse evitar, chegando mesmo a cair. Julien Duval (AG2R) foi um dos afectados, por exemplo e ficou incrédulo com a situação.

Porém, as condições da estrada da sétima etapa, resultou em mais problemas do que quase todos juntos até a este dia. Daniel Martin não hesitou em colocar o dedo na ferida: "É bonito para a televisão, mas não é bonito pedalar nelas."

Alejandro Valverde juntou-se ao coro de críticas: "O asfalto era mesmo mau. Estávamos avisados que ia ser complicado, mas foi mais difícil do que o esperado." O espanhol da Movistar acabou por beneficiar da queda de Kwiatkowski e com a bonificação do terceiro lugar na etapa, saltou para o segundo lugar, a 47 segundos de Rudy Molard (Groupama-FDJ). Valverde lamentou que o polaco tenha perdido tempo devido a uma queda, ficando , por outro lado, satisfeito que tanto ele como Nairo Quintanha tenham passado incólumes num final tão complicado. Ou quase. O colombiano da Movistar foi dos que furou, mas a rápida intervenção do companheiro Richard Carapaz - cedeu a sua bicicleta -, permitiu que Quintana perde-se pouco tempo e recuperasse posição no grupo principal.

Outro colombiano, Rigoberto Uran (EF Education First-Drapac p/b Cannondale) limitou-se a dizer que foi "uma zona muito complicada e há que contar com a sorte para não cair". Sorte que Kwiatkowski não teve. Nem ele nem os colegas Tao Geoghegan Hart e Sergio Henao. Os três caíram na mesma curva, com David de la Cruz a escapar. O polaco desceu de segundo para sexto, perdendo 25 segundos para Molard, estado agora a 1:06. Ainda assim, na Sky tenta-se ver o lado positivo. "Podia ter sido pior", disse o director desportivo Gabriel Rasch. "O Kwiato teve de mudar de bicicleta, mas felizmente os rapazes estavam mesmo atrás dele e deram-lhe uma rapidamente. O Sergio fez um trabalho extraordinário e quase conseguiram fechar a distância para o grupo da frente", acrescentou.

Mas não foi só Henao quem ajudou. Quando o colombiano ficou sem força, o próprio Kwiatkowski trabalhou no grupo e teve uma preciosa contribuição de Bauke Mollema (Trek-Segafredo) e Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin). Ambos acabaram também por não durar até ao fim e o holandês chegou mesmo a perder o contacto com este grupo.

Franceses brilham em Espanha

No Tour as coisas não correram muito bem para os ciclistas da casa, com excepção para Julian Alaphilippe (Quick-Step Floors) e Arnaud Démare (Groupama-FDJ), este último lá conseguiu uma etapa. Porém, na Vuelta, em três dias os gauleses viram um seu ciclista vestir a camisola da liderança - Rudy Molard -, depois Nacer Bouhanni (Cofidis) regressou às vitórias em grandes voltas, terminando com um jejum de quatro anos, e agora foi Tony Gallopin que terminou com um hiato igual ao do compatriota. As três equipas francesas na Vuelta já deixaram a sua marca.

Numa fase de ataques e contra-ataques, Gallopin tentou a sua sorte a três quilómetros do fim e foi feliz, frustrando um Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) que ultrapassou as dificuldades, mas para ficar apenas em segundo. Bateu ao sprint Valverde, outro interessado em vencer, que no seu caso teria sido a segunda vitória.

O espanhol não só subiu ao segundo lugar, como ficou com a camisola dos pontos de Kwiatkowski, liderando ainda no combinado. Luis Ángel Maté mantém-se com a da montanha. A Astana é a primeira na classificação colectiva.

Os quatro ciclistas portugueses em prova perderam tempo para o grupo principal (Gallopin cortou a meta com cinco segundos de vantagem). Nos 185,7 quilómetros entre Puerto Lumbreras e Pozo Alcón, José Mendes (Burgos-BH) cortou a meta a 1:48 minutos do francês da AG2R, Tiago Machado (Katusha-Alpecin) a 5:40, Nelson Oliveira a 7:49 e José Gonçalves chegou a 15:11 do vencedor.

Pode ver aqui as classificações completas.

Oitava etapa: Linares - Almadén, 195,1 quilómetros

Vai ser um dia algo nervoso, muito porque se aproxima a primeira etapa que pode ser decisiva na Vuelta. Espera-se um final ao sprint, que tendo os últimos metros em subida, coloca Peter Sagan como favorito, mas a concorrência continuará a ser forte.

Os homens da geral quererão ter um dia o mais tranquilo possível numa Vuelta, pois no domingo terão de enfrentar La Covatilla, uma categoria especial, que chegará depois de uma subida de primeira, outra de terceira e ainda uma de segunda, com muito sobe e desce pelo meio. Serão ainda 200,8 quilómetros, sendo a segunda etapa mais longa da corrida. Mas primeiro há mais um dia para sobreviver.



17 de junho de 2018

Bardet, AG2R e os contra-relógios

(Fotografia: © AG2R La Mondiale)
Dois pódios (um segundo e um terceiro lugar), três etapas, muita atitude e garra e talento não lhe falta. Romain Bardet tornou-se a esperança francesa de ver um seu ciclista ganhar o Tour, eclipsada que vai parecendo estar a esperança anterior, Thibaut Pinot. Ao contrário do seu compatriota que teve uma ascensão meteórica e se viu rodeado de uma pressão mediática que talvez não tivesse preparado para lidar, Bardet foi conquistando o seu estatuto e soube sempre ir afastando a inevitável pressão que surge quando há um francês de qualidade que aparece. Afinal são mais de 30 anos sem um francês ganhar em casa, depois de Bernard Hinault. Mas a atitude que o torna mentalmente forte, também o ameaça trair.

A postura de achar que não é preciso trabalhar mais os contra-relógios quase lhe custou o pódio há um ano. Segurou por um segundo. Curiosamente, as bonificações que conquistou noutras etapas acabaram por ser decisivas, sendo que Bardet é contra esse sistema. O ciclista pode achar que consegue ganhar o Tour só nas montanhas, a AG2R é que não concorda. O contra-relógio tem cada vez mais conquistada relevância na decisão destas provas (e não só). Não é preciso ser um especialistas, mas ou Bardet se defende, ou fica a ver os adversários passarem-lhe à frente. Bardet é fraco nesta vertente e com o Tour deste ano a recuperar o contra-relógio colectivo, a equipa não hesitou. O treino intensificou-se e o resultado já esteve à vista.

No Critérium du Dauphiné, a AG2R perdeu 1:30 para a vencedora, a Sky, em 35 quilómetros, a mesma distância que está prevista na Volta a França, na terceira etapa. Para a AG2R foi algo extremamente positivo. Soube quase a vitória! É uma equipa de bons trepadores, que dão cada vez mais garantias de um apoio sólido a Bardet. Mas se no contra-relógio as perdas não forem minimizadas, então de pouco servirá quando enfrentar uma Sky, Movistar, Sunweb e BMC, fortíssimas neste aspecto.

"Desde Dezembro que temos trabalhado o contra-relógio por equipas. Fizemos testes no túnel de vento, testámos equipamentos e
 trabalhámos em diferentes elementos. As melhores não são enormes, mas tirámos vários segundos e as corridas decidem-se assim", explicou o director da equipa, Vincent Lavenu.

Romain Bardet tem feito uma época até um pouco surpreendente. Apareceu muito forte nas clássicas, tendo sido segundo no sterrato da Strade Bianche - só foi batido por Tiesj Benoot -  e antes até tinha ganho em França na Faun Environnement-Classic de l'Ardèche Rhône Crussol. Andou mais discreto no Tirreno-Adriatico e na Volta ao País Basco (foi 13º nas duas), reapareceu nas Ardenas, sendo terceiro na Liège-Bastogne-Liège e já complemente concentrado no Tour, fechou na mesma posição no Dauphiné.

Nos contra-relógios individuais que fez, foi igual a si próprio. Isto é, fraco. Porém, o trabalho que foi feito em equipa poderá dar frutos individualmente no Tour. A postura com que irá enfrentar o contra-relógio na Volta a França será bem diferente do que no Tirreno-Adriatico ou no País Basco e até mesmo no prólogo do Dauphiné. Com a excepção desta última corrida, Bardet não correu para ganhar. Já o Tour é para conquistar. Mesmo que continue sem muita vontade de trabalhar sozinho o contra-relógio, tem sido obrigado a fazê-lo com a equipa e se não ganha tanto como se se aplicasse mais, ainda assim, a AG2R terá encontrado a forma de garantir que Bardet possa defender-se melhor.

Este ano, é difícil afastar a ideia que, mais do que nunca, é possível bater Chris Froome e a Sky. Romain Bardet é um dos responsáveis por essa mudança de mentalidade, pois nos dois últimos anos tem sido dos que mais enfrenta a estrutura britânica. A AG2R não quer desperdiçar uma oportunidade de ouro de ver um seu ciclista a quebrar o longo enguiço, só por causa do contra-relógio. O individual terá 31 quilómetros e aparecerá na 20ª etapa. Ou seja, não haverá tempo para corrigir qualquer deslize. E Bardet sabe bem: por um segundo se ganha, por um segundo se perde.

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7 de maio de 2018

Bakelants mostra "material" que tinha nas suas costas desde a grave queda na Lombardia

Regressar à competição quase seis meses depois de uma queda que ameaçou acabar com a carreira, foi um dos melhores momentos para Jan Bakelants. O belga vai vivendo um dia de cada vez, recuperando as sensações de um ciclista e agora tem mais uma razão para sorrir. A sua coluna esteve nos últimos meses "equipada" com um "material" extra que finalmente foi retirado.

Bakelants partilhou uma imagem do que lhe foi colocado nas costas depois da aparatosa queda na Volta à Lombardia. O ciclista da AG2R foi um dos que caiu numa ravina na descida no Sormano. A fotografia da sua bicicleta pendurada numa árvore, enquanto o belga ficou um pouco mais abaixo, foi uma imagem marcante. Laurens De Plus, da Quick-Step Floors, foi outra das vítimas daquele local. Lesionou-se num joelho e a sua recuperação foi mais rápida. Porém, foi atropelado durante o estágio de início de ano na África do Sul e só voltou às corridas no dia 1 de Maio, na Eschborn-Frankfurt (63º).

Já Bakelants regressou na clássica francesa Loire Atlantique (24 de Março), depois completou a Volta ao País Basco, a Amstel Gold Race e esteve na Flèche Wallonne, não tendo terminado esta última. "Para aqueles curiosos por saber como era o material que tinha nas costas. Feliz por estar livre dele. É tempo de seguir em frente", escreveu no Twitter, acompanhando com uma fotografia. A moeda de um euro ajuda a ter percepção do tamanho das peças que estavam na sua coluna.

Apesar de nas corridas que realizou Bakelants ter demonstrado estar num bom caminho para recuperar o seu lugar de destaque na AG2R, o seu calendário vai sendo decidido aos poucos. Falta saber se o ciclista de 32 anos terá condições para ser novamente um dos homens de confiança de Romain Bardet na próxima Volta a França.

Para já, Bakelants está um pouco mais leve. Quando regressou à competição, o belga não escondeu que tinha esperança de poder ser mais um caso de sucesso, como Alejandro Valverde (Movistar) e Ion Izagirre (Bahrain-Merida). "O Valverde está a ganhar outra vez e o Izagirre voltou em grande nível no Paris-Nice", disse na altura. Estes dois corredores sofreram quedas graves na primeira etapa do Tour em 2017. No caso do espanhol também se chegou a temer que poderia ser o fim da carreira. Porém, ambos estão novamente ao seu melhor e Bakelants está a fazer o seu caminho para também ele regressar ao topo da sua forma física.

23 de março de 2018

Bakelants espera seguir o exemplo de Valverde e Izagirre

(Fotografia: AG2R La Mondiale)
Jan Bakelants passou do temer ver a sua carreira terminar, para o desejo de voltar a pedalar no início de 2018 e agora já pode ter o pensamento em poder recuperar o seu lugar entre os homens de confiança da AG2R para as grandes corridas. Desde Outubro que o ciclista belga está a viver uma fase muito complicada, com a aparatosa queda na Volta a Lombardia a deixá-lo com um futuro incerto. E as certezas ainda não são muitas, mas para já, Bakelants irá conseguir regressar à competição, quase seis meses depois de ter caído numa ravina.

A escolha foi a corrida francesa Classic Loire Atlantique, neste sábado. "Não sei o que esperar. Será certamente estranho encontrar-me de novo no pelotão depois das lesões graves que sofri. Espero passar uma boa imagem", disse o ciclista de 32 anos. O anúncio foi feito pela equipa francesa, que realçou como Bakelants teve de enfrentar uma difícil recuperação depois de ter fracturado vértebras e costelas. "O cérebro humano pode ser programado para esquecer os maus momentos", salientou o belga, que também tem de enfrentar a recuperação mental necessária para estar novamente ao mais alto nível e não se deixar assombrar pelas imagens da queda na Lombardia.

Os recentes exemplos de Alejandro Valverde e Ion Izagirre dão confiança a Bakelants, como o próprio admitiu: "Espero que o meu regresso tenha sucesso. O Valverde está a ganhar outra vez e o Izagirre voltou em grande nível no Paris-Nice." De recordar que estes dois ciclistas sofreram graves quedas no contra-relógio inaugural da Volta a França, e, tal como aconteceu com Bakelants, no caso de Valverde, também se temeu que poderia ser o fim da carreira.

O ciclista, que tão importante tem sido ao lado de Romain Bardet, explicou que no último mês tem tido "boas sensações", o que lhe tem permitido treinar bem. "Agora quero tornar-me um ciclista outra vez e ganhar novamente corridas. Não podemos parar quando estamos com dores. Estou confiante que posso rapidamente mostrar que estou de volta", salientou.

E a AG2R está confiante que pode contar com Bakelants a bom nível dentro de pouco tempo. A participação na Classic Loire Atlantique não será apenas um teste para ver como está o ciclista em competição, mas também para o preparar para o que aí vem. Ou, pelo menos, assim se espera. A equipa já definiu um calendário inicial e que prevê a chamada do belga para a semana das Ardenas. Amstel Gold Race, Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège são objectivos, sendo que nesta última - que será o quarto monumento do ano - também estará o líder Romain Bardet.

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16 de janeiro de 2018

A defesa de Froome: mau funcionamento dos rins. Bardet apela a auto-suspensão

(Fotografia: Filip Bossuyt/Wikimedia Commons)
É o tudo ou nada para Chris Froome. A equipa liderada pelo advogado Mike Morgan, que está a preparar a defesa do ciclista britânico, vai apresentar uma tese que está a ser descrita como inédita: o excesso de salbutamol detectado no dia 7 de Setembro, durante a Vuelta, deveu-se ao mau funcionamento dos rins. A notícia é avançada pelo L'Equipe e perante a decisão de provar que não excedeu os níveis permitidos, começa a ganhar destaque o que poderá acontecer se se confirmar o pior: fica sem a vitória na Vuelta, é suspenso por dois anos, arrisca o despedimento da Sky e, se assim for, é o potencial final de carreira, tendo em conta a idade (32 anos).

O jornal francês avança que ainda não foi entregue na UCI qualquer defesa por parte de Chris Froome, mas o departamento anti-doping já terá chamado um especialista para analisar a eventual justificação dos rins. A tese deverá então apoiar-se num mau funcionamento dos rins, que terá permitido a acumulação do salbutamol, que deveria ter sido expelido depois de processado pelo fígado. Os valores da substância, utilizada por asmáticos (como é Froome), foram baixos nos dias antes do 7 de Setembro, segundo o L'Equipe. A tese é que quando os rins começaram a trabalhar bem, acabaram por expelir o salbutamol em níveis elevados, provocando os valores anómalos no teste anti-doping.

De recordar que Froome acusou o dobro do permitido da substância salbutamol, um pouco mais do que sucedeu com Diego Ulissi, em 2014. Porém, o italiano acabou por admitir que tinha excedido o permitido, mas sem intenção de melhorar a sua performance desportiva. A sanção máxima nestas situações é de dois anos, Ulissi foi suspenso por nove meses, pois foi tida em conta a sua atitude. Como o britânico não demonstra qualquer intenção de alterar o seu discurso, que foi desde o início - quando o caso foi tornado público - que não excedeu a quantidade permitida, Froome assume assim que irá até às últimas consequências.

Se conseguir convencer com a sua defesa e for ilibado, ainda assim poderá não ser o final do processo para o ciclista. A Agência Mundial Antidopagem poderá entrar em acção e levar o caso até ao Tribunal Arbitral do Desporto.

Bardet considera auto-suspensão uma opção

Com a temporada a arrancar, vão sendo mais os ciclistas que dão a sua opinião publicamente sobre o que está a acontecer com Chris Froome. O mais recente foi Romain Bardet. O líder da AG2R lamenta que para o salbutamol não esteja previsto uma suspensão provisória imediata, considerando que o britânico não poderá ir ao Tour como se nada se passasse, na eventualidade do processo não estar concluído em Julho. Bardet afirmou ao L'Equipe que seria uma "catástrofe para a imagem da corrida e do ciclismo", se Froome estivesse na Volta a França sem o caso estar encerrado. "Já que a Sky não age, nada impede o ciclista de tomar a decisão pessoal de se afastar enquanto espera pela decisão das autoridades", afirmou Romain Bardet.

A verdade é que estamos a meio de Janeiro, a época já começou com o Tour Down Under e a maioria dos ciclistas já anunciou os seus planos para o início de temporada. Chris Froome está num dos seus habituais estágios na África do Sul. Antes de "rebentar a bomba", tinha sido divulgado que o britânico não iria às corridas australianas, com o arranque de temporada a poder acontecer na Ruta del Sol, ou mesmo na Volta ao Algarve. Perante a polémica do salbutamol está por conhecer qual o calendário de um ciclista que queria (e certamente que continuará a querer) fazer história e vencer o Giro e o Tour em 2018.


3 de janeiro de 2018

As 18 equipas do World Tour, os reforços e os novos equipamentos

A temporada já arrancou na Austrália, com a primeira grande competição a estar marcada para 16 de Janeiro, quando começar o Tour Down Under. O World Tour mantém as 18 formações que estavam no escalão principal em 2017, mas há algumas mudanças nos ciclistas, nos equipamentos e até nos nomes das estruturas como é o caso da Orica-Scott, agora Mitchelton-Scott, ou a Cannondale-Drapac, que passa a chamar-se EF Education First-Drapac p/b Cannondale. Aqui fica como estão constituídas as equipas para 2018, com os reforços em separado para melhor se perceber as mexidas. Entre parênteses está a nacionalidade e no caso dos reforços, a equipa que representavam no ano passado (os que não têm nada é porque vão estrear-se como profissionais).

AG2R-La Mondiale (França)
(Fotografia: AG2R)
Romain Bardet (Fra), Gediminas Bagdonas (Lit), Jan Bakelants (Bél), Rudy Barbier (Fra), François Bidart (Fra), Mickäel Chérel (Fra), Clément Chevrier (Fra), Benoit Cosnefroy (Fra), Nico Denz (Ale), Axel Domont (Fra), Samuel Dumoulin (Fra), Hubert Dupont (Fra), Julien Duval (Fra), Mathias Frank (Sui), Ben Gastauer (Lux), Cyril Gautier (Fra), Alexandre Geniez (Fra), Alexis Gougeard (Fra), Quentin Jauregui (Fra), Pierre Latour (Fra), Matteo Montaguti (Ita), Olivier Naesen (Bél), Nans Peters (Fra), Stijn Vandenbergh (Bél) e Alexis Vuillermoz (Fra).

Reforços: Silvan Dillier (Sui, BMC), Tony Gallopin (Fra, Lotto Soudal), Aurelien Paret-Peintre (Fra) e Clément Venturini (Fra, Cofidis).

Astana (Cazaquistão)
(Fotografia: Astana)
Miguel Ángel López (Col), Pello Bilbao (Esp), Zhandos Bizhigitov (Caz), Dario Cataldo (Ita), Sergei Chernetckii (Rus), Laurens De Vreese (Bel), Daniil Fominykh (Caz), Jakob Fuglsang (Din), Oscar Gatto (Ita), Andriy Grivko (Ucr), Dmitriy Gruzdev (Caz), Jesper Hansen (Din), Tanel Kangert (Est), Truls Korsaeth (Nor), Bakhtiyar Kozhatayev (Caz), Alexey Lutsenko (Caz), Riccardo Minali (Ita), Moreno Moser (Ita, -na fotografia)), Luis León Sánchez (Esp), Nikita Stalnov (Caz), Ruslan Tleubayev (Caz), Michael Valgren (Din), Artyom Zakharov (Caz) e Andrey Zeits (Caz).

Reforços: Magnus Cort (Din, Orica Scott), Omar Fraile (Esp, Dimension Data), Yevgeniy Gidich (Caz, Vino-Astana Motors), Jan Hirt (Che, CCC Sprandi Polkowice), Hugo Houle (Can, AG2R) e Davide Villella (Ita, Cannondale-Drapac).

Bahrain-Merida (Bahrein)
(Fotografia: BettiniPhoto/Bahrain-Merida)
Vincenzo Nibali (Ita), Ion Izagirre (Esp), Valerio Agnoli (Ita), Yukiya Arashiro (Jap), Manuele Boaro (Ita), Grega Bole (Slo), Niccolo Bonifazio (Ita), Borut Bozic (Slo), Sonny Colbrelli (Ita), Chun Kai Feng (Tai), Iván García Cortina, Enrico Gasparotto (Ita), Heinrich Haussler (Aus), Raimundas Navardauskas (Lit), Antonio Nibali (Ita), Domen Novak (Slo), Mark Padun (Ucr), Franco Pellizotti (Ita), David Per (Slo), Luka Pibernik (Slo), Kanstantin Siutsou (Bie), Giovanni Visconti (Ita) e Meiyin Wang (Chi).

Reforços: Gorka Izagirre (Esp, Movistar), Kristijan Koren (Esl, Cannondale-Drapac), Matej Mohoric (Esl, UAE Team Emirates), Hermann Pernsteiner (Aut, Amplatz-BMC) e Domenico Pozzovivo (Ita, AG2R).

BMC (EUA)
(Fotografia: Chris Auld Photography/BMC)
Richie Porte (Aus), Nicolas Roche (Irl), Greg Van Avermaet (Bel), Tejay van Garderen (EUA), Joey Rosskopf (EUA), Michael Schar (Sui), Miles Scotson (Aus), Dylan Teuns (Bel), Tom Bohli (Sui), Brent Bookwalter (EEUU), Damiano Caruso (Ita), Alessandro De Marchi (Ita), Rohan Dennis (Aus), Jean-Pierre Drucker (Lux), Kilian Frankiny (Sui), Stefan Küng (BMC), Nathan Van Hooydonck (Bel), Fran Ventoso, Loïc Vliegen (Bel) e Danilo Wyss (Sui).

Reforços: Alberto Bettiol (Ita, Cannondale-Drapac), Patrick Bevin (Nzl, Cannondale-Drapac), Sinom Gerrans (Aus, Orica-Scott), Jurgen Roelandts (Bel, Lotto Soudal).





Bora-Hansgrohe (Alemanha)
(Fotografia: VeloImages/Bora-Hansgrohe)
Peter Sagan (Slo), Rafal Majka (Pol), Pascal Ackermann (Ale), Erik Baska (Slo), Cesare Benedetti (Ita), Sam Bennett (Irl), Maciej Bodnar (Pol), Emanuel Buchmann (Ale), Marcus Burghardt (Ale), Michael Kolar (Slo), Patrick Konrad (Aut), Leopold König (Cze), Jay McCarthy (Aus), Gregor Mühlberger (Aut), Matteo Pelucchi (Ita), Christoph Pfingsten (Ale), Pawel Poljanski (Pol), Lukas Pöstlberger (Aut), Juraj Sagan (Slo), Aleksejs Saramotins (Let), Andreas Schillinger (Ale), Michael Schwarzmann (Ale) e Rüdiger Selig (Ale).

Reforços: Davide Formolo (Ita, Cannondale-Drapac), Felix Grosschartner (Aut, CCC Sprandi Polkowice), Peter Kennaugh (GB, Sky), Daniel Oss (Ita, BMC).

Dimension Data (África do Sul)
(Fotografia: Dimension Data)
Mark Cavendish (GB), Stephen Cummings (GB), Igor Antón (Esp), Natnael Berhane (Afs), Edvald Boasson Hagen (Nor), Mekseb Debesay (Eri), Nick Dougall (Afs), Amanuel Gebreigzabhier (Eri), Bernhard Eisel (Aut), Ryan Gibbons (Afs), Jacques Janse van Rensburg (Afs), Rainardt Janse van Rensburg (Afs), Benjamin King (EUA), Merhawi Kudus (Eri), Lachlan Morton (Aus), Ben O’Connor (Aus), Serge Pauwels (Bel), Mark Renshaw (Aus), Jay Robert Thomson (Afs), Scott Thwaites (GB), Johann Van Zyl (Afs) e Jaco Venter (Afs).

Reforços: Louis Meintjes (Afs, UAE Team Emirates), Scott Davies (GB, Team Wiggins), Nickolas Dlamini (Afs, Dimension Data for Qhubeka), Tom-Jelte Slagter (Hol, Cannondale-Drapac) e Julien Vermote (Bel, Quick-Step Floors).

EF Education First-Drapac p/b Cannondale (EUA)
(Fotografia: EF Education First-Drapac p/b Cannondale)
Rigoberto Urán (Col), Nathan Brown (Usa), Brendan Canty (Aus), Hugh Carthy (GB), Simon Clarke (Aus), William Clarke (Aus), Lawson Craddock (EUA), Joe Dombrowski (EUA), Alex Howes (EUA), Sebastian Langeveld (Hol), Dani Moreno, Taylor Phinney (EEUU), Pierre Rolland (Fra), Thomas Scully (Aus), Tom Van Asbroeck (Bél), Sep Vanmarcke (Bél) e Michael Woods (Can).

Reforços: Matti Breschel (Din, Astana), Mitchell Docker (Aus, Orica-Scott), Kim Magnusson (Sue, Tre Berg-Postnord), Daniel McClay (GB, Fornuneo-Oscaro), Sacha Modolo (Ita, UAE Team Emirates) e Logan Owen (EUA, Axeon Hagens Berman).

Groupama-FDJ (França)
O nome e o novo equipamento serão estreados a 4 de Março no Paris-Nice. até lá será apenas FDJ
Thibaut Pinot (Fra), Arnaud Démare (Fra), William Bonnet (Fra), Davide Cimolai (Ita), Mickaël Delage (Fra), David Gaudu (Fra), Jacopo Guarnieri (Ita), Daniel Hoelgaard (Nor), Ignatas Konovalovas (Lit), Matthieu Ladagnous (Fra), Olivier Le Gac (Fra), Tobias Ludvigsson (Sue), Valentin Madouas (Fra), Rudy Molard (Fra), Steve Morabito (Sui), Sebastien Reichenbach (Sui), Anthony Roux (Fra), Jérémy Roy (Fra), Marc Sarreau (Fra), Benoit Vaugrenard (Fra), Arthur Vichot (Fra) e Léo Vincent (Fra).

Reforços: Ramon Sinkeldam (Hol, Sunweb), Benjamin Thomas (Fra, Armée de Terre - na fotografia), Bruno Armirail (Fra, Armée de Terre), Antoine Duchesne (Can, Direct Energie), Georg Preidler (Aut, Sunweb) e Romain Seigle (Fra), 

Katusha-Alpecin (Suíça)
(Fotografia: Katusha-Alpecin)
Ilnur Zakarin (Rus), ony Martin (Ale), Maxim Belkov (Rus), Jenthe Biermans (Bel), José Gonçalves (Por), Marco Haller (Aut), Reto Hollenstein (Sui), Robert Kiserlovski (Cro), Pavel Kochetkov (Rus), Viacheslav Kuznetsov (Rus), Maurits Lammertink (Hol), Tiago Machado (Por), Marco Mathis (Ale), Baptiste Planckaert (Bél), Nils Politt (Ale), Jhonatan Restrepo (Col), Mads Würtz Schmidt (Din), Simon Spilak (Slo) e Rick Zabel (Ale).

Reforços: Marcel Kittel (Ale, Quick-Step Floors), Ian Boswell (EUA, Sky), Alex Dowsett (GB, Movistar), Steff Cras (Bel), Matteo Fabbro (Ita), Willie Smit (Afs) e Nathan Haas (Aus, Dimension Data).

Lotto-Jumbo (Holanda)
(Fotografia: Lotto-Jumbo)
Steven Kruijswijk (Hol), Primoz Roglic (Slo), Robert Gesink (Hol), Dylan Groenewegen (Hol), Enrico Battaglin (Ita), George Bennett (Aus), Lars Boom (Hol), Koen Bouwman (Hol), Stef Clement (Hol), Floris De Tier (Bel), Aumund Grondahl Jansen (Nor), Tom Leezer (Hol), Bert-Jan Lindeman (Hol), Paul Martens (Ale), Daan Olivier (Hol), Timo Roosen (Hol), Bram Tankink (Hol), Antwan Tolhoek (Hol), Jos van Emden (Hol), Gijs Van Hoecke (Bel), Danny Van Poppel (Hol), Robert Wagner (Ale) e Maarten Wynants (Bel).

Reforços: Sepp Kuss (Hol, Rally Cycling), Neilson Powless (EUA, Axeon Hagens Berman) e Pascal Eenkhoorn (Hol).

Lotto-Soudal (Bélgica)
(Fotografia: Lotto Soudal)
André Greipel (Ale), Tiesj Benoot (Bel), Sander Armée (Bel), Lars Ytting Bak (Din), Jasper De Buyst (Bel), Thomas de Gendt (Bel), Jens Debusschere (Bel), Frederik Frison (Bel), Adam Hansen (Aus), Moreno Hofland (Hol), Bjorg Lambrecht (Bel), Nikolas Maes (Bel), Tomasz Marczynski (Pol), Remy Mertz (Bel), Maxime Monfort (Bel), James Shaw (GB), Marcel Sieberg (Ale), Tosh Van der Sande (Bel), Jelle Vanendert (Bel), Jelle Wallays (Bél), Tim Wellens (Bel) e Enzo Wouters (Bel).

Reforços: Lawrence Naesen (Bel), Victor Campenaerts (Bel, Lotto-Jumbo), Berg Lambrecht (Bel), Jens Keukeleire (Bel, Orica-Scott) e Harm Vanhoucke (Bel).

Mitchelton-Scott (Austrália)
(Fotografia: Mitchelton-Scott)
Adam Yates (GB), Simon Yates (GB), Johan Esteban Chaves (Col), Michael Albasini (Sui), Sam Bewley (Nzl), Luke Durbridge (Aus), Alexander Edmondson (Aus), Caleb Ewan (Aus), Jack Haig (Aus), Matthew Hayman (Aus), Michael Hepburn (Aus), Damien Howson (Aus), Daryl Impey (RsA), Christopher Juul-Jensen (Din), Roger Kluge (Ale), Roman Kreuziger (Cze), Luka Mezgec (Slo), Robert Power (Aus), Svein Tuft (Can) e Carlos Verona (Esp).

Reforços: Mikel Nieve (Esp, Sky), Jack Bauer (Nzl, Quick-Step Floors), Cameron Meyer (Aus, durante um ano dedicou-se mais à pista), Lucas Hamilton (Aus) e Matteo Trentin (Ita, Quick-Step Floors).

Movistar (Espanha)
(Fotografia: Movistar)
Alejandro Valverde (Esp), Nairo Quintana (Col), Andrey Amador (CR), Winner Anacona (Col), Jorge Arcas (Esp), Carlos Barbero (Esp), Daniele Bennati (Ita), Carlos Betancur (Col), Nuno Bico (Por), Richard Carapaz (Equ), Héctor Carretero (Esp), Víctor de la Parte (Esp), Imanol Erviti (Esp), Rubén Fernández (Esp), Nelson Oliveira (Por), Antonio Pedrero (Esp), Dayer Quintana (Col), José Joaquín Rojas (Esp), Marc Soler (Esp) e Jasha Sütterlin (Ale).

Reforços: Mikel Landa (Esp, Sky), Jaime Castrillo (Esp), Jaime Rosón (Esp, Caja Rural), Eduardo Sepúlveda (Arg, Fortuneo-Oscaro) e Rafa Valls (Esp, Lotto Soudal).

Quick-Step Floors (Bélgica)
(Sigfrid Eggers/Quick-Step Floors)
Fernando Gaviria (Col), Philippe Gilbert (Bel), Julian Alaphilippe (Fra), Bob Jungels (Lux), Eros Capecchi (Ita), Rémi Cavagna (Fra), Laurens De Plus (Bel), Tim Declercq (Bel), Dries Devenyns (Bel), Iljo Keisse (Bel), Yves Lampaert (Bel), Davide Martinelli (Ita), Enric Mas (Esp), Ariel Richeze (Arg), Fabio Sabatini (Ita), Max Schachmann (Ale), Pieter Serry (Bel), Zdenek Stybar (Che), Niki Terpstra (Hol) e Petr Vakoc (Che).

Reforços: 
Elia Viviani (Ita, Sky)), Álvaro Hodeg (Col, Coldeportes-Claro), Favio Jakobsen (Hol, SEG Racing Academy), James Knox (GB, Team Wiggins), Michael Morkov (Din, Katusha-Alpecin), Jhonathan Narváez (Ven, Axeon Hagens Berman) e Florian Sénéchal (Fra, Cofidis).

Sky (Grã-Bretanha)
(Fotografia: Team Sky)
Chris Froome (GB), Ian Stannard (GB), Geraint Thomas (GB), Philip Deignan (Irl), Jonathan Dibben (GB), Owain Doull (GB), Kenny Elissonde (Fra), Tao Geoghegan Hart (GB), Michal Golas (Pol), Sergio Luis Henao (Col), Sebastián Henao (Col), Beñat Intxausti (Esp), Vasil Kiryienka (Bie), Christian Knees (Ale), Michal Kwiatkowski (Pol), David López, Gianni Moscon (Ita), Wout Poels (Hol), Salvatore Puccio (Ita), Diego Rosa (Ita), Luke Rowe (GB) e Lukasz Wisniowski (Pol).

Reforços: Pavel Sivakov (Rus), Leonardo Basso (Ita), Egan Bernal (Col, Androni-Sidermec-Bottechia), Jonathan Castroviejo (Esp, Movistar), David de la Cruz (Esp, Quick-Step Floors), Kristoffer Halvorsen (Nor, Joker-Icopal), Chris Lawless (GB, Axeon Hagens Berman) e Dylan van Baarle (Hol, Cannondale-Drapac).

Sunweb (Alemanha)
(Fotografia: Team Sunweb)
Tom Dumoulin (Hol), Wilco Kelderman (Hol), Soren Kragh Andersen (Din), Nikias Arndt (Ale), Phil Bauhaus (Ale), Roy Curvers (Hol), Johannes Fröhlinger (Ale), Simon Geschke (Ale), Chad Haga (Usa), Chris Hamilton (Aus), Lennard Hofstede (Hol), Lennard Kämna (Ale), Michael Matthews (Aus), Sam Oomen (Hol), Tom Stamsnijder (Hol), Laurens ten Dam (Hol), Mike Teunissen (Hol) e Max Walscheid (Ale).

Reforços: Edward Theuns (Bel, Trek-Segafredo), Martijn Tusveld (Hol, Roompot-Nederlandse Loterij), Louis Vervaeke (Bel, Lotto Soudal), Jai Hindley (Aus, Mitchelton-Scott, equipa Continental) e Michael Storer (Aus, Mitchelton-Scott, equipa Continental).

Trek-Segafredo (EUA)
John Degenkolb (Ale), Jasper Stuyven (Bel), Eugenio Alafaci (Ita), Fumiyuki Beppu (Jap), Julien Bernard (Fra), Matthias Brändle (Aut), Gregory Daniel (EUA), Koen de Kort (Hol), Laurent Didier (Lux), Fabio Felline (Ita), Michael Gogl (Aut), Ruben Guerreiro (Por), Markel Irizar, Bauke Mollema (Hol), Giacomo Nizzolo (Ita), Jarlinson Pantano (Col), Mads Pedersen (Din,), Gregory Rast (Sui), Kiel Reijnen (EUA), Peter Stetina (EUA) e Boy van Poppel (Hol).

Reforços: Gianluca Brambilla (Ita, Quick-Step Floors), Nicola Conci (Ita), Niklas Eg (Din, Virtu Cycling), Alex Frame (Nzl, JLT Condor), Tsgabu Grmay (Eti, Bahrain-Merida), Ryan Mullen (Irl, Cannondale-Drapac), Toms Skujins (Let, Cannondale-Drapac).

UAE Team Emirates (Emirados Árabes Unidos)
(Fotografia: UAE Team Emirates)
Rui Costa (Por)Ben Swift (GB), Diego Ulissi (Ita), Anass Ait el Abdías (Mar), Darwin Atapuma (Col), Matteo Bono (Ita), Simone Consonni (Ita), Valerio Conti (Ita), Kristijan Đurasek (Cro), Roberto Ferrari (Ita), Filippo Ganna (Ita), Vegard Stake Laengen (Nor), Marco Marcato (Ita), Yousif Mirza (UAE), Manuele Mori (Ita), Przemysław Niemiec (Pol), Simone Petilli (Ita), Jan Polanc (Slo), Edward Ravasi (Ita), Aleksandr Riabushenko (Bie) e Oliviero Troia (Ita).

Reforços: Fabio Aru (Ita, Astana), Sven Erik Bystrom (Nor, Katusha-Alpecin), Alexander Kristoff (Nor, Katusha-Alpecin), Daniel Martin (Irl, Quick-Step Floors) e Rory Sutherland (Aus, Movistar).

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4 de dezembro de 2017

Ataque ao Tour falhou no contra-relógio, mas AG2R ganhou força nas clássicas

Se não fosse o contra-relógio, Bardet poderia ter feito melhor no Tour
(Fotografia: Facebook AG2R)
A AG2R está numa missão de colocar Romain Bardet no primeiro lugar do pódio nos Campos Elísios e assim ter o seu ciclista a terminar com a longa espera francesa de vitorias no Tour, que dura desde 1985, ano em que Bernard Hinault ganhou. Bardet já sabe o que é ser segundo e agora terceiro. Apresenta-se como um dos ciclistas com mais capacidade para bater Chris Froome, mesmo sem ter uma equipa tão poderosa a ajudá-lo. No entanto, a AG2R terá de convencer o seu líder que o contra-relógio é de extrema importância e que Bardet não pode depender apenas da sua qualidade de excelente trepador. Por pouco, essa estranha decisão de não aperfeiçoar o esforço individual não lhe custou o pódio, que segurou por um segundo, para desespero de Mikel Landa (Sky). E se não há dúvida que o foco da equipa em Bardet é o principal, Oliver Naesen obrigou os responsáveis a olhar com mais atenção para ele. O belga está feito num excelente homem de clássicas e mesmo não sendo historicamente o ponto de maior interesse da AG2R, o facto da equipa renovar com o ciclista até 2020 quer dizer muito.

E começando precisamente por Naesen. Há um ano tinha deixado indicações que estaria preparado para assumir uma responsabilidade maior nas clássicas. E em 2016 ganhou a confiança que lhe faltava para fazer frente aos grandes nomes, como Peter Sagan, Greg van Avermaet e ainda o renascido Philippe Gilbert, a quem "tirou" a camisola de campeão belga. E que bem esteve Naesen nas clássicas do pavé. Pode apenas ter somado dois top 10 - sexto na Dwars Door Vlaanderen/A travers la Flandre e terceiro na E3 Harelbeke -, mas esteve na discussão, inclusivamente nos monumentos da Volta a Flandres e Paris-Roubaix. O sentido táctico terá de ser aperfeiçoado, que muito se ganha com experiência. Por isso mesmo, é já um ciclista que mais expectativa está a criar para 2018.

Mas atenção que Naesen é também corredor para provas por etapas e tem um especial apreço pelo Eneco Tour, agora BinckBank Tour. E quando foi preciso trabalhar para Romain Bardet no Tour, mostrou como pode ser importante na protecção ao seu líder, naquele que é o objectivo mor da AG2R.

Ranking: 9º (6316 pontos)
Vitórias: 16 (incluindo uma etapa na Volta a França e na Volta à Suíça)
Ciclista com mais triunfos: Alexandre Geniez e Alexis Vuillermoz (3)

A equipa aspirava alto. Só o pódio já não satisfaz plenamente depois de Romain Bardet ter sido segundo em 2016. Toda a temporada foi preparada a pensar no Tour, ainda que tenha começado mal com uma desqualificação no Paris-Nice. Bardet agarrou-se ao carro da equipa e ganhou uns metros de uma forma mais rápida do que o suposto. Foi o alerta que mesmo sendo francês, não haverá facilidades. Regras são regras. O ciclista respondeu como tinha de fazer: com exibições de qualidade, sem, no entanto, dar demasiado nas vistas. 

Chegou ao Tour em grande forma, mas a decisão de não treinar mais o contra-relógio custou-lhe logo a abrir 39 segundos. E ainda havia mais um esforço individual a fechar a corrida. E dá que pensar se Bardet estivesse um pouco melhor nesta especialidade. O francês esteve bem em praticamente todas as etapas de montanha, ganhou em Peyragudes e era uma verdadeira ameaça a Froome, juntamente com o surpreendente Rigoberto Uran. Tudo bem feito até ao penúltimo dia e eram 23 segundos a separar Bardet do britânico antes do contra-relógio decisivo. Acabou a corrida a 2:20...

É, sem dúvida, dos melhores trepadores da actualidade. Tem o que é preciso para ganhar uma grande volta, mas tem de melhorar um pouco mais no contra-relógio. Tem de ser capaz de se defender, ou então vai continuar a subir ao pódio, mas terá sempre alguém à sua frente. A época da AG2R centrou-se na Volta a França, apesar de ter conquistado mais algumas vitórias, principalmente em corridas em casa, o que é importante dado o patrocinador, ainda que algumas sejam de pouco relevo a nível internacional.

É tudo pelo Tour e assim vai continuar a ser, agora com os reforços gauleses Tony Gallopin (Lotto Soudal), Silvan Dillier (BMC) e Clément Venturini (Cofidis). A AG2R pode não ser uma Sky, longe disso, mas é das equipas que melhor consegue proteger o seu líder, ainda que falte um braço direito que resista mais tempo na alta montanha.

Domenico Pozzovivo ainda teve a oportunidade de lutar pelo Giro, mas é mais do que claro que a AG2R não apostava naquela corrida, deixando o italiano um pouco entregue à sua sorte. Fez sexto e agora vai para a Bahrain-Merida, pois aos 35 anos já não se ilude e irá assumir o papel de apoio a Vincenzo Nibali. Foi com Bardet à Vuelta, mas Pozzovivo abandonou e o francês cedo desligou-se da competição, terminando no 17º posto. O pico de forma foi no Tour porque, lá está, é essa a missão de carreira deste francês.